2 Coríntios 3.12-4.2

Auxilio Homilético

13/02/1994

Prédica: 2 Coríntios 3.12-4.2
Leituras: Êxodo 34.29-35 e Marcos 9.2-9
Autor: Wilfrid Buchweitz
Data Litúrgica: Último Domingo após Epifania
Data da Pregação: 13/02/1994
Proclamar Libertação - Volume: XIX


1. Introdução

Chegamos ao último domingo de um período que, no ano litúrgico, se chama de Epifania. O termo epifania significa aparição e, no Novo Testamento, é usado para descrever a aparição, a revelação de Deus em Jesus Cristo. Depois do nascimento de Jesus Cristo no Natal, há um período em que Jesus começa a revelar Deus. Deus começa a aparecer em Jesus Cristo.

Aparição de Deus, revelação de Deus, interferências na revelação de Deus são assunto nos três textos previstos para o domingo e a semana.

Em Êxodo, Deus aparece nos mandamentos e na palavra intermediada por Moisés. O povo ainda vê o sinal de Deus no brilho estampado no rosto de Moisés.

Em Marcos, Deus aparece em Jesus Cristo. A transfiguração de Jesus e a visão de Elias e Moisés deixam os discípulos perturbados.

Em 2 Coríntios, é dito que só através de Jesus Cristo Deus pode ser conhecido e sua Palavra entendida. Sem Cristo há véus que encobrem o conhecimento de Deus e a compreensão de sua Palavra.

2. Considerações exegéticas

Há dois níveis no texto de Coríntios:

O primeiro nível é a defesa de Paulo no tocante à autoridade e à autenticidade de seu ministério e de sua teologia. Paulo faz uma defesa forte de seu ministério, tanto na primeira como na segunda carta aos Coríntios.

Há várias críticas contra o trabalho de Paulo. Aqui seus opositores parecem ser de um grupo judaísta, um grupo que acentua na comunidade de Corinto as leis de Moisés.

Paulo alerta para a nova realidade introduzida pelo acontecido em Jesus Cristo. A aliança do Sinai, a antiga aliança, ganhou uma nova dimensão, uma nova leitura, uma nova perspectiva a partir de Jesus Cristo.

Essa nova realidade é a tecla de Paulo. Ele mesmo experimentou a nova realidade no momento de sua conversão. Ele se sente libertado do peso da antiga aliança, e o conteúdo de sua missão é a nova liberdade. E ele não vai se cansar; suas forças não vão acabar nessa missão. Ele não está enganando ninguém, não está adulterando a palavra de Deus. Sua preocupação é a verdade.

O outro nível do texto é seu conteúdo teológico. Em que o reino de Deus, a comunidade, a fé se alicerçam: na lei do Sinai ou na encarnação do amor em Jesus Cristo?

Para Paulo, a encarnação do amor de Deus em Jesus Cristo criou uma nova realidade. Há uma nova luz, que permite enxergar velhas coisas do forma diferente. E quem não se dá conta disso tem um véu diante dos olhos, tem um véu sobre a face, tem os sentidos embotados, tem um véu posto sobre o coração. Não enxerga nem sente direito.

Só quando alguém se converte ao Senhor Jesus Cristo, o véu lho ó reinado A comunidade se constrói sobre Jesus Cristo. A comunidade não se constrói sobre o cumprimento da lei. A face de Deus não é aquela da lei. A face de Deus é a face de Jesus Cristo. A partir de Jesus Cristo, a lei ganha novo sentido. Deus não é mais o Deus de quem o povo precisa ter medo. Deus é Deus que pode ser amado. A lei não é mais escada através da qual o povo precisa subir a Deus. A lei é palavra do amor de Deus para ajudar a comunidade a encontrar seu caminho na vida. É também instrumento de Deus para a comunidade reconhecer seus pecados, se arrepender e voltar ao caminho verdadeiro. A lei não é mais o elo entre o ser humano e Deus. O elo é Jesus Cristo.

Tanto Paulo insiste na verdade acima, que ele chega a forçar ou até a torcer a interpretação do texto de Êxodo 34.29-35. Preocupa-o que Israel não entendeu o ainda não entende a palavra de Deus, e enquanto não se converterem a Jesus Cristo, não vão entender. O Espírito de Jesus Cristo liberta e transforma.

Esse é o ministério de Paulo, e por causa da misericórdia de Deus, ele não será abalado, não perderá a segurança.

3. Meditação

Como Deus se revela, como aparece a nós?

Temos motivos para refletir sobre isso. Há um grande número de pessoas que acreditam encontrar Deus na natureza, nas flores, no pôr-do-sol, na tranquilidade de um bosque, na beleza de pássaros.

Outras pessoas sentem Deus em si mesmas, no seu interior, e constroem sua fé a partir de seu interior.

Alguns se sentem em paz com Deus, com o mundo e consigo mesmos, dizendo que aprenderam e cumprem os dez mandamentos.

Existem pessoas que criaram um cristianismo individualista, em que estão presentes elas mesmas e meia dúzia de conhecidos e áreas da vida muita restritas.

E temos outros tipos de véus.

Jesus Cristo pode tirar esses véus de nossos olhos. Deus se revela na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. As palavras de Jesus Cristo e a sua vida nos revelam os traços de Deus que são importantes para a nossa fé e vida. O Espírito de Jesus Cristo nos revela o amor de Deus, a justiça de Deus.

Em vez de tentarmos construir nossos muitos caminhos próprios, a partir do nossas forças e sabedoria, muitas vezes conforme nossa conveniência, fazendo isso consciente ou inconscientemente, permitamos, peçamos que o Espírito de Jesus Cristo nos abra os olhos, tire nossos véus e nos liberte da cegueira.

Quase sempre os caminhos que nós mesmos queremos construir são de auto-salvação e autopromoção, e já por isso são viciados em princípio. Em Jesus Cristo, Deus nos diz que não precisamos nos salvar e libertar por forças próprias, nem o conseguimos, mas que a palavra, a vida, o Espírito de Jesus Cristo dão o rumo o o conteúdo para a nossa vida. A cruz de Jesus Cristo promove conversão e ressurreição em nossa vida.

4. Prédica

Epifania quer lembrar a aparição, a revelação de Deus em Jesus Cristo. Isso quer dizer encarnação de Deus em Jesus Cristo. Em Jesus Cristo, Deus se torna concretamente presente em nosso mundo e vida. Tem a ver com sinais e experiências concretas do reino de Deus em nosso mundo.

Na prédica poderia haver preocupação especial com isso. Poderiam ser mencionados, como exemplos, alguns milagres de Jesus e algumas posturas de Jesus que mostrem sua coerência em questões de amor e justiça.

E como a Igreja pode ser hoje instrumento dessa revelação de Deus?

5. Subsídios litúrgicos

1. Confissão de pecados: Nosso Deus, agradecemos por Teu serviço de Te revelares a nós. Mesmo assim, temos dificuldade em Te conhecer, porque procuramos os nossos próprios caminhos de querer chegar a Ti. Inventamos mil maneiras de chegar a Ti com nossa sabedoria e nossas forças. Não nos damos conta de que dessa forma dificultamos, impossibilitamos Tua comunhão conosco e nossa contigo. Perdoa, Senhor. Tira de nossos olhos tudo o que impede de Te enxergarmos bem. Tira as vendas. Tira os véus. Ajuda-nos a ver direito. Tem piedade de nós, Senhor.

2. Oração de coleta: Senhor, agradecemos por essa comunidade que aqui se reúne para ouvir Tua palavra, para compartilhar sua fé e também para admitir suas fraquezas, contradições, vícios, seus sofrimentos, suas depressões e buscar novas forças em Ti. Por Jesus Cristo. Amém!

3. Oração de intercessão: Abrir espaço para que a comunidade mencione motivos de intercessão. Incluam-se situações dentro da comunidade e suas famílias e situações da Igreja maior e do mundo maior, num espírito missionário para dentro e para fora da comunidade.

6. Bibliografia

CALVIN, Johannes. Auslegung der Heiligen Schrift, nova série, volume XVI. Editora da Livraria da Sociedade Educacional Neukirchen, 1960.
SCHLATTER, Adolf. Die Korintherbriefe, in: Schlatters Erläuterungen zum Neuen Testament. 6a edição. Calwer Vereinsbuchhandlung, Stuttgart, 1936.
VOIGT, Gottfried. Meditação in: Die neue Kreatur. Vandenhoeck & Ruprecht, Göttingen, 1977.
WENDLAND, Heinz-Dietrich. Die Briefe an die Korinther in: Das Neue Testament Deutsch, volume 7. Vandenhoeck & Ruprecht, Göttingen, 1948.


Autor(a): Wilfrid Buchweitz
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: Último Domingo após Epifania
Testamento: Novo / Livro: Coríntios II / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 12 / Versículo Final: 18
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1993 / Volume: 19
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 16141
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