Ernest Sarlet (1932 - 2006)

30/11/2006

“Cá entre nós” – assumo aqui esse o título de mensagens do Professor Ernest Sarlet -, “cá entre nós”, tudo tem seu tempo, e 74 anos é uma boa idade. Mas é doloroso receber e divulgar uma notícia como esta, a do falecimento do Professor Ernest Sarlet, natural da Bélgica, brasileiro e luterano por opção.

Aconteceu ontem, 29 de novembro de 2006, em Novo Hamburgo, município em que atuou durante mais de 50 anos. Foi professor em escolas e faculdades, foi Secretário de Educação e Cultura, autor de livros e artigos, palestrante muito solicitado, locutor de mensagens e reflexões, sempre ricas e pertinentes para os ouvintes em qualquer lugar e idade. Seus conhecimentos de filosofia, sociologia e psicologia, ligados com sabedoria e postura ética e humana, irradiaram para além das comunidades escolares, eclesiais e municipais. Motivaram mudanças de atitude e transformações na área de recursos humanos em empresas em termos de responsabilidade social, na cidadania, no meio-ambiente. Outras pessoas e entidades saberão reconhecer os frutos da contribuição do Professor Sarlet em suas áreas.

Evidentemente, como Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) não podemos falar do Professor Sarlet sem este horizonte amplo de sua visão e atuação, de seu serviço e testemunho na sociedade. E tanto mais somos gratos pelos bons serviços prestados mais diretamente no âmbito da Igreja, quer como diretor da Fundação Evangélica, professor em Ivoti, docente na Escola Superior de Teologia. Mas talvez as marcas mais profundas na vida de toda uma geração de membros da IECLB estejam relacionadas com seu trabalho criativo e animador que desenvolveu como Secretário Geral da Juventude Evangélica da IECLB nos anos sessenta. Basta lembrar as Escolas de Líderes, seus textos nos Cadernos de Orientação para a JE e na Revista da Juventude Evangélica. Sem ser obreiro da IECLB, em termos de ministério ordenado, exerceu ministérios muito autênticos e abençoados ao colocar seus dons a serviço da Igreja e das pessoas.

Por tudo isso, como Pastor Presidente, expresso a gratidão da IECLB, ao Professor Sarlet e os votos de conforto aos familiares, na certeza da ressurreição em Cristo. Mas também pessoalmente tenho um grande preito de gratidão ao Professor Sarlet. Em meu tempo de estudante de teologia, participei em 1963 da Escola de Líderes da JE e, a seu pedido, integrei equipe de escola de líderes que se deslocou a Santa Catarina, Paraná e São Paulo, e também o representei em congressos da Juventude Evangélica (num deles conheci Madalena, que haveria de se tornar minha esposa).

Por oportuno, nesta época pré-natalina, transcrevemos de sua autoria o “Estatuto de Natal”. E tenho certeza que o testemunho do Professor Sarlet, por suas palavras, por seus exemplos e sua atitude de vida, continuará dando ricos frutos na seara do Mestre, na sociedade humana, em muitas vidas. Rogo a Deus que, por sua graça, assim seja.

Porto Alegre, 30 de novembro de 2006.

Walter Altmann
Pastor Presidente da IECLB

 

Estatuto de Natal
Ernest Sarlet

Art. I: Que a estrela que guiou os Reis Magos para o caminho de Belém
guie-nos também nos caminhos difíceis da vida.

Art. II: Que o Natal não seja somente um dia, mas 365 dias.

Art. III: Que o Natal seja um nascer de esperança, de fé e de fraternidade.

Parágrafo único: Fica decretado que o Natal não é comercial, e sim espiritual.

Art. IV:Que os homens, ao falarem em crise,
lembrem-se de uma manjedoura e uma estrela,
que como bússola, apontem para o Norte da Salvação.

Art. V: Que, no Natal, os homens façam como as crianças:
dêem-se as mãos e tentem promover a paz.

Art. VI: Que haja menos desânimos, desconfianças, desamores, tristezas.
E mais confiança no menino Jesus.

Parágrafo único: Fica decretado que o nascimento de Deus Menino é para todos:
pobres e ricos, negros e brancos.

Art. VII: Que os homens não sigam a corrida consumista de ter,
mas voltem-se para o ser, louvando o Seu Criador.

Art. VIII: Que os canhões silenciem,
que as bombas fiquem eternamente guardadas nos arsenais,
que se ouça os anjos cantarem Glória a Deus no mais alto dos céus.

Parágrafo único: Fica decretado que o Menino de Belém
deve ser reconhecido por todos os homens
como Filho de Deus, irmão de todos!

Art. IX: Que o Natal não seja somente um momento de festas, presentes.

Art. X: Que o Natal dê a todos um coração puro,
livre, alegre, cheio de fé e de amor.

Art. XI: Que o Natal seja um corte no egoísmo.
Que os homens de boa vontade comecem a compartilhar,
cada um no seu nível, em seu lugar,
os bens e conquistas da civilização e cultura da humildade.

Art. XII: Que a manjedoura seja a convergência
de todas as coordenadas das idéias,
das invenções, das ações e esperanças dos homens
para a concretização da paz universal.

Parágrafo único: Fica decretado que todos devem poder dizer,
ao se darem as mãos: Feliz Natal!

COMUNICAÇÃO
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ECUMENE
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Certamente vocês sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus vive em vocês.
1Coríntios 3.16
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