1 Tessalonicenses 1.5b-10

27/10/2002

Prédica: I Tessalonicenses 1.5b-10
Leituras: Salmo 1 e Mateus 22.34-40 (41-46)
Autor: Lurdes Caron
Data Litúrgica: 23º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 27/10/2002
Proclamar Libertação - Volume: XXVII
Tema:

1. Considerações iniciais

É grande a alegria de estar refletindo com vocês, que formam as diferentes comunidades de nossas igrejas nos dias de hoje, a 1a Carta de Paulo à comunidade de Tessalônica (1Ts 1.5b-10).

Conheço algumas pessoas que hoje irão refletir comigo, outras não conheço pessoalmente, porém, na fé, as tenho como irmãos e irmãs. É por isso que, com vocês, quero hoje ouvir o que Paulo nos tem a dizer em seu primeiro escrito às comunidades cristãs, buscando juntos/as ver o que isso significa para nós no contexto do mundo pluralista de nossos dias. E como juntos/as podemos construir uma sociedade com igualdade de oportunidades, com justiça e com respeito à identidade e dignidade de cada pessoa. Qual é a nossa contribuição?

Coube à comunidade de Tessalônica receber a primeira carta de Paulo, Silvano (Silas) e Timóteo. A primeira Carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Novo Testamento. Autores falam que esta carta foi escrita antes mesmo dos evangelhos.

Neste 23º Domingo após Pentecostes, temos a felicidade de refletir sobre 1Ts 5-10, enriquecendo essa reflexão com o Salmo 1, um salmo do tipo sapiencial, sem título, que forma, junto com o Salmo 2, uma introdução aos Salmos. O Salmo 1, já na primeira palavra (bem-aventurado) mostra sua preocupação com a felicidade do ser humano. É um salmo que fala do sentido da vida, capaz de dar felicidade às pessoas. E, mais ainda, do que buscamos na vida. O que é a felicidade? Onde ela está? Como encontrá-la? Como vivenciá-la? O que é ser bem-aventurado?

Ainda, com toda a simplicidade, junto com a reflexão de 1 Tessalonicenses e o Salmo 1, temos o texto de Mateus 22.34-40 (41-46), que fala do primeiro e do segundo maiores mandamentos: “E Jesus disse-lhe: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’” (Mt 22. 37-39).

Viver o mandamento de amar a Deus e ao próximo é cumprir a lei do Senhor, é construir felicidade, é fazer a experiência de Deus: individual e comunitariamente; é fazer a experiência missionária, hoje, onde estamos e onde nos sentimos chamados e chamadas. Com essa disposição e alegria é que vamos refletir neste domingo sobre 1 Ts 1.5b–10, acompanhada do Salmo 1 e de Mateus 22.34-40 (41-46).

2. Contexto social, político, econômico e religioso

Tessalônica é uma cidade fundada entre os anos 300 a 315 a.C., pelo general Cassandro, subalterno de Alexandre Magno. O nome Tessalônica fora uma homenagem a Tessaloniké (Tessália), esposa de Cassandro. Na época de Paulo, estava sob o domínio político romano. O imperador romano era tido como divus (deus) e, como tal, exigia dos povos dominados que lhe prestassem culto. Senhor (Kyrios) era um dos seus títulos (cf. Joel A. Ferreira, p. 16).

A cidade recebeu sua autonomia interna em 42 d.C. Considerada uma “cidade livre”, a administração era feita por uma “assembléia do povo” (demos), um conselho (boulé) que elaborava as leis e os decretos, e um colégio de cinco magistrados (politarcas).

Tessalônica, capital da Macedônia, situada à beira-mar, junto a uma cadeia de colinas, era muito bem servida de estradas e de um dos melhores portos naturais do mar. Roma fez passar naquela região as mais importantes estradas. Tornou-se um centro vital para a exploração das riquezas agrícolas, minerais e marítimas da Macedônia, bem como um centro de comunicação do império nas direções norte-sul e leste-oeste. A urbanização e os favoritismos impulsionaram o seu crescimento. Essa cidade foi alvo de muita cobiça imperial.

A população dessa cidade era muito heterogênea. Além de gregos e macedônios, vieram para ali, com a finalidade de enriquecer, italianos, sírios, egípcios e judeus. A cidade era sustentada por pesados tributos (impostos), retirados, principalmente, dos povos dominados. Para sustentar a opulência do regime imperial, havia um grande número de trabalhadores escravos, explorados e conseqüentemente excluídos. Coexistiam a riqueza de poucos e a pobreza de muitos. Essa semelhança temos no Brasil e demais países da América Latina e Caribe.

Do ponto de vista religioso, era uma cidade sincrética do Império Romano. Formou-se em Tessalônica um aglomerado de cultos e divindades greco-latinas, egípcias, judaicas e orientais. Estudiosos atestam que, conforme inscrições sobre restos de monumentos, pelo menos vinte divindades eram veneradas e cultuadas ali. A classe econômica apossou-se das religiosidades populares a serviço do culto imperial romano.

O Brasil é um país rico das mais diferentes expressões e manifestações religiosas. Como trabalhamos e vivenciamos esse contexto?

3. Paulo em Tessalônica

Paulo chega a Tessalônica no transcurso de sua segunda viagem. Tessalônica é a primeira metrópole abordada por ele na Europa. O livro de Atos informa que Paulo vinha de Filipos, acompanhado de Silas (Silvano) e Timóteo (At 17.1-10). A permanência de Paulo em Tessalônica não pode ter sido muito breve, como nos faz pensar o livro de Atos (três sábados – 17.2). Provavelmente, ele permaneceu ali por mais tempo, para exercer algum ofício (1Ts 2.9), receber várias ajudas dos filipenses (Fp 4.16), fazer com que judeus, prosélitos e sobretudo pagãos aderissem ao Evangelho (cf. 1 Ts 1.9). Sabe-se pela história que os três primeiros evangelizadores ficaram pouco tempo em Tessalônica; no entanto, o resultado da evangelização amadureceu e perdurou. Pois a fé convoca para a solidariedade e a fraternidade.

Em Tessalônica, Paulo, Silvano e Timóteo anunciam o Evangelho a todo o povo. Porém, a atenção é dada aos trabalhadores (1Ts 4.11,12), aos pobres, que são: os pescadores, os empregados da construção civil, os peões da agricultura, os operários metalúrgicos, os artesãos, os empregados da construção naval, os desempregados ociosos, os empregados e as empregadas de hospedarias, de pensões, de casas de teatro e de praças públicas, as mulheres não reconhecidas pela sociedade imperial, os excluídos e as excluídas das várias fontes de riqueza da cidade e do direito à dignidade de pessoas (cf. Joel A. Ferreira, p. 10).

Assim, Paulo e seus companheiros iniciam a sua pregação a um povo em que existe forte luta de classes. De um lado, a classe dominante: judeus, gregos e romanos. Do outro, os dominados. É com esse povo que Paulo e seus companheiros começam a sua missão, tornam-se os evangelizados e evangelizadores do anúncio da Palavra. São os anunciadores da Palavra vivida, falada e testemunhada. A pregação de Paulo estava baseada, fundamentalmente, no amor, na fraternidade. Os novos participantes são chamados de irmãos (1.4; 2.1,9,14,17; 3.2,7; 4.1,6, 10a, 10b, 13; 5. 1,4,12,14, 25,26,27).

Paulo, Silvano e Timóteo começaram, em Tessalônica, uma comunidade totalmente nova, onde as pessoas começam a desenvolver a consciência de uma prática transformadora e de uma organização social toda especial. A Igreja começava a ser, aos olhos dos dominantes, uma organização de cunho subversivo. Ela surgiu das classes exploradas que se reuniam, e isto, naquela época, era proibido. A classe dominante, aos poucos, ia percebendo que os cristãos revolucionavam o mundo inteiro (At 17.6) (cf. Joel A. Ferreira, p. 15).

Em Tessalônica, os evangelizadores são perseguidos e tiveram que fugir. Sua obra foi brutalmente interrompida pela reação da colônia judaica, que os forçou a uma saída precipitada.

Os irmãos de Tessalônica fizeram os missionários partirem de noite para Beréia, onde os judeus de Tessalônica ainda vieram opor-se à pregação de Paulo. Por esse motivo, compreende-se a inquietude de Paulo a respeito desses novos cristãos, abandonados a si mesmos durante a perseguição.

4. Em que somos iguais? Em que somos diferentes?

1 Tessalonicenses é a primeira epístola escrita por Paulo, como também é o mais antigo documento escrito do Novo Testamento. Paulo a enviou, sem dúvida, no início do ano de 51 depois de Cristo. Provavelmente, pouco depois de chegar a Conrinto, onde Timóteo veio trazer-lhe notícias de Tessalônica. A primeira parte trata dos inícios da comunidade (1.2-3.13) e da ação de felicitações (1.2-10).

Outros textos do Novo Testamento relatam-nos tradições mais antigas. Porém, de ponto de vista literário, 1 Tessalonicenses é o primeiro documento cristão.

A experiência missionária de Paulo, relatada em 1 Tessalonicenses e sobretudo nos três primeiros capítulos, exprime-se no presente, fazendo, contudo, alusão ao passado. 1 Tessalonicenses ensina que se passará sem transição de uma paz aparente à ruína. A cada passo do seu texto, encontramos verbos que exigem ação, como: “lembrar-se” ou “saber”, no sentido de “lembrar deste ou daquele fato” (1.3,4,5; 2.2,5,9,11; 3.3,4,6; 4.2; 5.2).

1 Tessalonicenses tem uma grande diferença de tom em relação às demais epístolas paulinas. Paulo não está muito preocupado com a doutrina, mas quer manifestar, antes de tudo, a intensidade dos sentimentos que o ligam a uma comunidade que acabara de fundar e deixara pouco antes.

1 Tesssalonicenses é de uma intensidade política muito grande. Mostra que a Igreja pode caminhar firme, porque o Kyrios (Senhor) é Jesus Cristo e não o César de Roma ou os que representam esse tipo de autoridade hoje. A palavra igreja, neste texto, é empregada no sentido de comunidade cristã local (cf. 1 Co 1.2). No primeiro versículo da carta, Jesus é chamado de Kyrios, na época um título dado somente ao imperador. Essa palavra é como que um programa para a nova ecclesia. Hoje a globalização é uma nova forma de exercício de autoridade, de senhorio que dá e que tira, que inclui e que exclui, que liberta e que amarra, que promete qualidade de vida e que a destrói.

Em 1 Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo proclamam o Ressuscitado como o verdadeiro Kyrios (1.1,3,6,8). Uma nova ecclesia, onde todos/as na comunidade são identificados como irmãos e irmãs. São os eleitos, as eleitas, amados e amadas por Deus (cf. 1.4). Para fazer parte dessa nova comunidade, era preciso, na liberdade, converter-se dos ídolos a Deus (1.9-10). De quais ideologias precisamos nos libertar hoje? Quais os ídolos que nos impedem de ser seguidores/as e anunciadores/as da Palavra de Deus? É possível construir nossa comunidade sem exclusões? Hoje, quem nos escraviza, arrogando para si o senhorio de nossas vidas?

Assim, para os cristãos, Jesus, Filho de Deus, o Ressuscitado, é o único Senhor. A Igreja implantada em Tessalônica, conduzida pelo Ressuscitado, experienciou a fé, a esperança, a fraternidade e a resistência político-religiosa. Percebeu que era eleita e manteve-se fiel à pregação da Palavra anunciada, escrita , falada, vivida e testemunhada.

Paulo relembra que a vida cristã é espera ativa do Senhor. A espera, formada de fé e perseverança, leva a construir a comunidade no amor. Convoca homens, mulheres, crianças e jovens, pessoas de todas as idades, classes e níveis sociais, a se empenharem na construção do novo, isto é, da fraternidade, da igualdade, da solidariedade, considerando as diferentes realidades.

Conclama a terem presente as necessidades humanas, o respeito ao corpo e à dignidade do trabalho, a importância do exercício e conhecimento de seus direitos e deveres. A esperança e fidelidade à Palavra do Senhor exigem fé, compromisso, solidariedade e respeito. “E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo. De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia” (1 Ts 1.6-7).

Ao anunciar o “Deus único e verdadeiro” (1 Ts 1.9), este Deus ao qual é necessário “servir” e não só “honrar”, Paulo chega ao conteúdo específico da fé cristã. Este acento escatológico caracteriza o primeiro período da sua teologia. Trata-se de “esperar dos céus a seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10).

O compromisso com a Palavra do Senhor exige fidelidade, fé, perseverança. Exige a inclusão das pessoas excluídas, marginalizadas, caídas à beira do caminho, abandonadas. O céu nada mais será do que a plena manifestação da realidade que os cristãos já começam a viver no presente, na história, a união com o Senhor para sempre.

5. O que a Palavra nos sugere?

Entre os textos de 1 Ts 1.5b–10, do Sl 1 e de Mt 22.34–40 (41-46) percebemos que há elementos convergentes.

Paulo explica para si um sucesso tão surpreendente quanto a acolhida da Palavra “na alegria do Espírito Santo “(1Ts 1.5)” em meio às provações e perseguições que a fé em Jesus acarretava” (1Ts 1.6). Ele chega a fazer da existência da comunidade de Tessalônica sua esperança, sua alegria, seu orgulho que será sua recompensa na presença do Senhor Jesus por ocasião de sua vinda (cf. 1 Ts 2.19). Assim Paulo identifica sua esperança à comunidade na qual Cristo está agindo com o próprio Cristo. Exprime sua alegria e reconhecimento pela ação de Deus no meio das comunidades cristãs e pela maneira generosa com que os cristãos recém-convertidos lhe têm correspondido. “O evangelho não foi para vós só em Palavra, mas em poder, no Espírito Santo, em total plenitude” (cf. 1Ts 1.5).

A primeira parte do Salmo 1 fala da felicidade do justo (1-3) e o compara a uma árvore permanente cheia de vida (3) e depois fala dos injustos (4). Como conclusão (5-6), uma espécie de sentença sem apelação contra os injustos-pecadores no julgamento. No final, Deus é o aliado dos justos, ao passo que o caminho dos injustos perece. “Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; mas o caminho dos ímpios perecerá” (6).

Neste salmo, há duas imagens fortes. Num primeiro momento, o justo é comparado a uma árvore forte, especial por sua vitalidade e fecundidade. A outra imagem é o oposto: “a palha que o vento arrebata”. A palha de que o Salmo 1 fala é aquele pozinho que, ao ventar, o vento carrega com os grãos para fora da eira. Assim se dá com os injustos. As duas imagens, tiradas da vida de agricultores, mostram um grande contraste: o justo é viçoso como a árvore; o injusto desaparece como a palha (cf. José Bortoloni, p. 20–21).

O Sl 1, começando e terminando com uma bem-aventurança, faz parte da família dos salmos de instrução. Vem carregado da doçura do valor e sentido da vida, mostra o conflito entre justos e injustos. No tempo em que foi escrito, deveriam estar reinando, entre outros, conflitos por causa da terra. Provavelmente, o criador desse salmo era alguém ligado à luta dos camponeses contra a exploração dos grandes.

Deus é o Deus da Aliança. O justo medita a lei de Javé dia e noite (2). Javé é seu aliado contra os injustos. No Novo Testamento, Jesus assume esse compromisso. Ele é aquele que veio cumprir toda a justiça (Mt 3.15), fazendo com que o Reino de Deus se manifestasse.

Quando estamos à procura da felicidade, precisamos rever, avaliar o rumo de nossas vidas e como queremos recuperar o sentido de nossas existências, principalmente no compromisso e luta por uma sociedade justa, solidária e fraterna. Em solidariedade, unidos/as nas lutas pela terra e por justiça, Deus não nos abandona. Ele é o nosso companheiro fiel na luta pela justiça.

Em Mt 22.34-40, a originalidade desse sumário evangélico da lei não está nas idéias do amor a Deus e ao próximo, já conhecidas no Antigo Testamento (Lv 19.18; Dt 6.5), mas no fato de Jesus assimilar um ao outro, dando-lhes igual valor, igual importância e principalmente na simplificação e concentração de todas as leis nesses dois mandamentos. Amar o próximo como a si mesmo significa que é preciso amar o próximo totalmente, amar de todo o coração, respeitando sua identidade, sua individualidade, suas crenças, suas tradições, seus costumes, enfim, sua forma de expressar-se culturalmente na sociedade.

6. Nosso compromisso como cristãos

Estas três leituras têm em mim o respeito à identidade das pessoas, o direito de cada uma ser feliz, buscando um sentido de vida. Ressaltam o compromisso da solidariedade, da mudança de paradigmas para em comunidade construir o modelo de Igreja caracterizada por simplicidade, comunhão, respeito, fraternidade e igualdade. A Igreja de Jesus Cristo e não a igreja construída pela criatividade do “poder” disputado por pessoas que querem para si o poder.

Ainda para os cristãos, só um é o verdadeiro Filho de Deus, que é Jesus Cristo, irmão, ressuscitado e salvador.

Pode-se destacar também a dimensão da ecologia político-religiosa, principalmente nas relações sociais que são construídas antes da visita de Paulo a Tessalônica, mas principalmente a partir do início da missão de Paulo, Silvano e Timóteo aos tessalonicenses. O sistema de relações que se estabelece entre os missionários e a comunidade e nela mesma, o compromisso da e com a comunidade. A relação política de buscar seus direitos, de ter trabalho e dignidade. A relação da fidelidade. A relação da justiça e a consciência da injustiça. A relação da gratuidade da presença de Deus conduzindo seu povo, não o abandonando nas horas difíceis. A convicção dessa presença de Deus, principalmente, através do Evangelho anunciado, pregado, vivido e testemunhado por Paulo e seus companheiros junto com seus adeptos. A relação do ser humano com a natureza, como nos lembra o Salmo 1. Enfim, a relação do ser humano consigo mesmo, com o outro, com o universo criado e com Deus.

As três leituras deste domingo são de uma riqueza insondável. Podemos meditar, refletir cada texto na sua individualidade, pois, ainda assim, não se esgota em si mesmo.

Deus é Presença, é Vida, é Gratuidade. Está sempre com seu povo. Os missionários podem ser expulsos, ser mandados embora de sua cidade, de sua missão, mas tudo o que é feito com carinho, com garra, com coragem, amor, esperança e fé, em nome de Deus, prosperará. Nada de mal poderá destruir o que for construído comunitariamente na solidariedade, na convicção do amor de Deus e na fé.

7. Considerações finais

“Feliz o homem que ama o Senhor e trilha os seus caminhos.” O que significa trilhar seus caminhos? Não é outra coisa senão viver o amor a Deus, o amor ao próximo, superando o sectarismo judaico.

O que significa ter prazesa felicidade só para mim. É querer que outros conheçam essa lei e fazer tudo para que isso aconteça como uma forma concreta de amor.

Nisto se interligam as três leituras: Paulo é o grande missionário que possibilita, não só aos tessalonicenses, mas a muitas outras comunidades, a oportunidade de fazer a experiência das bem-aventuranças, de poder trilhar o caminho do Senhor, de amar a Deus e ao próximo.

O mundo precisa de pessoas como Paulo. Deus quer pessoas como Paulo. Esta é uma motivação para nossa ação. Como responder a ela?

8. Sugestões para a celebração

a) Iniciar a celebração como de costume na sua comunidade, porém preparar o ambiente com alguns versículos da leitura que vai centrar a pregação.

b) Convidar as pessoas para os observarem.

c) No caso de centrar o culto e a pregação em 1 Ts 1.5b–10, em diálogo com a participação da assembléia, construir juntos o que tem hoje em nossa sociedade que se parece com a cidade de Tessalônica? Como e em que se pode participar para construir a consciência dos direitos, da justiça, da igualdade, da partilha entre todos/as?

d) Se tiver alguma fita de vídeo sobre a viagem de Paulo aos Tessalonicenses, fazer uso de uma ou outra parte (curta e simples, para motivar a assembléia sobre o assunto).

e) O texto pode ser encenado, contextualizando-o.

f) As preces da comunidade podem ser espontâneas.

g) Se a comunidade tem pessoas designadas para alguma missão, se ainda não o fez, pode fazer, como encerramento desta celebração, o envio de missionários, missionárias para os diferentes trabalhos necessários na comunidade e/ou uma missão ou projeto missionário que a comunidade se compromete a assumir, fazer ou ajudar.

h) Na hora do Abraço da Paz, dizer ao irmão e à irmã um motivo de felicidade para ele/ela (lembrando o Salmo 1).

Nota: Fica a critério da equipe da celebração e/ou do dirigente do culto a forma como quer desenvolver as reflexões acima. O importante é que se inicie um processo de compromisso solidário e missionário onde quer que cada qual esteja.

Bibliografia

BORTOLINI, José. Conhecer e rezar os Salmos : comentário popular para nossos dias. São Paulo : Paulus, 2000. p. 19-22.
COTHENET, E. São Paulo e o seu tempo. São Paulo : Paulinas, 1985. p. 57-62. (Cadernos Bíblicos, 26).
FERREIRA, A. Joel et al. Sociologia das comunidades paulinas. Petrópolis : Vozes, 1990, p. 9-20. (Estudos Bíblicos).
TEB. Bíblia /Tradução Ecumênica. São Paulo : Loyola, 1994, p. 1001-1010; 1901-1903; 2301-2307.


Proclamar Libertação 27
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia <


Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 23º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Tessalonicenses I / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 5 / Versículo Final: 10
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2001 / Volume: 27
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 7237
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Eu também sou parte e membro dessa congregação, coparticipante e codesfrutante de todos os bens que possui. Pelo Espírito, a ela fui levado e incorporado, pelo fato de haver ouvido e ainda ouvir a Palavra de Deus, que é o princípio para nela se entrar.
Martim Lutero
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