Lucas 1.67-79

Auxílio Homilético

28/11/1982

Prédica: Lucas 1.67-79
Autor: Cláudio Molz
Data Litúrgica: 1º Domingo de Advento
Data da Pregação: 28/11/1982
Proclamar Libertação - Volume: VIII

I — Tradução

V.67: E Zacarias, seu pai, ficou cheio de Espirito Santo e deu a seguinte mensagem profética:

V.68: Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, pois ele chegou de visita para libertar o seu povo;

V.69: dentre os descendentes de seu servo Davi ele fez surgir para nós um refúgio contra ameaças da vida,

V 70: de acordo com o que desde sempre mandou os seus santos profetas anunciar:

V.71: que ele nos protegeria contra os nossos inimigos e contra n agressão de todos os que nos odeiam,

V 72: que teria compaixão com os nossos antepassados, que se lembraria de sua santa aliança,

V.73: estabelecida em juramento a Abraão, nosso pai,

V.74: e que daria a nós que, salvos da agressão dos inimigos, pudéssemos, sem medo,
V.75: lhe prestar culto e viver em justiça diante dele todos os nossos dias.

V.76: Mas também tu, filhinho, serás chamado de profeta do Altíssimo, pois irás na frente do Senhor, para lhe preparar os seus cami¬nhos.

V.77: para fazer o seu povo tomar conhecimento da salvação, através do perdão de seus pecados;

V 78 pois o nosso Deus tem um coração cheio de bondade, e é por causa dela que a aurora do céu nos visitará,

V 79: para iluminar aos que vivem envoltos de escuridão e ameaçados de morte, e para nos fazer caminhar em direção à paz.

II — Análise do texto

1. Visita

Já que entre nós visitação tem uma certa carga de fiscalização, repreensão e castigo, o termo visita é preferível na comunidade. A visão básica de visitação do povo de Israel é aquela do Êxodo: Deus visita o seu povo escravo, ouve o seu clamor e o tira da opressão no Egito. Trata-se de uma visitação que socorre e liberta de uma situação de injustiça, imposta por estranhos (Êx 3.16).

No tempo do exílio babilônico, a visitação de Deus acontecia prioritariamente para que o povo fosse libertado de uma opressão que era entendida como provocada por ele próprio: o pecado contra Deus e a maldade contra o próximo. É uma visitação de castigo que visa purificar o povo e fazê-lo voltar à antiga aliança com o seu Deus. Se no Egito Deus lutava mais contra forças militares, no tempo do exílio ele luta mais contra o desvio de conduta dos líderes e do próprio povo (Jr 5.9). Aqui, no v.68, é dito que, em Jesus, Deus vem visitar o seu povo para libertá-lo.

2. Refugio contra ameaças da vida

Adonias se agarra aos chifres do altar, após a frustrada rebelião e tentativa de arrebatar o trono a seu irmão Salomão (1 Rs 1.50), e é poupado por Salomão devido a isso. A sua morte, logo após, ocorreu por pretender Abisague para esposa. Também Joabe agarrou-se aos chifres do altar, quando percebeu que poderia ser vítima de vingança contra a sua infidelidade a Salomão. É como um terrível sacrilégio que, apesar de ter procurado esse refúgio na tenda do Senhor, Joabe seja assassinado fria e impiedosamente na frente do altar (1 Rs 2.34). Zedequias fez uma máscara com chifres, e fê-los simbolizar a violência, com que um exército vence o outro (1 Rs 22.11). É essa significação de poder, de força, de ânimo, de coragem, de esperança que o termo aos poucos vai adquirindo. No tempo da apocalíptica os chifres são símbolos que indicam poderes e reinados, impérios e potestades (cf. Dn 7 24 e Ap 17.12). Aqui, no v. 69, é dito que, em Jesus, recebemos um refúgio desses, um chifre de salvação, que poderia ser traduzido, corno Almeida faz, por plena e poderosa salvação, ou por poder salvífico, ou força salvadora, ou forte salvador.

3. Salvação

Na melhor das tradições dos escritos sacerdotais, também Zacarias relata a história da salvação. Ela começa em Abraão, a quem Deus jurou dar bênção extensiva a todos os povos (Gn 12.3). Com o termo LYTROSIS (v. 68), lembra o episódio do Egito. Ressalta de modo especial a figura de Davi. Ele, no entanto, não é citado como rei soberano, mas como servo. Como os juizes antes dele, também Davi foi servo de Deus, na medida em que colaborou decisivamente para que o povo de Israel ficasse protegido de ameaças à sua existência, tais como as perpetradas pelos filisteus e outros vizinhos cananeus.

Zacarias fala como profeta. O serviço do profeta foi e é ser voz dos que não têm vez: os desvalidos, as vítimas de agressão e de ódio, os amedrontados, os envoltos de escuridão e ameaçados de morte. É a esses que Deus salvou e redimiu. É bom lembrar que essa redenção nunca foi só espiritual. Em hebraico NÇL representa um salvar que exige ação imediata. De salvação precisa quem está na boca do leão, quem vai se afogar, quem está com a espada no peito.

O verbo dar, do v.74, parece ter ficado sem objeto na atual formulação. Sabendo-se, porém, que se trata de um termo muito conhecido em Israel, relacionado historicamente com a doação da terra, promessa integrante da recebida por Abraão, fica claro que, para Zacarias, como para muitos de seus antecessores, o conteúdo dessa promessa teve que ser mudado: o objetivo não é mais a terra, como em Gn 12.7a: Apareceu o Senhor a Abraão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Dentro da formulação atual, essa interpretação è uma hipótese, mas é uma hipótese bem provável. O povo de Deus não caminha mais em direção à terra prometida. O objetivo é ter uma vida sem medo, é a paz. É a paz que permite satisfazer o maior anseio de Zacarias que, nisso, certamente representa todo o povo: viver é prestar culto a Deus e levar uma vida de justiça diante dele (v.75).

4. João Batista

João Batista evoca, na lembrança do povo, a promessa dada por Deus. Ele nasce para prestar esse serviço a todos: recordar, despertar, preparar e anunciar o que Deus é capaz de fazer. João Batista è profeta. Ele servirá ao povo sofrido e oprimido. Ele anunciará que Deus perdoa os pecados, porque Deus continua o mesmo que na história de Israel atuou tão decisivamente. João Batista veio para que os abatidos, frustrados e desesperançados recobrassem o ânimo e a fé no Deus de Abraão, de Davi e dos profetas.

5. Jesus, consumador da salvação

Tudo o que Zacarias diz de João Batista, no entanto, não termina nele. Fica evidente que, com o nascimento desta criança, não se chega a um alvo final. João Batista veio para preparar o caminho de Deus e para fazer o povo tomar conhecimento da salvação. E nós sabemos quem Deus mandou para ser o seu caminho (Jo 14.6; Lc 18.31 -33). Sabemos quem tem autoridade para perdoar pecados e para curar doentes (Lc 11.33ss). É em Jesus Cristo que a história da salvação chega a seu alvo (Rm 10.4). É nele que o Altíssimo se humilha (Fp 2.8). Nele se abre o seu coração cheio de bondade, para que a nossa noite termine em aurora de luz confortante (v.78s). Isso também tem valor hoje para nós: Crentes, pois, prossigamos, as trevas não temamos! Não vacilemos — a luz veremos! (Hinos do Povo de Deus, n° 67, estrofe 3)

6. A aurora do céu

Almeida traduz: O sol nascente das alturas. Em grego diz: ANATOLË EX HYPSOUS. Nessa combinação atual, as palavras care¬cem de lógica, porque ANATOLË encerra a ideia do subir, típico, por exemplo, do sol: a partir do horizonte em direção ao zênite. Dá-se, no entanto, que ANATOLË é a tradução de ÇEMAH (hebraico), traduzido em Almeida por renovo, o que significa rebento, o que cresce , o que surge, o que aparece. Assim, esse termo é usado para expressar aquilo que surge da terra, por exemplo, a produção agrícola (Is 4.2). Mas foi-se tornando uma expressão messiânica, a partir da ideia de que os rebentos são os filhos. Espera-se, a partir de Davi, um rebento da justiça (Jr 23.5), enquanto que, em Zc 3.8 e 6.12s, ÇEMAH é um rei messiânico, que une em si, além do oficio de dominar do trono, também a função de sumo sacerdote.

Depois destas explicações sobre ANATOLË, fica evidente que o acréscimo das alturas quer assegurar a compreensão messiânica do termo, certamente visando leitores de Lucas que não sabiam da significação histórica da palavra. Mas, que o próprio autor desse Benedictus de Zacarias também não pensava mais em hebraico, mostra a continuação que, ao falar em iluminar, pressupõe que ANATOLË era entendido como algo semelhante a sol, luz. Foi na ANATOLË que Mateus, por exemplo, fez os magos enxergarem a estrela do recém-nascido Messias (Mt 2.1). Interessante também é olhar o aparato critico em Mt 3.15: Quando Jesus foi batizado, uma luz enorme clareou tudo ao redor a partir da água, assim que todos os que tinham comparecido, ficassem cheios de medo. Já que, na LXX, EX HYPSOUS pode ser uma simples perífrase de Deus ou Javé, conclui-se que a significação final, aqui. é a resultante de um cruzamento a) do hebraico: rebento ou filho de Deus igual a Messias, com b) a ideia própria desenvolvida da tradução grega: a luz do alto ou do céu. O uso do termo, portanto, é indicativo de uma epifania de Deus (Maiores detalhes no artigo de Jacoby, de quem vêm as ideias acima).

Foi em torno dessa ideia, expressa na Bíblia de diversas maneiras, que se originaram hinos que temos em Hinos do Povo de Deus, n° 276 Linda aurora, luz sem par, resplendor da eternidade e, especialmente, n° 32 Renovo mui delgado, brotou em tênue pé (Is 11.1). Lutero costumava usar também essa ideia para sublinhar sua afirmação básica: A luz vem do céu. O Filho é de Deus. A salvação vem do alto. Nós a recebemos da sua bondade. Não é pelas nossas obras, pela produtividade, pelos atos, que somos aceitos por Deus, mas por sua grande misericórdia, prometida e mantida fielmente desde a eternidade. ' (Magnificat, pp. 238ss).

III — Questões de forma

1. Origem

Rengstorff lança diversas hipóteses aventáveis quanto à origem desse hino:

a) A mais antiga época seria a dos macabeus, quando o povo judeu, acossado por violenta exploração pelo Império Romano, tentou através de alguns revolucionários desfazer-se dessa pesada carga dos inimigos.

b) Grupos essenos conheciam toda a esperança judaica de um salvador messiânico. Assim como os escritos de Qumran, também hinos como o Magnificat e o Benedictus poderiam ser de sua autoria.

c) Discípulos de João Batista tinham afinidade com Jesus desde o inicio (Jo 1.35ss) e veiculavam ideias da vinda do salvador, prometido aos profetas do AT, e ansiavam por sua chegada. (Cf. Lc 3.1ss par., 7.18SS par.)

d) Zacarias.

e) Um desconhecido autor da fonte usada por Lucas para compor o seu evangelho.

f) Lucas.

Uma decisão em torno desse assunto é praticamente impossível, mas a tendência vai mais no sentido dos discípulos de João Batista, com retoques do autor da fonte e do próprio Lucas.

2. História da tradição

Hans-Georg Link faz uma análise da história da tradição do texto e chega à seguinte conclusão que parece ser bastante provável:

a) v. 67a + d, 76s., 79b — Profecia dos batistas referentes a João.

b) vv. 68-75 — Inclusão judaico-cristã palestinense de um salmo messiânico de louvor (cf. v.64!).

c) v.78 + 79a — Complementação judaico-cristã helenista referente ao Messias.

d) v.67bc, 70 — Redação de Lucas: indicações histórico-salvíficas da plenitude do Espírito Santo no fim dos tempos e anúncios proféticos da salvação.

3. História das formas

O texto se divide em duas partes:

a) A primeira parte, vv. 68-75, é um salmo messiânico de louvor que relata o ato salvador de Deus. Deus visita, liberta, e desperta o Messias. Ele é o Deus de Abraão, dos pais, dos profetas, das promessas e seu cumprimento. Essa primeira parte conclui com o alvo do processo de libertação: uma comunidade, livre de medo, presta culto ao seu Deus em santidade e justiça.

b) A segunda parte, vv. 76-79, é formalmente um hino comemorativo do nascimento de uma criança, mas, de conteúdo, é uma profecia que anuncia a salvação. Enquanto que os vv. 76-77, 79b se referem a João, os vv. 78,79a relacionam e submetem João tematicamente a Jesus, o Messias. Essa subordinação resulta na característica principal da perícope, cujo tema maior não é João Batista, mas acaba sendo o seu relacionamento a Jesus Cristo. João é definido como profeta do Altíssimo, que é Deus, e como precursor e preparador do caminho do Senhor. Em seguida, o texto parece se referir indiretamente à atividade que os sinóticos atribuem a João: ele prega salvação através do perdão dos pecados e conduz o povo para o caminho da paz. Através dos vv. 78,79a, nov entanto, o autor consegue fazer ver que a aurora do dia não raiou ainda no meio da escuridão e da sombra da morte, mas que seu arauto (João) já chegou e que logo mais virá o rebento do alto, que é o Filho de Deus (Jesus),que irá completar e consumar o que foi anunciado e prometido.

4. Contexto

No contexto atual, a perícope Lc 1.67-79 é um enxerto explicativo do v. 64. O texto explica o motivo das maravilhas que cercam João Batista desde o anúncio do seu nascimento, quando o pai emudeceu, até a sua circuncisão no templo, no oitavo dia de vida, quando a mãe, Isabel, e o pai. Zacarias, coincidem milagrosamente na escolha do nome da criança e o pai recobra a fala. Após a perícope, vem o relato do nascimento de Jesus. Com o paralelismo entre o Magnificat e o Benedictus por um lado, e entre a história do nascimento de João e o de Jesus por outro, Lucas consegue, também formalmente, subordinar João e a sua obra a Jesus e à sua obra.

IV — Meditação para a prédica

1. Advento

Quem participa do culto no primeiro domingo de Advento, veio motivado em grande parte pela esperança que essa época do Ano da Igreja infunde na gente. É uma esperança bastante geral, difusa e indefinida, mista com um ar de melancolia e saudade da infância ingênua e alegre. Ao mesmo tempo em que a pessoa sente um certo alívio por chegar o fim do ano e, com ele, mais uma etapa sentimental (e fiscal) da vida, ela se dispõe a armar-se de novas ideias e forças para um outro período de vida. Todo esse processo é repetido ano após ano, acabando por deslocar a alegria que a pessoa teve como criança, por uma resignação conformista, adotada como adulto. Em muitas comunidades também se realizam confirmações nesta época que, junto com as formaturas no sistema de ensino, reforçam a ideia de que uma fase importante da vida está por começar. Os ensaios para a noite de Natal relacionam e subordinam o Advento ao Natal. O mesmo efeito também têm os preparativos, as limpezas, os presentes, os cartões, os jingles que o mundo inventou para comercializar os efeitos da visita da aurora do alto.

2. A comunidade entre a vinda acontecida e por acontecer.

a) A prédica vai relatar o que houve: a expectativa antes da vinda de Jesus e a alegria pela chegada de João Batista, visto por Lucas como o último estágio do processo histórico da vinda do Messias.

b) Para a comunidade cristã, porém, o Messias já chegou em Jesus, há 1982 anos, e constitui um fato histórico do passado, analisável cientificamente, transmitido pelos relatos da fé.

c) A segunda vinda de Cristo é uma expectativa um tanto vaga e mista de temores da hecatombe nuclear, de guerras e do desequilíbrio ecológico: falta de alimentos, de água potável e de oxigênio.

3. O homem ora pela vinda do Reino de Deus

a) O Reino de Deus vem, em verdade, de si mesmo, sem a nossa prece; mas suplicamos nesta prece que venha também a nós. (M. Lutero, Catecismo Menor, Explicação da 2a súplica do Pai Nosso) A pergunta é: Como é que o homem resignado, que se sente impotente, vai participar de coração do canto a respeito dos grandes feitos de Deus? Em grande parte os brasileiros enxergam que temos problemas oriundos de sistemas injustos e alienantes. Mas a tónica de seu posicionamento é a incapacidade pessoal que diz: Que é que se vai fazer? Tudo é tão pouco transparente, tão complexo, tão malvadamente engendrado, que não se vê saída. No culto de Advento teremos que exercitar uma oração que alimente vigorosamente a esperança e a leve ao trabalho concreto que promove a paz.

b) O medo sempre foi um instrumento poderosíssimo para calar ou abafar a fé. O objetivo da pregação será afirmar que o medo foi derrotado. Com o perdão dos pecados inicia a salvação: quem se sabe amado pelo Pai, não encontra mais empecilhos e freios para uma acão confiante de serviço em favor da libertação e da justiça dos irmãos.

c) Se o Advento puder servir como fator de movimentação, de impulso, de coragem, saberemos entender e caminhar com Deus na visita que faz aos esperançosos de amor no seu desespero, na sua dor ou na sua morte; aos que anseiam por proteção no meio das ameaças à vida. A falta de movimento tem múltiplas causas, entre outras: Uns permitem que seus problemas de saúde física os prendam. Há os que estão presos, atrás de grades de ferro ou não, por seus crimes. Outros são escravos da cobiça por poder e auto-projeção. Outros permanecem numa preguiça resignada e se desinformam. E também há muitos que se movimentam em sentido contrário: fogem da realidade em direção ao hedonismo, ao prazer egoísta e abstrato.

Para todos esses queremos ser irmãos que, pela fé e pela comunhão, se integram numa caminhada em direção à paz e à participação ampla na construção do Reino de Deus. Numa prédica sobre o texto, em 1944, R.A. Schröder perguntou o que seria crer na paz, quando os campos estão semeados de cadáveres! Nos dias atuais, as guerras com armas bélicas não cessaram e a guerra da exploração e subjugação mútuas recrudesce num mundo rasgado por interesses inconfessáveis, em proporções cada vez mais angustiantes.

d) Sabemos nós nos alegrar, ingênua e confiadamente, pela salvação que Deus promoveu e quer promover hoje? A promessa de Deus não está alta demais, afastada de nós? Não estamos afundados demais no pecado da humanidade deste século? E a nossa fé ainda conseguirá fazer a ponte entre esses abismos?

e) João Batista mostrou, na sua vida, o que significa prestar culto a Deus em justiça e sem medo. Ele uniu, em sua atuação, a libertação externa e a interna. Ele não só falou em arrependimento e perdão dos pecados, mas ofereceu o seu total empenho pessoal e físico no saneamento de estruturas de poder e governo, corrompidas por pessoas sem caráter e sem amor à sua gente e à pátria, mas apenas preocupadas com mordomias e vantagens próprias (cf. Mt 14.1-12).

4. Esboço da prédica

a) Acolhida do membro, onde ele está.

b) A perícope no seu contexto:

— A fé de Israel em seu Deus salvador na história;

— A esperança de Israel por um Messias;

— A alegria de Zacarias pelo filho que é precursor do Messias;

— A comunidade de culto cristão, sem medo, composta de pecadores agraciados, é aberta para o que Deus suscitou: um novo dia, uma nova terra e um novo homem.

c) O impulso que Jesus nos confere pela sua obra redentora, acontecida no passado, mas a ser consumada também em nós, nos liberta da apatia e indiferença, tornando-nos irmãos:

— A alegria da comunhão conduz ao louvor dos feitos de Deus, através do canto, encenação, pregação, diálogo, visitas, etc.

— A força da comunidade dá retaguarda para uma ação corajosa sobre o mundo de pessoas aflitas, que vivem como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36) e envoltas de escuridão e ameaçadas fie morte (v. 79a).

— A paz de Deus já é uma realidade em Cristo que, no entanto, quer conduzir também a nós a ela. Essa promessa valeu antes, e vale depois de Cristo.

d) Envio do membro para dentro do mundo

V — Subsídios litúrgicos

1. Confissão de pecados: Senhor, iniciamos hoje um novo Ano da Igreja, com a celebração do teu Advento. Temos esperanças de que algo mude em nós e ao nosso redor. Mas não sabemos como crer nisto concretamente. Confessamos-te nossa impotência diante do poder informe e anônimo que quer manter tudo como está. Às vezes somos comodistas e fugimos da realidade. Às vezes ficamos sem saber o que fazer, porque nossos planos alternativos não nos convencem à ação. Confessamos-te isto como nosso pecado, porque mostra que optamos por confiar primeiro em nossas obras e não em teu Reino que promove justiça e pratica a paz. Confessamos-te, principalmente, porém, que nos falta alegria dos que comungam, o júbilo dos salvos e libertos e o entusiasmo dos que confiam e lutam. Por isso te pedimos: tem piedade de nós, Senhor!

2. Oração de coleta: Senhor, muitas luzes se acendem, nesta época, em tua homenagem. Faze luzir também em nós o brilho da tua aurora de um novo dia, de uma nova terra e de um novo homem! Abre-nos o ouvido e a razão, para que a tua palavra penetre em nossa vida e o teu Espírito Santo nos liberte do medo e nos conduza à paz! Faze calar as muitas vozes desconcertantes que ecoam pelos ares pré-natalinos! Precisamos da tua orientação, para podermos orar, pensar e agir corretamente. Abençoa agora a Palavra a ser pregada em teu nome! Amém.

3. Oração de intercessão: Pai no céu. Nós te damos graças, porque fizeste maravilhas ao teu povo. Nós te louvamos pela reconciliação que promoveste, perdoando os nossos pecados. Somos-te gratos pelo amor que faz com que também nós possamos esquecer de rixas e de brigas e nos perdoar mutuamente. É por tua bondade que nos congregas e unes em comunidade e nos permites cantar, orar, ouvir e receber o ensino do caminho à tua paz. Humildemente te pedimos em favor desta comunidade e seu trabalho perante o mundo.

Abençoa os seus obreiros, a sua diretoria e os seus membros! Dá que entre nós se possa ouvir o canto de louvor de pessoas que não confiaram em vão em tua ajuda na hora de aflição, fome, doença, injustiça ou morte! Sê tu o nosso consolo, a nossa justiça, a nossa vida, a nossa luz, o nosso pão e o nosso amparo!

Pedimos-te pela nossa IECLB, para que as suas instituições, a sua direção e a sua missão no Brasil possam contar com o nosso apoio e a nossa oração, e para que a tua Palavra seja levada corajosamente a todos os lugares deste grande país. Pedimos-te pelos migrantes no Brasil, pelos subnutridos, pelos desempregados, pelos analfabetos e pelos favelados. Torna-nos teus instrumentos da paz, que combatem o desespero, o desânimo, a irresponsabilidade e o desgoverno. Dá que políticos, governantes e líderes sociais, culturais, comerciais e industriais percebam que a autoridade que têm, lhes foi confiada por ti, e que a usem com gratidão, bondade, diligência e esmero! Faze com que as promessas dos homens, também daqueles que recentemente foram eleitos, se comparem às tuas na fidelidade, no amor, na paciência, no empenho e na verdade! Impede, assim, a mentira e a falsidade entre nós! Não negues a alegria do teu Advento aos abandonados, aos perseguidos, aos viciados e aos condenados! Tem compaixão de nós, ó Deus e Pai, e envia-nos como os teus servos. Em nome do teu Filho Jesus Cristo, que contigo e com o Espirito Santo vive e reina eternamente. Amém

VI — Bibliografia

- IWAND, H.J. Meditação sobre Lucas 1.68-79. In: Herr, tue meine Lippen auf. Vol. 3. Wuppertal-Barmen, 1964.
- JACOBY, A. ANATOLE EX HYPSOUS. In: Zeitschrift für die neutestamentliche Wissenschaft. Vol 20. Giessen, 1921.
- LICHTENFELS.I. Meditação sobre Lucas 1.67-79. In: Proclamar Libertação. Vol. 5. São Leopoldo, 1979.
- LINK, H.G. Meditação sobre Lucas 1 67-79. In: Göttinger Predigtmeditationen, Göttingen. 63(11): 2-11, 1974.
- LUTHER, M. Catecismo Me¬nor. São Leopoldo, s.d. — Magnificat. In: Ausgewählte Werke. Vol. 6. 3. ed. München, 1958.
- RENGSTORF, K.H. Das Evangelium nach Lukas. In: Das Neue Testament Deutsch. Vol. 3. 8. ed. Göttingen, 1958.
- SCHRÖDER, R.A. Prédica sobre Lucas 1.68-79. In: Predigten zum Kirchenjahr. Frankfurt, 1965


Autor(a): Cláudio Molz
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Advento
Perfil do Domingo: 1º Domingo de Advento
Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 67 / Versículo Final: 79
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1982 / Volume: 8
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17592
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