Lucas 9.10-17 - Prédica do Culto de Abertura da 3ª. Convenção de Ministros e Ministras

15/10/2019

Pregação: Lucas 9.10-17
Leitura: Provérbios 16.24

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espirito Santo sejam com todos nós. Amém.

Vocação e ministério! O que me move. Este é o tema que nos traz a Curitiba para a Terceira Convenção de Ministros e Ministras da IECLB. Viemos de todos os lugares. De perto e de longe. Do norte e do sul. Do leste e do oeste. Viemos alegres e gratos. Chegamos cheios de inspiração. Viemos sob a bênção de Deus, aquele que nos move. Viemos em segurança e por isto somos gratos a Deus.

O que me move? O que precisamos fazer no exercício ministerial? O que traz alegria e realização? O que gera dores e dúvidas? Estas e outras perguntas formam o pano de fundo da preparação da convenção. Buscamos respostas. Buscamos mel bom para sair fortalecidos/as para servir e testemunhar o Evangelho. E ver as pessoas chegando, ver os abraços, a alegria, ver o zunido deste encontro e a formação desta colmeia de fé e esperança, é muito bonito.

Cada um/a de vocês foi chamado/a, vocacionados por Deus, por meio da ação do ES, para o exercício ministerial. Que Deus nos torne dignos e dignas desta vocação (1 Ts 1.11) nos recordou a Pastora Presidente Silvia, a pouco. Somos chamados/as por Deus para anunciar e propagar esperança. Somos chamados a formar colmeia, produzir mel que é doce na alma e remédio para o corpo (Pv 16.24).

Na dinâmica das casas falantes tivemos a oportunidade de colocar na presença de Deus dificuldades, alegrias, tivemos tempo de falar, sonhar, expressar esperanças e medos. Nestas pequenas colmeias/comunidades o coração foi aquecido e quem sabe acalmado. Queremos também olhar para o Evangelho e dele ouvir, aprender, nos inspirar.

Lucas 9.10-17 mostra que pequenos grupos/pequenas colmeias, têm força e poder transformador, multiplicador e gerador de comunhão. Lucas evidencia a importância do acolher, caminhar junto, falar e ouvir, do partilhar e repartir, a importância da comunhão que muda tudo, que cura e renova.

Os discípulos pedem que o povo sedento de proximidade com Deus seja dispensado. Jesus lhes manda dar de comer. Nossos caminhos, cidades e vilas, nossas comunidades estão cheios de pessoas sedentas, angustiadas, com necessidades, com fome, em busca de sentido, orientação e perspectivas e anseiam pela salvação que Cristo dá. O que damos de comer? Qual a tarefa como ministros e ministras diante desta realidade?

Lucas deixa evidente que Jesus se preocupa e oferece tempo e espaço para se retirar com os discípulos. Eles saem da rotina e do agito. Tiveram tempo e espaço de comunhão e convivência. Este retiro de Jesus e os discípulos é um momento de intimidade, de proximidade. Isto se dá depois que os discípulos voltaram e relataram a Jesus o que haviam feito, visto e experimentado. Falar e contar, ter espaço para expressar o que sentimos, era, é e continuará sendo importante e saudável.

Lucas diz que Jesus levou os discípulos consigo. Levar consigo aponta para proximidade, preocupação, carinho e amor. Aponta que Jesus abraça e acolhe. Jesus os leva consigo, retiram-se para retomar forças e vigor, ânimo e coragem. Leva-os consigo para lhes dar tempo de conversar, trocar impressões e ensinar. Permito-me usar uma afirmação do colega e amigo Pastor Paulo Butzke: o ritmo de engajamento e descanso/retiro é o ritmo que Jesus ensina aos discípulos. O faz por que entende que eles, os discípulos, não são máquinas de fazer missão, mas pessoas que servem com o que são, cujas energias e motivação se esgotaram.

traçar um paralelo entre o trabalho das abelhas, dos discípulos e a tarefa ministerial. Levar a boa nova equivale ao trabalho de polinização feito pelas abelhas. Pesquisas mostram que 70% das culturas agrícolas dependem das abelhas para realizar a sua reprodução. Nós, ministros e ministras, levamos a palavra de salvação, de esperança e fé e com isto buscamos oferecer a restauração da vida. Fazemos a polinização da sociedade de forma às vezes imperceptível, mas fundamental. Este trabalho é de valor imensurável, assim como é o trabalho das abelhas para o nosso ecossistema.

Neste paralelo há de ser visto que a colmeia é espaço de segurança e fortalecimento. A comunidade é espaço de vida e comunhão. O mel produzido na colmeia é doce na alma e remédio para o corpo e como tal tem também um leve amargor, típico do mel e das relações que precisam se cuidadas e restauradas. A fé e a esperança que brotam da vida em comunidade, a força que provém da organização e do trabalho em conjunto, têm poder de mudar e transformar.

Jesus oferece àquele grupo um espaço de consolo, cura, fortalecimento. Isto é essencial para o dia a dia ministerial. Jesus ao levar os discípulos consigo, ao se retirar, faz perceber que podemos ser quem somos no exercício ministerial, ou seja, podemos e devemos atuar a partir das nossas fortalezas, dificuldades e convicções, sempre em fidelidade ao Evangelho.

Jesus leva consigo os discípulos. Retiram-se para Betsaída. O v.11 mostra que há uma multidão que está em busca. A multidão tinha fome e sede de perspectivas, de possibilidades. Buscava caminhos e orientação. Queria estar conectada a Deus. A multidão buscava cura. Por isto, vai buscar junto de Jesus, ensinamentos e ações. E Jesus os recebe, acolhe, abraça e dá atenção, assim como havia feito com os discípulos.

Neste ato Jesus mostra que acolher precede o agir e o falar. Mostra que para acolher não pode ter pré-julgamento. Jesus não faz um exame para ver quem estava ali diante dele em meio à multidão. Jesus não pergunta quem é de direita e de esquerda, não olha a condição social e física de ninguém. Lucas 9.11 menciona falar, anunciar o Reino de Deus e curar. Palavra e ação que levam a experiência com Deus e proporcionam transformação.

Jesus leva os discípulos consigo. Retiram-se. Jesus acolhe a multidão. E chega o final do dia. Os discípulos pensam: manda embora. Estamos em meio ao deserto, aqui nada há para oferecer! Eram indiferentes às necessidades do povo e do contexto em que estavam.

Jesus não ficou satisfeito com a postura do grupo. Deem vocês mesmos de comer ordena. Fico questionando o quanto e o que aquele grupo deve ter pensado e murmurado diante daquela ordem. Mas os discípulos verificam o que tinham de alimentos e levam o resultado a Jesus: 05 pães e 02 peixes. E eram mais de 5 mil pessoas para alimentar. Ou seja, os discípulos têm um argumento lógico e racional. Manda este povo embora. Cada qual que se vire.

Jesus se opõe à racionalidade dos discípulos. Não aceita passivamente os dados trazidos. Ele dá nova ordem. Manda o povo sentar de modo organizado. Esta é a pedagogia que Jesus usa para organizar o povo e enfrentar as dificuldades. Jesus que havia alimentado aquele povo ao longo do dia com ensinamentos, falando do Reino de Deus, agora quer que eles saciem sua fome física. Jesus organiza a falta de recursos. Os discípulos obedecem.

Jesus toma em suas mãos os pães e peixes. Dá graças erguendo-os aos céus. Jesus ensina que a gratidão é fundamental em qualquer situação. Também em momentos de tensão, incerteza, desânimo e provação é possível, necessário e importante agradecer, louvar e reconhecer o senhorio de Deus sobre a vida e a caminhada.

Jesus dá graças com aqueles poucos alimentos em suas mãos. Os entrega aos discípulos. Ele parte e reparte. O ato de repartir equivale a dizer: não é só para mim. É para vocês. É para nós. É para a humanidade. É para os necessitados, sedentos e angustiados. O pão partido e repartido, quando distribuído com justiça, se faz sentir em todo o mundo. Este gesto, repetido na última ceia, alimenta e fortalece até hoje como experimentamos na Santa Ceia.

Jesus entrega aos discípulos 05 pães e 02 peixes. Ele pede que as 5 mil pessoas fossem alimentadas. Fico imaginando as dúvidas e medos que sentiram. Como alimentar este povo todo? Em meio a dúvidas, o milagre. O pouco repartido é multiplicado. Quando se coloca à disposição o que temos, não há limites. Há transformação. A vida vence. O pouco se torna bênção para o povo.

Irmãos e irmãs, colegas de caminhada. Os discípulos, vimos no texto, voltam à presença de Jesus e lhe contam o que haviam feito, visto e experimentado. As abelhas voltam para a colmeia para descansar e produzir mel. Há estudos que indicam ter abelhas que podem voar até 10 km para achar bom néctar e produzir bom mel. Grande esforço. Também em nossas comunidades o esforço, a dedicação, vosso empenho às vezes cansa, deixa exaurido. Mas este trabalho é a polinização para que a paz, esperança, justiça e comunhão possam ter espaço e importância.

A terceira convenção deseja ser um espaço de fortalecimento, de troca de experiências, de comunhão. Espaço de juntar os nossos zunidos e inspirar-se para exercer a nossa vocação com ousadia e coragem e levar a doçura da palavra de Deus aos lugares nos quais Deus nos colocar.

Jesus tomou o grupo de discípulos consigo. Jesus acolheu a multidão, suas angústias e necessidades. Jesus organizou aquele povo e os fez sentar em grupos. Ensinou trabalhar em equipe, pois todos são importantes. Formou pequenas colmeias. Uma abelha sozinha não produz mel. Acredito que um dos desafios que desta convenção é nos convencermos a retomar espaços de convivência, espaços de troca de experiências, visitas entre colegas, apoio e sustento quando o outro se encontra em dificuldades, espaços de grupos que pensam e debatem, que discordam e dizem por que. Espaços de celebrar e agradecer. A rede social não oferece isto. Ela é fria e desumanizada. Pouco agrega à vida.

Olhando para a realidade na qual vivemos, observamos que as abelhas estão morrendo. Elas são polinizadoras. Têm papel relevante. Nós devemos ser polinizadores de esperança, de vida, de comunhão. Não há um só tipo de abelha. São diversas. Cada qual com particularidades. Também a IECLB é diversa desde que chegou em terras brasileiras, lembrou a presidência da IECLB na carta pastoral de maio. E nesta diversidade devemos caminhar, juntar esforços, focar no anúncio profético do Reino de Deus.

O teu trabalho ministerial é fundamental para isto. A tua fé, o teu chamado te moveram até aqui. E vão continuar movendo. Dificuldades às vezes se colocam. Fazem parte, mas não devem ter força de fazer desistir ou desanimar.

Os discípulos temerosos e em dúvida, sabiam que tinham somente 05 pães e 02 peixes e diante de si 5 mil pessoas. Jesus lhes diz: deem vocês mesmos de comer! A mão dos discípulos vai para dentro da cesta. 01 pão, 05 pães, 10 pães, 100 pães e o mesmo ocorre com os peixes. 5 mil pessoas são saciadas e sobram 12 cestos cheios. Do pouco, do nada, vem fartura. Da organização vem a bonança. Da comunhão surge vida. Todos se fartam. A fartura veio da organização, da comunhão, do partir e repartir. A fartura vem do amor de Deus, este amor que nos move. E essa fartura está em nossas mãos para alimentar, dar esperança e colocar em movimento. Amém.


 
 
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Culto de Abertura da 3ª Convenção de Ministros e Ministras – Pastor Odair Braun
 
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