HIV/AIDS: Transformando a comunidade em espaço de solidariedade

Estudo

10/04/2005

Começo, reproduzindo uma história, publicada no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre:

“Ainda vou viver muito” “Descobri que era portadora do HIV em 1999. Peguei o resultado sozinha, no dia do meu aniversário. Fui infectada por meu ex-marido. Ele era usuário de drogas. No início achei que seria o fim do mundo. Caí em depressão, fiquei mal mesmo. Só me levantei por causa do meu filho (hoje com 10 anos), que não tinha o vírus e precisava de mim. Mesmo assim, só iniciei o tratamento um ano depois do diagnóstico. Só a minha mãe e os meus irmãos sabem que tenho o vírus. No início, quando minha mãe soube que eu era mesmo portadora, passou a limpar com álcool as coisas que eu tocava, desde talheres e copos, até o lugar onde eu sentava.

Um dia, não agüentei mais e disse para ela que ela teria de me aceitar como eu era, senão não iria mais me ver. Ela acabou aceitando, foi a uma reunião sobre Aids comigo, para aprender a lidar com a situação. A menina que estou esperando agora é de um namorado. Estava me preparando para contar que tinha o vírus, mas com a notícia da gravidez ele foi embora e eu decidi criar a criança sozinha.

Fiquei sabendo que estava grávida em fevereiro deste ano. Como já freqüentava as reuniões e palestras sobre a doença, sabia que o meu bebê não seria afetado se eu me tratasse desde cedo.

Estou fazendo tudo direitinho. Para você ver como são as coisas: a minha mãe agora está doente, morrendo de câncer em um hospital, e eu, que tenho HIV, ainda vou viver muito”.

Patrícia (nome fictício), 25 anos,
soropositiva, grávida de seis meses.

Segundo o relatório da ONU de 2004, esse é o perfil das pessoas portadoras do vírus HIV-Aids que mais vem crescendo no mundo e também no Brasil: Mulheres heterossexuais, pobres e monogâmicas. O crescimento de casos no mundo foi de 12 %, somando 37,8 milhões de pessoas infectadas. Na América Latina são 1,7 milhões de pessoas atingidas, das quais um terço é do Brasil.

O quê fazer diante desta realidade? As Organizações Não-Governamentais, o governo brasileiro, a sociedade civil em nosso país de modo geral têm buscado cumprir seu papel em relação ao HIV/Aids. O Brasil, neste sentido, tem servido de exemplo de engajamento.

E as igrejas? O quê as igrejas, em especial aquelas que confessam Jesus Cristo como seu fundamento, têm feito em relação ao assunto? Um grande silêncio!

Quebrar o silêncio. Restaurar a dignidade: Este é o desafio proposto pelo seminário nacional da IECLB em julho deste ano, em Rodeio (SC) sobre o tema. É, pois, necessário começar a falar sobre o assunto. Parar de fazer de conta que a igreja é uma ilha isolada das questões que atingem a humanidade. Certamente, dentro da própria igreja há pessoas que convivem com o HIV/Aids e que estão sozinhas e emudecidas, porque não temos a coragem evangélica de viver como Jesus viveu.

Além de falar, isto é, conscientizar e informar-se sobre a questão, é necessário restaurar a dignidade. Como fazê-lo, diante de situações como a da Patrícia da nossa história? Transformar as nossas comunidades em espaços de solidariedade, comunhão, respeito, amor e parceria. Somente essa pode ser a nossa resposta. Pois, nos olhos do irmão e da irmã é que se reflete a imagem do nosso ser cristão. Neles é espelhada a nossa fé, nossas convicções, nossa maneira de pensar e agir.

Que possamos ver espelhado no olhar da irmã e do irmão a ternura, a bondade, a misericórdia, o amor e a solidariedade que Jesus espelhava nos olhos das pessoas que com ele conviviam.


Atividade

Rótulos

Material: Uma etiqueta ou rótulo com adesivo, para cada participante. Cada rótulo deverá conter um dos seguintes dizeres: “aprecie-me”, “aconselhe-me”, “ensine-me”, “ria de mim”, “respeite-me”, “ignore-me”, “zombe de mim”, “tenha piedade de mim”, “ajude-me”.

O facilitador coloca na testa de todos os participantes uma etiqueta, evitando que o recebedor saiba o que está no seu próprio rótulo.

A seguir, os participantes caminham pela sala, reagindo com os demais de acordo com os rótulos da testa do outro. Cada participante deverá adivinhar qual é o seu rótulo a partir das reações recebidas dos demais.

Após dez minutos, cada participante dirá se adivinhou os dizeres do seu rótulo e qual seu significado.

Finalmente, o grupo conversa sobre como cada qual se sentiu em relação à reação dos demais e o que isso tem a ver com o tema deste estudo, HIV/Aids.

Filmes sobre Aids

E a Vida Continua
Paciente Zero
Declínio do Império Americano
Amor e Restos Humanos
Kids
O Presente
Eu Amo esse homem
Noites Felinas
Filadélfia
O Clube dos corações partidos
A Velocidade de Gary
A Cura
Meu Querido Companheiro
As Horas
Um Amor Quase Perfeito
Tudo Sobre Minha Mãe
Terra de Sonhos
Antes do Anoitecer
ABC África
Corações Apaixonados

 

Sidnei Vilmar Noé, pastor Dr., professor na Escola Superior de Teologia (EST)

Dia Nacional da Diaconia - 10 de abril de 2005
 

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