JOREV, um espaço de resistência dos anos 70

EDITORES DO JOREV

01/08/1988

JOREV, um espaço de resistência dos anos 70

Christa Berger

Minha passagem pelo Jornal Evangélico — ainda que curta — é significativa como experiência profissional. Não era fácil ser jornalista e idealista no Brasil dos anos 70: recém formada, tendo trabalhado em alguns jornais diários de Porto Alegre, buscava um espaço em que pudesse exercer minha profissão com dignidade. O Brasil vivia sob o governo Geisel e a doutrina de Segurança Nacional, que garantia a repressão e a censura aos meios de comunicação. As pessoas e as instituições eram levadas a se posicionarem, inclusive a Igreja.

Hoje, tantos anos passados, vejo o Jornal Evangélico como um espaço de resistência, como uma das tantas experiências alternativas que surgiram naqueles tempos. Com todas as limitações e deficiências nós denunciamos injustiças e descrevemos novas formas de organização que surgiam. O Jornal Evangélico refletia o Brasil e a IECLB, e dar abrigo a posições inconciliáveis era nosso desafio a cada edição. Assim, receber cartas indignadas e pedidos de cancelamento de assinaturas era uma realidade frequente.

Uma imagem permanece em mim: três salas ensolaradas, o pastor Ohler (com seu sotaque alemão e um pique de jornalista brasileiro), sensível, respeitoso, atento, conciliador; a Margareth, de quem nada escapava na redação, a última a revisar os originais que vinham cheios de erros do Rotermund, para garantir uma edição perfeita; a Dornali e a Ione, cuidando do arquivo que crescia em recortes e organização; o Behs, recém começando no jornalismo, mas já com um texto pronto e o faro do bom jornalista que demonstrou ser. E muitas visitas de todas as partes do Brasil.

SONHO DE JORNALISTA

Nossas viagens para participar de concílios, expor o projeto do jornal, sensibilizar os pastores para a causa do Jorev. E o respeito da direção da IECLB, que em nenhum momento censurou ou sequer interferiu na linha editoria do jornal.

Lembro, também, do trabalho quase artesanal de cada edição, tudo conversado, discutido. Para mim foi uma experiência de trabalho de equipe e a vivência do sonho de todo jornalista: ser sujeito e autor de seu texto. Estávamos envolvidos na produção de cada edição da pauta até a revisão final, e até a questão da distribuição não nos escapava.

Olho para trás e vejo o que não fomos capazes de realizar, talvez até porque não nos colocássemos a questão. Hoje ela me parece fundamental: trazer o social, o político, desde a perspectiva teológica, desde a perspectiva da IECLB. O que fazíamos era uma página de realidade brasileira, uma página de reflexão cristã e outra de notícias da IECLB. Talvez reuni-Ias fosse um desafio grande demais para a época.

Não sei avaliar o que o Jorev representa para os membros da IECLB nem para a vida das comunidades, nas sei reconhecer na história do Jorev uma experiência de jornalismo que abriu algumas brechas naqueles dias sombrios.

De fato, o meu tempo de editora do Jorev já vai longe. Basta ver meu filho Tiago, hoje um adolescente, que, recém nascido, apresentei em meu primeiro contato com os leitores do jornal.


Chrlsta Berger, Jornalista, foi redatora-responsável do Jornal Evangélico de Junho de 1974 até agosto de 1975. E professora na PUC (Porto Alegre) e Unisinos (São Leopoldo).


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Constante oscilação de números

Com nove páginas em português e sete em alemão, totalizando 16 páginas, iniciou em novembro de 1971 o Jornal Evangélico, jornal nacional da IECLB. O JOREV naquela época tinha o tamanho semi-tabloide, um pouco menor do que atualmente, medindo 26,5 cm de largura por 36,5 cm de altura, em impressão tipográfica, feita pela gráfica Rotermund, em São Leopoldo. 

Em agosto de 1972, o JOREV teve sua primeira tiragem com 20 páginas, o que, no entanto, não permaneceu como regra, acontecendo somente quando havia edições especiais. Também não era regular o número de páginas cm alemão. Somente cm janeiro de 1973 o JOREV adota as 20 páginas definitivamente. Destas, seis eram para o Evangelische Zeitung. No ano seguinte, seriam cedidas oito páginas para o alemão. 

TABLÓIDE 

Este quadro, contudo, também não permaneceria. Na primeira quinzena de dezembro de 1984, o caderno em alemão seria reduzido para quatro páginas. Aliás, o suplemento alemão, em decisão tomada pela direção do JOREV em janeiro de 1978, passava a ser opcional, ou seja, era possível solicitar a assinatura do JO-REV sem o Evangelische Zeitung. Esta decisão, contudo, foi revista anos mais tarde. 

O tamanho do Jornal Evangélico também mudou com o passar dos anos. A partir da segunda quinzena de outubro de 1980, ele passava a ter o tamanho tabloide, ou seja, 29,5 cm de largura por 42,2cm de altura, tamanho que permanece até hoje. A mudança no tamanho do Jornal Evangélico se deu quando passou a ser impresso no sistema offset, no Grupo Editorial Sinos, em Novo Hamburgo. 

Em termos de quantidade de páginas, o Jornal Evangélico não permaneceu nas 20 iniciais, mas tem variado de 16 a 32, dependendo da necessidade e das possibilidades financeiras. Edições especiais saíram inclusive com 72 páginas.
 


Autor(a): Christa Berger
Âmbito: IECLB
ID: 32176
HISTÓRIA
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