(In) tolerância

29/08/2014

Quando nascemos recebemos de herança um contexto cultural. A partir dele vamos construindo nossa percepção de mundo, nossos pré-conceitos, valores morais, éticos e religiosos. Normalmente, a tudo isso nós chamamos de tradição (DA MATTA : 2000, p. 24). Sendo assim, somos frutos do meio em que vivemos. Mas, nossa identidade não é apenas fruto do contexto cultural ao qual pertencemos, pois ela é complementada no encontro com as outras pessoas de nossa sociedade. Isto se dá porque o ser humano é um ser relacional. No encontro com o outro é que a pessoa adquire a consciência de si mesmo.

Na construção de nossa identidade o outro, a outra, funciona como um espelho revelando-nos aquilo que não somos. Desta maneira é possível afirmarmos que uma parcela de nossa identidade nasce da negação da outra pessoa, por exemplo, uma pessoa se percebe católica porque não é evangélica, se percebe de esquerda porque não é de direita, se percebe da periferia porque não mora no centro, se percebe negra porque não é branca. A este processo de construção de identidade os antropólogos chamam de etnocentrismo.

Em nosso país é impossível ficar indiferente a diversidade, pois o Brasil é multicultural. Basta olharmos ao nosso redor e veremos as diferentes etnias, manifestações culturais e religiosas. No entanto esta realidade não nos isenta de pensamentos recheados de preconceitos, nutridos por antigas teorias que advogavam por uma superioridade branca diante das outros matizes de cor de pele. É evidente que o racismo à brasileira torna a injustiça e a exclusão social em algo tolerável. Sendo assim, conseguimos acreditar no mito da democracia racial sem que de fato vivamos numa sociedade que garanta a igualdade de oportunidades para todas as pessoas. (DA MATA: 2000, p 47).

Diante da diversidade estamos como que diante de uma encruzilhada e, consequentemente, precisamos escolher a direção que iremos tomar, ou seja, seguir pela via da intolerância, escolher o caminho da tolerância ou a direção da inclusão. Caso optemos pelo caminho da intolerância seremos pessoas altamente preconceituosas, excludentes e não permitiremos conhecer a outra pessoa. Caso a nossa opção seja a via da tolerância nós iremos gradativamente dando-nos a oportunidade de conhecer a outra pessoa para que possamos romper com as barreiras do preconceito, mas esta escolha é inclusiva e, simultaneamente, excludente. O caminho da inclusão é de aceitação incondicional, do respeito à outra pessoa acima de nossas convicções pré-estabelecidas e de nossas tradições. Qual é a sua opção de caminho?

O caminho que cada pessoa escolhe revela seus valores, sua herança cultural e religiosa, ou seja, desvela sua imagem de sociedade ideal e de Deus. Quando nós escolhemos o caminho da intolerância pensamos em uma sociedade de iguais e num Deus exclusivo. Esta forma de pensar é encontrada em algumas passagens do Antigo Testamento, como por exemplo, Êxodo 26.16-19, Isaías 43.1-7, Levítico 26.1-13, Jeremias 33.36-44, Isaías 49.1-7 são textos que falam da exclusividade de Israel como povo de Deus e da exclusividade de Deus para o povo de Israel. Quando escolhemos os caminhos da tolerância e da inclusão estamos pensando numa sociedade justa onde todas as pessoas possuem reais possibilidades e num Deus que ama a humanidade como sua criação multicultural. Esta forma de pensar também é encontrada em vários textos, principalmente, no Novo testamento, como por exemplo, Mateus 15.21-28, Lucas 7.1-10, Lucas 10.25-37, Gálatas 3.26-29, 1ª. Coríntios 12.12-26, 1ª. Coríntios 15.20-28, Romanos 11.25-32, Colossenses 3.5-11, Efésios 2.11-22 e outros.

Em nossa sociedade é necessário que nos esforcemos para que as atitudes de inclusão superem as posturas tolerantes e intolerantes. O esforço de promover a inclusão deverá ser constante, pois há avanços e retrocessos no processo de aceitação do diferente. Porém, sempre de novo é primordial buscarmos transformar pensamentos e atitudes (Romanos 12.2). As iniciativas de inclusão permitem-nos viver numa sociedade menos preconceituosa e discriminadora. Somos obras do sopro divino e desejamos viver em paz com toda a criação. Que Deus nos ajude nisto! Amém!

Referências:

DA MATTA, Roberto. O que faz do brasil, Brasil? 11 ed. Rio de Janeiro : Rocco, 2000.
BIBLIA SAGRADA : Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

P. Günther Bayerl Padilha Paróquia de Itapema/SC


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Autor(a): Günther Bayerl Padilha
Âmbito: IECLB
Área: Missão / Nível: Missão - Jovens / Organismo: Juventude Evangélica - JE
Título da publicação: Criatitude - Tolerância e Diversidade / Ano: 2014
Natureza do Texto: Educação
Perfil do Texto: Estudo
ID: 29626
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