Lucas 2.(15-20) 21

Auxílio Homilético

01/01/2013

Prédica: Lucas 2.(15-20) 21
Leituras: Números 6.22-27 e Filipenses 2.5-11
Autor: Geraldo Graf
Data Litúrgica: Ano Novo
Data da Pregação: 01/01/2013
Proclamar Libertação - Volume: XXXVII


1. Introdução

Durante uma entrevista para emprego, uma jovem informou conhecer diversas pessoas importantes. O entrevistador respondeu laconicamente: “Não faz diferença se você conhece tantas celebridades. Importa saber se elas conhecem você”. No culto de Ano Novo, somos apresentados ao nome de Jesus. Precisamos refletir sobre o uso que faremos do nome de Jesus no transcorrer do novo ano: Não podemos nem pretendemos usar seu nome para “engrossar o nosso currículo”, para engrandecer o nosso nome. Queremos, isto sim, que o nome de Jesus nos envolva e determine o nosso jeito de ser e de agir durante o ano de 2013. Regidos pelo nome de Jesus, queremos manifestar ao mundo o amor e o cuidado de Deus, que se tornou gente, que nos serviu até a morte de cruz, mas que ressuscitou e é Senhor e Salvador. “Para que ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos na terra” (Fp 2.11); para que esse nome seja uma bênção para todas as nações (Nm 6.22-27).

2. Exegese

Para a exegese desse texto, recomendamos a leitura do auxílio homilético de Werner Wiese em Proclamar Libertação 34, p. 69-72. O versículo 21, escolhido para a pregação, não apresenta maiores dificuldades de compreensão. O centro do texto é o nome JESUS, constante em todas as traduções. A NTLH traduz: “... puseram nele o nome de Jesus. Pois o anjo tinha dado esse nome ao menino antes de ele nascer”. Opto pela tradução de Almeida: “... deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido”. A NTLH generaliza a informação, enquanto Almeida, em concordância com o texto original, informa que o nome de Jesus já fora escolhido antes de sua concepção.

O nome JESUS somente foi pronunciado oito dias após o nascimento do menino, quando foi circuncidado. Lucas 2.7 faz referência a Jesus como o filho primogênito de Maria. Lucas 2.11 usa a expressão “Salvador, que é Cristo o Senhor”. Lucas 2.12,16 usa o termo “criança” (criança recém-nascida); e, finalmente, em Lucas 2.21, os tradutores usam o termo “menino”. O original grego usa o pronome auton (ele), referindo-se ao “menino”(paidion), citado em Lucas 2.17.

Deduz-se que só se declarou o nome JESUS no momento em que ele foi colocado sob o senhorio de Deus, quando de sua circuncisão. Sabe-se de tradições antigas, inclusive no Brasil, de dar o nome da criança somente na pia batismal, com a crença de que “apoderar-se do nome de alguém é ter domínio sobre o mesmo”. Evitava-se dizer o nome da criança não batizada para que não caísse no domínio de Satanás. A liturgia de Batismo mantém essa tradição. O sacerdote pergunta o nome da criança no ato do Batismo. E, assim, a pessoa é colocada sob o senhorio de Deus. No início de meu ministério em 1977, eu estranhava porque muitos pais resistiam em registrar seus filhos em cartório antes do Batismo dos mesmos. A Igreja Ortodoxa mantém a tradição de somente dar o nome da criança, em ato litúrgico, no oitavo dia. Um procedimento semelhante nós encontramos em Lucas 1.57-64 na história de João Batista. O que fica evidente e precisa ser ressaltado: a escolha do nome, tanto de João Batista como de Jesus (Lucas 1.13,31), não é decisão humana. É escolha e revelação divina (o nome indica a missão – o nome diz a que veio) e é guardado em segredo pelos pais até o oitavo dia após o nascimento.

3. Refletindo sobre o texto

Por meio do Segundo Mandamento, o povo de Israel aprendeu que o nome de Deus é santo e que não se pode “usá-lo em vão”. Para não abusar do nome de Deus, evitava-se usá-lo. Ao se nomear JESUS, a palavra de Deus tornou-se gente e habitou entre nós, cheia de amor e de verdade (Jo 1.14). Algo extraordinário e maravilhoso aconteceu. Não se trata apenas do significado do nome JESUS = Yeshua – “Deus é salvação”. Trata-se de algo muito maior: Deus, cujo nome era impronunciável, escolhe tornar-se humano, vulnerável, alcançável, um de nós através de Jesus (Fp 2.5-11). Por meio de Jesus, Deus permite que seu nome seja pronunciado. Ele revela que não é um Deus distante, inalcançável, nem que é um Deus terrível, vingador e castigador. Em Cristo, Deus revela-se um Pai amoroso. Deus escolhe um nome que pode ser invocado porque deseja revelar o seu amor à humanidade; Deus escolhe ser vulnerável para que possamos chegar a ele com nossas fraquezas, dores e culpas. Em nome de Jesus, podemos invocar a misericórdia, o amor e a graça de Deus.

Em Filipenses 2.5-11, o nome de Jesus é conectado com o esvaziamento de si mesmo, com a doação de si mesmo, chegando ao extremo da cruz. Quando invocamos o nome de Jesus, ele está sempre conectado à cruz. Justamente ali onde Deus se torna mais humano e mais vulnerável, é onde o seu nome se torna mais poderoso e onde se manifesta de forma absoluta e plena o seu profundo amor por nós. É onde o nome de Deus se torna mais acessível.

Somos batizados em nome de Jesus. Assim, todos os outros nomes, todos os outros poderes, todas as demais dominações, que tentam escravizar nossas vidas, tornam-se penúltimas. Ao nos apegarmos ao nome de Jesus, a nossa existência transforma-se e se enche de esperança. Ao nos apegarmos ao nome de Jesus, rejeitamos os nomes e as esperanças que só nos levam a becos sem saída. Esse é o propósito de invocarmos o nome de Jesus no princípio de um novo ano.

O que tem por trás de um nome? Há alguns anos, batizei o HAWLYNKSTONE. Não! Ele não é filho de americanos. Seus pais, brasileiros, não souberam explicar o significado do nome. Acharam bonito e pronto. É importante saber o significado do nome. Um jovem árabe de nome AWADALLAH quase recebeu um apelido na faculdade onde fazia intercâmbio. Os colegas desistiram do apelido quando descobriram o significado do nome. AWADALLAH = A PRESENÇA DE DEUS.

Em Lucas 2.21, o “menino” recebeu o nome de JESUS (grego). Em hebraico, seria JOSUÉ (Jeshua – Jehoshua): Javé é a salvação! O primeiro Jeshua (Josué) era um homem poderoso na batalha, e seu nome simboliza a vitória e a conquista. Josué lutou com os amalequitas sob Moisés (Êx 17.8-16), viu Canaã com Calebe (Nm 13), conquistou Jericó (Js 6), derrotou muitos reis (Js 10-12) e dividiu a Terra Prometida entre as doze tribos (Js 13-22). São muitos os que até hoje veem em Josué um modelo de liderança a ser imitado.

O segundo Jeshua é o outro Josué, que o texto grego chama de Jesus. Em Mateus 1.21, José recebe a orientação em sonho de dar o nome Jesus à criança que iria nascer. Em Lucas 2.21, oito dias após o nascimento, o menino foi levado ao Templo de Jerusalém para ser circuncidado conforme o rito judaico. Então recebeu o seu nome. Deixa de ser criança (Lc 2.12), menino (Lc 2.21) e passa a ser Jeshua: “Deus salvará”. Esse segundo Josué, Jesus, não traz a espada e o arco assim como o Josué do Antigo Testamento, mas convida o povo de Deus a unir-se em torno de uma proposta de paz. Jesus chamou pessoas para o amor e o serviço, para viver sob o perdão de Deus e vivenciá-lo em uma nova comunhão com o próximo. E Jesus defendeu essa proposta até as últimas consequências: a sua morte na cruz. Conforme Filipenses 2.5-11, na verdade, a sua aparente derrota tornou-se a sua vitória sobre pecado, morte e mal. Os acontecimentos da manhã da Páscoa comprovam sua vitória.

Jesus não conquistou nenhum poder político a exemplo de Josué, como esperavam Judas, Tiago, João e Pedro. Ao ser ressuscitado, Jesus deixou sepultado no túmulo aquele poder que se conquista com a espada e estabeleceu uma nova regra de justiça, paz e salvação. Jesus (Josué II) governa nossa vida com amor e vivencia aquilo que seu nome significa: O Senhor é a salvação! A sua conquista não foi no campo de batalha, mas no coração humano.

4. Atualizando

Como queremos viver, falar, agir e conviver em 2013 sob o nome de JESUS? Essa pergunta pode orientar a pregação. EM NOME DE JESUS! Precisamos estar conscientes do significado de seu nome – indicativo de sua missão – para condicionar o nosso jeito de viver a seu propósito, e não vice-versa. Em nome de Jesus. Em seu nome e sob o sinal da cruz, muitas guerras sangrentas foram realizadas, em especial as cruzadas durante a Idade Média, que tiraram a vida de milhares de pessoas. Não menos agressiva é a voracidade do capitalismo moderno, que estampa símbolos cristãos nas moedas nacionais (“Deus seja louvado”).

Viver em nome de Jesus traz em si um jeito de ser e de agir, resgatado do desejo natural de querer ser igual a Deus ou de emancipar-se dele (pecado). Em nosso Batismo, o nome de Jesus foi pronunciado sobre nós e o sinal da cruz foi feito sobre as nossas cabeças. Como pessoas batizadas, somos chamados a viver em união com o Jesus crucificado e ressuscitado (Rm 6.3ss). Ele nos acompanha em nossa jornada diária por meio do Consolador, o Espírito Santo, que nos encoraja e orienta a viver a proposta de Jesus. Esse nome vem da eternidade, mergulha em nossa realidade humana, ensina-nos a viver e a agir sob a bênção de Deus, na prática de seu amor, e nos conduz para a eternidade. Viver e agir “em nome de Jesus” em 2013 leva tudo isso em consideração.

5. Sugestões para a prédica

Sugerimos iniciar a pregação com uma dinâmica sobre o nome dos participantes. Em culto com grande número de pessoas, solicitar que algumas pessoas falem sobre o seu nome, como surgiu, se gostam dele, se conhecem o seu significado etc. Esse diálogo pode ser a introdução à pregação. Serve para despertar o interesse para o assunto e ajuda a fixar a mensagem. Em grupos pequenos (pontos de pregação e ou estudos bíblicos), a dinâmica pode ser realizada com atividade: pedir que dobrem uma folha sulfite ao meio, escrevam o nome com caneta hidrocor (usar letras maiores), rasguem o papel em torno dos contornos do nome, respeitando a dobra da folha. Depois, abram a folha (em forma de borboleta) e conversem sobre o formato que surgiu a partir do nome. O diálogo pode continuar com as perguntas em torno do nome.

Colocar o acento no viver o ano de 2013 sob o nome e a serviço de Jesus.

Leituras complementares: Números 6.22-27 (Bênção Sacerdotal); Filipenses 2.5-11 (Humildade e grandeza de Cristo); Salmo 8.

Bibliografia

BOUMAN, Luke. New Year’s Day – The Name of Jesus, 1. January 2005. Sermon on Luke 2:21. In: Göttinger Predigten im Internet. Disponível em: www.predigten.uni-goettingen.de , 2005.
WIESE, Werner. Proclamar Libertação 34. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2009. p. 69-74.


Autor(a): Geraldo Graf
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Ano Novo

Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 2 / Versículo Inicial: 21
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2012 / Volume: 37
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25453
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Hoje, tenho muito a fazer, portanto, hoje, vou precisar orar muito.
Martim Lutero
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