Josué 8.1-8

Auxílio Homilético

01/08/1987

Tema: Violência no campo

Explicação do tema:

Em 1985 foram assassinadas em torno de 150 pessoas no campo; milhares de bóias-frias sofrem violência de todo tipo. Em 10 de outubro de 1985 foi assinado o 1o Plano Nacional de Reforma Agrária como forma de garantir o latifúndio. O presidente Sarney transformou em diploma legal sua garantia aos milhões de proprietários rurais de que a Reforma Agrária não vai devorar suas terras. Constata-se igualmente que 80% das terras indígenas não estão demarcadas; continua a compra e concentração de terra. Há milhões de famílias rurais sem terra, e em 1985 houve diversos acampamentos de sem-terra em processo de organização.

Estas manchetes mostram a violência direta e indireta no campo. Diz-se dos sem-terra: Gente que invade fazendas é vagabundo, preguiçoso, que quer se aproveitar daqueles que, com seu próprio suor e trabalho honesto, conseguiram comprar sua terra.. E ainda: Os acampados representam uma ameaça constante à segurança dos supermercados na cidade. Estas são as notícias que a burguesia espalha. Qual a posição da comunidade frente a essa realidade e essas notícias?

Texto: Josué 8.1-8

Autor:Nilton Giese

l - A violência

1. Atiraram no menino Jesus

Foi sob este título que saiu o Editorial do Boletim Nacional da CPT, em nov./dez. 85. Escreve-se ali que no dia 23 de julho de 1979 o pistoleiro Batista entrou na capela de Natal (município de Araguatins, no Bico do Papagaio) e atirava contra o menino Jesus. O estalido ribombou da capela para o povoado, do povoado para a cidade e foi ouvido muito longe.

Batista não sabia que estava materializando, com seu gesto louco, a história dos trabalhadores rurais que ele perseguia a serviço de alguém. Quantos tiros não ribombaram de lá para cá! Só que esses tiros que se seguiram não atingiram mais estátuas de bronze do menino Jesus, mas atingiram vidas, pessoas, homens, mulheres, velhos e crianças, imagens vivas de Cristo!

2. Realidade de violência no campo

A violência que abate trabalhadores rurais é extremamente diversificada nas suas formas: vai desde assassinatos, espancamentos e prisões até coisas mais sutis, como: invasões de roça por gado, morte de animais domésticos, fechamento de caminhos, abusos sexuais contra mulheres e filhas de lavradores, etc.

No que diz respeito a morte e assassinatos, as estatísticas são macabras. Em 1980 houve 10 mortes (1 para 36 dias). Em 1981 já foram 15 (1 para 24 dias); em 1982 foram 16 (1 para 22 dias). Em 1983 esse número se elevou para 45 (1 para 8 dias); 1984 registrou 116 (1 para 3 dias) e em 1985 foram 167 (1 para 2 dias). Entre as vítimas estão dirigentes sindicais, líderes de comunidade, padres, advogados, posseiros. Todos foram alvos de pistoleiros de aluguel ou dos latifundiários em pessoa.

Nessa guerra de extermínio dos trabalhadores rurais a violência armada é apenas uma faceta. As outras são a violência representada pela imensa concentração de terras nas mãos de poucos, em detrimento da fome e da morte dos famintos, e a absoluta impunidade dos assassinos e mandantes, responsabilidade que é devida aos governos estaduais e federal. Mesmo aos olhos da Nova República (o acento e o hífen escorregaram), continuam funcionando abertamente escritórios de pistoleiros em Imperatriz (MA), Marabá (PA) e outros lugares deste país. Esses assassinos têm tabela de preços que vão desde a advertência verbal até o assassinato de lavradores, padres, bispos e advogados.

3. De onde vem tanta violência?

Para compreender as causas dessa chacina, temos de analisar um pouco como se apresenta o funcionamento da sociedade capitalista.

Todos nós sabemos que o mundo capitalista está dividido em privilegiados e carentes. Os privilegiados representam a classe dominante, apesar de serem poucos. São eles os donos do poder, os donos das indústrias, dos estabelecimentos comerciais, os militares, os banqueiros, os profissionais liberais bem pagos e os latifundiários. Os carentes são os dominados, apesar de serem milhões. São eles os operários, os bóias-frias, os pequenos agricultores, os sem-terra, as mulheres, os negros, os índios, enfim, 85% da população de nosso país.

As relações entre essas duas classes são de exploração dos dominantes sobre os dominados. Essa exploração é possível, porque a classe dominante é dona dos meios de produção, isto é, das fábricas, do comércio, das máquinas, dos bancos e da terra. A classe dominada não possui esses bens e, por isso, se vê obrigada a vender sua força de trabalho aos patrões em troca de um salário, ou de uma pequena parcela no lucro líquido. Para os patrões o negócio só vai para frente quando se tem sempre mais lucro. Por isso, quanto menos se paga ao empregado, mais lucro se tem no balanço do mês. Assim, os interesses dos patrões (que querem mais lucro) são antagônicos aos interesses .dos trabalhadores (que querem mais salários). Para que essa situação espoliativa permaneça, a classe dominante organizou a sociedade de acordo com os seus interesses. Criaram então um conjunto de instituições e leis para evitar que os trabalhadores tentem transformar essa situação. O centro de todo esse sistema é o Estado. O Estado é o conjunto de pessoas, leis e instituições que nos dizem quais nossas obrigações e direitos.

Para que tudo seja aceito pela classe dominada, o Estado se serve da ideologia, que nos ensina desde pequenos que tudo deve ficar como está, senão vira bagunça. A ideologia nos diz que os pobres são pobres porque não sabem trabalhar, porque não estudaram, ou porque nasceram para sofrer mesmo. A ideologia também nos diz que a vida religiosa é resignação, submissão, renúncia, pensar no além e sofrer no aquém. Para tanto, o Estado usa as escolas, a propaganda comercial, os meios de comunicação, as novelas para nos dizer que ser pobre é tranquilo, enquanto que ser rico é viver cheio de problemas, de angústias, etc. e nós acabamos concordando e aceitando tudo isso. Desta maneira escondem-se as verdadeiras causas da pobreza e miséria que são a injustiça, a falta de trabalho, os baixos salários, a grande concentração de terras nas mãos de poucos, etc.

Quem não concorda com o funcionamento desse sistema acaba gerando conflitos sociais. O não conformar-se, o não querer ser explorado, o desejo de ter um pedaço de terra e, por isso, acampar ou ocupar uma fazenda, tudo isso são coisas que ameaçam a continuidade do estado capitalista e, por isso, tais pessoas são difamadas, caluniadas, ameaçadas e mortas.

4. O que fazer?

No campo, temos visto, nos últimos anos, o crescimento da luta dos trabalhadores rurais, contra o processo de espoliação e pobreza sustentada pela ideologia e pelo Estado. Por causa dessa experiência que se adquiriu na luta, os trabalhadores rurais ficam muito desconfiados quando o Governo começa a falar e a fazer planos de reforma agrária, que na verdade, escondem atrás de si o interesse de ver os sem-terra acomodados, esperando pacientemente a terra que nunca sai.

Por isso, contrariando a vontade do Estado, esses trabalhadores começam a aparecer como donos de suas lutas e conquistas. Inicialmente se falava e fazia muitos acampamentos, mas a experiência de luta mostrou que o Estado é lento demais para fazer qualquer coisa pelos acampados. A partir dessa experiência, hoje já se fala em e se fazem ocupações de áreas de terra. Questiona-se, assim, diretamente o conceito de propriedade. Quem tem mais direito à terra: aquele que só vê nela um produto de especulação, uma fonte de negócio, ou aqueles que passam fome e humilhação, sem ter como se libertar disso, a não ser mostrando com seu trabalho que os outros estão errados a seu respeito? De quem é a terra?

Existe ainda outro elemento que os trabalhadores rurais estão descobrindo: é o fato de que só a terra não basta. Muitos pequenos agricultores sofrem diretamente a mesma exploração dos que são os donos do poder. Quem tem terra não encontra preço condizente para seus produtos, precisa produzir o que o mercado quer comprar e não aquilo que acha necessário produzir. Por causa disso, muitos lavradores começaram a produzir soja, a criar porco, galinha, plantar fumo, deixando de lado a produção de arroz, feijão, milho, mandioca, batata, alimentos de necessidade do povo da cidade e de si próprio. E geralmente quando se produz o que as grandes cooperativas querem comprar,.também são elas que determinam o preço, o padrão de qualidade, o grau de impurezas e a hora da compra. Por tudo isso, os trabalhadores rurais estão descobrindo que para ficar na terra é preciso mudar o sistema de produção. E que para conseguir isso, é preciso assumir as rédeas do Estado e dirigir esse país de acordo com os interesses daqueles que trabalham nele. Isso quer dizer, tirar os meios de produção das mãos de poucos e coletivizá-los sob a administração dos trabalhadores. Só isso terminaria com a violência das armas e das leis que atingem aos trabalhadores.

II – O texto: Josué 8.1-8

1. Javé disse então a Josué: Não temas e não desanimes. Toma contigo todos os combatentes. Levanta-te! Sobe contra Hai. Vê: eu entrego em tuas mãos o rei de Hai, seu povo, sua cidade e sua terra.

2. Tratará Hai e seu rei como trataste Jericó e seu rei. Nada tomareis como presa senão os despojos e o gado. Arma uma emboscada contra a cidade, por detrás dela.

3. Levantou-se Josué, com todos os combatentes para subir contra Hai. Josué escolheu trinta mil homens valentes e os fez partir de noite,

4. dando-lhes esta ordem: Atenção! Armareis uma emboscada contra a cidade, por detrás dela, sem vos distanciardes muito da cidade e ficai de prontidão.

5. Eu, porém, e toda a gente que me acompanha nos aproximaremos da cidade e, quando o povo de Hai sair contra nós, como da primeira vez, fugiremos diante deles.

6. Então eles nos seguirão e nós os atrairemos para longe da cidade, pois dirão: Fogem diante de nós como da primeira vez.

7. Saireis então da emboscada para tomar posse da cidade: Javé vosso Deus a entregará nas vossas mãos.

8. Tomada a cidade, atear-lhe-eis fogo, agindo de acordo com a palavra de Javé. Vede que eu vos dei uma ordem.

1. Preliminares

O texto aqui copiado segue a tradução da Bíblia de Jerusalém. A razão dessa opção está na maior facilidade de compreender o texto.

Não é a primeira vez que Hai é atacada por Josué. No cap. 7 acontece a primeira te-,'ativa. Josué envia primeiro alguns espias para sondar as forças e as fraquezas do inimigo. Eles voltam dizendo que vai ser sopa. Dois ou três mil homens arrasam com a cidade em três tempos. O resto do povo pode ficar descansando. Mas, qual não foi a surpresa do povo de Josué. O inimigo os tinha feito correr. Foram derrotados. Por quê? Parecia tão fácil! Será que os habitantes de Hai tinham alguma carta escondida na manga, que os espias não viram?

2. A Cidade e seus arredores

As terras da Palestina são muito diversificadas. Existem planícies, vales, serras e montanhas. Tudo isso numa área de 240 km de comprimento por 120 km de largura. Dizem os historiadores que a formação de Israel ocorre entre o final do 139 século e o início do 129 século. Nesses séculos os egípcios detêm o mando da Palestina. Como os egípcios dominavam a Palestina?

Havia nesse tempo já diversas cidades, sedes urbanas, cercadas por muros, onde residiam a casta militar, o rei e o templo. Além dos militares e sacerdotes, também os latifundiários tinham ali a sua morada. Cada cidade dessas dominava o território circunvizinho. Nesse território moravam os camponeses, que ti¬nham de pagar tributo à cidade e aceitar a corvéia (trabalho forçado) em troca da segurança que a força das armas oferecia. A sede urbana mais o território por ela controlado formava a CIDADE-ESTADO.

A Cidade-Estado era diretamente dependente dos egípcios. Nela governava um dinasta, que aparecia diante dos colonos como rei. O exército egípcio em suas campanhas arrecadava os tributos e lembrava a todos quem realmente mandava ali. Essas campanhas também resultavam em saque dos produtos que tinham sobrado aos camponeses.

Por volta do ano 1200 a.C. o poderio egípcio na Palestina enfraquece. Problemas internos no Egito e a invasão dos filisteus na Palestina, são duas causas. Com isso também as tropas egípcias não aparecem mais e as Cidades-Estado começam a brigar entre si para garantir seu território, ou então, para mostrar sua supremacia sobre o vizinho. Normalmente, essas rixas eram decididas em cima dos campos de plantio. Isso diminuía a colheita, mas por outro lado, exigia maior arrecadação de tributo para que a aristocracia militar citadina pudesse sustentar as batalhas com seus vizinhos.

Tal fato, provocou uma profunda pauperização dos colonos. Não podendo aumentar os tributos, ou até não tendo o que arrecadar, a Cidade-Estado aperfeiçoa a corvéia. Não podendo pagar seus tributos e suas dívidas, o camponês é pressionado para dentro da escravidão, isto é, vende a si mesmo e a sua família para saldar as dívidas em tributos e empréstimos.

Para os colonos inconformados com a situação, a outra saída era a retirada para as montanhas, onde a arma mais poderosa da Cidade-Estado , o carro de guerra puxado por cavalos era ineficaz. Esse processo migratório já ocorria a tempos, mas a novidade do momento era que nunca atingira tamanha dimensão.

As serras e montanhas eram matas. Havia pouca água. As planícies ao redor das cidades, ao contrário, eram férteis e úmidas. Em suas primeiras lutas, os camponeses não visavam a derrocada dos burgos (sedes urbanas). Débora e Baraque (Jz 4 e 5) só queriam a sobrevivência do campesinato na planície, enfraquecendo para isso o poder militar dos burgos.

Mas, a experiência histórica mostrou aos camponeses que o problema do acesso e permanência na terra é essencialmente um problema político. Não basta ter só a terra se a espoliação continua como dantes. É preciso acabar com as causas da espoliação. É preciso derrotar o modo de produção, o sistema que vive da espoliação, do tributo. O problema não é a terra. Ó problema é a cidade com a espoliação de preço, de tributo e de corvéia da qual ela vivia. Por isso, a terra e os camponeses só serão realmente livres se eles tirarem de sobre si o domínio do modo de produção sustentado pela cidade.

3. O povo conquista o poder

Derrotar um modo de produção não é sopa. Acabar com a espoliação, não é moleza. Pode até parecer moleza (7.3), mas na hora de derrubar o pau, a coisa fica feia (7.5). Nessas horas os espoliadores jogam tudo o que têm, usam toda sua força, todas suas armas. Armas que não se viam antes. Armas poderosas, como foram os carros de guerra da época. Não,dá para brigar contra o carro de guerra (tanque de guerra) com a foice ou enxada. É preciso mais do que isso. E preciso sabedoria para inutilizar as armas do inimigo. Isso só se consegue com ORGANIZAÇÃO. E a organização fica forte com a participação de todo o povo marginalizado e consciente de que as coisas só vão melhorar, se eles mesmos lutarem por uma melhora. A cidade e seu modo de produção espoliativo não vão fazer isso, pois, a cidade vive da espoliação.

A cidade, o modo de produção tributário e espoliativo, deve ser destruída, queimada. Isso não é possível com um pequeno grupo, apenas. É preciso que a maior parte dos marginalizados assuma essa tarefa. Também não dá para fazer só pela força. É preciso usar de sabedoria, de estratégia.

Ill - O texto através do NT

Muitos vão questionar: Será que dá para justificar, a partir do NT, uma exegese tão radical?

Ressalto, em tempo, que Josué 8.1-8 não tem por intenção justificar massacres. Não se trata disso. O que se deixa claro aqui é a condenação e o combate mortal a sistemas que produzem a morte, através da espoliação e dominação sobre os trabalhadores.

Contudo, desbaratar sistemas espoliativos e opressivos não é algo que acontece do dia para a noite. Jesus questionou muito esse imediatismo nos zelotes. Jesus nunca justificou sistemas de dominação sobre os trabalhadores (Mc 2.23-28; 9.42-48; 10.17-31; 11.15-19, paralelos e outros). Jesus já deixa claro isso no seu primeiro discurso na sinagoga de Nazaré (Lc 4.16-21). A violência armada sem a participação popular é inviável (Lc 22.49-51). Mas a organização popular em busca de uma vida mais justa e humana é uma necessidade urgente (Mt 6.1; 6.33; 10.40-42; 11.2-6; 11.25-27; 13; 25.31-46; e paralelos). E quem luta por isso terá também a certeza de que seu empenho não será em vão. A ressurreição nos atesta isso. Nela é mostrada a esperança que se sobrepõe às forças da morte. A cruz não é mais símbolo de derrota, mas de resistência contra sistemas opressi¬vos e espoliativos. O Cristo da cruz é aquele que acredita no movimento popular, é o Deus que se compromete com a libertação dos oprimidos e espoliados, que anuncia que a conduta da sociedade pelos próprios trabalhadores é um ensaio concreto e verdadeiro do Reino de Deus.

IV - O texto e o tema Violência no Campo

1. Desafio e proposta de ação para nossa realidade brasileira:

A violência da espoliação, da impossibilidade de acesso e permanência na terra sofrida pelos camponeses em Js 8.1-8 ainda se repete hoje. A morte e o assassinato é a condenação dos que reagem contra essa violência. A exemplo de Js 8.1-8 também hoje se sabe que não se acaba com a violência no campo, matando o pistoleiro ou o latifundiário. O fim da violência estará na busca de um novo modo de produção, de um novo sistema político-econômico. Um sistema que respeite o direito a vida dos trabalhadores. Também para os dias de hoje não basta conquistar a terra. É preciso acabar com a espoliação que se exerce sobre a terra e sobre o camponês. E para se conseguir isso hoje, apresentam-se duas maneiras:

a. Pela violência armada, desrecomendada pela nossa realidade brasileira. Regionalmente e culturalmente ela é muito diversificada. Além disso, no atual estágio do Capitalismo Brasileiro, é difícil saber com quem está o poder. Ele está bastante difuso e se multiplica com muita facilidade quando ameaçado. Talvez o poder nem esteja com o governo (como estava na Nicarágua, Haiti, Filipinas, Vietnã), mas exercido através dele por forças muito bem escondidas.

b. A segunda maneira é a organização política. É fortalecer o poder popular. O poder popular se cria nas organizações de base, no trabalho localizado de reuniões, de encontros, de conversa e no trabalho conjunto através do apoio, da solidariedade com os que lutam em outros lugares. Com a união do trabalho localizado e do trabalho conjunto, começa-se a semear as sementes de mudança, da derrota do sistema espoliativo a que estamos sujeitos.

Por outro lado, é preciso que se tenha claro que isso é apenas o início, não o fim. Os movimentos populares resultarão no máximo em conquista de reivindicações e crescimento da experiência de luta. Mas, eles por si só não chegarão à mudança de poder. Para se chegar ao poder o caminho é através do voto e do Partido Político. Para que o poder popular possa conduzir os caminhos desse país, ele deve se organizar em Partido Político.

Para que se encontre o partido certo é preciso não esquecer que ele deve ter duas características indispensáveis para ser realmente instrumento e representante dos interesses dos trabalhadores:

a. deve se integrar e responder às necessidades dos trabalhadores;

b. deve ter espaço democrático interno de participação e crítica dos trabalhadores.

Isso significa que o Partido deve ter sua base nos trabalhadores. Partido que só aparece diante dos trabalhadores em vésperas de eleições, não serve.
O caminho da organização político-partidária dos movimentos populares se apresenta como uma necessidade na construção de um novo sistema político-econômico-social em nosso país. Essa sabedoria nos é dada por Deus, através de JsS.1-8.

2. Sugestões de encaminhamento para prédica

Antes de se usar o texto para a prédica, sugiro que ele seja apresentado aos grupos de reflexão da Comunidade (OASE, JE, Estudos Bíblicos). Que se permita a esses grupos uma reflexão livre, a partir de suas realidades bem presentes e assessorada ou desafiada pelas anotações aqui presentes.
Outra sugestão é formar um grupo de pequenos agricultores e sem-terra, fazendo com eles um estudo bíblico. O mesmo pode ser feito na cidade, com operários ou grupos de vila.

Acredito ser necessário esse primeiro confronto aberto e livre diante do texto, para que se possa compreender realmente o texto e seu desafio para nossa realidade brasileira e nosso discipulado cristão.

V - Subsídios litúrgicos

1. Confissão de pecados: Senhor nosso Deus, precisamos te confessar que na maioria das vezes gostamos de ser confortados com tua Palavra. O teu desafio, muitas vezes, para nós não é importante. Preferimos incluí-lo como esquecimento em nossa próxima confissão de pecados. Enquanto isso, a nossa omissão produz assassinatos de pessoas que lutam por uma vida digna. Outras desacreditam na luta por não encontrarem solidariedade, auxílio mútuo e apoio em nós. Tem paciência conosco, Senhor. Mesmo não tendo o direito de dizer, mais uma vez arriscamos pedir: Tem piedade de nós, Senhor.

2. Oração de Coleta: Senhor, nosso Pai. Renova nossa confiança na justiça, no amor, na conquista dos fracos por uma vida digna. Que o sangue de tantos trabalhadores rurais que deram suas vidas em favor dessas coisas, ressuscite em nós a coragem de também nós defendermos os seus direitos. Em Cristo. Amém.

3. Oração final: Agradecer a Deus por ele encorajar aos que lutam por justiça, terra e pão. Interceder pelos acampados, posseiros e pequenos agricultores. Pedir que Deus fortaleça as organizações de classe e políticas que tenham por proposta o fim da violência, da espoliação sobre aos pequenos.

VI - Bibliografia

- CAMPANHA Nacional pela .Reforma Agrária. Violência no campo. Petrópolis, 1985.
- CASALDÁLIGA, D. Pedro, et alii. Conquistar a terra, reconstruirá vida. CPT
- Dez anos de caminhada. Petrópolis, 1985.
- COMISSÃO Pastoral da Terra (CPT). In: Caderno dos CEAS, Conflitos de terra no Brasil, julho/agosto 1985, n9 98, p. 16-26.
- COMISSÃO Pastoral da Terra, Boletim Nacional. Anos 1984 e 1985.
- SCHWANTES, Milton. História de Israel (Local e Origens), polígrafo, São Leopoldo, 1984.
- WITT, Osmar Luiz. Quem não faz política, sofre política. In: Proclamar Libertação 11, São Leopoldo, 1985, p. 95-104.


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB
Testamento: Antigo / Livro: Josué / Capitulo: 8 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 8
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1986 / Volume: 12
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17851
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