Jacques Berthier (1923 - 1994)

Obra e Biografia

29/06/2012

 

Jacques Berthier (1923 - 1994) - HPD nº 346, 349, 453, 454
 

Jacques Berthier (nas.: 27 de junho de 1923; fal.: 27 de junho de 1994) era católico, compositor francês de música litúrgica, conhecido por escrever muitas músicas usadas na Comunidade de Taizé.

Jacques Berthier nasceu em Auxerre, Borgonha, num lar de pais músicos. O pai Paul era o Kapellmeister (maestro da orquestra) e organista na Catedral de Auxerre durante 50 anos. Com seus pais Jacques deu os primeiros passos na música, aprendendo a tocar piano, órgão e harmônio, além de composição. Cedo ele começou a compor melodias e pequenas peças musicais.

Depois da grande guerra Berthier estudou música na Escola César Franck em Paris. Aprendeu mais sobre composição e estudou órgão, fugas e contraponto. Ali fez amizade com outros músicos, entre eles José Gelineau. Este, em 1955, pediu a Berthier a compor “Antífonas” para salmos da Comunidade de Taizé1, que então era uma comunidade monástica de somente vinte irmãos. Seis anos depois (em 1981) ele se tornou o organista na Igreja dos Jesuítas em Paris, Santo Inácio, onde ele trabalhou até a sua morte. Ele continuou compondo e aceitou pedidos de composições para várias paróquias

Em 1975, Berthier foi incentivado novamente a trabalhar para Taizé, desta vez para compor cantos a serem cantados pelo número crescente de pessoas jovens que vieram adorar ali. Durante quase vinte anos, Berthier construiu um gênero de música sacra, chamado de “Música de Taizé”, que foi utilizada ao redor de todo o mundo.

Ao mesmo tempo que ele estava escrevendo este vasto trabalho, Jacques Berthier continuou compondo para paróquias católicas tradicionais como também para outras grandes reuniões de pessoas. Ele compôs missas completas para comunidades monásticas, coleções de peças instrumentais litúrgicos para flauta, oboé, e órgão, como também trabalhos sacros maiores para concerto. O estilo dele (diferente da música de Taizé) foi totalmente personalizado, usando quase sempre os modos gregorianos.

Ele morreu na sua casa em Paris em 1994, e pediu que nenhuma das suas próprias músicas seja usada no seu enterro.

http://www.statemaster.com/encyclopedia/Jacques-Berthier

Em nosso hinário „Hinos do Povo de Deus“ temos quatro cantos litúrgicos de Jacques Berthier:

HPD nº 346 – o cânone a 4 vozes, muito usado em nossos cultos „Glória, glória, glória a Deus
HPD nº 349 – um canto de louvor: „Louvemos todos juntos o nome do Senho
HPD nº 453 – a melodia de „Nada te turbe, nada te espante“ letra de Sta. Teresa de Jesus.
HPD nº 454 – o cântico de confiança „O Senhor é a minha força, o meu canto é o Senhor...“

 

Jacques Berthier e a Música de Taizé

No início da existência da Comunidade de Taizé cantavam-se corais a quatro vozes e hinos da Rússia. Quando José Gelineau havia publicado em 1954 a coleção de salmodias „Vingt-quatre psaumes et un cantique“ os irmãos de Taizé contavam entre os primeiros que nas suas celebrações usaram esses arranjos de Salmos a quatro vozes, cujo ritmo era semelhante aos originais hebráicos. Quando em 1955 Gelineau trabalhou no segundo volume, Cinquante-trois psaumes et quatre cantiques, pediu a colaboração de alguns compositores amigos, entre eles: José Samson e Jacques Berthier.
Logo após a publicação desta coleção os irmãos de Taizé se dirigiram a Jacques Berthier com o pedido que ele viesse trabalhar com a Comunidade de Taizé. Berthier, sendo católico romano, pediu primeiro a licença do seu Bispo. Pois, naquela época ainda não se podia imaginar que um católico fizesse composições para liturgias protestantes. O Bispo respondeu: „Não hesite, isto é muito bom!“ E Jacques Berthier compôs um Ofício para a noite de Natal e melodias próprias para o cíclo natalino.
De repente os irmãos de Taizé se tornaram conhecidos, quando em 1955 (e em 1958 pela segunda vez) receberam o „Grand Prix de L'Academie Charles Cros“ pela gravação de um disco LP com sua Liturgia cantada do culto divino. „No canto em comum dos Salmos, compostos por Gelineau, Samson, Berthier e outros, mostra-se inimitávelmente a força contagiante da comunhão, pois aqui irmãos e visitantes dos seus cultos formam uma só unidade“ foi dado como motivo para a entregas deste prêmio.
Em 1968 o Frade Roger escreveu: „A oração em línguas modernas possue certa importância ecumênica; mas o arranjo musical de orações, por enquanto, ainda é um insucesso. No lado protestante alguns músicos do século 16 conseguiram transformar orações em corais e salmos. Porém isso já faz muito tempo. Hoje em dia os gênios criadores de hinos ainda não apareceram. Por enquanto estamos condenados a esfalfar-nos com melodias que se gastam muito rápidos. Enquanto isso procuramos por uma renovação que, com poucas exepções, ainda demora por vir.“
Nos primeiros anos da década de 1970 mais e mais jovens vieram a Taizé. Inicialmente cantavam os hinos das suas respectivas áreas linguísticas e canções dos grupos que vieram. Um dos primeiros irmãos, o Frade Robert (infelizmente falecido já em 1993), de profissão médico, já então era o responsável pela música em Taizé. Ele se confrontou com um imenso problema: Como pessoas com a mais variadas línguas maternas conseguem cantar juntos?

No início Frade Robert tentou fazer uso de traduções. Certo dia deixou cantar o cânone em latim „Jubilate Deo“ de M. Praetorius. Isso funcionou maravilhosamente bem. Logo ele telefonou para Jacques Berthier e pediu que fizesse arranjos sobre „Magnificat“, „Cantate Domino“ e outros. A partir de 1975 Fr. Robert e Jacques Berthier desenvolveram em cooperação intensiva o gênero de „Cânticos de Taizé“. A fim de possibilitar maior variedade, inventaram a forma do „Ostinato“ (latino) que serve como fundamento para se cantarem „Soli“ em diferentes línguas. Com Jesus remember me Berthier começou em 1979 a incluir também outras línguas. Desde então se criaram inúmeros cânticos que, com certeza, podem ser considerados de a mais difundida música cristã moderna.

Fonte: http://www.st.stephan.at/beheimatet/taize/kompon.htm 

Nota:

1 Uma comunidade ecumênica, fundada em 1940
 


Autor(a): Leonhard Creutzberg
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Música
Perfil do Texto: Autor Letra
ID: 18051
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