A surpreendente história de Estêvão (parte 1) - 05/09/2021

Sua importância na compreensão da missão da Igreja de Cristo Jesus

05/09/2021

Atos 6.8 – Parte 1

8 E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

A surpreendente história de Estêvão (parte 1)

— sua importância na compreensão da missão da Igreja de Cristo Jesus

A Igreja de Cristo vive do testemunho das pessoas. É o testemunho que promovem a fé, a comunhão e o serviço cristão. Este serviço chamamos de diaconia, e acontece em torno da obra salvadora de Jesus Cristo. São formas de dar testemunho de Jesus. Jesus mesmo anuncia: “Se testifico acerca de mim mesmo, o meu testemunho não é válido. Há outro que testemunha em meu favor, e sei que o seu testemunho a meu respeito é válido. Vocês enviaram representantes a João, e ele testemunhou da verdade. Não que eu busque testemunho humano, mas menciono isso para que vocês sejam salvos. João era uma candeia que queimava e irradiava luz, e durante certo tempo vocês quiseram alegrar-se com a sua luz. Eu tenho um testemunho maior que o de João; a própria obra que o Pai me deu para concluir, e que estou realizando, testemunha que o Pai me enviou. E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou a meu respeito. Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma…” João 5:31-37 NVI

Hoje vamos a observar a inusitada história de Estêvão e sua importância na compreensão da missão da Igreja de Cristo Jesus.
Assim diz o texto do livro que Lucas escreveu ao narrar os atos dos apóstolos: “Estêvão, um homem muito abençoado por Deus e cheio de poder, fazia grandes maravilhas e milagres entre o povo. Mas ficaram contra ele alguns membros da ‘Sinagoga dos Homens Livres’, que era a sinagoga dos judeus que tinham vindo das cidades de Cirene [a principal cidade da Líbia no norte da África} e Alexandria [capital do Egito na época]. Estes e outros judeus da região da Cilícia [uma província romana na Ásia Menor] e da província da Ásia começaram a discutir com Estêvão. Mas o Espírito de Deus dava tanta sabedoria a Estêvão, que ele ganhava todas as discussões. Então eles pagaram algumas pessoas para dizerem: — Nós ouvimos este homem dizer blasfêmias contra Moisés e contra Deus! Dessa maneira eles atiçaram o povo, os líderes e os mestres da Lei. Depois foram, agarraram Estêvão e o levaram ao Conselho Superior. Então arranjaram alguns homens para dizerem mentiras a respeito dele. Essas pessoas afirmaram o seguinte: — Este homem não para de falar contra o nosso santo Templo e contra a Lei de Moisés. Nós o ouvimos quando ele dizia que esse Jesus de Nazaré vai destruir o Templo e mudar todos os costumes que Moisés nos deu. Todos os que estavam sentados na sala do Conselho Superior olhavam firmemente para Estêvão e viram que o rosto dele parecia o rosto de um anjo.

“O Grande Sacerdote perguntou a Estêvão: — O que essas pessoas estão dizendo é verdade? Estêvão respondeu: — Irmãos e pais, escutem!
Estêvão passou a descrever toda a história da caminhada de Deus com seu povo desde Abraão, que saiu de sua terra para seguir a promessa de Deus do NOVO, passou por Jacó e José. Chegou a Moisés. Este adorava com o povo ao senhor Deus em tendas no deserto. E como o tema da defesa de Estêvão girava em torno do assunto TEMPLO, ressalta que apenas Salomão teve o consentimento de construir um lugar físico para adorar ao Deus Javé.

“E Estêvão terminou, dizendo: — Como vocês são teimosos! Como são duros de coração e surdos para ouvir a mensagem de Deus! Vocês sempre têm rejeitado o Espírito Santo, como os seus antepassados rejeitaram. Qual foi o profeta que os antepassados de vocês não perseguiram? Eles mataram os mensageiros de Deus que no passado anunciaram a vinda do Bom Servo. E agora vocês o traíram e o mataram. Vocês receberam a lei por meio de anjos e não têm obedecido a essa lei. Quando os membros do Conselho Superior acabaram de ouvir o que Estêvão tinha dito, ficaram furiosos e rangeram os dentes contra ele. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. E viu também Jesus em pé, ao lado direito de Deus. Então disse: — Olhem! Eu estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem em pé, ao lado direito de Deus. Mas eles taparam os ouvidos e, gritando bem alto, avançaram todos juntos contra Estêvão. Depois o jogaram para fora da cidade e o apedrejaram. E as testemunhas deixaram um moço chamado Saulo tomando conta das suas capas. Enquanto eles atiravam as pedras, Estêvão chamava Jesus, dizendo: — Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Depois, ajoelhou-se e gritou com voz bem forte: — Senhor, não condenes esta gente por causa deste pecado! E, depois que disse isso, ele morreu.

Na sua defesa, Estêvão havia lembrado as palavras de Moises: “Homens, escutem! Vocês são irmãos; por que estão brigando?”
Sim, por que as brigas continuam? Por que os desentendimentos? À luz da história do primeiro mártir do cristianismo gostaria de caminhar em busca de respostas com vocês.
A atmosfera deste relato de Lucas é pesada e está carregada de ódio e intrigas. O céu está fechado coberto de nuvens assustadoramente densas e violentas. A escuridão toma conta do cenário que tinha tudo para provar justamente o contrário.
No entanto, a Igreja de Cristo florescia. O ensino do Evangelho se espalhava por “todo mundo”. Aquela triste história da morte de Jesus na cruz em Jerusalém se espalhou e a boa nova da reconciliação de um povo sofrido e desorientado toma conta dos corações que ouvem o NOVO. O próprio centro do culto judeu, o Templo em Jerusalém, recebe novos ares, rendendo-se às evidências que o novo tempo havia irrompido com Jesus e sua ressurreição.

Os apóstolos viajavam aos quatro cantos levando a boa notícia. À medida que avançavam encontravam sinais de que esta novidade não poderia ser assimilada sem que se ajudasse na manutenção de um vida digna aos ouvintes e novos crentes. É assim que surge, ao lado da pregação do Evangelho, o serviço da diaconia, o serviço das pessoas cristãs em favor das desprotegidas. Estêvão é o nome central desses que liberavam os apóstolos para que continuassem pregando e ele, com sua equipe, fazia o serviço de ajudar a quem não tinha chances de vida digna. Era o diácono fazendo a diaconia.

O seu serviço era necessário e muito bem vindo. Estêvão era honrado na sinagoga do Libertos. Era uma realidade totalmente distante e diferente do Templo em Jerusalém, o centro do culto a Deus. Me parece que Estêvão e os demais diáconos e as diaconisas não estavam tão interessados nos passos litúrgicos de um Culto a Deus, mas faziam a ação cristã alcançar vidas, mentes e corações como Jesus o fazia. Sabiam que eram guiados pelo Espírito Santo para assim fazerem.

Acontece o embate entre a tradição ortodoxa de uma religiosidade racionalmente fria e a ação cristã fundamentada no NOVO, no Evangelho de Cristo Jesus, no calor das relações humanas.

Pessoas procedentes de várias nações e influenciadas por várias culturas e visões de mundo — e agora alcançadas pelo Evangelho libertador — não cabiam mais nos “limites paroquias” que os sacerdotes de Jerusalém ainda teimavam em impor. A controvérsia com Estêvão expõe outra divisão histórica e excludente entre o povo da Promessa: havia o grupo que queria manter a religião atrelada à nação de Israel preconizando uma desobediência grosseira, e ao mesmo tempo sutil, contra a palavra e estatutos do Deus Criador. Nos termos de hoje diríamos: queria manter uma Igreja-Estado. Por outro lado, havia o grupo que baseava suas ações na palavra de Deus, o grupo que se deixava mover pelo Espírito de Deus. Este Espírito age com liberdade e desenvoltura. Como disse o próprio Estêvão a respeito de Moisés, Ele estava na congregação, no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos antepassados, e recebeu PALAVRAS VIVAS, PARA TRANSMITI-LAS A NÓS. Mas nossos antepassados se recusaram a obedecer-lhe; ao contrário, rejeitaram-no e em seu coração voltaram para o Egito” (v.38-39).

Defender a autoridade da palavra de Deus e colocar esta palavra a serviço de todas as pessoas que creem, custou a vida de Estêvão. Este diácono, este servidor cristão, não era um escriba, nem um estudioso ou especialista em Escrituras. Não vivia em Jerusalém. Era um convertido da Diáspora que conheceu Jesus de forma espiritual pouco após a sua morte. Lucas diz ter sido “Estêvão, um homem muito abençoado por Deus e cheio de poder, fazia grandes maravilhas e milagres entre o povo” (6.8). No entanto os adversários se prepararam para demonstrar sua força. “… arranjaram alguns homens para dizerem mentiras a respeito dele. Essas pessoas afirmaram o seguinte: — Este homem não para de falar contra o nosso santo Templo e contra a Lei de Moisés. Nós o ouvimos quando ele dizia que esse Jesus de Nazaré vai destruir o Templo e mudar todos os costumes que Moisés nos deu” (6.13-14). Palavras tiradas do seu contexto e se tornaram fakenews primitivos.

Assim Estevão foi eliminado de entre o povo por volta de 33 a 35 d.C.
O mártir poderia ter evitado sua morte se apenas continuasse a servir às viúvas e assistir aos que se achegavam ao Caminho da Fé. Apenas deveria ter parado de “dar testemunho de Jesus fora da igreja” (L.Weingaertner). Mas, mesmo em seus momentos finais, Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. E viu também Jesus em pé, ao lado direito de Deus. Então disse: — Olhem! Eu estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem em pé, ao lado direito de Deus” (7.55-56).

“E Saulo aprovou a morte de Estêvão” (8.1).

O sangue dos mártires é a semente da Igreja. O sangue de Jesus fundamenta a Igreja. A nossa disposição em defender o Evangelho de Cristo instruído pela ação do Espírito Santo fará a diferença entre a mentira e a verdade em nossos tempos.
Mas isto é assunto para o próximo domingo. Continue acompanhando.
Amém!
 

Endereço da pregaçào: 

 


Autor(a): Pr. Rolf Rieck
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Rio de Janeiro - Martin Luther (Centro-RJ)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Novo / Livro: Atos / Capitulo: 6 / Versículo Inicial: 8 / Versículo Final: 8
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 64772
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Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa.
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