Lucas 3.7-18

Auxílio Homilético

15/12/1991

Prédica: Lucas 3.7-18
Leituras: Sofonias 3.14-18a e Filipenses 4.4-7
Autor: Carlos A. Dreher
Data Litúrgica: 3º Domingo de Advento
Data da Pregação: 15/12/1991
Proclamar Libertação - Volume: XVII


1. Advento

Advento é tempo de preparar o caminho do Senhor. A expressão cunhada pelo Dêutero-Isaías (40.3) no seu prenúncio de retorno dos exilados é retomada no Evangelho na figura de João Batista (Mt 3.3; Mc 1.3; Lc 3.4; Jo 1.23). Trata-se, sem dúvida, de uma releitura. Em torno de 550 a.C., a palavra reverberava como uma explosão de alegria: o juízo estava no fim; a hora era de voltar para Jerusalém, a cidade do templo, o lugar onde Javé fazia habitar o seu nome (Dt 12.5 passim) No 15° ano do reinado de Tibério César (Lc 3.1), a mesma palavra ganhava outra conotação: o juízo está por vir; na sua eminência é preciso estar preparado; o machado já está posto à raiz (Lc 3.9). Da alegria se passa à apreensão.

Por outro lado, em 550 a.C., o caminho devia ser preparado no deserto. Agora, alguém chama do deserto. A referência quer apenas indicar que João está no deserto? Ou sua voz soa como no deserto, sem que ninguém a escute?

A voz de João soa agreste. Assusta, amedronta. Pouco tem a ver com as palavras de Sf 3.14-18a ou de Fl 4.4-7 igualmente previstas para este 3° Domingo de Advento: Rejubila, filha de Sião! Alegrai-vos sempre no Senhor! — Raça de víboras!, contrapõe João. — Quem vos induziu a fugir da ira vindoura?

Nada de euforia. Aquele que vem, aquele para quem se deve preparar o caminho, vem para queimar a palha! É preciso exortar. E, não obstante, a exortação é boa notícia, é Evangelho (Lc 3.18)!

Em meio a estas coordenadas, somos convidados a celebrar o Advento.

2. O texto

O texto proposto para a pregação (Lc 3.7-18) não apresenta maiores dificuldades do ponto de vista literário. Alguma dúvida poderia pairar sobre dois aspectos:

O primeiro diz respeito à relação entre os vv. 15-17 com o que lhes antecede. V. 15 poderia pressupor um interlocutor distinto de vv. 7ss. Ali se falava das multidões, aqui se fala do povo. Contudo há no mínimo duas amarrações entre as partes: v. 16 retoma, no clareamento das expectativas populares, o batismo (v. 7) como critério diferenciador entre João e o Cristo. Apesar de desigual, o batismo é tematizado no conjunto do texto proposto. Além disso, o v. 17 parece estar em es treita ligação com o v. 9. Machado e pá aparecem em ambos os momentos como símbolos do juízo iminente. Ligue-se a isso a imagem do fogo, igualmente presente nos dois versículos, como elemento de eliminação do que não representa fruto (trigo). Aqui e ali, a questão é separar do bom o que não presta.

O segundo tem a ver com a pergunta sobre se o estranho v. 18, ainda faz parte do conjunto. Em todo o caso, o v. 19 traz uma nova indicação histórica, ao apresentar Herodes e informar sobre as causas da prisão do Batista, no que conclui a moldura presente também nos vv. 1-6. O v. 18 não combina com a indicação histórica. Cabe muito mais como fecho da pregação de João, ao indicar que as exortações contidas em 7 a 17 não são as únicas expressas por ele. Além daquelas, houve muitas outras, através das quais João anunciava o evangelho ao povo.

A partir daí, tomo o texto proposto como unitário. Não obstante, visualizo internamente 3 subunidades:

a) vv. 7-9 — a pregação de João;

b) vv. 10-14 — a reação dos ouvintes e a nova exigência;

c) vv. 15-17 — o Cristo — aquele que há de vir.

O v. 18 conclui o conjunto, ao afirmar que as exortações precedentes perfazem o Evangelho.

Numa comparação sinótica (paralelos em Mt 3.1-12; Mc 1.2-8), percebem-se algumas peculiaridades no texto de Lucas. Apesar de faltar ao texto de Lucas toda e qualquer menção às vestes e à alimentação pouco usuais do Batista, ele é mais extenso que seus paralelos. Cai em vista que os vv. 10-14 são matéria exclusiva de Lucas. Nos outros evangelhos não temos a reação dos ouvintes da pregação de João. Do mesmo modo o v. 15 parece representar, ao menos em parte, construção lucânica.

Um outro destaque merece o fato de em Lucas se falar das multidões que saíram para ser balizadas (v. 7), ao passo que em Mateus (v. 5) se fala de Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão, e em Marcos (v. 5), de toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém. Neste contexto, a raça de víboras é composta por muitos fariseus e saduceus, ao passo que para Lucas este epíteto é utilizado de forma ampla para as multidões.

Por último, falta aos paralelos qualquer menção semelhante ao v. 18 de Lucas, no qual se insiste em equiparar exortações e Evangelho.

Fundamentais me parecem ser em Lucas, a partir desta comparação, três aspectos:

a) As multidões são xingadas de raça de víboras;

b) Os vv. 10-14 têm, para Lucas, função especial;

c) O v. 15 nos aponta a pregação de João como evangélica.

3. O contexto histórico

Detalhes históricos a respeito de João Batista não existem muitos. Além dos evangelhos há ainda o relato de F. Josefo a seu respeito. Motivos lendários e tendências nos relatos não permitem reconstruir um quadro suficientemente claro. Os evangelhos têm clara intenção de subordinar João a Jesus. João prepara o caminho. Jesus é maior do que ele (cf. Lc 3.16 par.).

Josefo, por seu lado, o descreve como um mestre de virtudes, fala a respeito de seu batismo como uma purificação ritual do corpo, contestando, porém, expressamente sua relação com perdão dos pecados. Essa apresentação inofensiva do Batista não combina, entretanto, com a argumentação de que ele teria sido preso em decorrência do medo de agitações políticas por parte de Herodes Antipas.

Apesar do caráter lendário das narrativas em torno de seu nascimento em Lc 1.5 ss., não há motivo para duvidar de que seja filho de sacerdote. Assim também a indicação de Lc 3.1, segundo a qual sua atuação teria iniciado no 15° ano de Tibério, o que corresponderia aproximadamente ao ano 28 d.C., pode estar correta. Não sabemos definir a duração de sua atividade.

João aparece no deserto e batiza no rio Jordão (Mc 1.4s. par.). A menção ao deserto não parece ser apenas interpretação cristã de Isaías 40.3. Mt 11.7 e pai confirmam seu local de atuação. A ele acorrem especialmente pessoas de Jerusalém e da Judéia. Esses dados apontam para a estepe do Jordão ao sul do oásis de Jericó, para onde também converge a tradição local.

Essa localização o coloca na proximidade geográfica de Qumran, isto é, da comunidade dos essênios, no máximo duas a três horas de caminhada em direção ao sul. Isso poderia explicar a grande afinidade entre João e os essênios, verificável principalmente na centralidade do chamado radical ao arrependimento, a expectativa do fim iminente e a prática de banhos rituais.

Diferença fundamental parece consistir no fato de que, para os essênios, o arrependimento leva ao ingresso na nova comunhão com Deus concretizável na comunidade, isto é, na seita. .Para o Batista, o chamado ao arrependimento não leva a uma nova organização, mas ao encontro escatológico definitivo com Deus. O fim já está iniciado. Por isso, todo Israel é chamado a entrar no movimento do arrependimento. Neste sentido, Josefo poderia estar certo, ao afirmar que João teria busca do unificar o povo através do batismo.

É possível que, originalmente, João tenha tido ligações com os essênios de Qumran. Há quem suponha, baseando-se para isso em Lc 1.80, que o Batista tenha si do educado entre eles. Contudo, sua animosidade contra os fariseus e saduceus (Ml 3.7) comprovaria seu afastamento de Qumran.

Em todo o caso, a mensagem de João ultrapassa a proposta de Qumran ao universalizá-la. Sua proclamação do batismo como caminho da justiça (Mt 21..12), oferecido por Deus para a grande purificação anterior ao início do tempo de salva cão (ou de juízo?), vai além do pequeno grupo fechado. Ele a oferece a todo o povo.

Para João, a purificação do ser humano integral acontece na conversão e nu batismo. Este último é o sacramento escatológico universal. Como tal é preparação para a dádiva do Espírito, a ser trazido por aquele que vem. Também neste aspecto. João se distancia de Qumran, ao contestar a seus membros a posse do Espírito.

A execução de João por ordem de Herodes Antipas é confirmada pelos evangelhos e por Josefo. Alguma discussão é suscitada em torno das causas para tal. Segundo os relatos evangélicos, o motivo de prisão e morte seriam as críticas dirigidas ao tetrarca pela sua situação de adultério (Mc 6.14-29, par.) e por todas as suas maldades (Lc 3.19). Para Josefo, a motivação de Antipas é política. João agitava o povo. Em todo o caso, ambas as explicações permitem compreender o porquê de o povo ver em João o retrato de Elias (cf. Lc 1.17; 9.7-9; Jo 1.21; compare l Rs 17-19; 21; 2 Rs 1-2).

É nessa tradição profética que o insere Lucas, ao iniciar o cap. 3 com um típico cabeçalho de livro profético (cf. Jr l.lss.; Am 1.1; Os 1.1, etc.). Diferente é a indicacão das autoridades cúlticas ao lado das políticas, o que há de fazer justiça à situa cão peculiar da comunidade de Jerusalém. Importante, para o nosso texto, é que João é aqui apresentado como profeta (cf. profeta do Altíssimo — Lc 1.76). Co¬mo tal se apresenta, anunciando e praticando uma ação simbólica (batismo). Como tal quer aqui ser compreendido.

4. O texto em pormenores

4.1. A pregação de João — vv. 7-9

Chama a atenção o fato de que a pregação dura e incisiva do Batista se dirige, conforme Lucas, indistintamente as multidões. Mateus nos deixaria numa posição bem mais confortável. Para ele, raça de víboras seriam fariseus e saduceus (3.7). Poder-se-ia, então, diferenciar grupos antagônicos. Aqui, não. Não há bons e maus, nem fiéis e hipócritas. Não sobra nada. Não há resto santo, como poderiam imaginar representantes de outros grupos, como fariseus e essênios. Todas as pessoas que integram as multidões que saem ao encontro de João são igualmente censuradas. Não há exceção.

São multidões sem origem definida. Não se sabe de onde vêm. Interessante é, todavia, que saem ao encontro de João para serem batizadas. Já têm pois o propósito de se purificarem. Não são apenas curiosos. Isso intriga. Se já vêm com a intenção de receberem o batismo, é porque certamente o avaliam positivamente. Então, por que a censura?

O texto não o explicita claramente. Mas permite uma hipótese ao contrapor a produção de frutos dignos do arrependimento (v. 8) a uma fuga da ira vindoura. O rito não basta. No batismo de João não se trata de realizar mais uma ablução purificadora. Não é mais um remédio de cura rápida e instantânea. Não se escapa da ira vindoura com meros ritos. Exige-se mais. O banho purificador precisa ser acompanhado de uma nova prática: há que haver frutos dignos do arrependimento.

Aparentemente as multidões não pensam assim. Crêem na ira que está por vir. Não duvidam do juízo divino e o temem. Mas imaginam que escapam dele com a prática de sua religiosidade.

Não é difícil praticar um novo rito, nem aceitar uma nova liturgia. Especialmente para quem se sente protegido pela pertença ao povo de Deus. Somos filhos de Abraão. Que pode-nos suceder de mal, se praticarmos a religião? E as abluções — diferentes tipos delas — não são em si novidade para Israel. O livro de Levíticos conhece o banho purificador do leproso (Lv 14.8); o banho purificador por motivos sexuais (Lv 15.16,18,21,27, etc.). O livro de Números enuncia o banho purificador para quem toca em cadáveres (Nm 19). O Evangelho conhece inclusive práticas adicionais de purificação através de abluções, aspersões e lavagens acrescentadas às demais pelos especialistas religiosos (cf. Mc 7.1-5).

Aí está o novo do anúncio de João: Não basta ser filho de Abraão e praticar os ritos religiosos. É preciso mais: uma nova prática aqui chamada de frutos do arrependimento. Tais frutos serão esclarecidos no passo seguinte. Por enquanto, é fundamental saber que são frutos de uma conversão radical, uma curva de 180 graus no caminho da vida. Metanoia é o conceito aqui usado. Mudar a mente, mudar a vida. Mudar a maneira de ver as coisas, mudar a maneira de relacionar-se.

Por isso, são raça de víboras todos aqueles que querem manter a velha religiosidade e a velha ideologia, fugindo do juízo com meras práticas rituais. Chega! Agora é a hora da decisão. O machado já está na descendente, para dar de encontro à raiz das árvores. A que não produz fruto — e fruto bom! — é cortada e queimada.

E isso não vale só para os filhos de Abraão. É coisa universal. Deus pode fazer de pedras filhos, o que equivale a dizer: também os que não pertencem ao povo de Deus estão sob seu juízo, também os que não pertencem ao povo de Deus são capazes de produzir bons frutos. Em todo caso, esses frutos são o critério. Para l o das as pessoas, sem exceção!

4.2. A reação dos ouvintes e a nova exigência (vv. 10-14)

Que faremos? — perguntam as multidões, mas também publicanos e solda dos. E aqui se confirma o que dizíamos acima. Há chances para publicanos e soldados? É preciso levar a sério essa pergunta.

Publicanos são, no mínimo, colaboracionistas. Recolhem impostos para os 10 manos. Nesse contato constante com os dominadores gentios, são eternamente impuros! Entre os soldados — certamente a tropa de Herodes Antipas — devem estar não-judeus (= pedras!), se é que não são todos mercenários. Há chances para publicanos e soldados?

Deus pode, pois, de pedras suscitar filhos a Abraão. Também a mercenários e publicanos a possibilidade de arrependimento diante do juízo vindouro está aberta. Mas também para eles vale a exigência da produção de frutos dignos do arrependimento.

Que faremos? — é a pergunta dos três grupos distintos. Para cada qual há uma resposta específica. E, contudo, as respostas distintas têm algo em comum. A exigência é de amor e justiça para todos os grupos. Além disso, não há outras reivindicações. Ninguém precisa mudar de profissão, ninguém precisa evitar o contato com os gentios. Os publicanos continuam publicanos. Os soldados continuam soldados!

Mas os soldados arrependidos devem praticar justiça: antes maltratavam, isto é, exerciam violência; antes apresentavam denúncias falsas. Agora devem contentar- se com seu soldo. Essas palavras soam estranhas para quem, como nós, teve tantas experiências com soldados. E, por certo, também soam estranhas para soldados dês contentes com seu baixo soldo. — Mas essas palavras falam muito mais por seu reverso: antes, tais soldados não se contentavam com soldo, e ao invés de discutirem a questão com os seus superiores ou com o Estado, usavam de violência e de denúncias falsas contra pessoas do povo para complementar o orçamento. E aí está a nova proposta: não vale praticar a injustiça para rechear o bolso. Ouçam isto, soldados!

E os publicanos arrependidos devem praticar a justiça: antes cobravam mais que o estipulado. Agora devem ser justos na receita. Também aqui parece estranho que não se questione os impostos ou ao menos a aplicação de boa parte dele. Interessam os publicanos como tais. A eles compete praticar justiça em sua atividade precípua. Certamente se pedirá o mesmo dos que utilizam os impostos por eles coletados.

E as multidões dos filhos de Abraão arrependidas devem praticar justiça e misericórdia. Não há mal em ter duas túnicas, desde que todos tenham ao menos uma Não há mal em ter comida, desde que todos a tenham. Por isso, a conversão pas.su pela partilha. E é importante ressaltar: não se trata de esmola. Não se trata de dai túnica velha nem a sobra de comida. Trata-se de repartir. Aí se dá a nova justiça. É a justiça do amor, a justiça da misericórdia. É uma nova justiça, a que caracteriza os frutos dignos do arrependimento. Ela ultrapassa o apenas deixar de fazer o mal. Ela exige a prática da partilha fraterna.

Isso certamente vale para soldados e publicanos. Não chega ser publicano honesto, não chega ser bom soldado. É preciso ir além. É preciso repartir túnicas e comida.

Por isso, o batismo é aqui um sacramento escatológico. É rito último. Não se repete. Pois repetir os ritos é fugir à ira vindoura, como se isso fosse possível. O batismo é o sinal de uma novidade de vida para além do rito. É o sinal da busca por uma nova justiça.

E não se ganha nada com isso. Não, não se trata de buscar praticar obras meritórias. Mas há que compreender que, diante do juízo iminente, o verdadeiro rito de purificação implica uma conversão profunda para uma prática nova. Afinal, ninguém é constrangido a batizar-se. As pessoas já decidiram fazê-lo, ao procurar por João. Mas já que o querem, precisam saber que o rito e a ideologia da pertença ao povo de Deus não bastam. A novidade de vida se dá na partilha.

4.3. O Cristo — aquele que há de vir (vv. 15-17)

O povo que se pergunta se João não será o Cristo, deve ser equivalente às multidões que vierem ter a ele e o ouviram anunciar a nova exigência. Neste caso, a reflexão popular tem tal anúncio como ponto de partida. Se fala deste modo, João deve ser mesmo o Messias esperado.

Mas não é. Ele mesmo se encarrega de desfazer o mal-entendido. O Messias ainda está por vir. O que o distingue é que é muito mais poderoso do que João. E este poder se reflete em dois sentidos:

a) ele batizará com o Espírito Santo e com fogo;

b) ele instaura o juízo divino.

João batiza com água. É uma ablução que, por si só, nada faz. Não é remédio rápido e instantâneo. E, como rito, não absolve diante da ira vindoura. É apenas sinal para o arrependimento que precisa traduzir-se em frutos.

O que vem, batizará com o Espírito Santo e com fogo. Este batismo não é mais apenas rito. É muito mais poderoso. Tem uma eficácia que o batismo de João não alcança. Na verdade, é apenas este batismo do Messias que capacita os batizados a produzirem frutos dignos do arrependimento. É este batismo de Espírito (vento) Santo e de fogo que torna pessoas frágeis e temerosas gente capaz de novidade de vida (cf. Jl 3.1ss., At 19.1ss.).

É por isso que João é tão insignificante diante daquele que vem, que nem sequer é digno de desatar-lhe as sandálias. A diferença está no poder de dar o Espírito. João só pode convocar ao arrependimento e propor a prática dos seus frutos. Mas isso nunca vai passar de convocação e proposta. Realizável a novidade de vida só é com o batismo do Espírito, tarefa inerente àquele que vem.

E, não obstante, é preciso preparar-lhe o caminho. Pois, ao mesmo tempo em que vem trazer o batismo do Espírito, o Messias vem trazer também o juízo. Ele vem limpar a eira. Tem celeiro para o trigo, tem fogueira para a palha. Ele traz a ira divina.

A figura equivale à proposta no v. 9. O critério do juízo continua a ser o fruto. Como entender, então, o dom do Espírito?

A única possibilidade parece ser a de que, diante do juízo, há uma oferta. É possível arrepender-se. O batismo com água é sinal visível disto. Mas este arrepen¬der-se não pode ficar no rito. O próprio batismo do Espírito não pode ficar no rito, ou mesmo virar rito. Não! Há a exigência por uma nova prática.

Aos dispostos a seguir este caminho, João prepara com água. O que vem lhes dará o Espírito e o fogo para que, apesar da fraqueza, produzam frutos dignos, frutos de justiça, frutos de misericórdia, frutos de partilha.

É por isso, penso, que exortação pode ser Evangelho (v. 18). É preciso que João censure o rito e a ideologia. É preciso que exorte acerca da ira vindoura. É preciso que proponha uma nova prática. Sem ela, a boa notícia de que um mundo novo é possível, apesar das fraquezas humanas, não consegue ficar clara. E a boa notícia é esta: Aí vem aquele que batiza com o Espírito Santo, que, apesar da fraqueza humana, capacita para a prática de uma nova justiça.

Por isso: Rejubila, filha de Sião! Por isso: Alegrai-vos sempre no Senhor! Por que ele vem. Vem fazer de pedras, filhos; de víboras, pessoas de Espírito. Sem meros ritos, sem falsa religiosidade, com uma nova prática de justiça, para a qual ele mesmo capacita.

Em meio a essas coordenadas de exortação e Evangelho, somos convidados a celebrar o Advento!


Autor(a): Carlos A. Dreher
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Advento
Perfil do Domingo: 3º Domingo de Advento
Testamento: Novo / Livro: Lucas / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 7 / Versículo Final: 18
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1991 / Volume: 17
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17968
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