João 1.43-51

Auxílio homilético

19/01/1997

Prédica: João 1.43-51
Leituras: 1 Samuel 3.1-10, 19
Autor: Mayke M. Kegel Dutra
Data Litúrgica: 2º Domingo após Epifania
Data da Pregação: 19/01/1997
Proclamar Libertação - Volume: XXII
Tema: Epifania

1. Considerações sobre o Texto Bíblico

1.1. Segue-me!

Jesus estava a caminho. Movia-se da Judéia para a Galiléia, um território amplamente pagão. Galiléia significa literalmente círculo dos gentios ou distrito de estrangeiros. E é neste lugar que ele se encontra com Filipe e lhe diz: Segue-me! Não é oferecida a Filipe uma ideia para refletir, uma palavra de ânimo para experimentar ou uma tarefa para executar, mas uma pessoa a quem obedecer. Filipe foi usado como instrumento para trazer Natanael à presença de Cristo. Em lugar da lei das Escrituras Sagradas ou do ritual do Templo santo, Jesus ousou identificar-se como caminho para Deus. Nada é estático. Seguir implica uma caminhada livre e dinâmica. Ò cristianismo não é um lugar para permanecer, mas uma estrada para se caminhar num belo companheirismo com o Líder da vida (cf. At 3.15; Hb 12.2).

1.2. Deixa-te Enviar!

A relação com Jesus não tira uma pessoa do mundo, mas a envia com a responsabilidade de testemunhar às outras pessoas. É nesse espírito que Filipe encontra-se com Natanael, um judeu das proximidades de Cana da Galiléia (Jo 21.1), conhecido apenas no quarto Evangelho e que compartilha, com ele, da fé de um grupo de discípulos em formação. Natanael se mostra conhecedor das Sagradas Escrituras no momento em que retruca a Filipe: De Nazaré pode sair alguma coisa boa?, pois sabia que nenhum filho de José de Nazaré fora antecipado nas promessas das Escrituras (Jo 7.41,52). Natanael se choca com a contradição de que Jesus, identificável como nazareno e filho de José, seja, ao mesmo tempo, o Filho de Deus, o rei de Israel. Conforme Jo 7.12, o que é bom só pode vir de Deus, só pode ser divino. A indicação da procedência terrena escandaliza porque parece não fazer jus à procedência divina do Messias esperado.

1.3. Vem e Vê!

Filipe vai para o confronto direto: Vem e vê! Confrontar-se com o Cristo é o melhor remédio contra opiniões pré-concebidas (Bengel). Parece que é somente através da própria experiência, mediante a operação da mesma que podemos obter a certeza sobre as nossas crenças. Jesus vê a Natanael antes mesmo de este o ter sob sua visão. Antes de qualquer palavra de Natanael, Jesus o cumprimenta: Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo! (V. 47.) Conhecemos como também somos conhecidos (l Co 13.12). Isto tocou Natanael profundamente em sua identidade. Com admiração pergunta: Donde me conheces? (V. 48.) Jesus aponta para algo que não está escrito. Aponta para o acolhimento e para o sossego como é o estar sob a figueira.

1.4. Tu o És!

A comunhão entre Natanael e Jesus está criada. Na expressão Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel se mostra a grandiosidade do ocorrido e do entendimento de Natanael. Jesus é elevado do contexto terreno para um completamente novo. Não é mais visto como aquele procedente de Nazaré, mas como a pessoa de quem escreveram Moisés, na lei, e os profetas. Não é mais visto como o filho de José, uma referência possivelmente ridicularizadora (6.42; 8.19,41), mas como o Filho de Deus, um título relacionado, no Velho Testamento, com o Rei de Israel (SI 2.7). Aqui acontece a transformação das/os filhas/os pródigas/os em filhas/os da luz. A revelação e a libertação se dão as mãos. A confissão se concretiza num grito de libertação. A Sagrada Escritura se cumpre.

1.5. Coisas Maiores do que Estas ainda Verás!

Na segurança de que seus discípulos estavam com ele, Jesus agora podia conduzi-los para além dos ensinamentos judaicos, sobre os quais sua fé primeiro se baseara. Jesus não veio apenas para cumprir as profecias do Antigo Testamento, mas, em oposição à interpretação judaica de sua missão compreendida cm termos de um messianismo político, que substituíra o conceito mais espiritual de Filho do homem, ele se apresenta como o canal pessoal do encontro entre Deus e o ser humano. Jesus se apresenta como o elo aberto entre céus e terra, i. é, constante comunhão com Deus.

2. Considerações sobre a Pregação

O texto nos alerta para não deixar de lado nossas confissões de fé, nossa cristologia, pois elas foram frutos da vivência de fé. Somos colocados/as frente a frente com o Jesus concreto e libertador. Ele nos dá o caminho e a liberdade de segui-lo ou não. Confrontamo-nos com Jesus Cristo, que quer que nossa vida receba uma nova direção. Ele não diz: Vem e vamos ver aonde vai dar, mas diz: Vem e segue-me, pois eu sou o caminho para Deus. Seguir a Jesus não é uma atitude genérica, mas a realização histórica dessa atitude. Segui-lo não é imitá-lo, mas no nosso contexto histórico implantar seus ensinamentos e concretizá-los de forma que contribuam para a construção do reino de Deus. Neste seguir conhecemos a Jesus que nos indaga e nos conhece. Defrontamo-nos com a verdade. Não há espaço para nossas desculpas nem nossos subterfúgios. Assim como Natanael, somos também nós chamadas/os ao discipulado.

Sugiro iniciar a pregação cantando, lendo ou apresentando em forma de jogral o seguinte hino:

Vem, e eu mostrarei / que o meu caminho te leva ao Pai,
guiarei os passos teus / e junto a ti hei de seguir.
Sim, eu irei e saberei / como chegar ao fim.
De onde vim, aonde vou: / por onde irás, irei também.

Vem, eu te direi / o que ainda estás a procurar.
A verdade é como o sol / e invadirá teu coração.
Sim, eu irei e aprenderei / minha razão de ser.
Eu creio em ti que crês em mim, / e à tua luz verei a luz.

Vem, eu te farei / da minha vida participar.
Viverás em mim aqui: / viver em mim é o bem maior.
Sim, eu irei e viverei / a vida inteira assim.
Eternidade é, na verdade, / o amor vivendo em nós.

Vem, que a terra espera / quem possa e queira realizar,
com amor, a construção / de um mundo novo, muito melhor!
Sim, eu irei e levarei / teu nome aos meus irmãos.
Iremos nós e o teu amor / vai construir enfim a Paz!

Convidar pessoas da comunidade que participam de grupos de formação para o discipulado, assim como aqueles que já passaram por esses grupos, para darem testemunho do seu chamado, de que forma ele está se concretizando nos ministérios da comunidade. Em nossas comunidades existem as diversas pastorais: Saúde, Pessoas Portadoras de Deficiência, Liturgia, Terceira Idade, Visitação e outras. É início de ano, momento oportuno para um chamado ao engajamento. Levantar o questionamento de que não se pode viver apenas um pedaço da fé. Ela tem que estar completa e dela fazem parte o Segue-me, Deixa-te enviar, Vem e vê e Tu o és!, pois confrontar-se com Cristo é engajamento incondicional.

3. Bibliografia

HULL, William E. Comentário sobre o Texto de João. In: Comentário Bíblico Broadmann. Rio de Janeiro, JUERP, 1983. vol. 9, p. 268-270.
KNEBELKAMP, Ari. Auxílio Homilético sobre João 1.43-51. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo, Sinodal, 1990. vol. XVI, p. 92-98.
SCHMIDT, Ervino. Auxílio Homilético sobre João 1.43-51. In: Proclamar Libertação. São Leopol¬do, Sinodal, 1986. vol. XII, p. 129-133.
SOBRINO, Jon. Fé de Jesus e Moral Fundamental. In: —. Cristologia a partir da América Latina. Petrópolis, Vozes, 1983. p. 127ss.


Proclamar Libertação 22
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia


 


Autor(a): Mayke M. Kegel Dutra
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Epifania
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Epifania
Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 43 / Versículo Final: 51
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1996 / Volume: 22
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 12118
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