Culto Batismal

Alocução

03/11/1995

1. Considerações Preliminares

O culto batismal não deveria ser degradado a uma mera celebração do Batismo. Pois quando isso acontece, o aspecto familiar-social se sobrepõe ao aspecto comunitário. Batismo é, sobretudo, festa de Deus e da comunidade. Deus faz um pacto com o balizando e o incorpora à sua grande família, à comunidade. A partir disso, o aspecto familiar recebe o seu devido valor. Eis a razão pela qual o Batismo é assunto da comunidade, e não apenas da família. O lugar normal do Batismo é o culto da comunidade.

É bom que o tema Batismo transpareça ao longo dos passos litúrgicos do culto. No acolhimento da comunidade o nome da família pode ser mencionado, os visitantes podem ser saudados na comunidade como parte da grande família de Deus. Na oração de confissão de pecados (Confiteor) pode-se confessar que, no dia-a-dia da vida, pouco temos nos lembrado do nosso Batismo. Na oração do dia (coleta) podemos agradecer e pedir que Deus venha a nós pela Palavra e pelo Santo Batismo. Na oração após o Batismo, é bom pedir a Deus que ele nos ajude a vivenciar o nosso Batismo.

Já que o culto tem partes distintas — como: preparação, palavra, ofertório, sacramento, envio/bênção —, o lugar litúrgico apropriado para a celebração do Santo Batismo não é antes da pregação, mas depois, ou seja, no lugar do sacramento. Na visão ecuménica, o Credo Apostólico é o credo batismal; ele faz parte da nossa resposta à Palavra ouvida. Num culto batismal, o Credo faz parte da liturgia batismal. No que diz respeito a esta, há uma sugestão muito rica, em termos litúrgicos e simbólicos, em Celebrações do Povo de Deus, pp. 25-29. Penso, porém, que ela é muito extensa para ser realizada num culto regular. Poderia ser abreviada.

Nem todos os textos se prestam para o evento do Batismo. Celebrações do Povo de Deus, p. 29, traz como sugestão os seguintes textos: Dt 30.15-20a; Jr 31.31-34; Ez 36.24-28; Rm 5.1-5; 6.3-5; Ef 4.1-6; Tt 3.4-8a; l Pe 2.4-10; Ap 21.5-7; At 8.26-38 (adultos). Como Evangelho: Mt 28.18-20; Mc 10.13-16; 16.12-18; Jo 3.1-8; 15.1-11.

Caso um texto de prédica não se preste para o evento do Batismo, convém lazer pelo menos uma alusão ao Batismo, em forma de algumas frases, ou escolher um outro texto afim. Quando for feita uma prédica batismal, penso que a alocução batismal é desnecessária.

2. O Texto

O texto-base é Isaías 43.1.

3. A Alocução

Prezados irmãs e irmãos em Cristo, especialmente prezados pais e padrinhos!

Hoje, todos nós sentimos alegria e gratidão. Pois no fato do nascimento de NN percebemos o milagre da criação. Vejamos: quando acontece uma gravidez, estamos diante do primeiro milagre. Quando essa gravidez chega ao seu final, defrontamo-nos com o segundo milagre. Quando, então, nasce uma criança com vida, estamos diante do terceiro milagre. E quando essa criança nasce com saúde, defrontamo-nos com o quarto milagre. Realmente, há muita razão para louvar a Deus, o Criador da vida.

Mas quem sabe, nesta hora de alegria e gratidão, talvez surja também a pergunta pelo futuro dessa criança. A única coisa que sabemos sobre isso é que NN, assim como nós, também é um ser passageiro. Essa dura verdade nos faz perguntar: que sentido tem essa vida transitória?

Essa pergunta pela razão de viver, em meio à ameaça e ao sofrimento, já mexia com o povo de Deus, enquanto sofria no cativeiro da Babilónia. E Deus ouviu o clamor do povo. Mandou-lhe dizer pelo profeta Isaías, conforme está escrito no cap. 43, v. l, o seguinte:

Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi, chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

1. Eu te criei e te formei, diz o Senhor. Não é por acaso, acidente ou destino obscuro que eu, você e esta criança estamos neste mundo. Deus nos criou. Ele nos formou e moldou com fantasia, dedicação e amor — assim como um escultor dá forma à imagem vislumbrada e criada em sua mente e em seu coração. Somos, portanto, um pensamento vivo do próprio Deus.

2. Ele nos diz: Não temas! Não tenhas medo do futuro incerto. Não te criei para te agarrares em coisas ou pessoas que mais cedo ou mais tarde passam. Eu te criei para a esperança que não morre. Eu sou o Eterno. Não te abandono, não te frustro nem te deixo nunca. Mesmo que todos te abandonem, eu permaneço contigo. Mesmo que os outros se esqueçam de ti, eu jamais consigo me esquecer de li.

3. Pois eu te remi! — diz Deus para o seu povo. Eu te libertei, te salvei. Estás lembrado, meu povo? Tu estavas sofrendo no cativeiro do Egito. Eu ouvi o leu clamor e te libertei da escravidão e da morte. Eu te dei terra para viver. — Assim Deus reaviva hoje a nossa memória. Lembra-nos daquilo que ele fez por nós, faz por nós e vai fazer por nós. Lembra-nos de que Jesus morreu por nós na cruz, para que tenhamos comunhão com Deus e o próximo — comunhão que dura por causa da prática do perdão. Lembra-nos de que Cristo ressuscitou, para termos a esperança da nossa ressurreição para a vida eterna. Deus nos lembra de que Jesus subiu ao céu para interceder por nós e para nos preparar lugar eterno, de forma que a última palavra estará com a vida. E ainda somos lembrados de que Deus nos dá o Espírito Santo, para conseguirmos crer nele e viver com ele e uns com os outros, na grande família de Deus.

4. Eu te chamei pelo teu nome, tu és meu. No Santo Batismo Deus disse para mim: Günter, eu te chamei pelo teu nome. Ofereci a ti tudo aquilo de que precisas para viver feliz, morrer com esperança e ressuscitar para a vida eterna. Fiz tudo isso por ti, sem que o tivesses pedido, merecido ou compreendido. Comprometi-me contigo. Fiz um pacto contigo.

Desde então esperei por ti, para que vivesses comigo em minha comunidade. Pois queria saciar a tua fome de vida, a cada novo dia. Na hora da tua Confirmação disseste para mim: Sim, Senhor, quero viver contigo em tua comunidade. O mesmo disseste quando vieste, como padrinho, para o altar. Em cada celebração da Santa Ceia te comprometeste assim comigo.

Assim Deus lembra a mim, e certamente a todos nós, de quantas vezes nos esquecemos da nossa promessa, de quantas vezes ficamos devendo o amor a Deus e ao próximo.

Mesmo assim, Deus ainda não desfez o seu pacto comigo e contigo. Ele nos possibilita um novo início. Voltando-nos a ele, aceita-nos de maneira bondosa e incondicional. Assim vivemos da misericórdia de Deus, para sermos misericordiosos uns com os outros.

Essa é a grande oferta do Batismo que nos compromete!

5. NN, a ser balizado logo a seguir, não compreende tudo isso. Mas vocês, pais e padrinhos, e nós, comunidade, compreendemos, sim. Apesar de nossas falhas e limitações, Deus nos considera dignos de, em lugar desta criança, aceitar a grande oferta batismal. Nós, por assim dizer, pegamos na mão estendida de Deus. Fazemos o pacto com ele. E assim comprometemo-nos com Deus, no sentido de viver com ele em sua comunidade. E a criança cresce num ambiente em que se pratica o amor a Deus e ao próximo. Pais e padrinhos e comunidade vivem do perdão. Intercedem pela criança e a ensinam a orar. Ouvem a palavra de Deus e contam histórias bíblicas para a criança.

Dessa forma, a bênção batismal se renova a cada novo dia na vida de NN. E ele, bem cedo já, poderá reconhecer Cristo como seu Senhor e Salvador.

Ele diz: Não temas, NN, eu te remi, chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

Que assim seja!


Autor(a): Günter Wehrmann
Âmbito: IECLB
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 43 / Versículo Inicial: 1
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1995 / Volume: 21
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Alocução
ID: 14201
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Nós te damos graças, ó Deus. Anunciamos a tua grandeza e contamos as coisas maravilhosas que tens feito.
Salmo 75.1
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