Atos 8.14-17

Auxílio Homilético

10/01/2010

Prédica: Atos 8.14-17
Leituras: Isaías 43.1-7 e Lucas 3.15-17, 21-22
Autor: Erni Walter Seibert
Data Litúrgica: 1º Domingo após Epifania
Data da Pregação: 10/01/2010
Proclamar Libertação - Volume: XXXIV


1. Introdução

Nos domingos de Epifania, os textos bíblicos procuram mostrar as diversas manifestações de Jesus como o Salvador de todas as pessoas. Os textos deste domingo também mostram a ação salvadora de Deus para com todos.

No texto de Isaías, a ênfase está na restauração de Israel. Isaías 40 inaugura a grande seção do livro do profeta que trata diretamente do consolo do povo. Ao chegar no capítulo 43, o profeta mostra como Deus restaura o povo de Israel. Ele cuida do seu povo, ele o protege e salva.

A leitura do evangelho deste domingo fala do batismo de Jesus. João Batista pregava o arrependimento. Entre as pessoas que o ouviam, alguns achavam que João poderia ser o próprio Messias. No entanto, João não deixa a dúvida criar raízes. Ele afirma que o Messias é Jesus. E quando Jesus é batizado, acontece uma manifestação rara da Santíssima Trindade indicando que Jesus é o Salvador. É uma das epifanias mais explícitas de Deus e da obra redentora encontradas na Bíblia.

Nesse contexto, também deve ser vista a leitura que serve de base para esta pregação: a leitura de Atos. O contexto geográfico do episódio é a Palestina. Os apóstolos em Jerusalém (mais ao sul da Palestina) recebem a notícia de que os samaritanos (o centro da Palestina) haviam recebido a palavra de Deus. Receber a palavra de Deus significava que eles haviam crido. Eram, no entanto, novos na fé, não tinham muito conhecimento. Para ajudá-los em sua jornada de fé e para orientá- los na palavra, os apóstolos enviaram, de Jerusalém para a Samaria, Pedro e João. A ação dos dois apóstolos na Samaria é o foco do texto e mostra como Jesus se manifestava Salvador de todos, inclusive dos samaritanos.

2. Exegese

O contexto da perícope em destaque neste domingo mostra como tinha sido a pregação do evangelho na Samaria. Filipe havia pregado, praticado milagres e batizado as pessoas. A pregação de Filipe e os milagres que realizou impressionaram muito o povo. Até mesmo um cidadão muito conhecido por praticar a feitiçaria naquela região chegou à fé. Seu nome era Simão.

Simão gozava da admiração dos samaritanos. Ele era ouvido pelas pessoas que consideravam que seus milagres eram fruto de um poder especial que ele tinha. Atribuíam esse poder a Deus. Simão tinha recebido o título de “Grande poder”. No entanto, Simão, ouvindo a pregação de Filipe e vendo os milagres que fazia, incluiu-se entre os novos cristãos.

Essa recém-formada comunidade de crentes era o alvo da visita de Pedro e João. Essa comunidade precisava ser instruída na fé e ser firmada nos ensinamentos de Jesus Cristo.

Comunidades recém-formadas na fé costumam ter lacunas no seu conheci- mento da fé cristã. A fé precisa amadurecer. Uma das lacunas verificadas era quanto à questão de receber o Espírito Santo. Usualmente, o Espírito Santo é dado às pessoas no momento em que elas creem. Vemos isso em Atos 10.44, 19.2 e Efésios 1.13. No entanto, em Samaria, essa era uma questão aberta. Assim como o Espírito Santo desceu sobre os discípulos em Jerusalém (At 2), agora ele precisava descer sobre os cristãos de Samaria. Lucas, no livro de Atos, mostra que o Espírito Santo era dado a todos os que chegavam à fé. Em Atos 10.44-48, para grande admiração dos judeus, o Espírito Santo também foi dado aos gentios.

O nosso texto mostra a ocasião em que o Espírito Santo foi dado aos samaritanos. Mas o texto está num contexto esclarecedor. Simão, o mágico, que a essa altura identificava-se com o grupo dos novos crentes, via as coisas extraordinárias que aconteciam e queria ter poder semelhante. Para Simão, o ponto principal não era a fé em Jesus, mas os acontecimentos extraordinários, os milagres que aconteciam. E isso era um desvio da fé. Ele até fez uma proposta financeira para também ter esse poder. Daí, inclusive, vem o termo “simonia”, que descreve a compra e venda ilícita de benefícios espirituais.

O texto bíblico mostra-nos que receber o Espírito Santo faz com que a pessoa tenha também um espírito santo. Simão não podia comprar o dom do Espírito Santo. E a prova de que ele não tinha recebido o Espírito Santo estava no fato do coração dele não ser honesto diante de Deus (v. 21). Simão não tinha um espírito santo. Ele precisava arrepender-se de seus pecados, tirar essa má intenção de seu coração e confiar em Cristo. Seu coração precisava ser purificado (v. 22-23).

A manifestação do Espírito Santo na vida do que crê dá-se por uma vida santa. Não há negociata com Deus. Além disso, todos os que creem em Jesus Cristo recebem o Espírito Santo.

3. Meditação

Ao deparar-nos com esse texto de Atos, uma das tentações do pregador é fazer uma prédica que fale sobre receber o dom do Espírito Santo. Seguindo esse caminho, o pregador possivelmente irá falar sobre as diferenças de compreensão dessa questão entre as igrejas tradicionais, históricas e as igrejas pentecostais. Seguir esse caminho, no entanto, além de não ser o foco do texto em questão, não permite entrar na riqueza que esse texto traz.

A primeira coisa que a perícope menciona é que os apóstolos em Jerusalém ficaram sabendo que o povo de Samaria havia recebido a palavra. Saber a respeito do progresso do evangelho é um assunto de interesse da igreja. A igreja não apenas enviava pessoas para todos os lugares para que o evangelho fosse pregado, mas também acompanhava o resultado da pregação por meio de informações que recebia.

Sabemos que a maioria das igrejas oferta para as missões. Muitas igrejas não apenas ofertam, mas participam ativamente do envio de missionários. No entanto, os missionários não podem ficar abandonados na frente de missão. O que está acontecendo na frente de missão é do interesse da igreja. Os meios de comunicação da igreja, sejam revistas, jornais, rádios, TV, convenções, encontros, precisam repassar notícias sobre as missões. Isso entusiasma o povo e ao mesmo tempo mostra o cuidado que se tem com os novos convertidos e o trabalho que lá foi feito.

O segundo aspecto que o texto salienta é que o apoio não ficou apenas no conhecido “apoio moral”. Os apóstolos enviaram a Samaria Pedro e João com a missão de apoiar a nova igreja. Dois dos mais conhecidos apóstolos deslocaram- se a Samaria para dar apoio à nova igreja.

Igrejas recém-formadas precisam de apoio. Elas podem facilmente enveredar por erros na doutrina ou na praxe. A fé ainda não está consolidada. A experiência de pessoas maduras na fé pode ajudar muito. É o que podemos aprender no incidente de Simão, o mágico. Simão era personalidade importante na Samaria. Era conhecido e influente (ouvido). No entanto, o espírito que ele tinha não era santo. Por isso ele precisou ser repreendido.

O apóstolo Pedro tinha autoridade para corrigi-lo. E assim foi feito. Graças a isso, aquele trabalho recém-iniciado não sofreu danos ainda piores. O cuidado da igreja de Jerusalém para com a igreja de Samaria mostra o cuidado que Deus tem por seus filhos. Deus buscou os pecadores em Cristo. Ele enviou seu Filho ao mundo para salvar as pessoas. Ele não ficou distante. Ele se envolveu a ponto de dar sua própria vida. Cristãos têm o espírito de Cristo. É o Espírito Santo.

Um terceiro aspecto que o texto mostra é que nem tudo o que parece religioso ou extraordinário é de Deus. Milagres não são a prova definitiva de que uma mensagem vem de Deus. Há feitos extraordinários praticados por feiticeiros que, nem por isso, vem de Deus. É preciso distinguir os espíritos. O batismo em Jesus Cristo tem como característica o recebimento do Espírito Santo. Algo está errado quando alguém é batizado em Cristo e não tem o Espírito Santo. Os apóstolos Pedro e João foram a Samaria e impuseram as mãos sobre os que ali foram batizados e esses receberam o Espírito Santo. Estar em Cristo e, ao mesmo tempo, ter o Espírito Santo é algo natural na vida dos cristãos. O ponto-chave é estar em Cristo.

Por outro lado, fazer milagres e promover fatos extraordinários nem sempre é prova de que alguém é de Deus. Simão, o mágico, fazia coisas extraordinárias sem estar em Cristo. Ele também pensava que o poder do Espírito Santo era algo que podia ser comprado. Ele, com esses pensamentos, estava longe de Deus.

Quando colocamos lado a lado os textos das perícopes deste domingo, podemos ver a centralidade de Cristo na mensagem. Ela deve transparecer igual- mente na prédica.

4. Imagens para a prédica

Para chamar a atenção ao texto, o pregador pode trazer algumas notícias sobre frentes de missão e compartilhar com a igreja. As notícias irão mostrar a situação e os desafios daquele lugar de missão. Notícias podem ser tiradas de revistas da igreja ou de sites da internet. Pode-se, inclusive, pedir que alguns membros procurem notícias da frente missionária e tragam para compartilhar no culto.

Foi uma situação semelhante que provocou o acontecimento descrito na perícope de Atos. Uma notícia da Samaria motivou a visita de Pedro e João à frente missionária. É importante que a igreja se preocupe com as novas missões e se sinta responsável por elas. Quais os desafios e as preocupações que as missões trazem para nós hoje?

5. Subsídios litúrgicos

Como no período de Epifania a igreja se dedica especialmente a olhar para as missões, a manifestação de Jesus como Salvador de todas as pessoas, é importante que a escolha de hinos seja feita levando em consideração esse tema.
Se a igreja local enviou algum missionário, que neste domingo sejam trazidas notícias do trabalho dessa missão.
Se a igreja local contribuiu para alguma missão específica, que ela seja mencionada nas orações do dia.
É possível, via internet, capturar imagens de vários países e do trabalho missionário que aí é realizado. Se a igreja possuir um data-show, projetar essas imagens e trazer algumas informações sobre o que está sendo feito ajudará a trazer entusiasmo pelas missões aos participantes do culto.

Bibliografia


Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

SCHILLE, Gottfried. Die Apostelgeschichte des Lukas. Berlin: Evangelische Verlagsanstalt, 1984.


Autor(a): Erni Walter Seibert
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: 1º Domingo após Epifania
Testamento: Novo / Livro: Atos / Capitulo: 8 / Versículo Inicial: 14 / Versículo Final: 17
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2009 / Volume: 34
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 18596
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