A Querência Celeste

19/09/2019

Estamos no mês de Setembro. Mês que muitas comunidades do Rio Grande do Sul celebram culto crioulo relembrando assim a tradição do gaúcho. Por isso faço esta mensagem numa versão gaudéria.

Gauchada amiga! Peões e prendas!

Dizia um velho amigo: Um dia ainda volto prá querência. Referia-se ele ao pago natal.

Esta saudade, este bem querer ao chão que nos viu nascer, está dentro de todos nós. Por força das circunstâncias muitos precisam sair campo afora, mundo afora. Mas lá, no fundo do coração, fica a saudade da boa querência.

Por diversas vezes, como agora também, estive morando em outros pagos. De tempos em tempos vou visitar minha família, amigos e parentes. Ao retornar para lá, vou com as malas cheias de boas recordações. É preciso preencher o vazio, que a distância e a saudade provocavam.

Nos tempos bíblicos, antes de Cristo, o povo de Deus foi deportado de sua terra natal. No exílio, longe de sua terra, tocavam harpa e choravam às margens dos rios da Babilônia, de saudades de sua terra, de saudades do templo de Deus, onde o adoravam.

Meu amigo, nunca mais voltou a morar na sua boa e velha querência. Mas foi de vez, de muda, para outra querência. Foi para um pago muito mais bonito, de onde nunca mais vai se mudar. Está morando na Estância Celeste; - a verdadeira boa querência de todo o ser humano. Lá mora nosso Patrão Santo, o Pai Celestial e o Divino Tropeiro de nossas almas, Jesus.

Nossa alma suspira de saudades desta querência. Pois cada um de nós foi criado para viver nela.

Infelizmente, todos nos extraviamos. E uma carência espiritual se instalou dentro de nós a carência do abraço amoroso do Patrão Santo, o Pai celeste. É a saudade inata e eterna de nossa alma que suspira pelos campos verdejantes do pampa sagrado.

Santo Agostinho, peão aprovado por Deus, definindo essa saudade inconsciente interior, disse que nossa alma só tem paz quando está em Deus. Sem Deus e sem Cristo o ser humano é tal qual ovelha desgarrada do rebanho, longe dos cuidados do pastor. Está mais perdida que cego atravessando a BR 116, em hora de pique. Sem Deus e sem Cristo a vida perde o rumo. Falta-lhe um sentido.

Felizmente, Jesus, o Divino Tropeiro, veio ao encontro de cada ovelha desgarrada. Com o sacrifício de sua própria vida ele abriu a porteira da invernada divina. E, como Bom Tropeiro, ele quer reunir, tratar e curar todas as suas ovelhas.

O pecado, que se agarra ao nosso pelego, tal qual carrapato, nos fez adoecer espiritualmente. E, como diz o escrevente do Livro Santo, todas se desviaram do caminho certo, todas se perderam. Mas Jesus veio para reunir todas as ovelhas e fazer delas um só rebanho. Ele abriu a porteira dos céus. Quem nele crê já está dentro. O Reino dos céus vem a ele. E quando chegar sua hora derradeira, vai de vez e direto para a Estância Celeste. Porque Jesus, nosso divino Tropeiro, subiu para lá e prometeu preparar-nos e guardar-nos um lugar especial.

Muitas ovelhas, que ouviram a toada do Divino Tropeiro, já retornaram à invernada de Deus. Algumas já cruzaram a fronteira da vida e entraram na Estância Celeste. Há muitas ovelhas que ainda estão do lado de fora da invernada de Jesus. E se a morte as assaltar, não entrarão na bem-aventurada Estância Celeste. Elas não conhecem ainda o Divino Tropeiro.

Algumas tem medo. Outras estão desconfiadas. Por causa de alguns peões que só querem tirar o pelego do rebanho. Mas o Divino Tropeiro Jesus deseja ajuntar estas também. Elas precisam ouvir a sua voz. E, quando ouvirem sua toada, e o seguirem, então estarão a salvo. Porque ele não veio para tosquiar as ovelhas, mas para dar a sua vida por elas, para que elas sejam salvas e possam habitar com ele na Querência Celeste.

E, quando todas lá estiverem reunidas, então haverá um só rebanho e um só Tropeiro. Não mais suspiraremos de saudades, mas cantaremos de alegria, louvando para sempre aquele que por nós morreu e ressuscitou para nos dar a vida eterna.

Querência amada! Pago natal. Gostamos de ti. Temos saudades. Estamos sempre voltando e querendo voltar. Mas um dia partiremos e não mais voltaremos. Será bem melhor, então, estar com Deus na Querência do Céu, - o Pampa Sagrado.

  


Autor(a): Pa. Daniela Lamb
Âmbito: IECLB / Sinodo: Planalto Rio-Grandense
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Antigo / Livro: Salmos / Capitulo: 23
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Meditação
ID: 53346
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