Estudo 8 - Quando a Igreja é verdadeiramente Igreja? ( CA VII e VIII )

Estudos da Confissão de Augsburgo

21/01/1980

ESTUDO 8
QUANDO A IGREJA É VERDADEIRAMENTE IGREJA?
(CA VII e VIII)

Ernst G. Gliesch

1. Os textos da Confissão de Augsburgo 

VII: A Santa Igreja Cristã é eterna. Ela é a congregação de todos os fiéis, entre os quais se prega o puro Evangelho e os sacramentos são administrados conforme o Evangelho. Para a verdadeira unidade da Igreja Cristã isso é o que basta. É desnecessário para a unidade da Igreja que as ordens e cerimônias instituídas pelos homens sejam idênticas em toda parte. 

VIII: Em si, a Igreja Cristã é a congregação de todos os fiéis e santos. Mas na Igreja existem, no meio dos piedosos, igualmente muitos cristãos falsos, hipócritas e até pecadores públicos. Isso, no entanto, não torna sem valor os sacramentos, ainda que administrados por sacerdotes ímpios, pois o que torna eficazes a palavra e os sacramentos é a ordem e o mandato de Cristo. 

2. Explicações 

A. A Igreja preocupa, mas é eterna. 

Nos tempos da Reforma, muitas pessoas estavam preocupadas, perturbadas até, com a profusão de novas ideias religiosas que surgiam. Em toda parte as pessoas manifestavam suas dúvidas: O que vamos fazer? Tanta coisa está mudando na Igreja; nem nos clérigos a gente pode mais confiar! Um diz isso, o outro afirma aquilo. . . como vai acabar isto tudo?

A toda gente, tanto aos defensores das ideias antigas, bem como aos das novas ideias, a Confissão de Augburgo anuncia: 

Não percam a cabeça, a Igreja do Senhor é eterna, e, as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). 

Justamente esta certeza, de que a Igreja é o eterno povo de Deus, possibilita que ela seja criticada e até reformada. 

B. O que é fundamental para a Igreja, e o que não é. 

A Igreja não é um clube ou outro tipo de sociedade, fundado e mantido pela vontade de seus associados. Não se fundamenta na fé ou na moral de seus participantes. Fundamenta-se, tão-somente, na vontade e na atuação de Deus por intermédio de Jesus Cristo. Ele chama as criaturas humanas e as congrega em sua Igreja. Isso ele faz por meio do seu Evangelho, que é oferecido através de sua palavra e de seus sacramentos. Portanto, dois são os sinais fundamentais, que identificam a Igreja: 

a) A pregação do puro Evangelho e 

b) a administração dos sacramentos conforme o Evangelho. 

Consequentemente, não é a semelhança dos ritos, das cerimônias ou das instituições que constituem o verdadeiro fundamento da Igreja. Tudo isso são coisas que podem variar, seja por questões de tradição histórica, seja por questões de ordem prática ou por outros motivos. Isso não quer dizer, porém, que as instituições, ritos ou costumes sejam desnecessários. São necessários, mas como meio para uma finalidade. Edificações, conselhos paroquiais, escolas dominicais, liturgia, sim, até as instalações de cozinha duma paróquia devem existir, mas tudo isto como meio, que leve as pessoas a ouvir e viver o Evangelho. 

Assim entendido, a Igreja, a Comunidade, tem a extraordinária liberdade de dispor ou de alterar suas ordens, instituições e tradições, de maneira tal que melhor possa transmitir o Evangelho. É evidente que, dentro do autêntico espírito cristão, esta liberdade jamais deve chegar a tal ponto que possa afetar a consciência e a fé dos irmãos, deixando de lado o supremo mandamento cio amor. 

C. A Igreja não é um clube de pessoas imaculadas, mas sim um hospital para pecadores. 

Antiga e frequente é a crítica que aponta para muitas pessoas que se dizem cristãs, mas na realidade não vivem de acordo com esta condição. Um rápido exame em nossa comunidade, poderá confirmar esta realidade. O que diremos a respeito? Não deveria ser a Igreja a congregação dos perfeitos, dos crentes, dos puros? 

Não vamos esquecer, no entanto, que a luta entre Cristo e o reino de Satã ainda não terminou. Ela se trava pela posse de qualquer pessoa batizada, e isto inclusive no seio da Igreja. Por isso a nossa Confissão de Augsburgo nos advertia a que não façamos regulamentos humanos para rejeitar pessoas, que por Deus foram convidadas. A separação definitiva daqueles que serão salvos dos que serão rejeitados, esta Deus reservou a si exclusivamente. 

A autenticidade da Igreja não depende da seriedade ou perfeição de seus membros. Depende, isto sim, da santidade de seu Senhor e da verdade de seu Evangelho. Quando pessoas permanecem ligadas ao Senhor, ouvindo e anunciando a sua mensagem, isto é razão suficiente para aceitá-las com alegria, por imperfeitos que sejam. Ainda que estas pessoas venham por motivos que nos pareçam estranhos, tolos ou egoístas, mesmo assim não vamos esquecer que o Senhor da Igreja tem poder para transformá-los em abençoadas testemunhas do Evangelho. 

Assim, pois, não entendamos a Igreja como um clube santo, reservado a sócios puros e perfeitos. Sintamos que a Igreja é um hospital para aqueles que sofrem duma doença: o pecado. 

3. Textos para estudo: 

João 10. 27-30 

Atos 2. 42 

1 Co 12. 12-27 

Mt 9. 9-12 

Mt 13. 24-30, 47-50 

4. Perguntas para reflexão: 

a) Qual o Evangelho que está sendo pregado em nossa comunidade e igreja? 

b) Como estão sendo administrados os sacramentos em nossa comunidade e igreja? 

c) O que está nos preocupando em nossa igreja hoje em dia? 

d) O que deveríamos mudar, reformar, em nossa igreja? 

e) De que maneira podemos colocar nossas instituições, ritos e tradições mais a serviço do Evangelho? 

5. Hinos sugeridos 

Nr. 101: Corações em fé unidos
Nr. 106:. Tu, que reinas em verdade

Veja:

Confessando Nossa Fé – Estudos da Confissão de Augsburgo

A Confissão de Augsburgo (sem notas e comentários)
 


 


Autor(a): Ernst G. Gliesch
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Confessando Nossa Fé - Estudos da Confissão de Augsburgo / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1980
Natureza do Texto: Educação
ID: 19770
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