Dia de Finados - Lembre-se que vais morrer!

30/10/2008


Caros amigos leitores.

Dois de novembro marca em nossos calendários o “Dia de Finados”, um dos oito feriados nacionais, de acordo com as leis n°10.607/02 e n°662/49. A comemoração é marcada por orações, celebrações de cultos, missas e visitas aos cemitérios, quando as pessoas recordam os entes queridos já falecidos. O costume de relembrar as pessoas que já partiram do nosso meio é muito antigo, bem como a instituição de um dia especial para fazer isso, que antecede em muito à instituição do nosso feriado nacional de finados. Aproveitando esta oportunidade gostaria de refletir com vocês sobre a nossa transitoriedade por esta vida e por este mundo. Quero fazer isso com um olhar de esperança para a nova vida que nos é prometida por aquele que ressuscitou dentre os mortos – Jesus Cristo.

Começo com uma ilustração.

Conta-se que há muitos anos um viajante bateu à porta de um castelo medieval da Inglaterra. “Por gentileza, senhor, posso conseguir pousada para esta noite?”, perguntou ele ao homem que abriu a porta. “Este castelo não é para viajantes, nem para pessoas que passam”, respondeu secamente o homem do castelo. ”O senhor é o proprietário deste castelo?” insistiu o viajante. “Sou” disse o homem. “E quem viveu neste castelo antes do senhor?” tornou a perguntar o viajante. “Meu pai” foi a resposta. “E quem viverá neste castelo depois que o senhor morrer?” Já visivelmente irritado, o dono do castelo respondeu: “Meu filho!”, ao que o viajante respondeu: “E mesmo assim o senhor diz que este castelo não é para viajantes?”.

Gosto muito desta ilustração. Ela nos ensina que todos nós somos viajantes, passantes por esta terra e por este mundo. O que construímos, nossas propriedades, nossos bens, nossas economias, nossos “castelos”, servem de morada por certo tempo, mas mesmo assim não passamos de viajantes nisto tudo que construímos. Antes de nós outros viveram aqui e depois de nós outros tomarão conta do que deixarmos.  Por isso os bens deste mundo não são a coisa mais importante em nossa vida.

Os antigos tinham um adágio popular que sempre os lembrava disso. Eles diziam a si mesmos: mementos moris – lembra-te que vais morrer! Com isso eles queriam estar preparados para o dia em que teriam que partir desta vida e entrar na eternidade.

Em nosso tempo há um outro ditado que nos lembra disso: “O que temos de mais certo na vida é a morte”. Sem dúvida a morte é uma realidade que nos entristece, ela separa pessoas, interrompe nossos planos, corta a seiva da vida. Dá fim a sonhos e afetos. Por isso a morte é protelada pela medicina, adiada pela ciência, esquecida em nossa memória cotidiana, afastada de nossas preocupações. Não queremos nem falar sobre ela.

Mas no Dia de Finados somos lembrados que não podemos evitá-la. Certo ou tarde a morte se aproxima. Mais dias ou menos dias ela vence todas as nossas tentativas de driblá-la. Por isso somos convidados a refletir sobre a nossa vida, para que a morte não nos apanhe de surpresa. “Mementos moris”, poderia ser um lema para todos nós. Não para nos fazer desesperar diante da realidade da morte, mas para nos fazer viver na perspectiva da eternidade.

A Bíblia sempre de novo nos convida para isso. Em Hebreus 13.14 podemos ler: “Na verdade não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.”  E nosso Senhor Jesus nos promete: “Na casa de meu pai há muitas moradas. Se assim não fora eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar’ (Jo 14.2). E o apóstolo Paulo nos ensina: “O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Co 15.26).

“Mementos moris” – lembra-te que vais morrer – mais do que nos lembrar da nossa morte, este ditado popular quer ser um convite para pensarmos sobre o nosso modo de viver. Quer nos desafiar para uma avaliação das nossas prioridades.       O que é o mais importante: os bens materiais, os castelos pelos quais passamos, ou os relacionamentos que construímos? As coisas ou as pessoas? A Bíblia nos lembra: Não temos aqui morada permanente. E a história do castelo ilustra isso: Somos apenas viajantes.

Mas este adágio “mementos moris”, também nos convida para a fé naquele que venceu todos os poderes da morte. E é exatamente sobre a morte e a ressurreição de Cristo que Paulo fala quando diz: “O último inimigo a ser destruído é a morte”. Aqui não ajudam as especulações sobre os pormenores do que acontece ou não na morte e depois dela. O que importa é a fé nesta promessa: assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, assim os que nele crêem têm a promessa da ressurreição e da vida eterna.

O que importa é reconhecer que a vida é mais forte do que a morte. E isso é mais que um desejo humano. É uma promessa divina. Paulo o expressa assim: “Assim, quando este corpo mortal se vestir com o que é imortal, quando este corpo que morre se vestir com o que não pode morrer, então acontecerá o que as Escrituras Sagradas dizem: ‘A morte está destruída! A vitória é completa!’  Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.54,57). E aos Tessalonicenses ele recomenda: “Consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.

Portanto, eis o desafio: Finados é momento oportuno não apenas para relembrarmos os nossos mortos, mas para refletirmos sobre a nossa própria finitude. Mas queremos fazer isso com um olhar de esperança e confiança nas promessas daquele que venceu a morte. Que Deus abençoe a todos vocês, queridos amigos.

P.Germanio Bender – Pastor da IECLB na Paróquia Limeira/SP.


Autor(a): Germanio Bender
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Meditação
ID: 8378
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