1 Samuel 3.1-10 (19)

16/01/2000

Prédica: 1 Samuel 3.1-10 (19)
Leituras: 1 Coríntios 6.12-20 e João 1.43-51
Autor: Mayke M. Kegel Dutra
Data Litúrgica: 2º Domingo após Epifania
Data da Pregação: 16/01/2000
Proclamar Libertação - Volume: XV
Tema: Epifania

1. Introdução

Estamos vivenciando o início de uni novo milénio em que as pessoas estão preocupadas com o fim. O fim do século. O fim do milênio. O fim do mundo. O fim de tudo. Um mundo e um tudo que nem se sabe ao certo de que se trata. As pessoas lêem sobre profecias de Nostradamus, comparam com os textos apocalípticos e tiram suas conclusões.

Proponho que se trate o texto de l Sm 3.1-21 como um lodo, não apenas a parte do chamado de Samuel, mas também a profecia. Necessitamos, como povo de Deus, que durante 2.000 anos manteve-se como povo cristão entrando em um novo milênio, ter uma voz profética mais intensa. Deus é amor, é aquele que chama e chama para sermos instrumentos do seu falar e agir. Sugiro não fazer a leitura de l Co 6.12-20, por este texto trazer uma outra temática, e manter o texto de Jo 1.43-51, que traz a questão do reconhecimento do Messias (v. 49) e da profecia (v. 51).

2. O texto de l Samuel 3.1-21

2.1. Contexto

Conforme Sellin-Fohrer, l Sm 1-3 retrata a história da juventude de Sa¬muel, e o texto de l Sm 3.1-21 relata seu chamado como profeta que tem por trás de si toda a questão do reinado de Saul e Davi.
Tem-se dúvidas quanto às tradições a respeito de Samuel, que nelas é caracterizado com nazireu, como sacerdote e como juiz, e igualmente quanto àquelas que falam da sua contribuição para o aparecimento da realeza. Quanto ao aspecto teológico, em determinada parte das narrativas se reflete, viva, a mentalidade religiosa e nacional, tal qual fora representada na corte real de Jerusalém e mais tarde consignada no estrato fonte J do Hexateuco.

O texto de l Sm 3.1-21 está junto com os testemunhos mais representativos da necessidade constante de uma palavra de profeta que o povo de Israel sentia (l Sm 28.5-6; l Rs 22.5; 2 Rs 8.8; 13.14; 19.1-4; 22.11-13; Jr 38.14; 41.3; Nm 11.29; SI 74.9; l Mc 4.46; 9.27; 14.41). O povo de Israel, conforme Louis Monloubou, sentiu, durante toda a sua história, necessidade de ouvir uma palavra profética, de saber que havia um profeta no meio da comunidade (Ez 2.5).

2.2. Análise de versículos

V. 1: O jovem Samuel, filho de Elcana e Ana, deixado no templo para servir ao Senhor, perante o sacerdote Eli, vive um momento meio instável, pois as visões eram raras.
Vv. 2-3: Contextualizam o lugar onde Eli e Samuel repousavam e como estava a saúde de Eli.
Vv. 4-6: Samuel escuta o chamado, mas ainda não o identifica como sendo do Senhor.
V. 7: Samuel não reconhece o chamado porque a palavra do Senhor ainda não tinha sido manifestado a ele.
V. 8: Eli, antes de Samuel, entende de quem vem o chamado.
V. 9: Eli revela isto a Samuel e orienta-o para quando ouvir novamente o chamado.
y 10: Samuel procede conforme a orientação de Eli e responde ao Senhor.
Vv. 11-14: Profecia de Deus contra a casa de Eli.
Vv. 15-16: Samuel receia contar para Eli, o qual o chama para isto.
V. 17: Eli pergunta o que o Senhor disse, e faz Samuel conscientizar-se da ação de Deus caso ele não contar a profecia.
V. 18: Samuel se refere a tudo, e Eli, como servo de Deus, aceita a profecia, pois sabia dos erros cometidos.
Vv. 19-20: Reconhecimento de Samuel como profeta.
V 21: Deus se manifesta a Silo através de Samuel. A partir deste momento Samuel passa a ser o mensageiro de Deus e todo o povo o sabe, desde Dã, no extremo norte, até Berseba, no limiar do deserto meridional.

3. Pensando na pregação

O texto de l Sm 3.1-21 nos leva à reflexão sobre os meios de revelação de Deus ao ser humano sobre quem Ele é e o quer. Há muito a forma de revelação de Deus através de visões e fala estava sem manifestação. O povo estava, provavelmente, com dúvidas, questionando a ação e existência de Deus, e, conseqüentemente, os profetas ficaram meio sem crédito. Deus percebe isto e levanta um novo profeta, Samuel. Este, deduz-se do texto, não conhecia Deus, pois não reconhece a voz do mesmo.

Após o reconhecimento Samuel passa a ser a testemunha fiel de Deus. Percebe-se no texto que Samuel, por inexperiência ou obediência extrema ao sacerdote Eli, tem receio de proferir o que Deus o mandou dizer. Eli, por saber que Deus é aquele que cumpre o que prometeu, seja na dimensão da bênção ou da maldição, leva Samuel a enfrentar seus receios e proferir o veredito. Portanto, temos aqui a dimensão do chamado, da profecia, da obediência e do cumprimen¬to da profecia.

Deus concede dons às pessoas e as escolhe para pô-los em prática. Nosso texto refere-se ao dom da profecia. Hoje pessoas também são chamadas a isto e, como Samuel, não estão entendendo e reconhecendo a voz de Deus. O meio de revelação de Deus foi o chamado. Deus se utilizou da palavra para revelar a Samuel que ele era o escolhido e qual era sua tarefa. As pessoas escolhidas e chamadas por Deus, ainda hoje, precisam de sacerdotes como Eli para clarear seus caminhos e assumi-los. Este seria o primeiro ponto da pregação.

Ser profeta numa nação não é tarefa fácil, ainda mais quando Deus coloca à frente as profecias de castigo, de maldição por descumprimento da lei ou ordem de Deus. Quem são os nossos profetas e profetisas hoje? Acreditamos que eles /elas existem e são servos/as de Deus? Por que aceitamos as palavras de bênção e não aceitamos as palavras que nos alertam para a maldição caso não sigamos a ordem de Deus? A quantas anda o nosso ide e fazei (Mt 28.18-20)? Novo milénio iniciou, quais são as profecias? O que posso modificar no meu agir para que o reino de Deus possa ser implantado? O que Deus está proferindo para mini pessoa cristã dentro do meu círculo pessoal e coletivo? Este seria o segundo passo da pregação.

Quantas e quantas vezes somos colocados frente a uma tarefa e nossos temores nos impedem de cumpri-la? A tarefa pode ser colocada tanto em nível pessoal como coletivo, pois Deus pede ações coletivas que dependem da ação pessoal. A libertação do povo do Egito dependeu da disposição e obediência pessoal, além de outros fatores. Estou/estamos a fim de obedecer a Deus? De ter Jesus Cristo como meu/nosso único Senhor, Salvador e Mediador? Se digo sim, isto requer obediência irrestrita. Estamos aqui frente ao terceiro ponto da pregação.

Deus cumpre o que profere através de suas/seus escolhidas/os. Aqui não pode haver dúvidas. O será que... não pode fazer parte dos pensamentos e do coração. Não há dúvidas da ação de Deus. Aqui sugiro levantar com equilíbrio tanto o cumprimento das palavras de bênção como de maldição, para evitar suavizar demais e deixar em águas mornas a bênção, bem como cair no moralismo extremado. Temos que estar conscientes de que nenhuma das duas são atos banais de Deus. Tanto a bênção como a maldição dependem da minha/nossa responsabilidade, do meu/nosso cumprimento do mandamento maior deixado por Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Este seria o quarto ponto desta pregação.

4. Subsídios litúrgicos

Onde houver equipe litúrgica, sugiro que busquem e motivem as pessoas a testemunhar o chamado que receberam de Deus para exercer os diversos dons na comunidade.

A pregação poderia iniciar com uma pessoa escondida chamando os diver¬sos nomes das pessoas que se dispuseram a testemunhar. Pode ser utilizado o elemento da surpresa ou combinar com as mesmas anteriormente. Após o cha¬mado, elas se levantam e, de onde estão, testemunham para o que foram chama¬das. Depois deste momento o/a pastor/a inicia sua pregação levantando os itens já expostos no item 3, Pensando na pregação.

Hinos: Hinos do povo de Deus, 130, 165, 168, 176, 196; O povo canta, 15, 58, 70, 88, 92.
Sugiro a leitura do auxílio homilético de Martin Volkmann, em Proclamar Libertação, vol. XIX, p. 55ss.

Abençoado encontro com Deus!

Bibliografia

ALEXANDER, David, ALEXANDER, Pat (Eds.). O mundo da Bíblia. Trad. De José Raimundo Vidigal. São Paulo : Paulinas, 1985. p. 231 ss.
FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. São Paulo : Paulinas, 1982. p. 51 ss.
MONLOUBOU, Louis. Os profetas do Antigo Testamento. São Paulo : Paulinas, 1986.
SELLIN, Ernst, FOHRER, Georg. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo : Paulinas, 1977. p. 303ss.

Proclamar Libertação 25
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia


Autor(a): Mayke M. Kegel Dutra
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Epifania
Testamento: Antigo / Livro: Samuel I / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 10
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1999 / Volume: 25
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 12115
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