João 8.31-36

Auxílio Homilético

31/12/1982

Prédica: João 8.31-36
Autor: Edson Saes Ferreira
Data Litúrgica: Véspera de Ano Novo
Data da Pregação: 31/12/1982
Proclamar Libertação - Volume: VIII

I — Considerações sobre o texto e o contexto

Sobre a tradução do texto, não há problemas em usar a tradução de João Ferreira de Almeida. É uma tradução consoante com o original.

O texto procura trazer clareza sobre um discipulado genuíno. Aquele que quiser ser autêntico discípulo de Jesus deve deixar para trás todo o judaísmo, ser liberto dos preconceitos messiânicos e deixar espaço à Palavra. Mas isso é realmente impossível. Os judeus estão aferrados à sua própria ideologia e não têm porta aberta à palavra do revelador; são, antes de tudo, filhos de Abraão.

Alguns tópicos do texto:

1. o que é submissão obediente (v.31) à Palavra de Cristo;

2. a consequência — conhecimento progressivo da verdade (v.32);

3. seu benefício — libertação da submissão ao pecado (v 36) e direitos de filhos (v.35).

O texto em evidência, dentro do contexto maior do Evangelho de João, aponta reflexões de Jesus Cristo sobre a queda do homem:

1. quem comete pecado mostra que é escravo do pecado,

2. não reconhece essa escravidão (9.41):

3. torna-se incapaz de compreender a Palavra de: Deus (8.43);

4. sua fonte de satisfação e de valores é o diabo que, por sua vez, incute os próprios desejos, a mentira (8.44), o homicídio (8.40) e a própria glória (5.44 e 8.50).

A consequência da queda é a morte (8.51s; cf. Rm 5.12; 6.23). Tanto Abraão quanto os profetas morreram (8.52). Mas Cristo, o segundo Adão, anula os efeitos da queda, sendo glorificado pelo Pai (8.54) na ressurreição. Quem guarda a Palavra de Custo compartilhará de sua vitória sobre a queda (8.51 s) e experimentará a verdade, a liberdade e a pureza.

II — Considerações exegéticas

V.31: Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele:

Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos.

1. Muitos dos que tinham crido recuaram mais tarde (Jo 6.66). A regeneração capacita para a perseverança.

2. Alguns textos bíblicos antecipam a possibilidade de apostatar, como Hb 6.1-6.
Parece claro que este versículo ensina que o permanecer na Palavra de Cristo proporciona uma modificação na vida de uma pessoa, resultando no fato de que esta passará a seguir Jesus Cristo. Uma coisa era alguém dizer que cria em Jesus, mas era algo inteiramente diferente tornar-se um discípulo, um aprendiz. A primeira coisa podia ser causada por um impulso momentâneo; a segunda exigia estudo constante e a atitude de obediência. O discipulado verdadeiro é a condição e a garantia de que alguém chega a conhecer a verdade; esse conheci-mento é que nos conduz à bênção — a verdade nos torna livres.

V. 32: ... e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Qual é a verdade contida neste versículo?

1. Por certo está envolvida a doutrina (Evangelho) que Cristo nos trouxe (Jo 3.15-18).

2. Jo 17.17 nos clareia um pouco o que isso significa: Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Isso aponta para a revelação de Deus em Cristo; a sua mensagem santifica e liberta.

3. Devemos levar em conta também Jo 1.14: Jesus trouxe a graça e a verdade. A revelação divina no LOGOS, eventualmente, livrará homens das algemas do mal.

4. O trecho de Jo 14.6 mostra que Jesus é a expressão da verdade divina. Nele os homens vivem e se libertam do pecado e das limitações mortais, nele os homens passam de uma fase de glória para outra, chegando a participar da própria forma de vida de Cristo.

5. A verdade de Cristo é a verdade de Deus, a nós legada na pessoa de seu Filho. A verdade presente em Cristo leva os homens à verdade de Deus. Os homens, na realidade, também se tornam uma partícula da verdade, desde que sejam remidos pelo sangue do Cordeiro (cf. SI 35.1; Is 25.1; Rm 3.4; Jo 3.33; 17.3; 1 Ts 1.9; 1 Jo 5.20; Ap 3.7).

V. 33: Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?

A partir das promessas que haviam sido feitas a Abraão, tais como aquelas mencionadas em Gn 17.16 e 22.17-18, os judeus reclamavam liberdade do domínio estrangeiro. Os judeus haviam desenvolvido um enorme orgulho nacional; por isso também os ensinamentos do Senhor Jesus Cristo acerca da liberdade deixaram-nos atónitos. Dessa maneira, acharam melhor recorrer para um argumento exagerado, esquecendo-se, de maneira muito conveniente, do tempo da escravidão no Egito e na Babilônia. O povo de Israel havia servido a essas nações como escravo. Com tal argumento, tentaram também esquecer do fato bem presente de que naquele tempo Roma dominava a terra de Israel. Isso era um fato bem concreto. Roma permitira-lhes uma imitação de liberdade política, e o sinédrio, em vários sentidos, governava Israel. No entanto, na prática era assim, que as decisões mais importantes, as decisões de consequências mais acentuadas, continuavam sendo deferência dos dominadores romanos.

Um outro tipo de argumento era usado pelos judeus para afirmarem possuir liberdade, apesar da evidente escravidão a uma potência estrangeira. É que nunca admitiam estar em escravidão de jure isto é, em conformidade com o direito ou com a lei, pois pensavam que sua lei e os direitos divinos que haviam recebido eram superiores a qualquer suposta lei que por acaso lhes fosse colocada temporariamente. Dessa maneira, por direito divino, na situação de filhos de Abraão, eram livres. A servidão em que se encontravam, que era considerada como uma eventualidade meramente temporária, era uma servidão apenas de facto e, de acordo com o pensamento judeu, posto não ter lugar na vontade divina, acabaria tão logo passasse esse domínio estrangeiro.

Conclui-se, também, que o mencionado versículo nos torna claro que os interlocutores de Jesus perderam de vista o sentido da sua elevada mensagem, ou seja, a mensagem da total liberdade do poder exercido pelo pecado. Não reconheciam que somente os verdadeiros filhos espirituais de Abraão podiam usufruir dessa forma de liberdade (cf. Gl 4.22-31, que discute o tema da liberdade dos descendentes espirituais de Abraão).

V.34: Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

Neste versículo nos defrontamos com um típico diálogo joanino, no qual Jesus Cristo faz uma enorme declaração espiritual. No entanto, essa declaração não é compreendida, sendo respondida por uma declaração até certo ponto grosseira. Jesus, então, replica com outra elevada declaração, tentando ampliar e esclarecer a primeira. No entanto, também esta tentativa é mal-entendida.

Todos os homens são escravos:

1. O solene amém de Jesus apresenta esta verdade.

2. Cada pessoa é escrava do pecado ou escrava de Jesus Cristo (cf. Rm 6.16-18).

3. O homem é uma criatura decaída. Esta afirmação é bíblica, e a experiência assim o confirma. Assim sendo, o homem não é um tipo de ser que pode gozar uma verdadeira independência. O homem somente será livre se o seu Senhor for Jesus Cristo.

V. 35: O escravo não fica sempre na casa; o filho sim, para sempre.

Jesus tenta elucidar a ideia sobre liberdade, usando o versículo mencionado. Jesus ilustrou esse sentido, ligado à liberdade, ao deixar subentendido que aquele que pensa estar livre, na prática, pode não passar de um escravo na casa (o que, no sentido espiritual, pode expressar que está sob a influência da mensagem de Deus, tal como aconteceu à nação de Israel, em seu templo e com as leis e as cerimônias simbólicas). Os israelitas eram parte da casa de Abraão, por serem seus descendentes físicos; mas, na verdade, não participavam de sua natureza, pelo que também não passavam de escravos nessa casa, o que evidenciava que não eram filhos autênticos.

Um escravo não usufrui de uma boa posição, nem tem parte na herança. Fica sempre à disposição de seu senhor, que pode despedi-lo, vendê-lo, ou fazer dele o que bem entender. Em oposição a isso, quão grande é a posição ocupada por um filho. Um filho pode viver da convicção de que sua permanência na casa paterna é garantida. Pode estar seguro de que participará da herança, participará de tudo o que o pai possui.

Pode estar presente no texto a ideia de que a lei viera por meio de Moisés, mas fora pervertida pelo judaísmo, nos tempos de Jesus, resultando na escravidão espiritual dos próprios pervertedores. Ligado a isso, a graça e a verdade e, por conseguinte, a liberdade, vieram por intermédio de Jesus Cristo.

V.36: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!

Este versículo é, por assim dizer, irmão gêmeo do v.32. É possível dizer que este versículo até serve como uma espécie de comentário sobre aquele.

A verdade divina liberta o homem do pecado e das restrições intrínsecas a ele. Como pode acontecer isso? A resposta do Evangelho é: através do Filho. Ele é a verdade personificada de Deus (cf. Jo 14.6).

Todos os homens são escravos (cf. Rm 6.16-18). Sê escravo do Filho, e estarás liberto do poder de Satanás. Além disso, estarás no caminho da liberdade metafísica, vindo a participar da própria vida de Deus (2 Pe 1.4), diante do qual são removidas todas as servidões e limitações de qualquer espécie.

III — Meditação

O texto nos mostra alguns vocábulos chaves que foram usados por Jesus Cristo, tais como: Palavra, ser discípulo, verdade, liberdade, escravo, pecado, Filho, ser livre.

Fim de ano, normalmente, é um bom período para avaliação de nossa vida. Estive pensando que, enquanto vivermos, também nós cristãos dependeremos de que a Palavra de Deus sempre de novo nos conscientize da liberdade perante ele. Se assim não for, reincidiremos automaticamente na escravidão, sem notar, isto é, nos enrolaremos novamente em nós mesmos. Isso pode acontecer de maneira mundana ou também de maneira piedosa! Lembremo-nos dos fariseus.

Jesus Cristo usa a expressão permanecer na minha palavra A Palavra de Cristo, sua mensagem, permanece a mesma até o fim do mundo. Portanto, não necessitamos de outra coisa do que a Bíblia, o testemunho dos apóstolos e dos profetas. Se, porém, quisermos usá-la corretamente, não poderemos ignorar que, nela, nos é relatada uma mensagem dirigida concretamente a homens em situações especificas. Em cada caso, ela tem uma direção de ataque bem determinada, a fim de levar os homens a definirem seu relacionamento com Deus e com o próximo.

Jesus diz:... sois verdadeiramente meus discípulos. E a inauguração de uma nova vida. Subitamente o Senhor Jesus aparece diante de uma pessoa e lhe diz: Segue-me! É, sem dúvida, um instante decisivo. O Novo Testamento relata como muitos não corresponderam a essa interpelação. O que se exige é nada menos do que abandonar os costumes dá vida que se vivera até então. É o início de uma nova mentalidade.

Muitos querem fazer parte do discipulado de Jesus Cristo, mas, na prática, querem participar somente da glória, da coroa. Não querem participar da cruz. Por isso, devemos estar constantemente lembrados e reconhecer que os esforços do homem religioso são totalmente contrários à mensagem da cruz de Cristo. Ser discípulo implica num ato de obediência ao Cristo que nasceu, viveu, foi crucificado e ressuscitou.

Foi o próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo que disse: ... e a verdade vos libertará' Lembrei-me de um dos mais estranhos relatos do Novo Testamento, o dialogo de Jesus com Pilatos (Jo 18). Este, após perguntar: Que é a verdade?, sai, não aguardando a resposta de Jesus. Não tem coragem de permitir que Jesus lhe diga o que é a verdade Possivelmente Jesus teria dito a Pilatos qual era a sua situação. Não é fácil escutar isso. Diante da verdade, que é o próprio Jesus, normalmente nos esquivamos No texto que está sendo tratado, os fariseus tentaram escapar, falando sobre a descendência de Abraão. Também hoje. enquanto as pessoas se esquivarem, não saberão e nem experimentarão o que é a verdade.

Somente no encontro com Deus descobrimos o que é a verdade. Por intermédio de Jesus Cristo, Deus nos convida para um diálogo com ele. E sumamente importante que não fujamos desse diálogo. No mesmo instante em que o aceitamos, a verdade começa a libertar-nos perante Deus — e, desse modo, também perante nós mesmos. Mas nós dependemos disso, porque é a única maneira de sermos libertos da mentira para a verdade.

Em nosso texto, Jesus Cristo prossegue, falando sobre escravidão do pecado. Também nós somos escravos do pecado. Também nós pecamos. Quanto pecado praticamos neste ano que está findando! No entanto, a situação de todos pode ter mudado radicalmente, porque existiu um Natal. Mas pode ter mudado muito mais, porque existiu uma vez nesta terra a cruz do Gólgota. É essa a opinião dos apóstolos. Lá foi crucificado alguém que parecia ser um homem comum. Mas ele era mais do que isso. Sua ressurreição revelou que era o Filho de Deus; o Rei que viera, inicialmente de forma velada, para oferecer às pessoas a graça de Deus, e que agora governa, oculto, sobre o mundo, como o Senhor futuro.

Crucificando Jesus, os homens mostraram que não suportavam a proximidade de Deus. E condenando a Deus, desmascararam-se como inimigos de Deus — pronunciando, assim, sobre si mesmos, a sentença condenatória.

O homem pecou, o homem peca. Jesus Cristo diz: Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

Que o Filho nos liberte, verdadeiramente, para abordarmos de maneira adequada a mensagem para este fim de ano!

IV — Prédica

Estamos diante de um texto que oferece mais do que uma opção para a pregação. Eis algumas:

1. Permanecer na Palavra de Jesus Cristo e as consequências que disso advêm para a vida de uma pessoa. Devemos estar lembrados de que também os ouvintes da nossa prédica podem usar o argumento de serem filhos de Abraão, de uma maneira luterana. Somos membros, fomos batizados, confirmados, participamos da Ceia e assim por diante.

2. Ser verdadeiramente discípulo de Jesus. Ligado a este assunto devemos estar sempre lembrados de que discipulado não é transmissão de conhecimento, mas comunicação de vida. Foi o próprio Jesus Cristo que disse: As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida (Jo 6.63)

3. Pregação sobre o pecado. O que é pecado? Será que todos entendem nossa linguagem, quando falamos sobre pecado? O próprio texto nos mostra (somos descendência de Abraão) que pecado é ter falsos valores, é viver em cima de falsos valores. É errar o alvo do crer, ou seja, é crer em coisas erradas. Devemos estar constantemente lembrados de que o homem não apenas faz pecado, ele é pecador. Sem dúvida, precisamos de sabedoria, sabedoria dada por Deus, para comunicar isso na pregação.

4. A liberdade que o Filho de Deus traz: ... se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres

V — Subsídios Litúrgicos

1. Confissão de pecados: Senhor Deus, querido Pai de amor, neste momento, quando de maneira especial cultuamos a ti, queremos rogar que sejamos iluminados, capacitados para confessarmos os nossos pecados. Perdoa, o querido Deus, o pecado em nosso vida. Somos pecadores, temos causado sofrimento a outras pessoas, temos prejudicado pessoas. Senhor Deus, perdoa a nossa maneira egoísta de viver, perdoa a nossa falta de fé. Senhor, dá-nos a capacidade que vem do alto, para confessarmos os pecados e vivermos do perdão que tu nos dás. Ajuda-nos, Senhor, a vivermos o perdão com aqueles que nos cercam. Senhor, pedimos que os pecados, praticados neste ano que esta findando, não se repitam no novo ano. Ajuda-nos a fazermos o bem que deixamos de fazer. Em nome de Jesus Cristo, tem piedade de nós, Senhor!

2. Oração de coleta: Querido Deus, obrigado pela semana que tivemos e que estamos tendo. Obrigado, Senhor Deus, pelo ano que está findando. Por todas as coisas boas e belas que tivemos durante este ano, tais como: nossa família; as crianças que passam, dando vida às coisas: nossa comunidade: o alimento que tivemos sobre a mesa (fruto da tua bondade e benignidade para conosco); nossos amigos: o sol: a chuva, e tantas coisas mais, pelas quais te agradecemos e te louvamos. Obrigado. Senhor Deus, porque nos momentos difíceis, na dor, na angústia, no sofrimento, tivemos a tua presença ao nosso lado. Obrigado por podermos saber que alguém estava ao nosso lado: o Senhor, através do Espirito Santo. Ajuda-nos, Senhor, a vivermos nossa vida como verdadeiros discípulos do Senhor Jesus Cristo, com todas as implicações, quer sejam ligados a coroa, quer à cruz. Dá-nos, Senhor, a capacidade para vivermos uma vida verdadeiramente livre, como obra de Jesus Cristo. Amém.

3. Assuntos para intercessão: o novo ano que está pela frente; as famílias. Nossa comunidade e a Igreja como um todo; o nosso testemunho na socie¬dade em que vivemos

VI — Bibliografia

- CALLE, F. de Ia. A teologia quarto evangelho. São Paulo, 1978.
- CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo, 1980.
- DODD. C.H. A interpretação do quarto evangelho. São Paulo, 1977.
- ORTIZ, J.C. Ser e fazer discípulos. São Paulo, 1979.
- SCHWEITZER, W. Liberdade para viver. São Leopoldo, 1973.


Autor(a): Edson Saes Ferreira
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Silvestre/Véspera de Ano Novo

Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 9 / Versículo Inicial: 31 / Versículo Final: 36
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1982 / Volume: 8
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 18179
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