Isaías 9.2-7

Auxílio Homilético

25/12/2013

Prédica: Isaías 9.2-7
Leituras: LUCAS 2.1-14(15-20) e Tito 2.11-14
Autor: Roger Marcel Wanke
Data Litúrgica: Dia de Natal
Data da Pregação: 25/12/2013
Proclamar Libertação - Volume: XXXVIII


1. Introdução

O culto de Natal é um dos momentos mais especiais na vida da igreja e da família. Geralmente, é um culto muito bem frequentado. Muitos visitantes podem aparecer. Os quatro domingos de Advento bem como o culto na véspera de Natal foram gradativamente o tempo de preparo para esse culto, que é o ponto culminante de toda a esperança de salvação da igreja. Crianças e adultos esperam com alegria por esse dia. É um momento de festa na igreja, pois nesse dia é lembrado o nascimento do Messias, de Jesus Cristo, o Emanuel – Deus conosco, o Salvador. Para a pregação desse culto especial é indicada a perícope de Isaías 9.2-7, um texto profético bastante conhecido. Através dele ficamos sabendo do nascimento de um menino que trouxe paz e alegria para dentro de seu contexto.

Conforme o Lecionário Comum Revisado, temos duas leituras bíblicas previstas. O texto do evangelista Lucas 2.1-20 é a narrativa do nascimento de Jesus. O texto de Tito 2.11-14 é a fundamentação teológica da exortação de Paulo ao jovem pastor Tito em relação à mudança que o evangelho da graça salvadora de Deus faz na vida do ser humano. A relação teológica e litúrgica desses três textos aponta, por um lado, para a situação de pecado, opressão e escuridão na qual vivem as pessoas. Isaías anuncia a intervenção de Deus para dentro de um contexto de guerra e ameaça ao povo de Israel. Paulo exorta Tito a anunciar em sua comunidade que quem vive a partir da graça salvadora de Deus em Jesus Cristo aprende a abandonar o pecado e a esperar pela manifestação da glória de Deus. Os textos, por outro lado, destacam o agir de Deus e sua iniciativa em salvar seu povo. Sua salvação manifesta-se na luz que brilha em meio à escuridão por meio do nascimento de Jesus Cristo (Lc 2) e na remissão de toda iniquidade em Jesus Cristo, que se deu por nós (Tt 2). Natal só é possível porque a glória de Deus resplandeceu nas trevas e nas maiores alturas, vencendo todo o poder do pecado e trazendo o seu Shalom aqui na terra aos que estavam em escuridão.

2. Exegese

Imprescindível para a interpretação de textos proféticos é a análise de dois aspectos em torno de seu contexto. O primeiro refere-se ao contexto literário da perícope a ser interpretada. Isaías 9.2-7 possui um lugar bem determinado dentro do livro de Isaías. Ele faz parte da unidade dos capítulos 6-9, chamada de “Livro-Testemunho” de Isaías ou de “Memorial de Isaías” ou ainda de “Livro do Emanuel”, emoldurada por uma série de ais proféticos (cf. Is 5.8-14 e 10.1-4). Nesse contexto literário, dentro do que se chama Proto-Isaías (1-39), a unidade dos capítulos 6.1-9.7 contém textos que desafiam o povo à confiança em Deus. Ela inicia em Isaías 6.1-13 com o relato da vocação profética de Isaías e sua visão do trono celestial de Deus. No capítulo 7, o profeta anuncia o nascimento de um filho chamado Emanuel como sinal de juízo para o rei Acaz, que se recusa a ouvir as palavras proféticas. No capítulo 8, Isaías anuncia o juízo de Deus a seu povo através da invasão dos assírios. Ao mesmo tempo, ele espera no Senhor, que escondeu o seu rosto da casa de Jacó (8.17). Diante desse contexto de escuridão, de guerra e de opressão, Isaías anuncia o nascimento do menino que ocupará o trono de Davi e trará a paz (9.1-7).

O segundo aspecto leva em conta o contexto histórico da perícope. O texto surgiu numa situação bem específica da atuação profética de Isaías. Os capítulos 6-9 têm como pano de fundo a chamada Guerra Siro-Efraimita, que aconteceu entre os anos 734 e 733 a.C. (cf. 2Rs 16.5ss). O contexto histórico é de intensa aflição. O Reino do Sul, e principalmente a dinastia davídica, estava correndo sérios riscos. A coligação siro-efraimita havia planejado depor o rei descendente de Davi do trono e colocar outro em seu lugar, que a ajudasse contra a invasão assíria. A ameaça à Casa de Davi também vinha dos próprios assírios. Por volta de 733 a.C., o rei Tiglate-Piliser conquistara a região das tribos de Zebulom e Naftali (2Rs 15.29). Seu exército aproxima-se também do Reino do Sul. O que estava em jogo era a continuidade da promessa de Deus a Davi (cf. 2Sm 7), que, em última análise, era a continuidade da existência do próprio povo de Deus. Nesse contexto, o profeta Isaías alerta o rei Acaz para não compactuar com os reis de Arã (Síria) e da Samaria (Efraim) e a não temer os dois reis, pois esses seriam destruídos (Is 7.4,16; 8.4). Isaías também pede ao rei Acaz para não pedir auxílio aos assírios, pois esses viriam de qualquer forma contra Judá (Is 8.5ss). Mas, infelizmente, o rei não dá ouvido a Isaías. Ele fortifica a cidade de Jerusalém e pede socorro aos assírios. Isaías acaba sendo rejeitado pelo rei Acaz. Porém o texto de Isaías 9 mostra que o anúncio de Isaías está acontecendo. Os assírios estão invadindo todas as regiões. Naftali e Zebulom já estão destruídas (9.1). Isaías, que após a rejeição de Acaz se une a um grupo de discípulos (Is 8.16), tem agora uma nova palavra. Essa palavra é dita agora a Deus e leva em conta não apenas o testemunho do próprio Isaías, mas também o de seu grupo de discípulos (Is 9.6 = nós).

A perícope como um todo, mesmo estando num livro profético, apresenta estrutura e características poéticas. Sua poesia é belíssima. Contudo a leitura do texto nas versões em língua portuguesa e a análise do aparato crítico deixam claro que o texto também é de difícil reconstrução. No entanto, sua estrutura é clara: a) Anúncio de grande mudança: das trevas para a luz (v. 2); b) O efeito da mudança: a alegria e o júbilo (v. 3); c) As causas da alegria: fim da opressão, fim da guerra, nascimento do rei (v. 4-6); d) As consequências da alegria: a promessa de Deus em relação ao reino davídico (v. 7).

A perícope inicia no v. 2 com uma afirmação intensificada por um paralelismo membrorum de cunho sinonímico. A expressão “povo que andava nas trevas” faz paralelo com a expressão “habitantes da terra da sombra e da morte”. A quem se refere esse povo que habita uma terra desolada, marcada pela sombra da morte? Se for levado em conta o contexto anterior (8.21-23), então lá é dito que as regiões de Zebulom e Naftali, outrora desprezadas, experimentarão a glória. Essas duas regiões ficavam na parte mais ao norte do território de Israel (Reino do Norte). Mais tarde, no período neotestamentário, elas compõem a região chamada de Galileia. Já aqui ela é chamada de Galileia dos gentios pelo fato de haver muitos habitantes não judeus. Porém, se for considerado o v. 7, no qual se encontra referência ao trono de Davi, isso leva a pensar que se trata da região de Judá (Reino do Sul). A partir do contexto histórico e literário, fica evidente o que também tem sido consenso na pesquisa, que aqui se refere ao todo de Israel (Reino do Norte e Reino do Sul). Ambos estavam sob forte ameaça dos assírios. Ambos viviam dias de trevas e escuridão. Ambos aguardavam a intervenção de Deus. Essa intervenção divina acontece. O paralelismo aponta para duas ênfases de como essa intervenção chega. Uma ênfase é ativa: o povo que estava em aflição e em trevas viu grande luz. A outra é passiva: a luz resplandeceu para esse povo. De qualquer forma, o sujeito do texto é o próprio Deus. Deus faz brilhar a sua luz, que é vista e resplandece. No Antigo Testamento, a luz é o próprio Deus. Ela manifesta a presença salvífica de Deus (cf. Êx 13.21-22). O que era uma promessa até Isaías 9.1 torna-se realidade a partir de Isaías 9.2: a salvação de Deus está aí. Todos podem ver a sua luz.

No v. 3, há uma mudança súbita da terceira para a segunda pessoa. Assim, o texto se torna um diálogo do profeta com Deus, ou seja, uma oração. O profeta parece compartilhar com Deus os efeitos que o resplendor da luz em meio às trevas trouxe ao povo. O profeta aponta para duas ações concretas de Deus. Em primeiro lugar, Deus aumentou a nação. Não fica claro a que se refere essa afirmação. Ela poderia significar uma expansão geográfica, mas também um aumento demográfico. Em segundo lugar, Deus aumentou a alegria. Essa alegria é vivida na presença de Deus (diante de ti). Para falar dessa alegria, o profeta faz duas comparações. Na primeira, ele usa linguagem agrícola. Assim como as pessoas se alegram com a colheita, da mesma forma o povo que andava nas trevas se alegra com a luz trazida pelo Senhor. A segunda comparação vem da linguagem militar. Assim como em uma guerra os vitoriosos podem alegrar-se ao dividir os despojos, da mesma forma o povo exulta de alegria pela intervenção de Deus em sua história. A alegria nesse texto já é evangelho.

Nos v. 4-6, encontram-se três causas da alegria dada pelo Senhor ao povo, marcadas pela conjunção hebraica kî. Todas essas causas estão interligadas e apresentam um movimento crescente, tendo como clímax o nascimento do menino no v. 6. Brevemente se quer aprofundar essas três causas da alegria trazida pelo Senhor ao povo:

a) Pois Deus libertou seu povo de sua opressão (v. 4): Deus continua sendo o sujeito da frase. É ele quem liberta o seu povo. O que causava aflição ao povo foi removido. Isaías fala de três instrumentos de opressão: o jugo, a trave e a vara. Isaías apela à memória do povo. Deus libertou-o como nos dias de Gideão, que venceu os midianitas através da intervenção divina e não com o uso de armamento (cf. Jz 7-8). Mesmo sem fazer menção, pode-se implicitamente pensar aqui também na libertação do Egito. O ponto é que a libertação acontece como obra de Deus. O domínio assírio não é mais uma ameaça.

b) Pois a guerra acabou (v. 5): a segunda causa da alegria é que, com o fim da opressão assíria, a situação de guerra chega ao fim. É a destruição da própria guerra.

c) Pois um menino nos nasceu (v. 6). A terceira causa da alegria trata do nascimento de um menino, sobre cujos ombros está o governo. Todo o agir de Deus, o resplendor de sua luz e a alegria que resulta de sua intervenção têm como foco principal o nascimento do menino.

É interessante mencionar aqui que Isaías não fala mais por si. A terceira causa de alegria é testemunhada por um “nós”. No contexto literário de Isaías 6-9 encontram-se repetidamente referências a nascimentos de crianças (cf. Is 7.1, 14; 8.3,18). Quem é esse menino? Na exegese, há uma grande discussão se o anúncio de Isaías se refere de fato ao nascimento de uma criança ou ao ato de entronização de um rei, no qual uma pessoa já adulta era entronizada e dessa forma adotada (ato de adoção) como filho de Deus (cf. Sl 2.7 e 2Sm 7.14). Tudo leva a compreender a segunda possibilidade. Somente mais tarde, após o exílio babilônio, quando não havia mais rei da dinastia davídica no trono, essa passagem foi reinterpretada à luz de Isaías 7.14 e Miqueias 5.2-3 e relacionada ao nascimento do Messias.

Nesse contexto, cabe mencionar que há fortes paralelos no texto com as cerimônias egípcias de entronização de reis, principalmente no que se refere aos nomes e aos títulos que o rei recebia ao ser entronizado. No Egito, os reis recebiam cinco nomes no dia de sua entronização, que os caracterizavam por sua grandeza e seu domínio. Possivelmente, os quatro nomes dados ao menino se refiram a cargos da corte real, que se complementam com atributos divinos. Ao ser chamado de Maravilhoso Conselheiro, evoca-se a sabedoria do rei. Diferente de Acaz, que foi fraco, o menino que nasceu é chamado de Deus Forte, um homem que reina a partir da força e do poder de Deus. Ele será chamado Pai da Eternidade.

No Antigo Oriente, todos os reis eram considerados os “pais” de seu povo. Isso significa que seu governo não seria como de um déspota, mas sim em amor e cuidado por seu povo. Por fim, o seu nome será Príncipe da Paz. Essa paz é sinônimo de salvação, de integridade e de justiça em sentido amplo (Is 11). Esse nome reflete a identidade e o agir de Deus. O nascimento desse menino deixa claro que Acaz é rejeitado, mas a casa real de Judá terá no trono aquele que reinará em nome de Deus.

No v. 7, Isaías anuncia a consequência dessa boa-nova de grande alegria: o reinado messiânico de paz. Poder-se-ia falar no v. 7 de um programa de governo desse Menino-Rei. As bases de seu governo não são mais a guerra e a força militar. Esses terminaram (v. 5). Agora serão a paz, a justiça e o direito, o que consolida e estabelece o reino do trono de Davi. A nova existência dos que vivem em trevas e agora viram a luz é a vida sob o domínio do Messias. Essa promessa será apenas realizada por causa do zelo e do amor de Deus – o Senhor dos Exércitos.

3. Meditação

Isaías 9.2-7 é um dos textos proféticos mais pregados no contexto eclesiástico. Contudo o que mais se percebe é que, na maioria das vezes, se esquece de algo fundamental para a interpretação de textos proféticos: palavras proféticas foram sempre ditas para dentro de uma situação específica. A promessa dessa perícope é dita por Isaías, como vimos, numa situação concreta do povo de Deus. Não podemos desconsiderar esse pano de fundo histórico ao querer atualizar o texto para os nossos dias. Ao leitor fica a recomendação de abordar o contexto histórico do profeta em sua prédica, ou seja, o pregador tem diante de si um texto que narra um fato do ano 732 a.C.: a Guerra Siro-Efraimita e todos os seus desdobramentos políticos e sociais tanto para o Reino do Norte como para o Reino do Sul. Com grande probabilidade, Isaías referia-se ao Emanuel e ao menino anunciado em Isaías 9 como sendo o rei Ezequias, filho de Acaz, que assume o trono da Casa de Davi. Algumas evidências podem ser vistas no texto de 2 Reis 18.1-20.21.

Contudo, também é fato que o Novo Testamento interpretou essa perícope relacionando-a com Jesus de Nazaré, nascido em Belém de Judá (cf. Mt 4.14ss; Lc 1.32). Além disso, os paralelos que Isaías 9.2-7 traz para o evento de Jesus Cristo foram desde muito cedo relacionados pela comunidade cristã liturgicamente à festa de Natal. O nascimento de Jesus trouxe uma grande mudança e é, por isso, motivo de grande alegria. Jesus Cristo é a luz do mundo, que resplandece para dentro de todas as trevas deste mundo. Jesus Cristo é o que liberta o ser humano de todos os poderes que escravizam e ameaçam a vida. Jesus Cristo é o menino que nasceu na manjedoura e, ao mesmo tempo, é o Rei dos reis. Em Jesus Cristo, os nomes Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz adquirem pleno sentido e cumprimento.

A leitura e a releitura de Isaías 9.2-7 deixam claro que a situação do ser humano é de total escuridão, não importando a época nem o contexto histórico, político ou social. O mundo precisa de salvação. É por causa disso que a mensagem do Natal se atualiza sempre de novo. Ameaças, opressões, sejam elas políticas, sociais ou espirituais, roubam a alegria do povo de Deus. Esse só pode viver em esperança a partir do anúncio da palavra de Deus. Assim como a luz da salvação e da intervenção de Deus brilhou por volta do ano 732 a.C., nos dias de Isaías e Acaz, e assim como a luz resplandeceu nos céus e na escuridão do mundo nos dias em que Jesus Cristo nasceu em Belém, da mesma forma a luz da salvação de Deus continua brilhando em nossos dias e resplandecendo em nossos corações. Hoje é dia de salvação! Hoje é dia de alegria! Mas hoje também é dia de esperança, pois estamos como igreja aguardando não mais a vinda do Menino-Messias, mas a volta do Rei dos reis e do Senhor dos senhores, que vem em grande glória para dissipar toda a escuridão e reinar para sempre.

Sugestão homilética – Assim como pôde ser visto, a ênfase dos textos está no agir de Deus em trazer luz aos que habitam nas trevas. Essa luz trouxe alegria. A alegria do Natal não está fundamentada no comércio e nas luzes artificiais que enfeitam todas as cidades e casas, mas é uma alegria diante do Senhor. A alegria do Natal é alegria da salvação. Para a pregação sugere-se, a partir do texto de Isaías 9.2-7 e sua relação, principalmente com Lucas 2.1-20, o seguinte esboço homilético:

Tema da pregação: Natal – Alegria que vem de Deus!

1 – Não temais! A Luz resplandeceu em nossa escuridão!
A situação do profeta Isaías
A situação por ocasião do nascimento de Jesus Cristo
A situação atual

2 – Eis que vos trago boa-nova de grande alegria: Podemos nos alegrar diante de Deus.
2.1 Pois Deus nos libertou de tudo o que nos oprime
2.2 Pois Deus pôs um fim em toda guerra
2.3 Pois Deus deu para nós um Filho

3 – Hoje nos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor! O zelo do Senhor dos Exércitos fez isso.
3.1 Alegrai-vos! Jesus é maravilhoso conselheiro: seu juízo é verdadeiro
3.2 Alegrai-vos! Jesus é Deus Forte: o governo está sobre os seus ombros
3.3 Alegrai-vos! Jesus é Pai da Eternidade: sua justiça não tem fi m
3.4 Alegrai-vos! Jesus é o Príncipe da Paz: sua paz é eterna

4. Imagens para a prédica

O texto de Isaías 9.2-7 fala que um menino nos foi nascido, um filho nos foi dado. No Novo Testamento, somos presenteados por Deus, que manifestou de forma salvadora a sua graça, dando-nos seu único Filho. Natal lembra todos do grande presente de Deus. A imagem do presente permeia o período do Natal. Para a introdução da pregação, sugere-se, portanto, abordar o seguinte: Todos nós recebemos presentes. Agora, principalmente na época do Natal, presenteamos e somos presenteados. Quando ganhamos um presente, podemos ter pelo menos três atitudes diferentes: Em primeiro lugar, existem pessoas que, infelizmente, rejeitam o presente que recebem. Geralmente, elas dizem que não gostaram ou que não precisam. Em segundo lugar, encontramos pessoas que fingem que gostam do presente, mas depois dão um jeito de livrar-se dele, jogando-o fora ou ainda dando-o adiante. E, por último, encontramos pessoas que se alegram com cada presente que recebem, por menor que seja. Deus também nos deu um presente: é Jesus (Jo 3.16). Qual tem sido a nossa atitude para com o presente que Deus nos deu? Há quem rejeita Jesus (Jo 1.11). Em Belém, não havia lugar para Jesus nascer (Lc 2.7). Há também aqueles que fingem que recebem Jesus e acabam abandonando-o, esquecendo Jesus. Muitos se lembram dele somente quando os problemas surgem. Outros, no entanto, recebem-no com alegria (João 1.12). Deus investiu pesado na vida do ser humano, dando-lhe o presente mais valioso, para que pudesse viver em alegria, paz, justiça e salvação.

5. Subsídios litúrgicos

O culto de Natal é festivo e deve expressar a certeza e a alegria da salvação, pois Jesus Cristo, o Messias esperado, já veio. Ele já é uma realidade entre nós. Essa certeza e alegria são manifestas no culto de Natal, principalmente através da música. Os hinos natalinos são considerados os mais bonitos do ano eclesiástico. Em muitas comunidades, há uma variedade de apresentações musicais, tais como concertos natalinos, cantatas de Natal, apresentações de corais e outros grupos. Esse potencial musical que há nas comunidades deve ser contemplado aqui.

O destino da oferta do culto de Natal deve ser definido pelo Conselho Paroquial. De preferência, que o destino seja alguma obra diaconal ou missionária fora do contexto da paróquia. Isso pode ser um sinal visível da justiça e paz trazidas pelo Messias a nós.

Liturgia de Entrada: Para o início do culto, pode ser cantado o hino 17 do HPD I (Ó vinde, fiéis), convidando todos a louvar e adorar o menino nascido em Belém.

Liturgia da Palavra: Durante a leitura bíblica do Evangelho de Lucas 2.1-20 podem ser intercalados hinos, cuja letra se encaixa com o texto bíblico: Lucas 2.1-7: Hino 26 HPD I (Ao pé da manjedoura estou); Lucas 2.8-14: Hino 20 HPD I (Surgem anjos proclamando) e Lucas 2.15-20: Hino 21 HPD I (Pastores corramos). Cada parte do texto bíblico pode ser lida por um membro diferente da comunidade. Procure envolver na leitura uma criança, uma pessoa idosa e, se houver em sua comunidade, uma pessoa com necessidades especiais. A segunda leitura bíblica, Tito 2.11-14, pode ser feita por um presbítero ou por uma senhora da OASE. Após a pregação, sugere-se cantar o hino 235 HPD I (Seu nome é maravilhoso). Embora esse hino não seja natalino, sua letra é composta a partir do texto de Isaías 9.6.

Liturgia da Ceia: Geralmente, em muitas comunidades, o culto de Natal tem a celebração da Ceia do Senhor. Dessa forma, a comunidade cristã lembra e testemunha sua fé no fato de que o menino que nasceu para salvar seu povo dos pecados dele (cf. Mt 1.21) salvou-o morrendo na cruz e ressuscitando para uma viva esperança. Nossa hinologia, infelizmente, não contempla a associação teológica entre Natal e Ceia do Senhor. Contudo os hinos 14 e 15 do HPD I são sugestivos. Eles contemplam o texto da pregação e também a dimensão da salvação
dos pecados.

Liturgia de Despedida: No final do culto, sugere-se cantar o hino 29 HPD I (Quero ir com os pastores). Dessa forma, destaca-se o envio da comunidade ao mundo. A proclamação do evangelho e a missão da igreja podem ser fundamentadas no ir e proclamar dos pastores de Belém.

Bibliografia

EICHRODT, Walther. Der Heilige in Israel. Jesaja 1-12 [Die Botschaft des Alten Testaments: Erläuterungen alttestamentlicher Schriften, Band 17,1]. Stuttgart:Calwer Verlag, 1960.
MUELLER, Ênio Ronald. Isaías 1 a 12 [Série Em Diálogo com a Bíblia – v.19.1]. Curitiba: Encontrão Editora; Belo Horizonte: Missão Editora, 1992.
SCHWANTES, Milton. Da Vocação à Provocação: Estudos e interpretações em Isaías 6-9 no contexto literário de Isaías 1-12. 2.ed. alt. e ampl. São Leopoldo:Oikos, 2008.
SCHWANTES, Milton. Natal – Isaías 9.2-7. In: Proclamar Libertação. V. 5. São Leopoldo: Sinodal, 1985. p. 294-303.


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Autor(a): Roger Marcel Wanke
Âmbito: IECLB
Área: Celebração / Nível: Celebração - Ano Eclesiástico / Subnível: Celebração - Ano Eclesiástico - Ciclo do Natal
Natureza do Domingo: Natal
Perfil do Domingo: Dia de Natal
Testamento: Antigo / Livro: Isaías / Capitulo: 9 / Versículo Inicial: 2 / Versículo Final: 7
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2013 / Volume: 38
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 28931
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