Hebreus 13.1-8,15-16

Auxílio Homilético

01/09/2013

Prédica: Hebreus 13.1-8,15-16
Leituras: Provérbios 25.6-7 e Lucas 14.1,7-14
Autores: Aline Danielle Stüewer e Joel Haroldo Baade
Data Litúrgica: 15º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 01/09/2013
Proclamar Libertação - Volume: XXXVII

1. Introdução

Todos os textos bíblicos indicados para este dia falam do comportamento que uma pessoa cristã deve ter. No texto do evangelho, Jesus chama a atenção das pessoas que buscam sempre ser exaltadas e recompensadas. Ao invés de esperarmos ocupar lugares de honra e destaque, é mais prudente e sábio agirmos com humildade. Também o texto de Provérbios ensina que não devemos nos gloriar e nos fazer de importantes. Já o texto de Hebreus destaca atitudes mais concretas que uma pessoa cristã deve ter, como amor fraternal, hospitalidade, empatia, fidelidade. Todas essas seriam atitudes que agradam a Deus e o verdadeiro sacrifício de um cristão.

2. Exegese

O gênero literário do livro de Hebreus assemelha-se mais a uma “prédica” do que a uma carta. Apesar de o livro ser chamado de “Carta aos Hebreus”, não há nenhuma indicação específica de destinatário. Pelo conteúdo da carta, o povo para o qual se destina a “prédica” pode ser tanto judaico-cristão como gentílico-cristão. De qualquer forma, é importante saber que a “prédica” destina-se a cristãos tentados e desanimados. A segunda geração de cristãos parece estranhar o fato de que o caminho para a glória prometida é tão cheio de tribulações. Muitos cristãos cansaram-se de viver uma vida de fé e estavam voltando a viver uma vida mundana (13.13s). Hebreus, portanto, têm um objetivo bem pastoral: procura responder a questões bem concretas da comunidade (FRIEDRICH, 1994, p. 246).

O v. 1 fala da importância do amor fraternal. Ou seja, aquela forma de amar que o próprio Cristo ensinou. Um amor que se doa, que não busca os próprios interesses, mas vai em busca do próximo. Cristão não se é somente em alguns momentos da vida, mas a cada dia. O amor fraternal não é instável, mas sereno e constante. A maior diferença entre as diferentes versões do texto é apresentada pela Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “Continuem a amar uns aos outros como irmãos em Cristo”. O substantivo feminino philadelphia aparece mais duas vezes no Novo Testamento (Rm 12.10 e 2Pe 1.7) e é empregado para expressar a relação entre os cristãos. 2 Pedro 1.7 ressalta que o relacionamento fraterno conduz ao amor verdadeiramente cristão. Não há caminho que conduz a Cristo à parte de um relacionamento fraterno entre os irmãos na fé. Portanto o v. 1 é a chave interpretativa para toda a perícope. Os demais versículos abordam desdobramentos desse amor fraternal que deve reinar entre os cristãos.

O v. 2 fala da hospitalidade como uma prática do amor. A hospitalidade é mais do que apenas receber as pessoas em casa (NTLH), oferecendo comida e abrigo. Ela é uma característica do amor de irmãos e irmãs na fé. Trata-se de acolhimento e serviço desinteressado ao próximo. A prática da hospitalidade e do cuidado das pessoas que vêm ao nosso encontro não é simples lei, no sentido de uma exigência feita à pessoa cristã, mas dela depende o próprio aprofundamento da vida cristã. A mensagem do evangelho não chega às pessoas como algo que cai do céu, e sim através do próximo. Pelo acolhimento recebem-se muitas pessoas, também aquelas que são enviadas em nome de Cristo. O texto refere o recebimento de anjos sem que haja consciência disso. Etimologicamente, a palavra anjo significa “mensageiro” ou “aquele que foi enviado”. Hospitalidade é a abertura necessária para que o ser cristão possa frutificar.

O v. 3 faz referência aos sofrimentos de muitos cristãos. Muitas pessoas que confessavam sua fé em Jesus Cristo eram perseguidas, presas, maltratadas e até mesmo martirizadas. Os cristãos são convidados a lembrar dessas pessoas como se o sofrimento delas fosse o seu próprio sofrimento. Não se trata apenas de trazer à lembrança, mas de provocar identificação (FRIEDRICH, 1994, p. 248).

O v. 4 fala que o matrimônio deve ser vivido com respeito e fidelidade. Uma pessoa cristã deve respeitar seu cônjuge e viver com ele uma vida sem mácula.

O v. 5 fala da preocupação exagerada com o dinheiro. A Bíblia na edição Pastoral emprega a expressão: “que a conduta de vocês não seja inspirada pelo amor ao dinheiro”. A NTLH utiliza “não se deixem dominar pelo amor ao dinheiro”. Já Almeida traduz “Seja a vossa vida sem avareza”. No grego, é empregada a palavra aphilargyros, que significa: livre de avareza, não cobiçoso, livre do amor ao dinheiro. Uma pessoa avarenta é aquela que tem um apego excessivo ao dinheiro, cheia de cobiça. Esse versículo sustenta a ideia passada pelos outros dois textos previstos para o final de semana de que a pessoa deve ser humilde e estar satisfeita com o que tem. A exortação é acompanhada da promessa de que Cristo sempre estará ao lado do cristão e não o abandonará. O amor ao dinheiro parece estar associado a um sentimento de vazio e incerteza. Muitas pessoas buscam preencher esse vazio por meio da aquisição de bens materiais.

O v. 6 exorta para a confissão de fé. A vida cristã não é apenas obediência exterior e aparente a algumas leis, mas é confissão e testemunho para o mundo. A confissão é uma referência ao texto veterotestamentário do Salmo 56.3-4,9-11 e 118.6. A confissão de fé é contraposta ao medo e ao sentimento de abandono, característico de muitos cristãos da segunda geração.

O v. 7 exorta à lembrança das pessoas de quem receberam o testemunho do evangelho. Daquelas que viveram a sua fé conforme a proposta de Jesus e que, muitas vezes, morreram por causa dessa fé. Essas pessoas devem ser tomadas como exemplos de cristãos, que, apesar das dificuldades, foram fiéis ao propósito de Cristo.

O v. 8 lembra a fidelidade de Cristo. As pessoas são lembradas de que, apesar das adversidades, Deus permanecerá com elas hoje e eternamente, como tem sido desde o princípio.

Os v. 15-16 enfatizam que a pessoa que confessa Jesus como seu salvador vive na prática aquilo que ele ensinou. O verdadeiro sacrifício a Deus é viver a prática da justiça, do amor, da comunhão. Enfim, o texto termina enfatizando que a pessoa cristã confessa sua fé por meio de sua maneira de ser. O amor fraternal, para o qual se chamou a atenção no primeiro versículo, compõe a moldura da perícope. Não há amor e fidelidade a Deus sem que os relacionamentos das pessoas reflitam esse mesmo amor e fidelidade em todas as esferas de suas vidas.

3. Meditação

Jesus havia ensinado a seus primeiros seguidores uma nova maneira de viver. Ele mostrou às pessoas que a nossa vida deve estar baseada no amor ao próximo. Jesus propõe um estilo de vida simples, que não busca os próprios interesses. Numa sociedade onde predomina o individualismo, onde é considerado esperto aquele que pensa somente em si mesmo e não mede esforços para conseguir o que quer; numa sociedade onde a vida da maioria das pessoas está inspirada unicamente pelo dinheiro, levar a sério os ensinamentos e a proposta de Jesus tem se tornado cada vez mais difícil.

Na época em que o texto de Hebreus foi escrito, as pessoas cristãs estavam questionando se a maneira como elas viviam realmente teria sentido. Essas pessoas estavam caindo na tentação de deixar de viver uma vida cristã baseada no amor e viver uma vida a partir daquilo que a sociedade ou o mundo prega. Nesse sentido, o texto é uma exortação para que as pessoas cristãs não deixem de viver conforme os ensinamentos de Cristo, pois Ele é e sempre será nosso único Senhor.

Os primeiros cristãos viviam uma vida em comunidade, preocupados uns com os outros e ajudando uns aos outros. A sua maneira de viver contrastava com o modo de viver da sociedade em geral. Eles viviam o amor fraterno, a doação, o respeito, o altruísmo. Vivendo dessa forma e assim testemunhando sua fé em Jesus Cristo, muitos passaram por perseguições e até mesmo viravam motivo de escárnio. Esses cristãos foram desanimando e chegaram a se perguntar se valeria a pena continuar vivendo daquela forma.

O texto é uma exortação para que não esqueçamos de viver conforme a proposta e o ensinamento de Jesus. Temos vivido conforme os ensinamentos de Jesus ou temos cedido ao estilo de vida proposto pelo mundo? Como comunidade cristã, temos vivido a proposta de Jesus?

A sociedade tem pregado o amor ao dinheiro, a avareza, a prostituição, a vaidade e o individualismo. Como resultado, temos visto uma sociedade consumista, preocupada com marcas e aparência; pessoas que não respeitam o seu cônjuge e vivem um casamento de mentiras e traição; pessoas que prejudicam a saúde com cirurgias e esteroides em busca de um corpo desejado; pessoas que colocam como senhor de suas vidas o dinheiro e por ele são capazes de tudo. Como Jesus. Mesmo que o mundo diga que é besteira ser honesto, mesmo que o mundo diga que ajudar o outro é ser burro, mesmo que o mundo diga que ser fiel é ser careta, Jesus nos diz: “Isso é ser meu seguidor”.

4. Imagens para a prédica

Como ilustração, sugere-se a estória a seguir, que mostra que uma pessoa cristã precisa, através de sua maneira de ser, testemunhar sua fé em Jesus Cristo.

Certa manhã, um homem estava parado com seu carro diante de um semáforo. A senhora à sua frente vasculhava alguns papéis no assento de seu carro. Quando o sinal mudou para verde, ela não percebeu e não obedeceu a seu comando – um sinal verde era um mandamento, e não uma sugestão.

Quando o sinal mudou para vermelho, e ela ainda não havia partido, o homem (com as janelas fechadas) começou a gritar vários palavrões e a bater no volante de seu carro.

Um policial, de arma em punho, bateu no vidro da janela e interrompeu suas expressões, dando-lhe voz de prisão. O motorista então começou a protestar, dizendo:

– Você não pode me prender por eu gritar dentro do meu próprio carro. Você vai se ver comigo.

O policial respondeu:

– Não o prendi por gritar em seu carro. Eu estava imediatamente atrás de você no semáforo e o vi gritando e batendo no volante. Então disse a mim mesmo: Que imbecil! Mas não há nada que eu possa fazer a ele por ter tido um acesso de raiva em seu próprio carro. Então notei uma cruz pendurada no espelho retrovisor, a etiqueta amarela com as palavras “Escolha a Vida”, o adesivo no para-choque com a frase “Jesus em breve voltará” e o símbolo do peixe. Por isso pensei que você havia roubado o carro.

5. Subsídios litúrgicos

Sugere-se que, na elaboração da liturgia, se destaque a frase: “Somos chamados a ir na contramão do mundo, em direção a Jesus”.

Algumas sugestões de hinos para serem cantados no culto: HPD 178 e 411.

Bibliografia

FRIEDRICH, Nestor Paulo. 15º Domingo após Pentecostes. In: STRECK, Edson; SCHNEIDER, Nélio. Proclamar Libertação 20. São Leopoldo: Sinodal. p. 246-250.
LOHSE, Eduard. Introdução ao Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1985.
 


Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 15º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Hebreus / Capitulo: 13 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 16
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2012 / Volume: 37
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25414
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