Liturgia batismal - Ação de graças ou oração das águas

A oração das águas é testemunhada a partir do século 2. É uma grande oração de ação de graças, muito semelhante, na sua estrutura e no seu significado, à oração eucarística, na ceia do Senhor. Na seqüência da liturgia batismal, ela pode localizar-se antes de renúncia e adesão ou após a profissão de fé, imediatamente antes do ato batismal.

A oração das águas pode ser introduzida por um diálogo entre L e a comunidade, semelhante àquele que encaminha a oração eucarística, com saudação recíproca e o convite a dar graças, confirmado pela comunidade.

L é empregado para designar a pessoa que preside a liturgia.

Segue-se o elemento que corresponde ao prefácio na oração eucarística: uma ação de graças pelos grandes feitos de Deus, particularmente relacionados à água, ao longo de toda a histórica salvífica. Em geral, são citadas detalhadamente: as águas em e da criação, a salvação de Noé, a passagem pelo mar Vermelho, (a água com que Deus saciou seu povo no deserto) e o batismo de Jesus no Jordão, que é relacionado com a sua morte e ressurreição. (Ocasionalmente é mencionada também a água que sai do lado aberto de Jesus na cruz). Mui significativamente estabelece-se, dessa maneira, uma vinculação essencial entre o batismo que está sendo realizado naquele momento e a ação salvífica de Deus ao longo de toda a história. A água daquele batismo é relacionada com as águas de toda a história salvífica e a ação amorosa de Deus naquele batismo é vinculada com o todo da ação amorosa de Deus ao longo da história da salvação. Assim, essa pessoa específica que está sendo batizada é inserida e aninhada no todo da ação de Deus através da história.

Vem, então, a epiclese batismal. Semelhantemente à epiclese da oração eucarística, a epiclese batismal suplica a Deus que derrame a força do seu Espírito Santo sobre a água para que o batismo que está por ser realizado opere aquilo que foi prometido: purificação dos pecados, vida nova e salvação. A inclusão da epiclese na liturgia batismal é da maior importância, pois expressa inequivocamente que só Deus – e não a Igreja ou seu ministro ou sua ministra – pode operar os efeitos do batismo. “A invocação do Espírito é a única atitude legítima da Igreja, pois com isso reconhece que não podemos dispor de Deus. A Igreja não controla nem manipula a ação do Senhor.” (BRAND, Eugene L. Batismo: uma perspectiva pastoral. São Leopoldo: Sinodal, 1982)

À semelhança da oração eucarística, a oração das águas encerra com uma enfática doxologia trinitária. Esse fecho é duplamente coerente com a própria estrutura da oração das águas: encerra com louvor esfuziante a oração que iniciara com louvor e exaltação; dá uma conclusão trinitária à oração que se estruturou trinitariamente: ação de Deus na história, batismo de Jesus e invocação do Espírito Santo.

Recomenda-se que a oração das águas seja acompanhada por uma manipulação visível e audível da água: derramamento e toque da água. No entanto, convém considerar que a oração das águas é, efetivamente, uma oração dirigida a Deus e não um discurso dirigido à comunidade. Portanto, por razões de coerência, a manipulação da água, que é um ato dirigido à comunidade, não deveria ocorrer durante a oração das águas, mas antes ou depois dela.
 

Fonte: Livro de Batismo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
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Martim Lutero
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