Isaías 56.1,6-8

Auxílio Homilético

14/08/2011

Prédica: Isaías 56.1,6-8
Leituras: Mateus 15. (10-20) 21-28 e Romanos 11.1-2a,29.32
Autor: Pedro Kalmbach
Data Litúrgica: 9º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 14/08/2011
Proclamar Libertação - Volume: XXXV 

1. Introdução

“Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos” (Is 56.8).

“Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15.27).

“Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos” (Rm 11.32).

Os três textos têm em comum a abertura a todas as nações, a todos os grupos, etnias, culturas, sociedades. Os planos de Deus rompem com as tradições de exclusão social, cúltica, econômica.

2, Isaías 56.1,6-8

O Terceiro Isaías inicia com o capítulo 56, que trata da volta do cativeiro na Babilônia, provavelmente antes da reconstrução do templo de Jerusalém. O entusiasmo inicial dos repatriados derivou em desilusão, desânimo (as promessas do Segundo Isaías não se cumpriram) e dificuldades por causa da miséria econômica reinante na época e pelas tensões e diferenças entre os diferentes grupos existentes em Jerusalém: os judeus desterrados que haviam voltado, os estrangeiros que estavam instalados em Jerusalém e os judeus que não haviam sido levados para o cativeiro (que permaneceram em Judá).

V. 1 – No capítulo 56, o anúncio da salvação situa-se num contexto histórico novo (diferente ao do Segundo Isaías; assim, por exemplo, 51.5 anuncia a vitória e a justiça que chegariam com o edital da repatriação), pelo qual a salvação segue dependente de um horizonte escatológico. Praticando a justiça e guardando o direito, é assim que as pessoas devem preparar-se para receber a justiça de Deus.

V. 2-5 – Esses versículos, que não fazem parte da perícope, referem-se a dois grupos tradicionalmente excluídos da comunidade cúltica: os eunucos e os estrangeiros (Dt 23.2-9). Com respeito aos eunucos, o profeta afirma que eles já não devem sentir-se excluídos por sua condição. O que vale é a observação e o cumprimento da vontade de Deus. A saber, a pessoa escolhe e é aceita segundo sua decisão de fazer parte e cumprir as determinações.

V. 6-7 – O profeta dirige-se aos estrangeiros nesses versículos. Para aqueles que guardam o sábado e perseveram na aliança, o Senhor oferece-lhes participação plena na vida cúltica, alegria nas festas. E a casa do Senhor será casa de oração para todos os povos (v. 7). Ou seja, casa de comunicação com o Senhor.

V. 8 – Essa nova legislação é promulgada com um oráculo e deixa sem efeito os limites que a legislação anterior colocava à participação/inclusão dos “outros” (estrangeiros, eunucos, bastardos etc.). Os muros do exclusivismo são derrubados.

3. Meditação

Acredito ser importante levar em conta que o texto de Isaías 56.1,6-8 trata diretamente do problema da exclusão/discriminação do eunuco e do estrangeiro. Se falássemos hoje sobre grupos e pessoas excluídas das celebrações e demais atividades em nossas comunidades, suspeito que a lista seria extensa. Cada pessoa e cada comunidade poderiam fazer um exercício de sinceridade: Quem são as pessoas e os grupos excluídos hoje em nossa sociedade? Eles estão integrados na vida da comunidade cristã? (Vale, por exemplo, tão somente analisar a situação das pessoas com deficiência.) Seguramente, haveria pessoas excluídas por sua condição social, por sua origem étnica e cultural, por sua orientação sexual, por sofrer alguma deficiência (deficiência física, psíquica etc.), por sua idade, por sua ideologia etc.

É interessante mencionar que o v. 1, que fala sobre a necessidade de pra- ticar a justiça e guardar o direito, introduz a nova legislação que rompe com as tradições de exclusão. A salvação do Senhor está próxima, e a comunidade deve preparar-se para ela em seu aspecto ético e social. Dessa preparação faz parte a prática inclusiva/integradora.

O profeta assinala que a palavra de Deus exorta todas as pessoas que querem fazer parte de seu povo a praticar a justiça (v. 1), a guardar a mão de cometer algum mal (v. 2). Esses preceitos valem para todos por igual.

Para nosso contexto social e econômico, no qual o consumismo passou a ser o que rege as relações humanas e determina as decisões e a atuação de milhões de pessoas e de muitos governos e no qual continua aumentando a miséria econômico-social-cultural-educativa, as palavras do profeta são um lúcido chamado de atenção de que Deus espera de seu povo uma vida que se empenha pela justiça, pelo direito. Os critérios de inclusão, que deveriam ser característicos das pessoas que desejam ser seu povo (das pessoas cristãs), não têm a ver com a condição social, cultural, étnica, de gênero, poder de consumo, mas exclusivamente com o direito, com a prática da justiça, com guardar a mão de cometer o mal. Aqui valem as perguntas: Quais são as situações hoje em que a justiça e a prática do direito estão ausentes no contexto em que se encontra nossa comunidade? Em que medida nossa comunidade se empenha no trabalho pela justiça e pela prática do bem – justamente ali onde falta? Em que medida nossas comunidades são espaços nos quais se estimulam pessoas que se dizem cristãs a buscar a justiça e o bem?

4.  Imagens para a prédica

Dois temas ou assuntos podem ser ressaltados a partir do texto: inclusão/integração e a prática da justiça e do bem. Proponho trabalhar o primeiro deles.

Poderia resultar interessante trabalhar o tema nos diferentes grupos da comunidade (jovens, mulheres, estudos bíblicos, confirmandos) durante uma ou duas
semanas antes do culto. Que pessoas estão excluídas, que sofrem discriminação na sociedade e especificamente na comunidade? Os resultados, as observações, as produções dos grupos, com certeza, serão uma importante contribuição para o culto e para a pregação (por exemplo, quadros, fotos e cartazes de pessoas excluídas da sociedade, da comunidade, dos cultos; uma situação de exclusão dramatizada por jovens/mulheres/crianças ou outro grupo). A pergunta é como a comunidade se posiciona diante da realidade de exclusão na sociedade e diante da exclusão existente no seio da própria comunidade, por exemplo, no culto (a exclusão “indireta” do culto comunitário – existente em muitos lugares – das crianças, dos jovens; a exclusão direta de pessoas com deficiência). Quais são os desafios que a palavra de Deus traz e que ações e mudanças concretas podem ser feitas?

5. Subsídios litúrgicos

Creio em ti

Creio em ti porque tu me criaste;

Porque, apesar de minhas imperfeições,

me queres tal como fui, tal como sou.

Creio em ti, porque tu te encarnaste, vieste até nós,

para mostrar que cada pessoa, sem importar sua condição,

sem importar sua cor, sem importar seu idioma,

sem importar suas limitações, sem importar suas imperfeições,

é importante para ti.

Creio em ti, porque me queres,

porque queres aquele que está ao meu lado,

aquele que está abandonado,

porque queres aquele que os outros rejeitam,

e sempre de novo nos animas a seguir-te, me animas a seguir-te.

Creio em ti, porque esse é o milagre,

incrível, mas certo;

porque somente Deus pode amar-nos e amar-me assim,

porque somente ele pode perdoar-nos e perdoar-me,

como somos, como sou; como fomos, como fui.

Creio em ti, porque por teu amor cheguei ao amor de outras pessoas,

por teu amor cheguei a amar a quem eu não queria,

a quem eu rejeitava.

Creio em ti.

Amém.

Bibliografia

CRISTOFANI, José Roberto. “13º Domingo após Pentecostes”. In: Proclamar Libertação. V. XVIII. São Leopoldo, 1992.
RIBEIRO, Antonio C. “13º Domingo após Pentecostes”. In: Proclamar Libertação. V. 30. São Leopoldo, 2004.
SCHÖKEL, L. Alonso; SICRE DIAZ, J. L., Profetas. Comentário I. Madrid: Cristiandad, 1980.




 


Autor(a): Pedro Kalmbach
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 9º Domingo após Pentecostes
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 56 / Versículo Inicial: 6 / Versículo Final: 8
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2010 / Volume: 35
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25058
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