1 Samuel 16.7b

Alocução para Sepultamento

01/11/1993

O Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração (l Samuel 16.7b).

Prezada comunidade enlutada; prezados pais, irmãos e demais familiares de NN!

Toda vez que nos reunimos em torno de um esquife, é para despedir-nos de alguém que, através da morte, partiu definitivamente de nosso meio. Significa a despedida de uma pessoa que conhecíamos, que era nossa amiga, que muito significava para nós. Para os familiares significa despedir-se de alguém que com eles conviveu, que eles amavam, que fazia parte de sua vida.

Diante de um esquife sempre nos sentimos abatidos, tristes e comovidos, não importando a maneira como a pessoa partiu. Diante do esquife reconhecemos a nossa fragilidade, a nossa fraqueza e transitoriedade. E perguntamos: Por quê?

Mais insistentes, porém, são as perguntas quando alguém parte como NN.

Por quê? Como foi possível tal coisa? Assim perguntamos hoje. Assim perguntam vocês, prezados pais, irmãos e demais familiares. Não podemos entender os motivos que levaram NN a este extremo. A nossa razão nos aponta as coisas externas. Essas, porém, apresentam-se favoráveis para a vida. Recursos não faltaram. NN tinha tudo para ter êxito na vida. Seus pais fizeram tudo para que superasse as crises. Solicitaram inclusive os serviços profissionais de especialistas. A mãe permaneceu meses junto a ele, procurando com sua dedicação e com seu amor de mãe ajudá-lo a vencer. O pai o assistia de perto, convidando-o a integrar-se na firma, na sociedade. Mesmo assim, NN não conseguiu superar, não conseguiu ver sentido em sua vida, terminando com ela de forma violenta.

Diz a palavra bíblica que antes ouvimos: O Senhor, isto é Deus, não vê como vê o homem. A verdade dessa palavra reconhecemos quando pensamos naquilo que aconteceu ontem à noite. Nós vemos apenas o exterior. Deus vê mais.

Os familiares, os amigos, os vizinhos e os colegas de trabalho, enfim, todos nós que nos reunimos aqui e agora pensávamos conhecer NN. Mas, na verdade, não o conhecíamos suficientemente. Não conhecíamos aquilo que atormentava o seu coração. Não conhecíamos os problemas íntimos, os quais ele não conseguiu superar sozinho.

Normalmente, estamos inclinados a observar apenas as coisas exteriores, as externas. Não nos damos ao trabalho, não tomamos o tempo para ouvir e sentir o que vai no coração do outro. Esse fato mostra as nossas limitações, as nossas falhas, e ouvimos a nossa consciência acusar-nos: Onde está o teu irmão?

O nosso texto afirma: O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração. Deus sabe o que vai no coração da pessoa. Ele vê a solidão, a luta íntima da pessoa Ele vê o coração. Por isso podemos ter a certeza de que irá julgar com justiça e misericórdia. Que ele age assim mostrou-nos na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. através do qual nos convida, dizendo: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, eu vos aliviarei. Essa palavra valia para o falecido e vale também para nós, principalmente agora, neste instante. A ele podemos dirigir-nos em nossa dor e em nosso sofrimento. A ele podemos trazer todas as nossas dúvidas. Ele quer ajudar a carregar o fardo que foi imposto a vocês; ele quer ajudar vocês a superarem a dor que se apoderou de seus corações, caros familiares.

Para a nossa razão humana, que vê apenas o exterior, o tentador venceu, levando NN a praticar um ato que Deus desaprova, pois foi ele quem nos deu a vida e é o único que tem o direito de tirá-la. Tenhamos, porém, mesmo assim, a confiança de que Deus é maior e mais poderoso do que o tentador. Confiemos a Ele o nosso falecido irmão com o pedido de que não nos julgue segundo o nosso merecimento, mas segundo a sua grande misericórdia.

Queira Deus dar-lhes o conforto de que necessitam através de sua Palavra e seu Santo Espírito. Amém.

Obs.: Alocução proferida por ocasião do sepultamento de um jovem de família economicamente bem situada, que sofria de depressão e cometeu suicídio.


Autor(a): George E. Edmundo Grübber
Âmbito: IECLB
Testamento: Antigo / Livro: Samuel I / Capitulo: 16 / Versículo Inicial: 7
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1993 / Volume: 19
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Alocução
ID: 15402
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