Amós 3.1-8

Auxílio Homilético

30/01/2005


Prédica: Amós 3.1-8
Leituras: Mateus 4.12-23 e 1 Coríntios 1.10-17
Autor: Werner Brunken
Data Litúrgica: 3º Domingo após Epifania
Data da Pregação: 23/01/2005
Proclamar Libertação - Volume: XXX

1. Considerações gerais


O texto de Am 3.1-8 foi comentado no volume 24 do Proclamar Libertação. Este auxílio fala sobre o texto de maneira mais geral. Torna-se necessário pesquisar em outras fontes, a fim de tornar o texto mais acessível para estudo em grupos ou pregação.

2. Texto de pregação com relação aos demais

Em Mt 4.12-23, somos confrontados com a seriedade do seguir a Jesus. Este seguir exige obediência e sacrifício. Jesus ensinava, pregava e curava. Pessoas eram chamadas para sair das trevas e viver na luz.
Já em 1 Co 1.10-17, os cristãos são exortados a viver a unidade em Cristo Jesus. Era sua convicção de que os que são de Jesus não poderiam seguir outros deuses.

Comparando os dois textos com Am 3.1-8, percebo a centralidade em Jesus Cristo, que tem como alvos o Deus Eterno e seu reino. Deus usa a sua graça para com seu povo, mas ao mesmo tempo espera arrependimento e compromisso com ele e com o povo em geral.

3. Amós e o livro

Não sabemos quando Amós nasceu ou faleceu. Só sabemos que atuou como profeta entre 760-750 antes de Cristo. Nasceu ao sul de Jerusalém na pequena cidade de Tecoa e atuou como profeta no reino do Norte (Israel). Amós não escolheu ser profeta. Deus o chamou e enviou (1.1ss.). Na época, era rei em Israel Jeroboão II.

A partir do século X, o povo de Israel estava acostumado a ouvir “profetas reformistas”. Estes estavam cientes das falhas do povo, mas acreditavam que tais erros poderiam ser solucionados dentro das estruturas em vigor e com o esforço do povo.

Com Amós surgiram os profetas que disseram que todo o sistema estava corrompido e que o esforço era inútil para sair do buraco. Israel não era capaz de se manter em pé. Era como um cesto de figos maduros, preparados para a colheita (8.1-3).

O reino do Norte (Israel) atravessou situações difíceis no século IX. Israel foi dominado pelos sírios. No entanto, com o reinado de Joás no início do século VIII as coisas mudaram. A situação de Israel mudou para melhor, principalmente no tempo do rei Jeroboão II. Israel experimentou prosperidade. Foram construídas casas luxuosas. Por causa do bom comércio com outros povos, apareceram os ricos. Esse bem-estar, no entanto, trouxe problemas sociais. Havia os ricos e os pobres. Estes sempre mais dependentes dos ricos (5.11-12). Havia suborno e os necessitados eram ignorados.
Para dentro dessa situação soaram as palavras de Deus por intermédio de Amós.

4. Contexto

Algo do contexto já está escrito acima. De 1.3 a 2.16, o livro anuncia o castigo que as nações e cidades vizinhas de Israel sofrerão por causa de sua crueldade nas guerras. São mencionados alguns oráculos (respostas recebidas de Deus), que precedem o da condenação de que Israel e Judá se tornaram merecedores, mesmo sendo o povo escolhido. Deus não deixará impune os seus pecados. Precisamente por causa de sua eleição, a sua responsabilidade aos olhos de Deus é maior. Por isso, mais severo será o castigo (3.1-2).

A partir de 3.10, Amós atacou a injustiça social reinante (5.11; 8.4-6), o suborno e a prevaricação de juízes e tribunais (5.12), a opressão, a violência e até a escravidão, a que os mais pobres eram submetidos (2.6; 8.6). O profeta Amós proclamou que Deus castigará os que cometem tais pecados.

Entretanto, mesmo que os castigos sejam inevitáveis, é certo que Deus não desejava destruir Israel. Deus quer reedificá-lo, para que continue sendo seu povo eleito (9.11-15).

5. Reflexão sobre o texto

3.1-2: Nestes versículos descobrimos que a eleição do povo de Israel significava responsabilidade. O povo foi escolhido para escutar com atenção as palavras de Javé. Este tirou o povo do Egito, conduziu-o pelo deserto; deu-lhe a terra prometida. Recebeu tudo de Javé. Por isso terá que prestar contas de todos os seus atos.

3.4-6,8: Estes versículos, mesmo tendo temas diferentes, formam em si uma unidade de pensamento. São situações conhecidas do povo: andar juntos, leão no bosque, aves, trombeta. Em todos os versículos são enumeradas perguntas, que esperam respostas claras. Amós não teve saída. Precisou anunciar as palavras de Javé. Como nos exemplos citados, nada acontecia por si mesmo, pois as perguntas exigem respostas; assim Amós precisou anunciar as palavras de Javé, que igualmente exigem respostas precisas.

Conclusão: O povo pecou? O castigo virá. Anunciar essa verdade foi difícil para Amós e para o povo, que a escutou.

v. 7: Este versículo destoa dos demais. É como se Amós pretendesse justificar sua ação. Tudo é Javé, que faz a história, mas usa os profetas para revelá-la ao povo.

6. Meditação

O nosso mundo vive a realidade do “Você aprontou? Procure corrigir!”. Preferimos esta saída do que a outra: “Você aprontou? Vai ter que ser castigado!”. O povo de Israel no tempo de Moisés estava acostumado a viver a primeira possibilidade: estava ciente de que os erros cometidos precisavam ser corrigidos. Tinha-se a convicção de que o próprio povo seria capaz de corrigir os erros e melhorar de vida.

Entretanto, o profeta Amós quebrou esse pensamento. Afirmou que o povo será incapaz de melhorar sua situação, mesmo sendo o escolhido por Deus entre todas as nações. O povo foi confrontado com a realidade do castigo: “Deus punirá todas as sua iniquidades”.

O castigo aconteceu com o exílio na Babilônia alguns anos mais tarde. Mas, mesmo antes que isso acontecesse, Deus anunciou por intermédio de Amós que jamais abandonaria seu povo escolhido. Mesmo nas ruínas, haverá sinal de vida (9.11ss): “levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei como fora nos dias da antigüidade”.

Essa atitude de Deus se faz presente também no Novo Testamento. “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Esta mensagem é como uma luz nessas semanas de Epifania. Como para os magos apareceu aquela luz brilhante, que os levou à manjedoura em Belém, assim é a palavra na Sagrada Escritura hoje: aponta para nós como escolhidos de Deus desde o nosso Batismo e que vivemos a partir de sua graça e não de nossos esforços ou merecimentos.

Jesus chama pessoas a cada instante para segui-lo. Mostra-lhes que jamais conquistarão o reino de Deus por seu esforço, mas pelo arrependimento entregam sua vida a Cristo, tornando-se por ele novas criaturas.

A partir daí poderão viver diferente, conforme Paulo coloca em 1 Co 1.10-17: não precisam mais viver na competição de grupos. Podem viver como irmãos e irmãs na fé, aceitando, abraçando, ajudando-se para viver a justiça de Deus. Fazer com que todas as pessoas tenham uma vida nova e digna a partir de Jesus Cristo.

7. Celebração

Intróito (instrumentos, coral, sinos):

É grande a nossa alegria em cumprimentar todos e todas neste terceiro domingo do tempo de Epifania. Deus fez sua luz aparecer por meio do nascimento de Jesus e deseja que ela brilhe em nós. Estamos, por isso, reunidos em nome do Deus Criador e Pai, de Jesus Cristo, nosso Salvador, e do Espírito Santo, nosso Consolador. Amém.

Convido para cantar: “Vem à luz alegremente, ó povo do Senhor...”.

Confissão:

Ó Deus! Tu vieste ao mundo na pessoa de Jesus, para revelar o teu grande amor para com a humanidade. Tu nos aceitaste como filhos e filhas através de nosso Batismo. Entretanto, confessamos que não correspondemos à tua vontade. Somos filhos desobedientes, que merecem ser castigados. Perdoa-nos pelo sacrifício de Jesus na cruz. Renova-nos com a luz do teu Espírito. Tem, Senhor, piedade!

Cantar em conjunto: “Tem, Senhor, piedade!” (três vezes)

Absolvição:

Deus no seu grande amor para conosco perdoa as nossas iniqüidades e renova nossas vidas, para vivermos unidos a Ele e entre nós. Por essa razão podemos render glória a Deus, cantando:

“Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós”.

Oração:

Obrigado, Deus e Pai, pela luz que brilha também hoje em nós. É esta luz que resplandece através da tua palavra. Que ela abra nossas mentes, ouvidos e corações para recebê-la com atenção e compromisso. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

Cantar: “Chegou a nós a redenção por graça e por bondade...” (HPD 156,1-4).

Leituras:

Convidar para ler 1 Co 1.10-17 (alguém da comunidade lê ou dois grupos alternados).

Terminada a leitura, cantar: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração...” (HPD 213).

(De pé) Convidar para a leitura do evangelho em Mt 4.12-23. Após a leitura, cantar: “Viver com Jesus é cantar...” (HPD 181,1-2).

Pregação:

Leitura de Am 3.1-8. Passos para estudo em grupos ou pregação (baseados na meditação).

– Como vivemos neste mundo.

– Amós anunciou outra realidade a partir da palavra de Deus.

– O salário do pecado é a morte.

– O dom gratuito de Deus é vida em Jesus Cristo.

– Jesus é a luz que ilumina o nosso caminho.

– Em Jesus podemos viver como irmãos e irmãs sem explorar uns aos outros.

Confissão de fé:

Como resposta ao desafio da palavra de Deus: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra...”.

Recolhimento das ofertas:

Faz parte daquilo que nós podemos oferecer a Deus em gratidão por aquilo que Ele fez por nós. Explicar a finalidade, destino, motivar, cantar durante o recolhimento. Levá-las ao altar, agradecer e interceder.

Avisos comunitários:

Boas-vindas aos visitantes. Pedir que se apresentem: nome, de onde vêm, igreja da qual participam; entregar uma lembrança.

Oração final:

Enaltecer a grandeza da obra de Deus em nosso favor. Somente a partir dele é que podemos viver como novas criaturas. Agradecer pelo culto, pelos visitantes, por cada pessoa presente. Pedir pela vivência cristã na nova semana. Interceder pelos doentes, deficientes, desempregados, injustiçados. Interceder pelo fim da violência nas cidades e no campo. Encerrar com o Pai-Nosso em conjunto.

Cantar:

“Abençoa tu, Senhor, a saída, a nossa entrada...” (HPD 131).

Envio:

Ide em paz e servi ao Senhor!

Comunidade:

Demos graças a Deus!

 

Bibliografia

NASH, Peter T. Auxílio homilético sobre Amós 3.1-8. In: Proclamar Libertação vol. 24. São Leopoldo: Sinodal, 1998.
SCHOKEL, L. Alonso e DIAZ, J.L. Sicre. Grande Comentário Bíblico. Profetas II. São Paulo: Paulinas, 1991.
WEISER, Artur. ATD: Die Propheten. Göttingen: Vandenhoeck & Rupprecht, 1949. Vol. 24.
 


Autor(a): Werner Brunken
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: 3º Domingo após Epifania
Testamento: Antigo / Livro: Amós / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 8
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2004 / Volume: 30
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 23557
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