Colossenses 2.6-15

Auxílio Homilético

12/08/2001

Prédica: Colossenses 2.6-15
Leituras: Gênesis 18.20-32 e Lucas 11.1-13
Autor: Ivo Schoenherr
Data Litúrgica: 10º. Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 12/08/2001
Proclamar Libertação - Volume: XXVI


1. Introdução

Para este domingo estão indicados os seguintes textos: Colossenses 2.6-15 como texto para pregação, Gênesis 18.20-32 e Lucas 11.1-13 como textos de leitura. O texto de Gênesis 18.20-32 já foi tratado no PL XX, p. 225. O texto de Lucas 13.1-9 é abordado no PL XVII, página 83 e PL XXIII, p. 72. O texto de Colossenses 2.6-15 como tal ainda não foi trabalhado na série Proclamar Libertação. Há trabalhos sobre partes do texto. Em PL XIII, p. 186, é abordado Cl 2.12-15 e, no PL XIV, p. 140, Cl 2.3,10. Mas qual a relação entre estes textos? Qual o tema em comum nos três textos?

2. O tema dos textos

O texto de Gênesis 18.20-32 nos motiva para uma reflexão sobre n nossa prática de oração e sobre o amor de Deus, que ouve o nosso clamor. Ele motiva para a persistência na oração de intercessão e lula do amor de Deus, que ouve e se sensibiliza com o clamor. Mesmo sabendo do pecado dos sodomitas, Abraão insiste na sua conversa com Deus para que poupe e não destrua a cidade. Deus, por amor, ouve o clamor de Abraão. O nosso Deus é o Deus do amor e por isso ouve as nossas orações de intercessão. Precisamos insistir com ele. Jú o texto de Lucas 11.1-13 também tem como tema principal a nossa prática de oração. Nos v. 1-4, encontramos o pedido de um discípulo pura que Jesus ensine a orar. Jesus ensina o Pai-Nosso. Nos v. 5-8, lemos uma parábola que também nos motiva para a persistência na oração. Deus é como um juiz que atende ao clamor persistente da viúva. Deus também atende os nossos pedidos, as nossas causas pessoais. Nos v. 9-13, somos motivados por Jesus para a prática da petição com promessa de atendimento. Deus dá boas dádivas, especialmente a dádiva do Espírito Santo. Podemos dizer que o assunto principal de Lucas 11.1-13 também é a oração. Encontramos aí a ligação entre os dois textos. Já o texto de Colossenses não tem como tema principal a oração. Crescendo em ações de graça parece-me ser a ligação com os outros textos. Há uma referencia à prática da oração de ação de graças. Será a oração o tema deste 10° Domingo após Pentecostes? Poderá ser, mas há também outras possibilidades.

3. O texto de Colossenses 2.6-15

O texto de Colossenses possui uma série de temas: o caminho do cristão (v. 6-7), alerta para o perigo de filosofias e tradições humanas (v. 8), a plenitude em Cristo (v. 9-10), o Batismo (v. 11-13), o perdão de Deus (v. 13-14), o triunfo de Cristo na cruz sobre as potestades e principados (v. 15 e l0b). Como se relacionam estes assuntos?

O principal motivo da Carta aos Colossenses, segundo os exegetas, é alertar para o perigo de seguir filosofias e tradições humanas vazias. Constitui também o motivo principal do nosso texto. O autor quer alertar para o perigo de deixar se enrolar por filosofias vãs, sutis, baseadas em tradições humanas e segundo os rudimentos do mundo. Havia um grupo em Colossos que estava chamando os cristãos para uma proposta de fé e religião baseada em rudimentos (elementos) do mundo: água, fogo, ar, vento. Havia uma fé em principados e potestades, em anjos, em seres celestiais, representados nos elementos do mundo e ligados aos elementos do mundo, que segundo estes ensinamentos intermediavam a relação com Deus. Acreditava-se também que esses seres determinavam a vida das pessoas. Por isso, era necessário prestar-lhes culto. Havia ainda um outro grupo do judaísmo que pregava a circuncisão. Alguns exegetas falam que, na verdade, era um grupo só, que misturava elementos dos cultos de potências, elementos do mundo, com a circuncisão judaica. O texto procura mostrar que essas filosofias baseadas nessas potestades e principados, nesses seres, na circuncisão, foram derrotados por Cristo na cruz. Eles não têm poder. Inclusive Cristo também é o cabeça deles. Deus em Cristo e o criador desses elementos. Portanto, não podem reivindicar poder sobre a vida, a criação de Deus.

Os cristãos colossenses estavam misturando essas filosofias com a fé cristã. Daí que o autor da carta escreve: Quem recebeu Cristo Jesus, quem o aceitou, não pode deixar enrolar-se por essas filosofias e tradições. Quem foi batizado foi sepultado com Cristo. Morreu para a vida velha, anterior. Quem foi batizado recebeu o perdão dos pecados do passado e recebeu uma nova vida. Tem parte na ressurreição. O Batismo aparece como o momento decisivo na vida do cristão. Nele o cristão recebe Cristo Jesus. Recebe o perdão conquistado na cruz. Recebe uma nova vida. Recebe a plenitude e a perfeição. Por isso o cristão precisa andar conforme o seu Batismo: enraizado em Cristo, edificado em Cristo e confirmado na fé, crescendo em ações de graça. Não pode voltar à sua vida anterior.

A palavra nele repete-se várias vezes no texto. Vejamos: andai nele (v. 6), nele radicados e edificados e confirmados na fé (v. 7), nele habita (v. 9), nele estais aperfeiçoados (v. 10), nele também fostes circuncidados (v. 11). Repete-se também a palavra com ele. Vejamos: tendo sido sepultados juntamente com ele, no Batismo (v. 12), vos deu vida juntamente com ele (v. 13). Nele, em Cristo Jesus, está a vida do cristão. Nele, em Cristo Jesus, está a plenitude de Deus. Cristo Jesus é o centro do texto, a sua ação em favor de toda a humanidade. Em Jesus Cristo Deus realiza a sua obra de salvação. Este é o conteúdo central da fé cristã e serve como referencial nos conflitos e desvios da fé cristã.

Andai nele pressupõe um caminho. A vida do cristão como um caminho aparece mais vezes na Bíblia. O que o texto fala do caminho do cristão? O caminho do cristão acontece em Cristo, numa vida enraizada, edificada e confirmada nele. São usadas três imagens para falar da nossa relação intrínseca com Cristo. Cristo é a raiz, e nós estamos ligados a ele como as folhas e os galhos de uma árvore estão ligados à raiz. A imagem da construção nos lembra que estamos ligados a Cristo como tijolos numa construção colocados sobre o fundamento. Estamos ligados a ele pela fé, na qual fomos instruídos. O caminho do cristão é uma vida ligada com Cristo. Numa vida ligada com Cristo crescemos na prática da ação de graças. O texto faz um chamado para seguir o caminho da vida ligado a Cristo Jesus, que é o autor da salvação na cruz, abandonando todo tipo de filosofia e tradição humana. No Batismo, o cristão recebe Jesus Cristo e a sua obra realizada na cruz por nós.

4. Atualizando e encaminhando para a pregação

Apresentamos, a seguir, duas propostas de atualização e uma pregação a partir dos textos indicados para o 10° Domingo após Pentecostes.

1a proposta

Iniciamos falando do nosso Batismo. No Batismo, nós recebemos Jesus Cristo. Recebemos a plenitude e perfeição. Recebemos a participação na morte e ressurreição de Jesus Cristo, isto é, morremos para a vida velha determinada pelo pecado e ressuscitamos para urna nova vida em Jesus Cristo. Recebemos o perdão dos pecados. Jesus Cristo na cruz pagou a nossa conta, os nossos débitos diante de Deus. O texto permite e incentiva para falar do pecado como dívida, como uma duplicata que foi paga na cruz. No Batismo, nós recebemos a salvação e a vitória de Cristo Jesus na cruz sobre todos os poderes.

No Batismo, recebemos também a vitória sobre as potestades e os principados. Os principados e as potestades derrotadas na cruz também hoje têm nomes concretos. Não são mais os elementos do mundo como água, vento, fogo e ar. Mas chamam-se consumismo, cartéis, multinacionais, etc. Na cruz, Jesus Cristo já derrotou estas potestades e principados. Por isso elas não têm mais poder sobre a nossa vida. Por isso cristãos vivem livres desses poderes.

No segundo momento, falaremos da nova vida, da caminhada que assumimos como cristãos que receberam gratuitamente no Batismo essa nova vida. Essa nova vida caracteriza-se por nossa ligação estreita com Cristo: enraizados, edificados e confirmados em Cristo. Essa nova vida caracteriza-se também pela prática da oração, pela prática da oração de intercessão persistente em favor da vida de toda a cidade, de todas as pessoas, pela prática da oração de petição cor minha própria causa e pela prática da oração de agradecimento. É importante ressaltar que a oração de gratidão chama-se ações de graça. Essa oração não constitui-se só de palavras, mas de lato de a coes concretas que mostram a nossa verdadeira gratidão a Deus.

2a proposta

Também hoje corremos sérios riscos de nos afastar e desviar do cerne da fé cristã para assumir filosofias e tradições humanas. Por isso precisamos com clareza anunciar o Cristo que na cruz pagou pela nossa dívida e derrotou todos os poderes que querem nos escravizar.

Percebemos uma situação concreta quando queremos buscar e concretizar uma igreja bem-sucedida, frequentada por muitos membros. Há igrejas ao nosso redor que vivem com este propósito: encher igreja. Anunciando curas milagrosas, soluções imediatas para todos os problemas, conseguem com suas pregações atingir muitas pessoas, mas o conteúdo nem sempre fala deste cerne da fé cristã que é a ação de Cristo em nosso favor na cruz. Baseados, antes, numa doutrina que anuncia o sucesso financeiro como bênção de Deus, oferecem soluções imediatas, individualistas, sem compromissos, e egoístas para os problemas e as dificuldades do ser humano. Essas propostas atraem pessoas no seu egoísmo. Tornam-se filosofias vãs, sutis, e tradições humanas. Muitas vezes, nós também queremos assumir atividades e maneiras de ser dessas igrejas para conseguir sucesso. Fazemos até shows. Queremos fazer missão de qualquer jeito. Mas aqui somos lembrados da ação de Cristo Jesus em favor de nós na cruz como o centro da nossa pregação.

Outra situação semelhante percebemos nas filosofias orientais influenciadas e misturadas com preceitos cristãos que marcam presença em nosso país, principalmente entre cristãos de classe média. São filosofias que negam a dor, a doença e o pecado. Hoje muitos cristãos permanecem com naturalidade numa comunidade cristã e, ao mesmo tempo, seguem e vivem preceitos dessas filosofias. Nós anunciamos o perdão dos pecados em Jesus Cristo, mas elas negam o pecado. Nós anunciamos a solidariedade de Cristo e motivamos os cristãos para a solidariedade no sofrimento, mas eles negam a dor e o sofrimento. Na ânsia de sucesso, corremos o risco de aceitar esses elementos estranhos à fé cristã. Precisamos anunciar a vitória de Cristo Jesus na cruz e denunciar o pecado e o mal. Precisamos alertar para os desvios e anunciar o cerne da fé cristã: a morte de Jesus na cruz e a sua ressurreição como realização plena da salvação prometida e concretizada por Deus.

Bibliografia

BORTOLINI, José. A Carta aos Colossenses : reconstruir a esperança em Cristo. São Paulo : Paulus, 1996.
COMBLIN, José. Epístola aos Colossenses e Epístola a Filemom. Petrópolis / São Leopoldo : Vozes / Sinodal, 1986. (Comentário Bíblico NT).
COTHENET, Edouard. As Epístolas aos Colossenses e Efésios. São Paulo : Paulus 1995. (Cadernos Bíblicos, 67).
LOHSE, Eduard. introdução ao Novo Testamento. São Leopoldo : Sinodal, 1974.


Autor(a): Ivo Schoenherr
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 10º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Colossenses / Capitulo: 2 / Versículo Inicial: 6 / Versículo Final: 15
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2000 / Volume: 26
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17615
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