Colossenses 1.9-14 - Luz na escuridão

Prédica

18/07/1954

LUZ NA ESCURIDÃO
Colossenses 1.9- 14 

Decorreram quase dois mil anos desde que Jesus Cristo veio ao mundo; e em todo este tempo é anunciado aos homens o Evangelho de Jesus Cristo. Mas, o que é que se mudou realmente no mundo e na situação do homem com a vinda de Jesus Cristo? Não continua o mundo sempre o mesmo, e também o homem o mesmo? 

Sim, de fato o mundo é o mesmo como era antes da vinda de Jesus Cristo, e também é o mesmo. Mas modificou-se inteiramente a situação do mundo e a situação do homem perante Deus, modificou-se inteiramente pelo que Deus tem feito em Jesus Cristo. Porque também Jesus Cristo esteve neste mundo, porque também Ele era verdadeiro homem, por isso há esperança para o mundo e o homem. Deus nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado. Com essas palavras o apóstolo Paulo descreve a grande transformação que com Jesus Cristo se efetuou na situação humana. O mundo sem Cristo é o reino das trevas; é o reino do homem que se considera livre, seu próprio senhor, que se orgulha de seu saber e de seu poder, do homem que só conhece a sua própria luz. Na verdade, porém, na verdade da clara luz que com Jesus Cristo veio ao mundo, todo o brilho deste mundo do homem se revela como uma falsa luz. O homem se considera sábio, mas vive na escuridão quanto ao sentido e à direção de sua própria vida; não conhece a verdade sobre si mesmo. Deus é a luz, é a verdade. O mundo, porém, não só quer viver sem Deus, mas o homem se coloca no lugar de Deus, considerando-se a si mesmo como senhor de todas as coisas. o mundo que não só nega, mas que rouba a Deus o lugar que lhe compete. Sem Deus, contra Deus, o mundo é o reino das trevas, a situação da qual o homem mesmo não se pode livrar. De si mesmo não pode voltar à luz; de si mesmo não pode obter a verdade e a vida. 

Mas, a este mundo veio Jesus Cristo: A luz resplandeceu em meio da escuridão (João 1,5) . Ele abriu o caminho para o homem voltar ao reino da luz. Para isto Jesus Cristo derramou o seu sangue, para isto foi erguida a sua cruz, para que se mostrasse, de uma vez para sempre, quão infernal é o poder das trevas, sob cujo domínio se encontra o homem — que esperança pode haver para o homem que ergueu a cruz? —, mas para que se mostrasse muito mais ainda, como é grande, forte e vitorioso o amor de Deus. Por mais poderoso que seja o império das trevas, a luz que vem de Deus, a luz do seu amor a esse mesmo homem, essa luz que está sobre a cruz de Cristo, ela é mais forte, ela vence toda a escuridão. Deste mesmo mundo das trevas agora é dito: Deus estava em Cristo e reconciliou o mundo consigo! (II Cor. 5,19) Agora, novamente estão unidos o céu e a terra, e nada há o que pudesse separar o homem de Deus. Isso é o que se mudou no mundo e na situação do homem, que ele agora pode confessar com gratidão: Jesus Cristo é o meu Senhor que me remiu a mim, homem perdido e condenado, resgatou e salvou-me do poder do pecado e da morte, para que eu lhe pertença e viva submisso a Ele no seu reino.1

Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino de seu Filho amado. Deus nos libertou: esta é a liberdade cristã: pertencermos a Cristo, vivermos em seu reino, no reino do Filho amado, como filhos que encontraram o Pai e por Ele se sabem amados, e que agora não conhecem dignidade maior do que esta que foram chamados por Deus pelo seu nome, para viverem em sua comunhão, nesta relação única de filhos para com o Pai que os ama. No reino de Cristo estamos livres de toda incerteza e medo; no reino de Cristo foi vencida toda escuridão. Por isso nos é dito: Dai graças ao Pai que vos fez idôneos a participar da herança dos santos na luz. Dai graças ao Pai, porque Ele o fez, o que nós não poderíamos fazer. Ele o fez, que já agora nos brilha a luz, que nos é dada a certeza que o nosso caminho nos leva à luz, e que por isso podemos viver com esperança. 

É verdade que ainda há muita escuridão no mundo, e é verdade que diante de nós ainda se encontra a profunda escuridão da morte. Mas é justamente aqui diante da morte que confessam os que vivem no reino de Cristo a sua fé na luz que vence toda a escuridão. Vencida foi a morte; ela não tem mais o poder de separar-nos do reino de Cristo! 

Deus nos libertou do reino das trevas e nos trasladou para o reino de seu Filho amado. E o que Deus fez, refere-se a todos, aos que estão longe, aos que ainda nada sabem da luz que já veio, e aos que estão perto: para a comunidade cristã e para o mundo todo vale o que Deus tem feito em Jesus Cristo. Nele temos a redenção, a remissão dos pecados. E por isso é verdade que em Jesus Cristo há consolo, há esperança — para o mundo, para os homens. 

No início do próximo mês se realizará em Evanston, Estados Unidos, a Conferência Ecumênica do Conselho Mundial das Igrejas que terá justamente por tema: Jesus Cristo, a esperança do mundo2. E com esse tema é expressa a convicção da fé cristã que para todos os problemas e todas as dificuldades do mundo, que é ainda hoje o mundo no qual reina o medo e ao qual falta a paz, não há verdadeira solução, enquanto se passar por Aquele, em cujo reino já é realidade a paz, a justiça, a alegria. Jesus Cristo a esperança do mundo: queira Deus conceder às Igrejas que pela pregação do Evangelho seja dada nova esperança ao mundo. 

E antes desta Conferência nos Estados Unidos, já nesta semana, se realizará no Rio de Janeiro a 2ª. Conferência Latino-Americana das Igrejas Evangélicas de Confissão Luterana para deliberarem sobre a tarefa destas Igrejas no momento atual, para que se torne audível a todos a mensagem do Evangelho entre nós: que há esperança, há consolo e paz em Jesus Cristo. 

Tudo o que nós somos, pensamos e fazemos, não pode ajudar ao mundo e aos homens. Mas o que Deus tem feito, é verdadeiro auxílio: Jesus Cristo é a esperança do mundo. 

E nós só podemos fazer o que aqui o apóstolo faz pela sua comunidade: Não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis do pleno conhecimento de sua vontade. Não cessemos de orar também nós para que seja dado à cristandade dar testemunho, em poder, ao mundo, de que não há salvação senão em Jesus Cristo, que por isso Jesus Cristo é a esperança do mundo. E não cessemos de orar, para que a nossa vida se torne uma vida digna do Senhor, uma vida em gratidão pelo que Ele tem feito por nós. 

Notas

1 Martim Lutero, Catecismo Menor, explicação do 2o artigo do Credo Apostólico,

2 Foeko Lüpsen (ed.): Evanston Dokumente, Berichte und Reden auf der Weltkirchen.konferenz in Evanston 1954, Witten/Ruhr, Luther-Verlag, 1954

Pastor Ernesto Schlieper

18 de Julho de 1954 (5º. Domingo após Trindade), Porto Alegre

Veja:

Testemunho Evangélico na América Latina

Editora Sinodal

São Leopoldo - RS 
 


Autor(a): Ernesto Theophilo Schlieper
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 6º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Colossenses / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 9 / Versículo Final: 14
Título da publicação: Testemunho Evangélico na América Latina / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1974
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 19717
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