Apocalipse 3.1-6

Auxílio Homilético

11/12/1983

Prédica: Apocalipse 3.1-6
Autor: Dario Schaeffer
Data Litúrgica: 3º Domingo de Advento
Data da Pregação: 11/12/1983
Proclamar Libertação - Volume: IX
Tema: Advento


I — O Apocalipse surge da necessidade

O ódio, o sarcasmo e o humor profundo a respeito dos desmandos políticos de sua época, levaram João, o último discípulo de Jesus ainda vivo, exilado na ilha de Palmos (1.9) por sua vivência do Evangelho de Jesus Cristo, a escrever esta obra de contestação ao regime político vigente.

Domiciano era então imperador de Roma. O ódio que João sentia por ele não tinha causas psicológicas, nem individuais, nem residia no fato de que ele, João, tinha sido atingido pela repressão romana. Residia naquilo que o imperador Domiciano estava fazendo contra Deus e contra o povo. Domiciano foi o primeiro imperador romano que se deixou proclamar formalmente Deus e Senhor. Foi ele quem, pela primeira vez entre os imperadores perseguidores de cristãos, entendeu que por detrás da rebeldia dos cristãos estava a figura enigmática de Jesus Cristo, o próprio Deus. Domiciano resolveu combater este Cristo. Foi o primeiro a lutar assim e também o primeiro a perder a batalha.

Domiciano criou em torno de sua pessoa um clima de adoração, eivado de atos litúrgicos e religiosos para todas as ocasiões. De manhã, antes de seguir para sua tarefa diária, o súdito romano seguia para um templo ou para um lugar de adoração, em que, seguindo ritos litúrgicos, prestava adoração ao imperador-deus. Os jogos olímpicos eram feitos em homenagem ao que se proclamava deus. E nestes jogos olímpicos, Domiciano dirigia os atos litúrgicos. O povo, por exemplo, devia comparecer todo vestido de branco. Os senadores se faziam presentes, sentados ao seu redor, num estágio mais baixo (cf. 4.4). As trombetas anunciavam cada etapa dos jogos com cerimonial religioso de aclamação ao deus presente, desde a abertura até aos mais cruentos e sangrentos jogos de gladiadores, das torturas e das corridas. Nesta ocasião tudo reverenciava o deus Domiciano; homens e animais deviam obedecer-lhe. Antes da corrida dos cavalos, corridas estas que consistiam de torturas e mortes sem clemência, principalmente daqueles que se opunham ao imperador-deus, as trombetas anunciavam os proclamos do imperador às cidades das províncias. Seguiam-se então as corridas com cavalos de diversas cores: pretos, amarelos, azuis, etc. Outro episódio que acordou o ódio do apóstolo do Apocalipse, como também do próprio povo romano, foi o fato de que Domiciano elevou seu próprio filho, falecido muito novo, a filho de deus, que, sentado à direita de Júpiter, governa o cosmo com toda a autoridade. Mesmo não tendo conseguido evitar a morte de seu próprio filho, Domiciano se proclamava senhor sobre a vida e a morte, sobre a saúde e a doença. Isso ele obviamente não conseguiu manter. Pois onde deviam acontecer curas em seu nome, nada acontecia. A peste era sempre uma ameaça que voltava a flagelar o povo e contra ela o próprio Domiciano-deus de nada valia. Ele apenas conseguia destruir.

Sua invencibilidade existia apenas nas poesias dos poetas da corte e nos arcos de triunfo que mandava erigir após cada incursão guerreira. Nenhuma de suas batalhas, no entanto, podia ser incontestavelmente comprovada como vitoriosa.

A perseguição aos cristãos não era apenas uma perseguição a indivíduos revoltosos. Era uma perseguição ao próprio Cristo. Era — no entender de Domiciano — uma luta entre deuses.

O apocalipse era um gênero literário conhecido na época. João. no entanto, conseguiu transmitir ao seu escrito todo o ódio que sentia pela besta que emergiu do mar (cap. 13), numa visão apocalíptica do que iria acontecer. Seu escrito é uma analogia antitética á liturgia política de Domiciano. Com isso o Apocalipse de João torna-se o manifesto político dos únicos que ousavam levantar a testa ante a besta Domiciano. Um manifesto da mais profunda agudeza, tanto no sarcasmo, quanto na crítica e no humor. Ele atinge o que havia de mais sacro e mais intocável no Império Romano: o âmago da área de segurança nacional. E não apenas a critica, mas a coloca dentro do juízo e da destruição de um Deus que se ri da loucura de Domiciano (cf. Sl 2; Jó 40.25ss) e de sua palhaçada infernal e desumana.

No Apocalipse o próprio Cristo, Filho de Deus, de repente aparece para a abertura dos jogos olímpicos de Roma e faz um jogo tão grandioso, tão enorme, tão sangrento, tão mortal e tão definitivo, como nenhum imperador, com toda sua pompa, suas orgias e todas as imensas riquezas jamais sonhou. É o último jogo com um império e um mundo que devem ser destruídos até que não sobre mais do que as cinzas (18.8). Os sete flagelos, que também Domiciano anunciava durante os jogos (cap. 16), são ampliados escatologicamente e por isso aguçados, extremados para a situação de flagelo em que o Império de Roma se colocou a si próprio.

Domiciano foi assassinado por Estêvão, um seguidor de Clemente, bispo cristão de Roma a quem Domiciano havia assassinado Imediatamente após sua morte, o senador romano decidiu pela damnatio memoriae, isto é, o amaldiçoamento de tudo que lembrava o imperador. Com isso foi destruído praticamente tudo o que lembrava o pseudo-deus, desumano e louco.

As profecias do Apocalipse estavam se realizando, como fruto também de uma resistência corajosa e cheia de fé dos cristãos.

II — Generalização e mensagem escatológica

A generalização do Apocalipse, tornando-o uma mensagem visionária, ahistórica e fatalista do fim do mundo, é o primeiro pecado que é comumente cometido com esse escrito tão profundamente ligado à história e ao declínio de um sistema social e político. Essa generalização normalmente ainda passa por uma espiritualização que tira toda a amplitude e a contundência social, política e religiosa que o livro contém. Exatamente por causa de seu intimo atrelamento à crítica política e por causa de sua posição extremamente radical, uma posição baseada no ódio e na ânsia pela destruição do destruidor da vida, o Apocalipse de João atrai tanto a atenção de igrejas e seitas que não concordam com uma tal atitude hoje, diante dos dragões e das bestas que nos dias atuais se alevantam para destruir o povo do Terceiro Mundo. Essas linhas religiosas fazem quase o impossível para individualizar ao máximo a abrangência social do Apocalipse, colocando todo peso da interpretação sobre o pecado individual, que raramente passa do sexo e dos vícios. Com isso há um empobrecimento e uma total distorção do fato por que João foi exilado para Patmos e que o levou a escrever o Apocalipse.

Quem assim age se coloca a serviço das bestas de hoje. Oue o assunto do Apocalipse não era apenas o pecado individual, mostra o simples fato de que hoje dificilmente as bestas e os dragões de nossa época condenam ao exílio líderes dessas igrejas que gritam nas praças e nos cantos de ruas contra o povo simples, procurando nele a raiz de todos os males. Os patrões não perseguem seus lacaios fiéis. Os dragões e bestas de hoje gostam de ver e ouvir alguém que não confia no povo pobre e oprimido, que bate nele, que procura nele a raiz de tudo que está errado, do pecado. Com isso está praticado o desvio que tira do Apocalipse sua contundência e seu valor histórico. A generalização pode levar a isso.

Não devemos desconhecer que o Apocalipse não foi escrito para nós. Foi escrito contra Domiciano, contra Roma, contra a superpotência cósmica que ela era ou queria ser, contra o sistema que alienava e amedrontava o povo. Os flagelos, os castigos e as profecias do fim têm seu endereço certo: a Babilônia — nome em código para Roma — a grande meretriz, que está sentada sobre os sete montes. Não podemos desconhecer isso e querer partir com rapidez demasiada para uma generalização em cima dos pecados do povo, ou então da Rússia e do mundo comunista.

A chave para entender o Apocalipse é a esperança que, a partir do cap. 21, coroa toda as suas previsões. Nesta esperança reside a compreensão política de que o povo de Deus, representado pela cidade de Jerusalém, que desce dos céus, será o lugar vivencial daquele que governa o mundo e o cosmo, o Senhor da vida e da morte, ao qual as nações trarão honra e glória (21.26). Não será mais Roma, com suas orgias, crimes, loucuras, riquezas conquistadas do suor do povo e da conquista guerreira, que poderá concorrer com a nova Jerusalém de pedras preciosas, de vidro e ouro, sem templo. Nela não poderá entrar mais nenhum mentiroso, nem assassino, nem ladrão, mas somente os inscritos no livro da vida (21.27).

Implícito nesse pensamento também não está a hegemonia judaica, mas uma crítica ao apocalipsismo judaico. Por causa de Jesus Cristo virá uma nova Jerusalém, o lugar do próprio Deus, para ser o local onde todos os inscritos no livro da vida terão sua existência. Como ocorre com Roma, também a antiga Jerusalém, sinal hegemônico de um povo, hão será revalidada. A escatologia reside na amplitude cosmológica de que não só o povo de Israel é o escolhido, mas todas as nações andarão na luz do Cordeiro (28.24), e no fato de nesta cidade nunca mais haver noite e nunca mais as portas se fecharem. Tudo o que é contrário à nova Jerusalém cai no juízo e será consumido pelo lago de fogo e enxofre, a segunda morte (21.8). Reside no nunca mais, ou seja, no julgamento de tudo que usurpa para massacrar o povo e tirar a vida dele. Reside na esperança do novo céu e nova terra que serão coordenadas a partir da nova Jerusalém.

Essa esperança escatológica abrange a nós hoje. Pois o que coloca o Apocalipse no caminho histórico de Jesus Cristo e de sua Igreja é a esperança por um mundo radicalmente outro. Um mundo anunciado por Cristo (Lc 10.18; Mc 12.18; 9.43ss; cf. também Lc 6.20ss; 10.23). Por outro lado também o juízo, que cai sobre todos aqueles que se opõem à vinda desse mundo, faz parte da esperança escatológica. E como o Apocalipse não só se volta contra um homem — no caso Domiciano —, mas contra toda estrutura e o sistema do Império Romano, assim também a esperança não está colocada apenas na vinda de um herói celeste, mas está colocada na vinda da nova Jerusalém, onde Deus e o Cordeiro habitarão (uma atualização da ressurreição e definitiva vinda de Cristo?). Isso é muito importante para a compreensão da atualidade do Apocalipse.

A escatologia, a esperança, assim como o juízo não são individualistas nem heróicos, mas são históricos, políticos e principalmente estruturais. Jesus Cristo não aparece mais como um indivíduo, mas como uma sociedade nova, na qual ele está completamente inserido: ele é sua luz (21.23).

III - O texto de Ap 3.1-6

Ap 3.1-6 é um proclamo idêntico aos feitos por Domiciano durante os jogos olímpicos. Todas as províncias recebiam estes proclamos de elogio ou de admoestação. No entanto, ele não é apenas idêntico, mas uma antítese ao proclamo imperial-divino de Domiciano. O v. 1 torna isso claro. Assim o confirmam antigas moedas e esculturas: Domiciano tinha em suas mãos sete estrelas e às vezes o feixe de raios, ambos simbolizando a presença de Júpiter e o domínio cósmico. No texto do Apocalipse, quem tem estes poderes e os símbolos da hegemonia é aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Os leitores do Apocalipse de João, no entanto, entenderam que dessa vez não havia um homem louco por detrás dessa afirmação de poder, mas o próprio Cristo. Em todos os proclames que antecedem e seguem ao nosso é usado um título que também Domiciano usava. Mas agora esses títulos se voltam contra o imperador-deus. Há alguém maior que ele. Alguém que realmente tem o poder sobre o universo humano e cósmico e conhece as obras dos que são responsáveis pela comunidade de Sardes: o anjo da comunidade. Essas obras levaram à morte e não à vida. Dentro do contexto total da carta, é evidente que essa morte se refere ao fato de que muita gente da comunidade e da cidade caiu na tentação da loucura religiosa da Roma de Domiciano. Pois não podemos desconhecer que os jogos olímpicos, as festas, as orgias, o bem-estar da elite, a riqueza, as marchas triunfais de Domiciano conquistaram e alienaram uma grande parte do povo através da pompa e do medo. Essa parte do povo estava com medo do que viria se não fizesse o que estava prescrito. Cada manhã, por exemplo, todos os cidadãos deviam render graças ao imperador-deus, mesmo em sua ausência, em todo o reino, sob ameaça de prisão, tortura e morte durante os jogos olímpicos. Muitos não aguentaram a pressão. Mas alguns ainda restavam em Sardes quando João escreveu sua advertência à comunidade, para que ela fosse vigilante, organizasse e unisse o que restou. A advertência vai ao ponto de deixar a comunidade na incerteza da vinda daquele que realmente tem o poder de julgar as suas ações. Virá como ladrão, sem anunciar nada. Bem ao contrário do Imperador, que vinha com estardalhaço. Mas o castigo será incomensuravelmente maior.

Algumas pessoas não se contaminaram (v.4). Isso quer dizer que havia alguns que não seguiram o que o deus de Roma lhes exigia. Não se deixaram amedrontar nem alienar daquilo que receberam e ouviram (v.3). Podemos imaginar que duas coisas, que para nós não são estranhas — o medo, mas também o fascínio diante da grandeza e da pompa — faziam esquecer com certa facilidade a proposta de Jesus Cristo, que é a de servir uns aos outros, como ele também serviu. O servir em amor e justiça não tem parentesco algum com a exploração de Domiciano. Também não tem semelhança alguma com a pompa, o luxo, a vida boa que escondem para quem não sabe ou não quer ver, a mentira, a miséria e a injustiça. Não há dúvida de que muitos se deixaram levar por essas duas forças que sempre andam conjugadas: a boa vida e o medo de perdê-la.

As vestiduras brancas e os vencedores (vv.4-5) são analogias ao que acontecia nos jogos olímpicos, aos quais todos os cidadãos romanos deviam comparecer com as vestes litúrgicas brancas. Nestes jogos os vencedores recebiam, além de medalhões, também vestes brancas que os qualificavam como pertencentes aos salvos pelo deus-imperador e que então estavam em sua graça.

João coloca essa atitude nas mãos daquele que governa o universo e que tem a real capacidade de inscrever — não num faz-de-conta mentiroso — o nome do vencedor no livro da vida. Isto é, aquele que crê e age conforme o quer seu verdadeiro Senhor Jesus Cristo, tem a garantia de que não será tirado do livro daqueles que têm seu lugar no convívio com Deus. Isso não acontecia com o imperador, por quem essa promessa, em primeiro lugar, não podia ser cumprida. Comprovadamente ele não tinha poder sobre a vida e a morte. Além disso, nem sempre aceitava em sua graça os que venciam os jogos olímpicos, mas os colocava na situação de gladiadores por terem desagradado ao deus

Além de inscritos formalmente no livro da vida — numa analo¬gia antitética ao teatro de Domiciano — o vencedor, o que resiste e se joga contra as ordens do imperador romano, será confessado diante do Pai, o verdadeiro Deus. Isso significa a pertença definitiva ao povo que é aceito por Deus.

Essas analogias eram entendidas perfeitamente por aqueles que tinham ouvidos. Esses eram os que sabiam ler nos proclamos não mais a vontade de qualquer imperador, mas agora a voz e a vontade daquele que realmente liberta e governa o mundo. Os cristãos, caídos ou não diante do medo e da tentação do Império Romano, conheciam esse Senhor supremo. Tinham ouvidos para ouvir.

IV — Prédica

Oferecem-se para nós, também neste Advento, pouco antes do Natal, claras analogias ao que acontecia naquela época. Qualquer sociedade capitalista — como a de Domiciano e a nossa — sempre terá semelhanças e igualdades. Para voltarmos à chave de entendimento de nosso texto e que o coloca na caminhada histórica do povo oprimido, precisamos perguntar em primeiro lugar quais são hoje as esperanças de um povo desesperançado.

È de extrema e fundamental importância que na pregação não apareçam aquelas mesmas palavras santas usadas constantemente em prédicas. Ao contrário, cite-se claramente as esperanças do povo sofrido e sem condições de vida. Na própria esperança desse povo já reside a denúncia. O próprio povo nos mostra quais são as esperanças, ou onde elas não mais existem. Diria, meramente à guisa de exemplo: uma das grandes esperanças do povo dos pequenos agricultores, meeiros, bóias-frias é de que, de urna vez por todas, eles e seu trabalho tenham o reconhecimento merecido; que haja preços justos para seus produtos e sua mão-de-obra; que os impostos não só não sejam injustos, mas que retornem em forma de serviços de saúde, estradas, educação; que seus filhos tenham o que comer. Em alguns lugares já há a esperança da necessidade de uma organização popular que lute por uma mudança social radical. Há a esperança por uma mobilização nacional do povo lascado, que dê novamente garantias de sobrevivência. Diante dos pacotes anti-econômicos, que diminuem os pacotes natalinos até da classe média e alta e que cortam as esperanças de emprego e de salários para milhares de famílias brasileiras, há a necessidade e a esperança por um novo sistema político e social nacional.

Isso são exemplos do que se ouve e sente no interior do Estado do Espírito Santo. Outros deverão ser achados, talvez mais concretos, em suas respectivas regiões.

Tudo, pois, que se coloca contra essa esperança — as superpotências, o FMI e seus testas-de-ferro brasileiros ou estrangeiros (até igrejas o são!), o governo federal, as multinacionais (que não estão sendo atingidas por expurgos tão necessários em suas hostes de sangue-sugas), os Estados Unidos da América do Norte, em especial o governo Reagan e sua política homicida para a América Latina — é comparável ao que Domiciano era na época de João. Os governos do Chile, da Argentina, do Paraguai, da África do Sul, em cujos programas de governo os direitos humanos são ridicularizados e pisados com os pés, podem ser incluídos na lista. Todos esses poderes, como Domiciano, também fazem o jogo da hegemonia cósmica, quando tomam o di¬reito de tirar as vidas dos que se opõem a eles e dos que trabalham para eles. Nesse momento se arrogam direitos divinos, combatem e contrariam o que realmente é divino: a vida humana.

Mais de perto, se arrogam também esse direito todos aqueles que acham que sabem mais do que o povo pobre e, com isso, tomam decisões por ele e sobre ele. Se não são condenados a serem bestas e dragões, pelo menos devem ser admoestados pelos proclamos que hoje se deverá fazer aos que ouvem e reconhecem que estão sendo citados, E há a necessidade de citar bem claramente os nomes e atitudes dos que se opõem às esperanças do povo.

Novamente está colocada a esperança por um mundo totalmente novo, socialista, governado pelo povo e por isso democrático. É essa a oferta de Jesus Cristo a todo o universo.

O ódio de João, enorme e profundo, não provém de confrontos pessoais, mas do fato de que o próprio Deus está sendo perseguido ali, onde homens são perseguidos injustamente e onde não lhes é dada a possibilidade de vida plena e livre. Esse ódio contra os que se arrogam o direito de supremacia divina ao desrespeitar a vida, também no Advento pode e deve transparecer, juntamente com a conclamação para a organização, a união e a luta do povo que sofre. O vencedor será vestido de vestiduras brancas, pertencerá aos que se sentam com Deus na nova Jerusalém, na nova sociedade, onde nunca será noite e onde as portas não se fecham, no novo céu e na nova terra (Is 65.17ss), no novo Brasil.

V — Bibliografia

- BULTMANN, R. Theologie des Neuen Testaments. 5a ed. Tübingen, 1958.
- LILJE, H. Das letzte Buch der Bibel 7a ed. Hamburg, 1961.
- LOHSE, E. Umwelt des Neuen Testaments. 5a ed. Göttingen, 1980.
- PORATH, R. Meditação sobre Apocalipse 3.7-13. In: Proclamar Libertação, vol. 2. São Leopoldo, 1977.
- STAUFFER, E. Christus und die Caesaren. 5a ed. Hamburg, 1960.


Autor(a): Dario Schaeffer
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Advento
Perfil do Domingo: 3º Domingo de Advento
Testamento: Novo / Livro: Apocalipse / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 6
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1983 / Volume: 9
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 13419
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Assim, outros carregam o meu fardo, a força deles é a minha. A fé da minha Igreja socorre-me na perturbação. A oração alheia preocupa-se comigo.
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