Expressões de fé adaptam-se à história, diz teólogo

14/08/2013

 As expressões de fé se alteram e se adaptam às transformações históricas pelas quais a sociedade passa, disse o teólogo e historiador Martin Norberto Dreher, no Seminário sobre a Teologia de Lutero, promovido pela Editora Sinodal, dias 9 e 10 de agosto, no Rio de Janeiro

Dreher destacou que o modelo de igreja anterior à Reforma do século XVI não tomava em conta a membresia, porque era uma questão do imperador, do rei. A religião era parte integrante da sociedade, mas ela não tinha muita escolha, a não ser seguir a religiosidade do soberano. 

A igreja também não conhecia o conceito moderno da “conversão”. A palavra comunidade para designar igreja tornou-se uma ideia central na modernidade. A religião sofre mudanças qualitativas nas passagens da pré-modernidade para a modernidade, e desta para a pós-modernidade.

Em tempos de pós-modernidade pensa-se em buscar o Deus intimo, no íntimo. Deus é energia, força. Muitos dizem que isso representa o fim da religião. Mas o que se constata é o fortalecimento da experiência religiosa. Cada vez mais encontra-se pessoas que afirmam ter tido uma experiência religiosa, mas que rejeitam a comunidade.

Em outra palestra Dreher centrou o foco em Martim Lutero e discorreu sobre aspectos da Escritura Sagrada. O reformador dizia que “a Bíblia é uma manjedoura na qual está contido Jesus. Se não o encontramos, só temos palha”.

No Sermão das Boas Obras, Lutero enfatizou que “não são as boas obras que fazem o bom cristão. O cristão faz boas obras”. Desse movimento reformador surgiu a expressão “Igreja da reforma está sempre se reformando”. Dreher listou afirmações teológicas da Reforma como: “Temor é reverência, não medo”; “Deus me aceita assim como sou”. “Deus se esconde e se mostra no contrário do que Ele é”; “Deus é escândalo, é loucura”.

O historiador destacou que quem faz a reforma é Deus. Lutero falava em “Verbesserung” (melhoramento), o que constitui uma base para a ética cristã e incluiu as obras de preservação do mundo.

A tarefa dos cristãos, definiu Lutero, é a diaconia (atos de amor cristão) apontando para a realidade do mundo à sua volta. À pergunta – “onde vivo vida cristã? No mosteiro? -, Lutero respondeu: ”Não! Vivo na minha profissão”, sacralizada na época medieval. Nesse contexto está a palavra “Beruf”, chamado, vocação para a profissão, que não se restringe a ser monge ou freira. “Pelo batismo somos todos sacerdotes e sacerdotisas”, afirmou.

O evento teve lugar na Igreja Evangélica Maranata, na Tijuca, e contou com a participação de membros de comunidades luteranas do Rio, também com o presidente do Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Almiro Wilbert. O Seminário integra as comemorações pelos 500 anos da Reforma Protestante, em 2017.

Fonte: ALC
 

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