Eu vou adiante de vocês Mc 16.1-8

Autoria P. Me. Alexander Busch Marcos 16.1-8

04/04/2021

Prezada comunidade,

Desde o ano passado o Brasil tem atravessado momentos de crise, assim como o resto do mundo. A pandemia mudou radicalmente nossa rotina, gerando equipes médicas exaustas pelo excesso de trabalho, professores/as que tiverem que se reinventar para ensinar, preocupações financeiras, tumulto entre as autoridades políticas, polarizações na família e na comunidade, incluindo a comunidade cristã – a igreja -, e medo em contrair a doença da covid e não saber como o nosso corpo há de reagir. Damos graças a Deus pela ciência que desenvolveu a vacina que traz esperança, mas, em nosso país, em especial, o ritmo de vacinação infelizmente está bastante lento. Toda esta crise produz medo, insegurança, receio quanto ao futuro.

Será que a boa notícia da Páscoa tem alguma mensagem de esperança e orientação para nós, que estamos vivendo este tempo de crise, medo e insegurança? Pois eis que bem cedo no domimgo três mulheres, companheiras e seguidoras de Jesus, se dirigiam ao túmulo onde seu corpo fora colocado. Como mandava o costume judaico, pretendiam perfumar o corpo morto de Jesus. Este gesto das mulheres é gesto de compaixão e homenagem a uma pessoa morta. Não deixa de ser também um ato de coragem: demonstrar solidariedade para com Jesus, condenado, torturado e assassinado como dissidente político. No caminho elas conversavam e imaginavam a dificuldade que seria remover a pedra que fechava a entrada do túmulo. Esta grande pedra, porém, não se comparava com a dificuldade maior que elas iriam encontrar ao chegarem ao túmulo. Para sua surpresa, a grande pedra havia sido removida. Para sua admiração e espanto, um jovem moço vestido de branco ali se encontrava. Elas não sabiam quem era este jovem, exceto que ele tinha uma mensagem para compartilhar - uma mensagem que iria lhes surpreender e assustar, “sei que vocês estão procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Mas ele não está aqui, pois já foi ressuscitado. Agora vão e deem este recado a Pedro e os demais discípulos, ‘Jesus vai adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês vão vê-lo como ele mesmo prometeu’”.

Uma notícia extraordinária. Uma boa notícia espetacular. Uma boa notícia que para nós, você e eu, nos é bastante familiar. Nós conhecemos e sabemos que Jesus ressuscitou. Diante desta notícia, as mulheres saíram e fugiram apavoradas e tremendo. E não contaram nada a ninguém porque estavam com medo. Medo; esta foi a reação das mulheres diante do túmulo vazio. Medo; este foi o sentimento que as palavras do mensageiro despertaram nas mulheres. Medo; assim o evangelista Marcos termina o relato da ressurreiçao de Jesus. Mas porque medo? Cade a boa notícia? Porque para estas mulheres a notícia da ressurreição não foi motivo de alegria, mas sim de medo? Onde está a palavra de esperança que ajuda a enfrentar o medo?

Para entender este medo é preciso se colocar no lugar destas pessoas. Para estes seguidores e seguidoras de Jesus, a experiência de testemunhar seu mestre sendo crucificado foi bastante traumática. Quem é este que anuncia o Reino de Deus e morre na cruz? Mas nada havia a fazer a não ser reconhecer a morte de Jesus como o ponto final de sua missão. Os discípulos se dispersaram. O medo das autoridades, o medo de terem o mesmo destino que Jesus, fez com que estas pessoas se escondessem. Algumas pessoas ficaram reunidas às portas fechadas, outras retornaram ao trabalho que faziam antes, como Pedro o pescador, ou ainda regressaram para os vilarejos de onde saíram, como os dois discípulos na estrada para Emaús. Jesus tinha sido morto; o que mais havia para se fazer?

E eis a surpresa – a extraordinária surpresa - Jesus ressuscitou, Jesus foi levantado dentre os mortos. Uma notícia desconcertante, uma notícia surpreendente, uma notícia que gerou uma crise na comunidade de Jesus. Também nos outros evangelhos se fala da confusão, da dúvida e do medo que a notícia da ressurreição despertou na comunidade de Jesus. Num certo sentido era mais fácil lidar com a morte de Jesus do que sua ressurreição. Isto explica em parte o medo das mulheres.

Pois além do túmulo vazio, o mensageiro lhes comunica uma promessa de Jesus, “Jesus vai adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês vão vê-lo como ele mesmo prometeu”. Esta palavra do anjo também explica o motivo do medo: “Jesus vai adiante de vocês para a Galileia” As mulheres, os demais discípulos, poderiam se encontrar com Jesus no lugar onde tudo começou: na Galiléia. Sim, foi na região da Galiléia que Jesus começou a sua missão de proclamar o reino de Deus e chamar para si um grupo de seguidores. Foi na Galiléia que Jesus, entre gestos e palavras, anunciou que outro mundo é possível, um mundo diferente daquele mundo regido pelos valores do império romano. Foi na Galiléia que Jesus reuniu e organizou uma comunidade de seguidores e seguidoras para lhe ajudar nesta tarefa de anunciar o Reino de Deus.

Portanto, podemos entender que o convite do mensageiro para que as mulheres retornem a Galiléia para se reencontrarem com o Cristo vivo, e reiniciarem sua caminhada com Jesus lhes causa medo. Esta promessa “Jesus vai adiante de vocês” foi o que lhes despertou medo e pavor.

Prezada comunidade, não sabemos ao certo como estas mulheres responderam ao convite. Provavelmente, depois de se refazerem do susto, aos poucos, elas se deram conta da boa notícia da ressurreição de Jesus, o crucificado e levaram adiante esta mensagem. Reiniciaram a sua caminhada com Jesus e com sua comunidade, colocando dons à serviço para anunciar o reino de Deus, mesmo onde existe oposição. E a nossa resposta diante deste convite para continuar seguindo Jesus? Qual é a nossa reação ante esta promessa de Jesus de caminhar adiante de nós?

Mesmo nós, que estamos acostumados a afirmar, “O Senhor ressuscitou! Verdadeiramente ele ressuscitou!”. Nós também caminhamos pela fé. Não podemos provar pelas leis da ciência que Jesus foi levantado dentre os mortos. O que nós temos é a sua promessa de que ele caminha adiante de nós. O que nós temos é o convite de Jesus para seguir Jesus, participando de sua comunidade. O que temos é a missão neste mundo de dar testemunho: Jesus, o crucificado, foi ressuscitado. Isto é fé - uma caminhada de compromisso, de aprendizado, confiantes de que Jesus está caminhando adiante de nós.

Pensando na nossa realidade, neste município e país, o nosso testemunho se traduz nas práticas do dia a dia. O tema do ano, por exemplo, nos desafia a viver o batismo. Isto significa viver em comunidade, porque batismo é acolhida e integração na comunidade de Jesus. Viver o batismo significa colocar nossos dons a serviço do próximo, incluindo o mundo onde nossos caminhos se cruzam com o caminho de tantas outras pessoas. Viver o batismo significa vencer o medo, na confiança de que Jesus nos ensina a lidar com os sentimentos que paralisam. Viver o batismo é reconhecer a promessa de Jesus, “eu vou adiante de vocês”, e com ele caminhar. Amém.

 


Autor(a): P. Me. Alexander R. Busch
Âmbito: IECLB / Sinodo: Rio Paraná / Paróquia: Maripá (PR)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Celebração / Nível: Celebração - Ano Eclesiástico / Subnível: Celebração - Ano Eclesiástico - Ciclo da Páscoa
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 16 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 8
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 62016
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Salmo 33.11
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