Lucas 24.13-35

Auxílio Homilético

21/04/1996

Prédica: Lucas 24.13-35
Leituras: Atos 2.14a, 36-47 e 1 Pedro 1.17-21
Autor: Augusto Ernesto Kunert
Data Litúrgica: 3º. Domingo da Páscoa
Data da Pregação: 21/04/1996
Proclamar Libertação - Volume XXI


1. Introdução

Sugiro seguir a sugestão de Fritz Rienecker, que divide a perícope em cinco subtítulos: O encontro entre Jesus e os discípulos no caminho de Emaús: Lc 24.13-16; O diálogo dos dois viajantes com o ressurreto: 24.17-24; Jesus interpreta os textos do AT: 24.25-26; Os acontecimentos na casa dos discípulos de Emaús: 24.27-31; e, finalmente, A mensagem dos discípulos de Emaús sobre o ressurreto aos demais discípulos: 24.32-35 (p. 541).

O texto não pretende ser uma enumeração de provas do acontecimento da Páscoa; é, antes, uma reflexão teológica, entrelaçando acontecimentos e interpretação, experiência e reflexão. O/a pregador/a deve estar consciente de que a perícope é extremamente cristocêntrica. Ela é um testemunho vivo do Cristo vivo.

2. Exegese

Vv. 13-16: Dois discípulos, saindo de Jerusalém, estão a caminho de Emaús. Quem são esses dois homens? Eles não faziam parte do grupo dos 12 discípulos. Gottfried Voigt, baseando-se em Lc 24.9, diz que pertenciam ao grupo dos loipoi, ou seja, ao círculo maior dos discípulos (p. 224). E Walter Bauer, interpretando o significado de loipos, diz que panter hoi loipoi (24.9) tem o sentido de todos os outros, os demais (p. 795). Esta ideia tem amparo no v. 33, onde lemos que os discípulos de Emaús, voltando a Jerusalém, acharam reunidos os onze e outros com eles.

Emaús é uma aldeia nas proximidades de Jerusalém. Sua localização é difícil. Há muita controvérsia a respeito. Muitos lugares são apontados. As palavras de Karl H. Rengstorf, depois de examinar diversas possibilidades, demonstram a insegurança quanto à localização de Emaús: Finalmente a distância de 60 estádios de Jerusalém corresponde ao atual 'el ikbebe', onde os franciscanos, desde as anos de 1500, mostram a Emaús da história da Páscoa; contudo, falta ali qualquer sinal de fonte quente, cuja presença o nome de Emaús sugere (p. 271).

O texto mostra que o ressurreto acompanha os seus irmãos e discípulos, mesmo que não seja reconhecido por eles. Reconhecimento e reencontro acontecem sob a palavra e na ceia. E nisto está a intenção do texto, aponta Walter Grundmann, afirmando: O reconhecimento do Senhor vivo e o reencontro com ele acontecem sob a sua palavra e à mesa; ali ele está presente como divino viajante e hóspede (p. 443). Isto se evidencia na caminhada de Jerusalém a Emaús, na interpretação dos textos bíblicos e na ceia à mesa dos dois discípulos.

A conversa e o estado de espírito dos dois discípulos chamaram a atenção de um terceiro viajante. Os discípulos, inicialmente, não sabiam de quem se tratava. Para nós, Lucas identifica o companheiro de viagem como sendo Jesus. Os dois não o reconheceram: os seus olhos estavam impedidos de o reconhecer' ' (v. 16). Estava diferente o corpo do ressurreto? A emoção com a morte de Jesus, totalmente inesperada e decepcionante, teria cegado os discípulos? A destruição de suas esperanças de um messias forte, poderoso e libertador de Israel teria rompido sua fé? Os dois estavam tomados de medo, decepção e tristeza a ponto de terem sua compreensão e seus olhos impedidos de o reconhecer. Com eles ocorreu o mesmo que Jesus disse a propósito do encontro de Lázaro e do homem rico: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos (Lc 16.31).

Vv. 17-24: Jesus, o mestre da poimênica e da sensibilidade para com o sofrimento humano, conversa com os dois discípulos durante a caminhada. Ele conquista a confiança de ambos. Mesmo estando amedrontados por causa das ocorrências de Sexta-Feira Santa, abrem os seus corações enlutados ao companheiro de jornada. Estranham que este desconheça os terríveis acontecimentos dos últimos dias. Parece ser o único a ignorar as ocorrências destes últimos dias (v. 18). Tristeza, decepção e talvez até alguma amargura com o desmoronamento de suas esperanças, que os envolviam com o crucificado como libertador de Israel, os levaram a falar de seus sentimentos. Em suas colocações Jesus é visto como o varão profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo (v. 19). Nele aguardavam a vinda do messias, o prometido de Deus para salvar a Israel do jugo romano. O messias é apontado pelas profecias, desde os tempos de Moisés (Dt 18.18), como aquele que trará a salvação de Israel. Era comum o povo ver no messias o descendente do rei Davi. Ele haveria de resgatar o trono real, outrora destruído pelos inimigos do povo de Deus.

As colocações dos discípulos dão a entender que esperavam de Jesus que ele resolvesse todos os problemas sociais e políticos de Israel. A partir desta compreensão, era-lhes inadmissível que a cúpula dos sacerdotes — os guias espirituais do povo e profundos conhecedores da Escritura — promovesse a morte de Jesus, entregando-o ao poder civil para o crucificarem (v. 20).

Suas espera ucas se desfizeram. Já se passaram três dias depois da crucificação, li, segundo uma crença popular da época, a alma do falecido permanece durante três dias nas proximidades do cadáver. Jesus agora deve estar morto, também está esperança, a de que Jesus pudesse recuperar a vida, caiu por terra, pois já é este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam (v. 21).

Os dois discípulos conheciam os comentários sobre a sepultura vazia encontrada por mulheres de seu grupo. Também a notícia dos anjos de que ele vive (v. 23) chegou a eles. Em seu estado de espírito, com os olhos impedidos de o reconhecer, o fato de que as mulheres não o viram (v. 24) determinou o seu desânimo. Jesus, para estar vivo, teria de ser visto por alguém. Como isso não ocorreu, as notícias não passavam de boatos.

Vv. 25-27: Jesus foi severo com os dois discípulos. Não os poupou. Não colocou panos quentes. Não os consolou com palavras baratas nem os confortou com meias palavras. Chamou-os de néscios e os qualificou de corações tardos, lista é uma realidade: para ajudar alguém, devemos ser, seguidamente, francos e ale severos. Na atitude de Jesus revela-se sua intenção de ajudar aos dois. Todo o seu procedimento qualifica-o como poimênico. Os discípulos devem entender corretamente as Escrituras. Desprender-se de interpretações errôneas e de fantasias. Então, sim, poderão entender e assumir o verdadeiro sentido da Sexta-Feira Santa, da sepultura vazia e da boa nova de que ele vive.

Em sua aula de evangelização, Jesus esclarece, desde os tempos de Moisés, as profecias sobre o messias. Ele lhes mostra que todo o AT é testemunho do Cristo, que teria de sofrer para entrar na sua glória (v. 26). A morte abre a passagem para a nova vida. Na morte e ressurreição de Jesus, o messias prometido e esperado, revela-se o plano de salvação de Deus em toda a sua abrangência e plenitude. A Bíblia é a chave para se chegar a essa compreensão. No plano de salvação de Deus se concentra a mensagem de que o messias deve sofrer em lavor dos seres humanos. Somente no caminho do sofrimento ele entrará na doxa autou (v. 26).

Vv. 28-31: A caminhada termina. Chegam ao seu destino. Jesus faz menção de seguir adiante. Os discípulos convidam-no para ficar, porque o dia já declinou (v. 29). O companheiro de viagem os impressionou. Seu conhecimento das Escrituras e suas interpretações das profecias sobre o messias mexeram com eles. Querem desfrutar a sua companhia por mais tempo. A responsabilidade de hospedeiros aliou-se ao desejo de usufruir a companhia do homem que lhes merecia todo o respeito.

Jesus aceita o convite. A mesa é posta. Jesus é convidado a assentar-se à mesa. E ali age não como hóspede, mas como hospedeiro. Toma o pão, o abençoa, reparte e oferece aos discípulos. Neste momento ambos têm os seus olhos abertos e os seus corações tardos reconhecem a Jesus. Sabem que o crucificado, morto e sepultado ressuscitou, está vivo e com eles à mesa. O anuncio da sepultura vazia e o aviso dos anjos de que ele vive se confirmam com o ressurreto em seu meio. Seus corações rejubilam, pois Cristo ressuscitou, verdadeiramente ele ressuscitou. Em sua palavra e na ceia Jesus se manifestou. Com os seus ensinamentos, renovou os corações tardos e abriu os olhos impedidos.

A iniciativa partiu de Jesus. Foi ele que seguiu os dois discípulos, aproximou-se deles e acompanhou-os na caminhada. Ele os ensinou, se manifestou, os renovou. Mesmo que desapercebidamente, Jesus está conosco a caminho, ao nosso lado, nos acompanha na vida. Aos discípulos agraciou; conosco faz hoje o mesmo, com a fé. Ela é dádiva de Jesus Cristo, transmitida pelo Consolador ao recebermos a sua palavra e participarmos de sua ceia.

Vv. 32-35: A fé, como mostra o caso dos discípulos de Emaús, quer testemunhar, quer comunicar-se, quer estabelecer comunhão. É característico da lê não se fechar em si, não nutrir auto-suficiência nem se manter enclausurada e esconder o tesouro recebido; ela quer, pelo contrário, que nasçam bons frutos na vida de outras pessoas para que muitos tenham vida e salvação.

Os discípulos de Emaús, recém chegados de Jerusalém, põem-se a caminho de volta para testemunhar aos irmãos a dádiva recebida com a manifestação de Jesus. Entendem por que o coração lhes ardia com a presença do companheiro de viagem. Com o coração ardente, chegam a Jerusalém para testemunhar o Cristo vivo.

Antes de darem o seu testemunho, recebem a boa nova de que Jesus apareceu a Pedro. E Pedro, o traidor do templo, vem a ser o primeiro a quem Jesus se revela. Ele renova e restabelece com Pedro a comunhão prejudicada e rompida com a negação no templo. Pedro experimenta e vive o perdão de quem foi à cruz como cordeiro de Deus para expiar os pecados do mundo.

O júbilo entre os discípulos, do círculo mais íntimo e do círculo maior, é imenso. E a perícope termina apontando para a comunhão de vida com Jesus Cristo, oferecida com o partir do pão.

3. Meditação

1. O texto manifesta desconfiança e suspeita. Isso nos mostra o v. 24, quando os dois discípulos dizem: Mas a ele não o viram. Este posicionamento nos deve servir de alerta ao elaborar a prédica. A intenção de enumerar provas para a ressurreição vai encontrar sérias barreiras. Os olhos impedidos vedam visão e compreensão. Os dois discípulos não assumiram a informação a respeito da sepultura vazia nem a notícia dos anjos de que ele vive, mesmo que prestadas por mulheres de seu próprio círculo de convívio! Mais ainda, não reconheceram a Jesus caminhando lado a lado com eles. Falar na vila de Emaús como prova geográfica, se sua localização está totalmente prejudicada?

A enumeração de provas não c a forma aconselhável para a prédica. A perícope é uma reflexão teológica na situação difícil da comunidade após a Sexta-Feira Santa e a Páscoa. Ela transmite com muita sensibilidade poimênica o porquê e o sentido da morte e ressurreição de Jesus Cristo, restabelecendo a linha contínua do plano de salvação de Deus nos tempos entre Moisés, a cruz e a Páscoa, anunciando que em Jesus Cristo se cumpriram as profecias e o plano de salvação de Deus.

Não são provas históricas, nem algum esforço humano, nem discursos filosóficos que abrem os nossos olhos e levam o nosso espírito a reconhecer Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador! Jesus Cristo, como nos atesta a perícope, entra em nossa vida, abre a nossa compreensão e se manifesta a nós. A fé é dádiva. Na graça do Espírito Santo, Jesus me ensinará todas estas coisas e fará lembrar de tudo o que vos tenho dito (Jo 14.26). Então, sim, os nossos olhos estarão abertos e o nosso coração compreenderá: Ele vive.

2. Surge outro perigo para a prédica. A situação brasileira é muito preocupante. Chocamo-nos com a violência, problemas sócio-políticos, a corrupção, crianças abandonadas, a decadência na educação e na saúde pública e com o desrespeito à natureza. Isso é uma carga pesada e difícil de suportar. Não estou sugerindo que o/a pregador/a se esqueça da aflição do povo, que deixe de lado a vergonha que marca a nossa vida pública.

Básico é para a prédica evangélica o que a perícope também requer: que ela seja cristocêntrica. A renovação da vida pública, da índole política comprometida e da atuação desrespeitosa nos setores sociais não ocorre com a simples reformulação de certos artigos da Constituição e de leis. A corrupção vai furar as leis para defender interesses escusos. O/a cidadão/ã deve sofrer a sua renova-ção no espírito e na verdade. A nova vida da Páscoa vem da ressurreição de Jesus Cristo. Com ela as mais diversas e deterioradas situações são transformadas. Portanto, na prédica da Páscoa a nova vida no Cristo ressurreto quer ser a mensagem. Em Cristo teremos hoje a nossa Páscoa e, com ela, força para aluarmos na busca de renovação de situações negativas. Em Cristo seremos fermento.

Jesus evangelizou os discípulos de Emaús para levá-los ao reconhecimento de que o sofrimento marcou o caminho do messias. A via crucis, e não o triunfo, resultou na Páscoa. Houve Sexta-Feira Santa para que acontecesse Páscoa. Ocorreu a morte para que viesse a vida nova. Páscoa vem a ser o grito de libertação da morte, do pecado, da corrupção, da injustiça, de todo poder destruidor; ela é a passagem para a vida nova. A partir daí, toda problemática a envolver a sociedade é assunto para a prédica. É fundamental que o/a pregador/a aponte para a ressurreição de Jesus Cristo como doador da renovação e da nova vida.

Toda pregação que venha a colocar o contexto acima da mensagem da Páscoa forçará o texto e terminará em um noticioso sobre assuntos políticos, sociais e ecológicos. E os membros irão sair frustrados do culto, e a queixa daqueles que afirmam que recebem tais informações diariamente e com maior qualificação pelo rádio, pela televisão e pelos jornais é justa, pois o/a pregador/a negou-lhes o anúncio do Cristo vivo da Páscoa.

3. O texto é uma reflexão teológica, preocupada com a pregação do Cristo vivo. Ele é um testemunho dos novos tempos irrompidos com a Páscoa. Com sensibilidade poimênica, envolve-se com opiniões e convicções distorcidas para colocá-las em seus devidos lugares.

O texto aponta situações típicas de pessoas desiludidas e decepcionadas. Para elas tudo terminou. Jesus já se foi. As esperanças se desfizeram. Jesus morreu. Nada restou. A notícia a respeito da sepultura vazia e a afirmação dos anjos de que ele vive são boatos.

A prédica deve ajudar a comunidade na caminhada, conduzindo os de olhos impedidos, os néscios e os tardos de coração à confissão alegre de que Jesus Cristo ressuscitou. Roguemos, pois, na preparação da prédica e no culto, que Jesus, pelo Espírito Santo, o Consolador que nos ensina todas as coisas, fale conosco.

A nossa situação não é tão diferente daquela dos discípulos de Emaús. Medo, tristeza, decepções e expectativas frustradas nos impedem de ver em Jesus o Cristo, aquele que veio para buscar e salvar o perdido. Também nós preferimos o bem-estar, a comodidade, o Cristo triunfante. É difícil aceitar o sofrimento como passagem para a luz. Jesus o chefe político, Jesus o reformador social, Jesus o libertador é o ideal preferencialmente aceito. Mas ver em Jesus um messias sem a cruz é vê-lo sem ressurreição.

Somente um caminho nos leva ao reconhecimento: ouvir o que a Bíblia nos diz. E Jesus, começando com Moisés, discorrendo por todos os profetas, expôs o que a seu respeito constava nas Escrituras (veja v. 27). A fé vem da palavra. Jesus aponta para o AT. Este testemunha acerca de Jesus e se torna uma Conte para a fé.

Ao lado do AT temos o NT. Eles são uma nuvem de testemunhas. Isso devemos dizer à comunidade: deves ler a Bíblia. É ela que testemunha o Cristo. Ela vai abrir os teus olhos impedidos. Vai nos abrir a compreensão de que foi necessário que Jesus sofresse, morresse e ressuscitasse para salvar o que estava condenado e perdido.

4. O texto refle te o problema dos que não conseguem reconhecer a Jesus, seja por falta de contato direto, por não pertencerem ao grupo do convívio pessoal ou por não viverem mais na primeira geração. O Evangelho de Lucas foi escrito muitos anos depois da primeira Páscoa.

A dificuldade de reconhecimento não foi só dos discípulos de Emaús. 'lambem Maria Madalena (veja Jo 20.14,16), os discípulos reunidos na praia (Jo 21.4) e os discípulos em Jerusalém (Ec 24.31) passaram pela mesma situação. Mateus 28.17 testemunha que os discípulos viram o ressurreto no monte da Galiléia, mas alguns duvidaram. O visual de Jesus, como foi o caso dos discípulos de Emaús, não os livrou da dúvida. Ela foi e ainda hoje é vencida pela palavra de Jesus Cristo e no encontro da Santa Ceia. Não é a visão do corpo, não são provas históricas e não são discursos filosóficos a base e o fundamento da lê. A palavra de Jesus gera a fé. O reformador Martinho Lutero o diz muito bem no Catecismo Menor, explicando o terceiro artigo do Credo Apostólico: Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo... e, mais adiante: O Espírito Santo me chamou pelo evangelho... No chamar, iluminar, santificar e conservar na verdadeira fé está a intenção da Páscoa. Ele vive, é a mensagem da Páscoa. O Cristo vivo nos procura hoje, fala conosco, nos acompanha no caminho da vida, nos renova e ' 'conserva na verdadeira e única fé.

5. Jesus conosco — Jesus desapareceu! Os discípulos de Emaús tiveram o seu encontro vivencial com Jesus. Ele lhes abriu os olhos e eles o reconheceram. Depois Jesus desapareceu de sua vista. Deixou-lhes a sua palavra e a ceia como sinais de reconhecimento. Na palavra e na ceia Jesus permanece com a sua comunidade através dos tempos. Mesmo sendo invisível e impalpável, ele se transmite a nós. Fala conosco e nos abençoa; parte o pão e no-lo oferece. Na Ceia reconhecemos o Cristo vivo.

Invisível, mesmo assim Jesus está conosco a caminho. Em momentos de recolhimento íntimo e de reflexão silenciosa o companheiro na jornada da vida está conosco. Sozinhos? Em verdade Jesus segue ao nosso lado. Com a sua palavra ele estende a mão ao nosso encontro para nos amparar, abrir a nossa compreensão, nos orientar e fortalecer o espírito, integrando-nos em sua comunhão de vida. No encontro ele nos abençoa. Quem sabe quanto tempo Jesus nos acompanha e sentimos ânsia pela sua manifestação? A ânsia não será algo semelhante ao arder no coração dos discípulos de Emaús?

Reconhecer ao Senhor? Sim, a fé reconhece Jesus na sua palavra, no pão e no cálice da Santa Ceia. O reconhecimento se dá ao recebermos o sacramento. Em seguida vemos somente pão e vinho. O desaparecimento visual não quer dizer que Jesus não esteja conosco. Invisível, sim, porém presente conosco em espírito e na verdade, na palavra e no sacramento.

O reconhecimento de Jesus nos põe a caminho em busca dos seres humanos. Os discípulos de Emaús foram a Jerusalém para encontrar-se com os outros discípulos. Qualquer lugar de nossa vivência poderá tornar-se a nossa Emaús, que, pela experiência do Cristo vivo, nos leva ao encontro com os irmãos em alguma Jerusalém da vida. O encontro com Jesus leva à comunhão e envia ao mundo para testemunhar o Cristo vivo. O que enche o coração faz os lábios transbordarem. O encontro com Cristo faz de nós testemunhas da Páscoa.

4. Subsídios Litúrgicos

Confissão: Santo Deus e Pai, entregaste o teu Filho amado à cruz para resgatar-nos do pecado. Teu Filho morreu para que fôssemos justificados. Senhor, ilumina os corações nas lides diárias, preparando-nos constantemente, já que somos de corações tardos, para reconhecer-te. Dá-nos, Senhor, participação na vida de Jesus Cristo, então também nós teremos a nossa ressurreição. Ajuda-nos a viver em novidade de vida pela graça de Jesus Cristo, o Salvador que foi morto e está vivo! Tem piedade de nós, Senhor!

Oração de coleta: Onipotente e misericordioso Deus, louvamos o teu santo nome e, pelo cumprimento de nossa salvação no sofrimento de Jesus Cristo, agradecemos de coração. Em Jesus Cristo venceste o pecado e o mundo, o sofrimento e a morte. Senhor, leva-nos da morte para a tua vida pela graça revelada em Jesus Cristo, nosso Salvador vivo. Renova o nosso ânimo no desgosto e na decepção, iluminando-nos com a tua luz. Faze com que os corações tardos compreendam que estás ao nosso lado na jornada da vida. Tu, o prometido ressurreto, que entraste na tua glória, reúne-nos contigo. Que ninguém nos separe de ti. Onde tu estás, queremos estar também nós, os teus discípulos. Amém.

Oração final: Senhor Deus, Pai celestial, louvamos a tua fidelidade e misericórdia. Enalteceste a Jesus Cristo, o crucificado e ressurreto, como Senhor da Igreja e na sua glória consumaste o teu plano de salvação. Dá-nos parte em sua vitória sobre o mundo, o pecado e a morte, deixando-nos receber a tua força para vencer o velho homem e viver em novidade de vida. (Obs.: As orações foram adaptadas de Evangelisches Kirchenbuch, pp. 69, 70 e 73.)

5. Bibliografia

ARPE, Karl & ZILLESSEN, Alfred, eds. Evangelisches Kirchenbuch. 7. ed. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1940.
BAUER, Walter, Griechisch-Deutsches Wörterbuch. 3. ed. Berlin, Alfred Töpelmann, 1937.

EICHHOLZ, Georg. Herr, tue meine Lippen auf. 4. ed. Wuppertal, Emil Müller, 1959. vol. l.

FALKENROTH & HELD, eds. Hören und Fragen. Neukirchen, Neukirchener, 1978. vol. 1. Göttinger Predigtmeditationen; erste Predigtreihe; Estomihi bis Cantate. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, fev. 1979. Caderno 2.
GKUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Lukas. 8. ed. Berlin, Evangelische Verlagsanstalt, 1978.
RENGSTORF, Karl Heinz. Das Evangelium nach Lukas. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1949. (Das Neue Testament Deutsch, 3).
RIENIECKER, Fritz. Das Evangelium nach Lukas. Wuppertal, Brockhaus.
VOIGT, Gottfried. Homiletische Auslegung der Predigtreihe; der schmale Weg; Reihe 1. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1979.


Autor(a): Augusto Ernesto Kunert
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Páscoa
Perfil do Domingo: 3º Domingo da Páscoa
Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 24 / Versículo Inicial: 13 / Versículo Final: 35
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1995 / Volume: 21
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 14230
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