Gerhard Tersteegen (1697-1769)

Obra e Biografia

29/06/2012

Gerhard Tersteegen (1697-1769) HPD nº 124 e 180

Nasceu: 25 de novembro de 1697, Moers, Niederrhein, Renânia-Vestfália, Prússia (Alemanha) Faleceu: 3 de abril de 1769, Mülheim an der Ruhr, Alemanha. Sepultado: em Mülheim an der Ruhr, Alemanha.

Embora o nome seja mostrado quase universalmente como Gerhard Tersteegen germanizado, o real nome dele era holandês: Gerrit ter Steegen. Ele nasceu em 1697 em Moers (que na época pertencia aos Países Baixos-Orânia). Era o oitavo filho do comerciante (Rentmeister) Henrik ter Steegen, o qual inclinava para o pietismo individualista. Quando Gerhard teve 6 anos de idade já perdeu seu pai (+1703). A Escola de Latim na sua cidade natal deu ao menino ótimos conhecimentos do Catecismo de Heidelberg, e nas línguas clássicas, como também em Hebraico e Francês. Por ocasião duma festa este aluno talentoso fez um discurso em versos em latim, e colheu muitos aplausos. Por isso recomendaram à sua mãe que mandasse o filho para a Faculdade. Porém, a situação familiar não permitia tais gastos. Então, após conclusão da escola, ele iniciou como aprendiz no comércio de seu cunhado em Mühlheim/Rhur. Este, porém, mostrou pouca compreensão pelo jovem sensível e só o mandou executar serviços pesados.

Foi nesta época que Gerhard recebeu os primeiros impulsos para seu desenvolvimento espiritual. Lendo a oração de gratidão de um guia espiritual moribundo, Tersteegen se impressionou profundamente. Certo dia, atravessando a floresta, de repente sofreu uma cólica penosa, e ele, assustado, se conscientizou da fragilidade do corpo humano. Ele fez a promessa de entregar-se inteiramente a Deus, se lhe fosse dada ainda a oportunidade de preparar-se para a eternidade.

Para cumprir sua promessa, ele entrou nos círculos pietistas orientados pelo teólogo místico Wilhelm Hoffmann (1685-1746), o qual desde 1713 dirigiu reuniões pietistas em Mühlheim, sem permissão das autoridades eclesiásticas. Em Hoffmann ele encontrou seu pai espiritual, a quem honrou durante toda a sua vida. Devagarzinho iniciou uma transformação no íntimo do jovem Tersteegen. Passo a passo ele experimentou a luz da Graça. Ele pessoalmente diz que o “novo nascimento” não acontece repentino, mas se estende por um longo espaço de tempo. Não se pode pular de um único salto para o paraíso perdido.

Terminado o aprendizado do comércio, Tersteegen abriu sua própria loja. Mas o cotidiano de sua profissão logo se tornou um fardo pesado para ele. A vida comercial, que exige uma dedicação constante às pessoas, não lhe deu tempo para cuidar se sua própria vida. Sem hesitar fechou sua loja (1717/18) e aprendeu o ofício de um tecelão de fitas de seda. A nova vida lhe permitiu retirar-se do mundo agitado e seguir o caminho desejado para a solidão. Mais tarde ele disse: “A solidão é a escola para piedade. Somos chamados para termos comunhão com Deus. Por isso convém evitar contatos desnecessários com outros.”

Durante alguns anos Tersteegen viveu como um eremita ascético, e trabalhou sozinho. Só uma menina ficou perto dele, ajudando a enovelar a seda e trazendo-lhe alguns alimentos. Ele se contentou com o estritamente necessário, usou roupa simples, e tomou somente uma única refeição por dia, feita de um pouquinho de farinha, água e leite. Mesmo chá e café ele rejeitou como prazeres não permitidos. Ele sabia que possuir muitos bens pode causar dano a alma (Marcos 8,34-37). Por isso ele praticou a liberdade dos filhos de Deus, que se torna evidente na renúncia, e ele tomou a sério o ensino de que na terra somos somente hóspedes que estão na viagem para a eternidade.

Num hino (EG 288 “Nun sich der Tag geendet”, não traduzido) ele expressa isso na 4ª estrofe: “ Ein Tag der sagt dem andern, mein Leben sei ein Wandern zur grossen Ewigkeit. O Ewigkeit, so schöne, mein Herz an dich gewöhne; mein Heim ist nicht in dieser Zeit” (Um dia conta ao outro que minha vida é uma viagem para a grande eternidade. Oh, eternidade tão bela, meu coração se habitue de ti; meu lar não está no tempo presente).

E num outro hino ele canta (EG 189 “Kommt, Kinder, lasst uns gehen”, não traduzido): “Man muss wie Pilger wandeln, frei, bloss, und wahrlich leer; viel sammeln, halten, handeln macht unsern Gang nur schwer. Wer will, der trag sich tot; wir reisen abgeschieden, mit wenigem zufrieden; wir brauchen’s nur zur Not” (Devemos andar como peregrinos, livres, desimpedidos e desocupados; pois muito recolher, segurar e negociar torna a viagem difícil. Quem quiser carregue pesos até a morte; nós viajamos recolhidos, satisfeitos com pouco, somente com o mais necessário.)

Na Quinta-Feira-Santa (13 de abril) de 1724 Tersteegen assinou com seu próprio sangue sua entrega ao Salvador. E, seguindo o conselho de W. Hoffmann, a partir de 1725 ele levou uma vida menos ascética, desistiu de ser eremita e voltou ao convívio dos correligionários. Ele morou junto com um amigo, e ensinou os filhos de um dos seus irmãos. Abandonou, então, seus negócios e entrou num ministério singular de aconselhamento espiritual, de encorajamento e avivamento. O seu lar, chamado A Casinha do Peregrino, se abria a todos. Dizem que trabalhava dez horas por dia no seu tear, orava por duas horas e passava duas horas escrevendo e discutindo assuntos espirituais com outros. Preparava comida e remédios simples para os pobres. No decorrer dos anos ele se tornou um guia espiritual clássico para os pietistas, até o fim de sua vida, através de vasta correspondência, serviço de visitação, círculos de diálogo, e literatura religiosa.

Tersteegen era um dos dois escritores de hinos alemães mais famosos do século 18 (o outro era Joachim Neander). Os hinos de Tersteegen são caracterizados pela clareza no ensino de verdades cristãs, renúncia de si e do mundo a um esforço diário de viver como aquele que está na presença de Deus. Também traduziu ou parafraseou muitos clássicos do francês e latim.

Entre sua produção literária destacam-se suas canções religiosas, editados em 1727 sob o título “Geistliches Blumengärtlein inniger Seelen” (Jardim de flores espirituais para almas contemplativas) e o subtítulo “Der Frommen Lotterie” (Loteria para piedosos), além de organizar uma nova edição dos hinos de Joachim Neander. Entre 1733 e 53 escreveu muitas biografias sobre pessoas marcantes.

Da grande produção de (cerca de 2.000) hinos de Tersteegen encontram-se em nosso hinário :

HPD nº 124 Deus está presente = EG nº 123 Gott ist gegenwärtig de 1729, baseado em Isaías 6,1-8, com melodia de Joachim Neander.

HPD nº 180 Deus faz pregar seu Evangelho agora (versão de Lindolfo Weingärtner) = EG (18ª ed) nº 451 Gott rufet noch. Sollt ich nicht endlich hören? de 1735.

O u t r o s  h i n o s  de sua autoria:

Para época de Advento:Jauchzet, ihr Himmel, frohlocket, ihr Engel, in Chören. (1731) que faz parte do repertório de muitos corais.

Para celebração de culto: Jesu, der du bis alleine Haupt und König der Gemeine (1731) EG 107

O hino sobre discipulado: Kommt, Kinder, lasst uns gehen (1738) no EG nº 189.

Para cantar a noite: Nun sich der Tag geendet, mein Herz sich zu dir wendet (1745) no EG nº 288. E ainda o hino de adoração “Ich bete an die Macht der Liebe” (1757).

Fontes: www.cyberhymnal.org/ Johannes Rau “Gestalten gelebten Glaubens” em “Evangelisches Sonntagsblatt aus Bayern”, Nr. 48, de 30-11-1997. – M.Schmidt, artigo “Tersteegen” em RGG³, Vol.VI, col. 697, Tübingen, 1962. Julian, John, ed. A Dictionary of Hymnology, Vol. 1 Dover Edition New York, Dover Publication, inc., 1957.


 


Autor(a): Leonhard Creutzberg
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Música
Perfil do Texto: Autor Letra
ID: 15686
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