João 14.8-17 (25-27)

Auxílio homilético

27/05/2007

Prédica: João 14.8-17 (25-27)
Autor: Vera Regina Waskow
Data Litúrgica: Pentecostes
Data da Pregação: 27/05/2007
Proclamar Libertação - Auxílio avulso
Tema: Pentecostes

 

Introdução

É a primeira vez que este texto recebe essa delimitação. Ele já foi anteriormente trabalhado no PL, mas sempre dos vv. 1-6 (XII), vv. 1-12 (II, XXI, XXVII), vv.15-19 (XV), vv.23-27 (IV, X) e vv.23-29 (VII, XXIX). Os vv. 8-17 estão sendo usados pela primeira vez para o Domingo de Pentecostes. Para esse dia (Pentecostes) tradicionalmente usamos o texto de Atos 2.1-21 para a mensagem, mas somos desafiados a falar do evento de pentecostes desde sua promessa, pois a promessa para os discípulos já é certeza para Jesus. Ouvir e saber dessa promessa diante de momentos de medo e aflição é extremamente consolador; é a certeza de que nunca estaremos sozinhos. Esse é o pano de fundo do Evangelho de João: que as comunidades venham a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e para que, crendo, tenham vida em seu nome (Jo 20. 31).

Contexto

Ao ler o texto é impossível não olhar o contexto. O capítulo 14 de João faz parte do grupo das assim chamadas Palavras de despedida que inicia no cap. 13 e vai até o cap. 17. No cap. 13 temos o lava-pés (vv.1-20), o anúncio da traição de Judas (vv. 21-30) e a despedida – novo mandamento (vv.31-38). No cap. 14 Jesus conforta seus discípulos: ele parte para o Pai, mas voltará para eles mediante o Espírito Santo. No cap. 15 temos a videira verdadeira (vv.1-17), os discípulos e o mundo (cap.15.18-16,4a); o cap. 16 trata do anúncio de um breve retorno. No cap. 17 está a oração sacerdotal de Jesus, onde ele faz o pedido de glorificação (vv.1-9), intercede pelos discípulos (vv.9-19) e também por aqueles que haveriam de crer mediante a pregação deles (vv.20-23) e encerra com a oração pela unidade (vv.24-26). Nosso texto encontra-se dentro desse grande bloco. Por isso, a partir desse contexto faz-se necessário observar o aspecto da despedida, pois ele é tema de fundo do capítulo em estudo.

Para que o contexto fique mais claro, cabe-nos fazer uma delimitação do texto. Vale dizer que precisamos também considerar os versículos anteriores e posteriores para compreensão do texto em estudo.

Exegese

Para compreendermos o texto a partir do v.8 é necessário entender o que aconteceu anteriormente. Jesus se despede de seus discípulos. Não são palavras duras, mas palavras de conforto que orientam: “Não se turbe o vosso coração” (v.1). Jesus sabe o que se passa no coração deles e sabe da angústia e temor que eles sentem. Portanto, além de anunciar sua ida, ele ainda anuncia que preparará um lugar para cada um deles (v.3). Jesus mesmo nos receberá. É ele quem vai cuidar de tudo. Ele é o caminho. Assim, crendo nele, sua palavra torna-se para nós ponte para a eternidade (v.6).

vv.8-9 – caminho que leva a Deus – (conhecer, saber, ver, mostrar)

Nos versículos 6 e 7 Jesus havia falado que quem o conhece, conhece também ao Pai. Conhece também aquele que o enviou. Filipe parece ansioso e quer logo que Jesus mostre o Pai. Jesus critica a cegueira de Filipe. Não entende como ele ainda não tenha percebido a verdade, mesmo tendo estado já há tanto tempo junto dele.

10-12 – o conhecimento do caminho que leva a Deus pressupõe fé – (crer)

Jesus questiona Filipe: “Não crês tu que estou com o Pai, e que o Pai está em mim?” Então responde, anunciando que quem conhece a Ele, conhece ao Pai. Quem vê Jesus, vê Deus. Jesus e o Pai são um. A ação do Pai realiza-se na palavra de Jesus. Jesus é o caminho, o acesso e a meta ao mesmo tempo. Para que seja possível compreender isso Jesus anuncia que é necessário ter fé: “creiam no que lhes digo...” E ainda admite que, não sendo possível crer pelo que ele diz, que creiam então pelo que ele faz.

vv.13-14 – fidelidade e compromisso

Acreditar nesse caminho que se apresenta traz uma mudança de vida, traz uma mudança no jeito de andar. Faz com que nos tornemos parte desse caminho e faz-nos enxergar para além das curvas. Assim é o caminhar com Jesus, com a verdade e a vida: é ter certeza de que não estamos sozinhos e de que temos alguém por nós.

vv.15-17 – envio do Espírito Santo

Diante do amor dos discípulos, diante da fidelidade aos ensinamentos feitos, Jesus não poderia deixar os discípulos sozinhos. Jesus promete enviar-lhes o Auxiliador, o Espírito da verdade para que fique com eles.

vv.25-26 – “ensinará a vocês todas as coisas e fará que lembrem de tudo o que eu disse a vocês.”

O Espírito Santo nos capacita para compreendermos todas as coisas e nos dá condições de lembrarmos de tudo o que já ouvimos sobre Jesus. O Espírito Santo é quem conta e reconta a história da salvação, convidando-nos a fazer parte dela não somente como meros expectadores, mas de fato como personagens atuantes e presentes.

v.27 – Jesus concede a sua paz

Diante da aflição e do medo, e da promessa do auxiliador, do consolador, Jesus deixa a sua paz. Não a paz do mundo, mas a sua paz. A paz de Deus que Cristo nos dá perdura, é consistente, mesmo lá onde somos ameaçados de destruição. É, portanto, uma paz confiada como tarefa. É uma paz ativa, uma paz interior, uma paz que se obtém na prática do amor e que, quando alcançada, sempre de novo se traduz em amor eficaz e engajado. Paz que promove paz.

Demais Leituras Bíblicas:

Atos 2.1-21 – Este texto narra tudo o que aconteceu em Pentecostes. Aqui a promessa feita por Jesus torna-se concreta e os discípulos experimentam o poder dessa nova realidade.

Romanos 8.14-17 – O Apóstolo Paulo retrata aqui como a vida fica transformada pelo poder do Espírito Santo. O Espírito de Deus nos liberta da escravidão e do medo, tornando-nos “filhos e filhas de Deus”. Ao nos tornarmos seus filhos e suas filhas com alegria, Deus nos concederá as bênçãos que ele tem guardado para nós (v.17).

Pistas para a mensagem

A mensagem de Pentecostes fica bem clara com a união das três leituras do dia.

Evangelho: Promessa

Atos: Cumprimento da promessa

Romanos: Frutos do Espírito

No Evangelho temos a promessa de Jesus de nos mostrar o caminho, de ser o próprio caminho de verdade e vida. E nesse caminho não haverá solidão; haverá um auxiliador, o Espírito de verdade que tomará cada um, cada uma de nós pela mão e nos guiará. Enquanto promessa cabe crer, cabe esperar e confiar. No relato de Atos temos o cumprimento dessa promessa feita por Jesus e todo o relato do que aconteceu naquele dia. O apóstolo Paulo, em Romanos, nos faz pensar sobre quais são os frutos desse Espírito, e na maneira pela qual ele muda a nossa vida e o nosso andar. Depois dessa experiência, depois desse encontro, não somos e nem podemos ser mais as mesmas pessoas.

 

Cabe destacar que a vinda do Espírito passa por diferentes etapas: crer, confiar (João), ver, sentir (Atos) vivenciar, agir, caminhar (Romanos). Esse poderia ser o corpo da mensagem. Pensando também na experiência de fé de cada pessoa da comunidade, também ela passa por esse processo confiar, sentir, vivenciar e agir. Esse é o caminho. Essa é a verdade que transforma nossa vida. É necessário entregar-se, confiar a vida nas mãos daquele que se faz o caminho, daquele que se faz ponte, daquele que quer caminhar e caminha conosco, Jesus Cristo.

 

Auxílios litúrgicos

Salmo do dia: 104.24-31.

 

C (&) Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra.

L Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas.

C (&) Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra.

L Eis o mar vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes. Por ele transitam os navios e o monstro marinho que formaste para nele folgar.

C (&) Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra.

L Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó.

C (&) Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra.

L Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a id da terra. A glória do Senhor seja para sempre! Exulte o Senhor por suas obras!

C (&) Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra.

 

Benção

Que o espírito da sabedoria divina refresque-nos como o orvalho da manhã, que o espírito do filho amado cure nossas feridas, que o espírito do Deus criador transforme-nos e assim nos abençoe em nossa lida neste mundo (+). Amém.

 

Bibliografia

 

KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1982.
MARTINI, Romeu R. Livro de Culto. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2003.


Autor(a): Vera Waskow
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes

Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 14 / Versículo Inicial: 8 / Versículo Final: 17
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 7129
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