Gálatas 1.1-12

Auxílio Homilético

02/06/2013

Prédica: Gálatas 1.1-12
Leituras: 1 Reis 8.22-23,41-43 e Lucas 7.1-10
Autor: Erní Walter Seibert
Data Litúrgica: 2º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 02/06/2013
Proclamar Libertação - Volume: XXXVII

1. Introdução

A carta do apóstolo Paulo aos Gálatas é um dos mais importantes textos bíblicos. Ele é denso. Trata de assuntos fundamentais da fé cristã. É um dos textos fundamentais para a doutrina da justificação pela fé. Trata também da liberdade cristã. O que motivou Paulo a escrever, no entanto, não foi o desejo de fazer uma exposição sistemática desses assuntos. Havia problemas sérios ocorrendo nas igrejas da Galácia. Com a passagem da fé cristã do mundo judaico para o mundo gentio, havia quem defendesse que os cristãos deveriam continuar seguindo as tradições e costumes vindos do Antigo Testamento. O ponto-chave era a prática da circuncisão. Alguns atacavam o apóstolo dizendo que ele não tinha autoridade para ensinar o que estava ensinando. Diziam que Paulo, na verdade, nem era um apóstolo.

Escrever uma carta nessas condições não era fácil. Mas Paulo não foge da responsabilidade. Ele trata os temas com sinceridade e, por vezes, até com palavras duras. Ele via que a questão era de vida ou morte. Não poderiam ser feitas concessões. Escrever uma carta com elogios pode ser fácil. Mas essa não era uma carta fácil. E o conteúdo mostra isso. Nos primeiros versículos da carta, que são a perícope deste domingo, o apóstolo Paulo vai direto ao assunto. Depois da introdução (v. 1 a 5), ele já fala do problema que está ocorrendo. As pessoas estão oferecendo (e membros das igrejas da Galácia estão aceitando) um outro evangelho. E outro evangelho não existe além daquele que o apóstolo tinha anunciado.

Os textos das demais perícopes deste domingo apontam para isso também. O texto do evangelho, Lucas 7.1-10, conta a história da cura do empregado de um oficial romano. Esse oficial é apontado por Jesus como exemplo de fé. Ele creu em Jesus. O oficial não julgava que tinha algum mérito ou que precisava fazer algo para receber a benevolência de Jesus. Ele apenas creu. O texto está relacionado com a epístola exatamente nesse ponto. A fé é o meio pelo qual se recebe a justificação. Não há exigências para receber a graça de Deus.

O texto do Antigo Testamento, 1 Reis 8.22-23,41-43, mostra como Deus cumpre a aliança que fez e que não devem ser feitas exigências adicionais aos não judeus. Esses dois textos mostram, de forma clara, o assunto que o apóstolo Paulo está tratando na Carta aos Gálatas: a justificação do pecador, tanto de judeus como de não judeus, dá-se sempre da mesma forma: apenas em Cristo.

2. Exegese

A perícope que estamos examinando divide-se em duas unidades literárias. Os versículos 1 a 5 são a introdução geral da Carta aos Gálatas. Nessa introdução, Paulo usa o mesmo estilo de suas outras cartas. Ele saúda seus leitores e faz uma oração. No entanto, essa saudação e oração têm um tom diferente de outras cartas. Na saudação, ele introduz uma rápida defesa de seu apostolado: “Fui chamado para ser apóstolo, não por pessoas ou por meio de uma pessoa, mas por Jesus Cristo e por Deus, o Pai, que ressuscitou Jesus da morte”. A defesa de seu apostolado é tema importante ao longo da carta.

A oração que o apóstolo escreve na introdução também mostra um pouco do tom da carta. Ele não faz, como na maioria das cartas, uma oração de ação de graças a favor de seus leitores. Apenas pede que a graça e a paz de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com todos. Isso já não é pouca coisa, mas é diferente do que ocorre em outras epístolas. O versículo 4 da introdução apresenta a obra redentora de Cristo de forma bem resumida. Ao longo da epístola, o apóstolo mostra que, se o evangelho verdadeiro for abandonado, a obra redentora de Cristo é desprezada. Ou seja, a introdução da carta tem elementos que mostram que a carta terá um tom difícil e que o assunto a ser tratado é crucial.

A segunda unidade literária de nossa perícope tem a apresentação do assunto principal da epístola. Para espanto do apóstolo, os cristãos de Corinto estavam passando para “outro evangelho”. Esse “outro evangelho”, na verdade, não era um evangelho, mas o abandono do evangelho verdadeiro. As consequências do abandono do evangelho eram graves. Elas traziam maldição para quem o fizesse. Ou seja, a pessoa saía da bênção para a maldição. Quem anuncia esse evangelho falso também deve ser amaldiçoado. Mais tarde, fica claro na epístola porque ele usa palavras tão duras. Abandonar o evangelho verdadeiro significa desonrar a Deus e perder a salvação eterna. A salvação é oferecida por Cristo de graça e recebida mediante a fé. E nisso não é possível fazer concessões. O tom duro do início da carta do apóstolo é percebido por ele próprio. Ele sabe que não é agradável. E ele não se preocupa em “agradar pessoas”. Na verdade, o apóstolo prefere agradar a Deus. Ou seja, nessa introdução, o tema da centralidade da obra redentora de Jesus é colocado e fica claro que, na questão da justificação, não é possível fazer concessões.

3. Meditação

A argumentação do apóstolo Paulo nos dias de hoje poderia parecer tão fora de sintonia com nosso tempo como foi no primeiro século depois de Cristo. Falar que há apenas um evangelho, uma maneira de ser aceito por Deus, e que isso passa por Jesus Cristo e sua obra redentora, em nossos tempos é um discurso tremendamente antipático. Mais simpático seria dizer que há muitos caminhos que conduzem para o céu, que todas as religiões são boas, que, no fundo, todas querem a mesma coisa e que tanto faz qual a opção que cada um toma em sua vida. Se queremos agradar as pessoas, não deveríamos falar que apenas Jesus Cristo salva e que são amaldiçoados todos os que ensinam um evangelho diferente. Diante disso, devemos tomar posição se queremos ficar com o evangelho ensinado por Paulo ou se queremos modificar algo.

Mas, se olharmos para o quadro dentro do cristianismo, será que vamos ver algo diferente? Será que nas igrejas o que está sendo oferecido para as pessoas é apenas o evangelho de Jesus Cristo em contraste com as exigências da lei? Para a pessoa receber o favor de Deus é sufi ciente a fé em Jesus Cristo ou ela deve cumprir também alguns preceitos ou fazer obras que a preparem para receber as bênçãos do Pai celestial? Infelizmente, a justificação por graça somente nem sempre reluz no panorama eclesiástico. Paulo também tem o que dizer para o panorama eclesiástico de nossos dias. As exigências feitas para quem pretende se tornar membro de uma igreja, por vezes, estão em nível semelhante às exigências que queriam fazer para que um gentio entrasse na comunidade cristã. Se alguém levanta a questão da graça somente, pode ser acusado de estar tornando o evangelho muito barato, que Jesus Cristo fez uma parte, mas que cada pessoa deve fazer a sua parte na obra da salvação.

4. Imagens para a prédica

Como as demais leituras do domingo são pertinentes ao assunto da epístola, que é a perícope sobre a qual será feita a pregação, elas poderão ser usadas em cada uma das partes da pregação. Os ouvintes gostam de aprender o texto bíblico e precisam desse conhecimento para alimentar sua vida espiritual. A leitura do Antigo Testamento poderá ser usada para levar a congregação a meditar sobre sua prática na aceitação de novos membros. Será que não são feitas exigências descabidas para receber pessoas como membros da igreja?

A leitura do evangelho do domingo poderá ser utilizada para levar a congregação a confiar apenas em Cristo na hora da angústia. Jesus está disposto a nos ajudar não porque nós somos importantes ou fazemos coisas notáveis. Jesus está disposto a nos ajudar porque ele é bom e nos ama. Isso podemos ver na obra redentora de Jesus. Ele morreu e ressuscitou para nos salvar porque ele é gracioso, porque ele é bom. Por isso podemos confiar nele em todas as situações da vida. O próprio contexto histórico da Carta aos Gálatas oferece rico material para ilustrar a mensagem central dessa perícope. Os que queriam fazer exigências descabidas aos novos membros da igreja estavam se desviando para “outro evangelho” e, por isso, estavam se colocando debaixo da maldição. Lei e liberdade são o contraste que essa epístola mostra.

5. Subsídios litúrgicos

A liturgia do culto é uma demonstração daquilo que o apóstolo Paulo expõe nessa perícope. O fundamental é o que recebemos de Deus. No culto, recebemos sua Palavra, recebemos o Batismo, recebemos a Santa Ceia. A nossa resposta, as orações, o louvor, as ofertas não fazem Deus ficar compadecido por nós. São apenas fruto da fé. As nossas obras não são a causa da bondade de Deus. Por isso é que a justificação é por graça mediante a fé. Estamos livres da escravidão da lei quando temos Cristo. Não estamos mais dependendo daquilo que fazemos ou podemos fazer. Dependemos apenas de Cristo. E isso é maravilhoso.

Bibliografia

ARTIGOS DE ESMALCALDE, in: Livro de Concórdia. Porto Alegre e São Leopoldo: Editora Concórdia e Editora Sinodal, 1980.
FRANZMANN, Martin. The Word of the Lord Grows. St. Louis: Concordia Publishing House, 1961.


Autor(a): Erni Walter Seibert
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Gálatas / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 12
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2012 / Volume: 37
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25427
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