2 Samuel 7.4-6,12,14 a,16

19/12/1999

Prédica: II Samuel 7.4-6,12,14 a,16
Leituras: Romanos 16.25-27 e Lucas 1.26-38
Autor: Werner Brunken
Data Litúrgica: 4º Domingo de Advento
Data da Pregação: 19/12/1999
Proclamar Libertação - Volume: XXV
Tema: Advento

1. Considerações gerais

O texto acima citado de 2 Samuel não foi comentado em nenhum auxílio de Proclamar Libertação. Também encontrei dificuldade em conseguir literatura para pesquisar sobre o referido texto. Daí ser um grande desafio trabalhar com o mesmo.

2. O texto em relação ao demais

No texto proposto fala-se de um reino que será para sempre e de um descendente. No texto de Lucas fala-se do descendente que herdará o trono de Davi e reinará para sempre (Lc 1.32-33). Na Carta aos Romanos testemunha-se a Jesus, através do qual é dada glória ao Deus único e sábio. Assim, os três textos formam uma unidade temática.

3. Contexto

O presente texto faz parte de um todo que engloba os capítulos 6-8 de 2 Samuel. Começa com a transferência da arca da aliança para Jerusalém. Aqui Davi quis construir uma casa para guardar a arca, que simbolizava a presença de Deus. Mas Deus impediu que isto acontecesse, pois Ele sempre habitou em tendas. No lugar da construção do templo é prometido um descendente. Ele construirá a casa para abrigar a arca. Diante desta promessa Davi rendeu graças a Deus. E na sequência enfrentou vários povos e venceu.

Encontramos a narração do presente texto quase que literalmente em l Crônicas 13.5-14.

4. Reflexão sobre o texto

Os versículos escolhidos para fazer parte da perícope não podem ser analisados separadamente, sem ter presente o texto todo (7.1-17). Aí encontramos duas realidades: a construção do templo e a dinastia davídica.

O primeiro tema é o da construção do templo não efetivada por Davi: Edificar-me-ás tu casa para minha habitação? (7.5.) A resposta é negativa. Esse tema leva em consideração a realidade histórica. Como iniciador de uma nova dinastia, cujo protetor era Deus, Davi deveria construir um templo ao seu Deus, mas não teve tempo. Salomão exprime esta impossibilidade em l Rs 5.17: Meu pai não pôde construir um templo para o nome do Senhor, seu Deus, por causa das guerras que o importunavam de todos os lados.

Deus também se manifestou contrário à construção de uma casa para morar, pois sempre andava através da arca com seu povo onde quer que estivesse. Deus não habita em casas feitas por mãos humanas. Ele é onipresente.

O segundo tema refere-se à dinastia davídica, que gozará da proteção divina e durará para sempre, conforme 7.12: Quando teus dias se cumprirem, e descansares com teus pais, então farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Vemos nesta promessa a gratuidade de Deus. Não Davi vai construir uma casa para Deus, mas Deus estabelecerá o seu reino através do descendente Salomão. Existia a preocupação de perpetuar o reinado iniciado por Davi. Mas este reinado só poderá existir com a interferência de Deus nesta dinastia para que ela possa durar para sempre. Por exclusiva vontade de Deus a descendência davídica será para sempre portadora da graça divina (7.15). Sabemos pela história que a dinastia de Davi não se perpetuou no poder terreno. O Novo Testamento viu em Jesus a presença de Deus com sua morada entre as pessoas neste mundo.

5. Meditação

Construir uma casa para Deus. Quantas pessoas já o fizeram no passado! Quantas o fazem hoje, construindo templos ou mesmo pequenos altares em casa, lembrando a presença de Deus!

No tempo do rei Davi, este quis construir uma casa para Deus, a fim de perpetuar o seu nome e dos seus descendentes. Falou com o profeta Nata, que concordou com as palavras: Vai, faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo. Mas logo a seguir Deus falou com Nata e disse que não aceitaria uma casa construída por Davi. Pois nunca habitou numa casa, mas sempre andou com seu povo.
Deus, portanto, não está preso a um templo. Ele está ali onde pessoas estão. Ele é onipresente. Não precisa de casas feitas por mãos humanas. Mesmo construindo-as, não devemos prendê-lo dentro delas como se Ele estivesse só nestes lugares Deus está ali onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome (Mt 18.20). Assim, também nesta época do Advento e do Natal adoramos e glorificamos Deus aqui e em todos os lugares. Ele quer ser adorado em espírito c em verdade (Jo 4.24).

Esse Deus que se fez presente na caminhada do seu povo no Antigo Testamento é o Deus que se tornou carne, vindo ao mundo morar em Jesus de Nazaré. A promessa feita ao rei Davi de que faria levantar um descendente, que procederia dele c estabeleceria o seu reino concretizou-se em Jesus. Não foram as pessoas que construíram uma casa para este descendente, mas Deus em sua misericórdia veio habitar entre nós. Assim lemos no Evangelho de hoje: Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim (Lc 1.32-33). A este Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos (Rm 16.27).

6. Celebração

6.1. Intróito (órgão, piano, teclado, instrumentos, coral).

6.2. Damos as boas-vindas a todos e a todas neste 4° Domingo do Advento. Alegramo-nos com a presença de todas e de todos. Ao mesmo tempo rendemos graças a Deus que vem ao nosso encontro na criança Jesus de Nazaré.

6.3. Preparando-nos para viver a mensagem deste domingo, convido para cantar o hino Todo o mundo louve a Deus... (Hinos do povo de Deus [HPD] 2.1-5).

6.4. Ao chegarmos perto do Natal aparecem muitas esperanças em nós. Esperamos por presentes, por dias melhores, por saúde, mas, principalmente, esperamos pela presença de Deus no nosso caminhar. E nesta esperança recebamos as palavras da senha da nova semana: Estejam sempre alegres nas suas vidas, unidos com o Senhor. Repito: alegrem-se! O Senhor virá logo. (Fp 4.4-5.) Vamos participar desta alegria cantando:

6.5. Comunidade canta o hino: Viver com Jesus é cantar... (HPD 181).

6.6. Na presença de Deus reconheçamos nossas fraquezas e limitações, confessando: Eterno Deus! Tu vieste ao mundo para caminhar conosco e para encher-nos de esperança. Mas confessamos que na situação em que vivemos não lemos ânimo para expressar esperança e alegria. Perdoa-nos e renova-nos na nossa fraqueza. Cientes de que precisamos de ti, cantamos: 'Tem, Senhor, piedade...!'

6.7. Comunidade canta: Tem, Senhor, piedade!

6.8. Oração: Obrigado, Senhor, por podermos viver na alegria do Natal e MM esperança de que tu estás entre nós. Obrigado por podermos estar aqui como leu povo e juntos celebrar e receber as tuas palavras. Orienta-nos pelo poder do leu Espírito Santo. Por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Amém.

6.9. Ouçamos palavras da Sagrada Escritura conforme registra Paulo na sua Carta aos Romanos 16.25-27. Leitor lê e termina dizendo: Cantemos glória a este Deus com as palavras do hino Louvor cantai... (HPD 245.2-3). Comunidade canta.

6.10. Ouçamos a leitura do Evangelho segundo o evangelista Lucas l .26-38. Leitor termina dizendo: Até aqui a leitura do Evangelho. Que Deus o faça frutificar em nossas vidas.

6.11. Comunidade canta o hino Alerta, ó consagrados... (HPD 8.1-4).

6.12. Leitura de 2 Samuel 7.4-6,12,14a,16: reflexão e mensagem. Seguir o pensamento da meditação (item 5).

6.13. Comunidade cantão hino Seu nome é maravilhoso... (HPD 235.1-4).

6.14. Como resposta à mensagem recebida convido para confessar a fé cristã com as palavras do hino Louvamos-te, Cristo, Senhor... (HPD 12 - ler ou cantar).

6.15. Como sinal de nossa gratidão a Deus vamos recolher as ofertas deste culto, que hoje destinamos para (dizer a finalidade). Durante o recolhimento das ofertas cantamos o hino Cantai ao Senhor um cântico novo... (HPD 260).

6.16. Oração de agradecimento pelas ofertas e intercessão pela entidade à qual são destinadas.
6.17. Avisos comunitários e boas-vindas aos visitantes (pedir para levantar, dizer seu nome e de onde vem).

6.18. Oração: Eterno Deus! Agradecemos-te pela tua presença entre nós. Nós te louvamos, adoramos e glorificamos por teu imenso amor que tens para conosco. (Incluir agradecimentos, pedidos e intercessões dos presentes.) Tudo te agradecemos e pedimos por Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos ensinou a orar:

6.19. Comunidade: Pai nosso que estás nos céus...

6.20. Comunidade canta o hino Rejubila, filha de Sião... (HPD 11).

6.21. Bênção: O Senhor vos abençoe e vos guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós. O Senhor sobre vós levante a sua face e vos dê a sua paz. Amém.
Ide em paz e servi ao Senhor.

6.22. Encerramento: sinos, instrumentos, coral...

 

Bibliografia


CROCETTI, Giuseppe. 1-2 Samuel, 1-2 Reis. São Paulo: Paulus, 1994. (Pequeno comentário bíblico — AT).
HERTZBERG, Hans Wilhelm. Die Samuelbücher. Göttingen : Vandenhoeck & Ruprecht, 1956. (Das Alte Testament Deutsch, 10).

 

Proclamar Libertação 25
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia
 


Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Advento
Perfil do Domingo: 4º Domingo de Advento
Testamento: Antigo / Livro: Samuel II / Capitulo: 7 / Versículo Inicial: 4 / Versículo Final: 6
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1999 / Volume: 25
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 11397
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