Isaías 61.1-3 (4-9)

Auxílio Homilético

03/01/1988

Prédica: Isaías 61.1-3 (4-9)
Autor: Leonídio Gaede
Data Litúrgica: 2º. Domingo após Natal
Data da Pregação: 03/01/1988
Proclamar Libertação - Volume XIII

Introdução

Queremos ser um auxílio, dividimos este trabalho em três etapas presentes no processo que antecede o discurso: Entender-Meditar-Falar. A meditação vem depois do entendimento, porque ela ajuda a elaborar o que se entendeu. Falar já é a expressão elaborada do entendimento. O entender já é, em si, um processo completo. Por isso esta etapa se apresenta em três fases: compreender-dividir e recompor-avançar. Você e eu - mesmo sendo sujeitos diferentes - estando diante de uma grandeza formulada (o texto) podemos seguir o mesmo processo para entender o que está diante de nós. Você também pode assumir o que lhe apresento, reconhecendo como legítimo o processo que houve comigo quando estive diante do texto. Meditar é, porém, muito mais uma técnica para se chegar a uma experiência. Eu posso fazer a minha experiência, mas não posso fazê-la por você. Quanto à terceira etapa: a expressão é uma arte. Temos esta difícil tarefa de traduzir conteúdos em ensinamentos para ouvintes.

Entender algo é aqui para mim tornar-se perito nesse algo. Compreender é perceber o sentido que vai se formando na relação de dados entre si e com o universo.

l - Entender o texto

1. Compreender: Para a nossa compreensão, tomemos por base os dados que von Rad nos fornece (p. 270, v. 2):

- o texto está no bloco dos últimos 11 capítulos do livro de Isaías, atribuído já em 1928 (Kelliger) a um Terceiro Isaías, contemporâneo de Ageu e Zacarias. (520 a. C.).

- Sendo ou não de um ou dois autores, o texto se situa depois do Exílio da Babilônia, no período persa.

- Á comunidade jerusalemita era confusa na época do texto.

- O profeta enfrentou circunstâncias sociais e jurídicas quase catastróficas (Is 57.1 ss.).

- O profeta enfrentou um governo deficiente (Is 56.9ss.).

- O profeta apontou a inutilidade de práticas cultuais (Is 58.1 ss.).

- O profeta se confronta com um povo sem fé (Is 59.1).

- O profeta explicou teologicamente o atraso da salvação de Javé (ls 59.9).

- O profeta mostra uma ruptura entre Israel e Israel (Is 65.1)

2. Dividir e recompor: Na mensagem do, digamos, Terceiro Isaías podemos perceber a situação confusa em que vivia a comunidade jerusalemita após o Exílio da Babilônia (que tinha sido a deportação das lideranças israelitas para a Babilônia depois da derrota dos poderosos assírios pelos babilónios em 612 a. C.). Ao contrário do que se poderia imaginar, a volta do Exílio não teve foguetório; e mais que isso: ela nem foi identificada com o cumprimento das profecias que a anunciaram. A fome mata tanto na pátria quanto no exílio. Nós que vivemos hoje no Terceiro Mundo, entendemos isto muito bem quando o Banco Mundial declara que 800 milhões de pessoas (um terço da população dos países subdesenvolvidos) vivern em estado de pobreza absoluta. 30 milhões de toneladas de cereais seriam suficientes para acabar com o problema. Isto significa que com os gastos militares (450 bilhões de dólares em 1980) se poderia resolver mais que 30 vezes por ano o maior genocídio que o mundo conheceu. Em outras palavras: 800 milhões de pessoas vivem hoje exiladas em sua pátria: não têm acesso ao mínimo necessário de comida. A crueldade destes números serve para fazer compreender a mensagem dura do profeta mesmo depois que o povo está em sua pátria. Voltar para a terra natal ainda não é motivo de festa; este virá apenas com a conquista do direito de viver. Isto notamos no escandaloso dizer do profeta de que De.js rejeita o culto. Certo dia, de forma descontraída, quando falávamos do problema da pobreza e das calamidades, alguém disse: É, pastor, não adianta, Deus castiga porque o povo não reza mais. Quando o profeta diz que Deus rejeita a reza do jejum e pede que repartas o pão com o faminto... (Is 58.7), então parece que o meu interlocutor está enxergando as coisas pelo avesso.

O Terceiro Isaías começa a se tomar muito específico em duas coisas: 1) Na questão da rejeição do jejum: está em questão o sentido do culto. Para o profeta o culto é celebração e a celebração tem precedentes. Não se pode simplesmente celebrar, tem que se celebrar algo. Na derrota é difícil de cantar (SI 137). Então não adianta fazer jejum. O jejum é repartir o pão com o faminto. 2) Na questão da divisão dos povos: para o profeta não está mais posta a questão do colocar o povo de Israel para um lado e os estrangeiros para outro. Ele enxerga n divisão dentro do próprio povo.

3. Avançar para o desconhecido (O texto): As implicações do texto (que para ele são desconhecidas por não serem tratadas) podem também ser chamadas de agravantes. Enxergamos no texto dois agravantes: n) O texto é unilateral: Nisto temos dificuldade porque em nosso sistema de vida só nos exige coerência, neutralidade, universalidade. Só que se esquece que isto não existe. Só se é coerente, neutro e universal a partir de um sistema instituído o mantido com interesses que têm poder. Não sei por que nos é exigido que respondamos a todas as questões quando estamos diante de uma situação com suas particularidades! Por exemplo: estou ao lado de um rio e para chegar em casa preciso atravessar. O rio está sem ponte, e eu de bicicleta. Pergunto! que tipo de ponte devo construir? Construo para bicicletas ou devo pensar que futuramente poderá vir um ônibus que também vai precisar de ponte?! Da mesma forma se diz: Não adianta construir um partido político alternativo porque, quando ele estiver no poder, será como os outros. Como se a experiência da construção simplesmente não tivesse valor! O mesmo fato se dá quando alguém afirma que não adianta querer ajudar um pobre e explicar para ele como fazer, pois o pobre gasta de noite o que ganha de dia e não sabe poupar. Como se o ensaio do amor ao próximo nada fosse! É a mesma coisa: Não adianta construir uma ponte para atravessar com a bicicleta porque mais tarde pode vir um ônibus que não consegue atravessar. Neste sentido o nosso texto é unilateral. Ele prega para o consumo de hoje. Ou será que é um princípio da Bíblia condenar a prática do culto? Pelos vv. 5-10 (cap. 61) podemos perceber que a pirâmide é virada de cabeça para baixo: os que estão por baixo, vão estar por cima. Até parece que a felicidade da nação depende do uso de estrangeiros para o serviço próprio (v. 5). Aqueles que serão os beneficiados da situação nem se preocuparão com profissões produtivas, serão sacerdotes e ministros de Deus (v. 6).

b) Jesus escolheu o texto de Is 61.1ss. quando se apresentou em sua terra nata.1 (Lc 4.16ss.), fazendo dele seu programa de trabalho: Deixemos agora Cristo e a própria Escritura interpretar a Escritura. Olhemos para alguns textos do Evangelho de Lucas (Lc 4.31-37, 38-39, 40-41; 7.18-23; 10.30-35) que falam de atuações de Jesus. Temos então o seguinte quadro: Jesus passando e a miséria desaparecendo. Concluo daí um imperativo para a ação cristã: - O imperativo é a desfiguração do ser humano, causada pela ruptura na sociedade, ruptura que marginaliza e impede o acesso aos direitos mais elementares como comer, caminhar, enxergar, participar da vida social (cura da lepra)... A preocupação em todos os casos não é com a coerência do tipo: não faço o que me parece ser necessário fazer hoje porque pode ser que amanhã não seja mais necessário. Ou: não construo uma ponte para bicicletas porque tenho uma visão tão ampla e geral (enxergo tão longe) das coisas que entendo a eventualidade de poder aparecer um ônibus amanhã ou depois. O imperativo é: o homem tem que chegar em casa com a sua bicicleta. Talvez Lutero diria ao homem da bicicleta: peca forte! É neste quadro que consigo arranjar o texto do profeta e a atuação de Jesus. Caso contrário, terei que espiritualizar (dizer que soltar presos é uma questão espiritual) e isto o profeta não permite (veja a questão do jejum no cap. 58). Entendo como mais próximo do texto partir do princípio de que o que interessa é a dignidade humana destes que estão desfigurados. Os argumentos do tipo não adianta soltar preso porque amanhã ele rouba de novo ou não adianta dar terra para o sem-terra porque amanhã ele vende de novo não devem cegar o princípio que entendemos ser do profeta e de Jesus: miséria apareceu? Amor ao próximo nela!

II - Meditar a partir do texto

Acho que não tem pregador - independente do vozeirão que tenha - que não se renda ao grito da calamidade. O serviço da pregação no geral está muito instituído; vai culto e vem culto, entra semana e sai semana e lá estamos nós firmes seguindo a série de perícopes ou uma tradição diferente. De repente uma calamidade: um temporal destelha a igreja no sábado à tarde! Não há papel que resista: se sair o culto, a prédica do domingo vai falar do temporal nem que tenha sido escrita na sexta-feira.

Penso que a mensagem do profeta da qual temos hoje parte neste texto de Is 61.1ss. foi elaborada pela situação calamitosa de seu povo. Pode parecer idealista demais, mas talvez quando hoje alguém de nós toma a decisão: - Domingo menciono esta questão na prédica nem que desabe a igreja!, este alguém esteja tomando um gole do que o profeta tomou em quantidade.

Nós (na paróquia, na escola, na fábrica) vivemos de uma postura, mas sobrevivemos de um consenso. O balanço da canoa tem que ser mesmo forte para que a calamidade dá contradição social fale mais alto do que o nosso discurso programado. Além de tudo, junto com o desafio de falar, vem ainda o desafio de ser ouvido. Este último desafio o profeta enfrenta também em relação a nós que queremos fazer a nossa pregação a partir de sua mensagem.

Se não há temporal para elaborar ou reelaborar nossa prédica, deixemos falar mais alto aquilo que é atemporal - esteve com o profeta e está conosco: é a ética cristã em relação à miséria, aos corações despedaçados, aos presos e aos amarrados.

Ill - Falar a partir do texto

1) Uma prédica feita por Helmut Tacke em 1962/3 diz o seguinte a certa altura: O profeta é o enviado de Deus com a mensagem de alegria para todos os que estão na miséria. A palavra miséria (Elend) equivale originalmente a estrangeiro (Ausland), terra estranha. Miséria, estrangeiro, é o contrário de pátria, de estar em casa. Nossa pátria é com Deus, na sua casa paterna. Pátria: isto seria uma vida nas proximidades de Deus, no relacionamento com Deus. Nós abandonamos esta pátria, nos assemelhamos ao filho pródigo (Kraus & Tacke, p. 76). E admirável esta ginástica para conseguir dizer que todos nós somos miseráveis. Ele não está mentindo, pois todos somos sacos de vermes. Ele até pode ter feito justiça ao termo Elend (miséria em alemão), mas não o fez em ralação ao termo hebraico anavim, que significa miseráveis no sentido de rebaixados ou oprimidos. Pode ser até muito viável falar numa prédica que todos estamos na mesma situação diante de Deus, mas penso que este texto não sugere isto. Penso que o texto, pelo contrário, aponta a) para as divisões internas da sociedade e b) para a necessidade de nos apaixonarmos pela causa dos quebrantados (tradução de Almeida), Elende (tradução de Lutero) ou rebaixados/oprimidos, como pessoalmente gostaria de traduzir a partir de ANAVIM.

2) Sugiro, pois, que a prédica seja desenvolvida levando om contra dois momentos distintos: num primeiro momento caracterizando contradições/separações/divisões sociais e, num segundo momento, tentando abordar uma ética cristã em relação aos lascados de nossa sociedade. Se ficou claro que o texto enxerga a divisão entre povo e povo e que o texto assume a parte de baixo - os miseráveis - desta divisão, então podemos escrever a prédica partindo, no primeiro momento, da seguinte pergunta: Que tipo de divisão atinge mais nosso coração? É a divisão trazida pela morte que separa as pessoas para sempre? É a deficiência física que simplesmente separa uma pessoa do todo da sociedade? É a divisão trazida pela separação de casais? pelo abandono de filhos? Pela briga de vizinhos? É a divisão que aparece na distancia entre patrão e empregado? Entre empregado e empregado? Entre o gari e a secretária da mesma Prefeitura? Conheci um prefeito que promovia duas confraternizações de fim de ano: uma para os que trabalhavam na secretaria e na administração e outra para os que faziam o trabalho de rua (limpeza e manutenção). Certamente doía demais ver esta divisão reunida numa festa sói Pensemos num edifício do centro da cidade. Ele foi construído pelos empregados da construção civil. Os trabalhadores desta categoria moram normalmente nos casebres na periferia da cidade ou em barracos provisórios ao redor da construção em andamento. Terminada a construção, o trabalhador coloca as portas e as fechaduras, entrega as chaves e assim está separado para sempre de sua obra. Esta separação dota também já no profeta (Is 65.21). Podemos separar estas divisões/separações em três partes: as fatais, as morais e as materiais/económicas. Elas estão relacionadas entre si? Uma depende da outra? A prédica deveria se pronunciar claramente a respeito de causas e efeitos nestas divisões.

Num segundo momento podemos continuar escrevendo a prédica a partir de outra pergunta: Que história contamos ao nosso coração para que ele não dispare diante da situação? Comumente se ouve que o pobre é pobre porque não trabalha, que o preso ê preso porque è ruim, que o morto ê morto porque Deus quer, que o aleijado é aleijado porque pecou (Jo 9.1-2). Em resumo, muitos comentários comuns dizem que todos estão onde merecem estar. Um posicionamento assim legitima as divisões e não é cristão. As contradições sociais faziam Jesus interromper qualquer programa. Quantas vezes na narração bíblica a inclusão de um deficiente físico, por exemplo, fura o protocolo da atividade de Jesus. A recuperação do ser humano desfigurado tem prioridade absoluta na atuação de Jesus (veja as narrações sobre curas nos evangelhos). Por outro lado, a mola que impulsiona o profeta com sua mensagem para os miseráveis ê a própria existência dos miseráveis (Javé o ungiu para isto!). Este é um princípio evangélico: não existe nenhuma motivação, por exemplo, eleitoreira. Na frente de pobres e miseráveis simplesmente não posso e não consigo diferente: atuo em seu favor. Este aspecto deveria ser a base para formar na prédica o 'desafio à comunidade (o compromisso do Ide), pois neste 2a domingo após Natal é tempo de ficar claro que Cristo mesmo nasceu miserável.

3) Como leitura bíblica na prédica para a comunidade sugerimos Is 61.1-3. Estes versículos resumem bem a radicalidade da mensagem do profeta. E a leitura de um texto maior provavelmente não seria uma ajuda ao ouvinte. Talvez seja viável citar frases do profeta durante a prédica. A versão de Almeida tem alguns termos em desuso na linguagem comum. A título de sugestão, apresentamos a seguinte versão (bastante livre) do texto: O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque Deus me ungiu: / Ele me enviou com uma mensagem do felicidade para os miseráveis, para refazer aqueles de corações despedaçado. / Para anunciar que os presos serão libertos e os algemados serão soltos. / Para anunciar o ano da graça de Deus, o dia da vingança do nosso Deus. / Para o consolo dos que estão de luto e para a alegria dos tristes da comunidade./ Dar a eles honra em vez de poeira, perfume de alegria em vez de manto de luto, hino de louvor em vez de aborrecimento. / Para que sejam chamados troncos de justiça, plantação gloriosa de Deus.

IV - Subsídios litúrgicos

1. Textos: Sl 137 e Jo 1.6-14

2. Confissão de pecados: Santo e misericordioso, Pai de Jesus Cristo, Deus nascido entre nós. Tu vieste para os teus, mas os teus não te receberam. Quantas vezes não te percebemos e não te recebemos. Tu queres a vida no mundo e por isso certamente não te agrada que continuam nascendo crianças no limite da vida com a morte. Tu amas a nossa vida, mas certamente não amas nosso mundo como máquina de miséria e miseráveis. Os pobres e miseráveis não são tua vontade, mas são nossa realidade. Por isso humildemente te pedimos: perdoa nossos pecados e faze com que encontremos o lugar do teu amor na atuação da nossa vida. Tem piedade de nós, Senhor!

3. Oração de coleta: Ó Deus, que és palavra santa encarnada na vida de teu povo. Teu Natal mais uma vez pôde ser pregado em todo o mundo. Nós que nos reunimos aqui depois do Natal queremos continuar te ouvindo sem a mensagem comercial e sem os adornos superficiais. Dispõe-nos a participar da tua mensagem por Jesus Cristo, teu filho e nosso Senhor, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina para sempre, amém.

4. Assuntos para a oração final: Agradecer pela época de esperança que Deus quer oferecer no Natal, mesmo que, olhando ao redor, queiramos desesperar. - Interceder petos que sofrem por morte, doença, fome e dificuldades físicas; petos que têm dificuldades com as instituições como casamento, família, escola, município, etc.; pelos que estão afastados da comunidade porque a sua riqueza os preocupa demais, porque são pobres e vêem que isto determina a sua exclusão, porque há desavenças entre irmãs irmãos da comunidade, etc.

V - Bibliografia

- KRAUS, H. & TACKE, H. Zukunft der Geaengsteten. Prediglen uober Texte aus dem dritten Teil des Buches Jeseja gehalten in den Jahren 1962/3 in der Evang.-Reform. Kirche in Hamburg-Altona.
- PIXLEY, J. & BOFF, C. Opção pelos pobres. Petrópolis, 1986.
- RAD, G. von. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo, 1974. v. 2
- WESTERMANN, C. Das Buch Jesaja. Kapittel 40-66. In: Das Alte Testament Deutsch. Göttingen, 1966.


 


Autor(a): Leonídio Gaede
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Natal
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Natal
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 61 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 3
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1987 / Volume: 13
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17893
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Nenhum pecado merece maior castigo do que o que cometemos contra as crianças, quando não as educamos.
Martim Lutero
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