Marcos 3.20-30

Auxílio Homilético

10/06/2012

Prédica: Marcos 3.20-30
Leituras: Gênesis 3.8-15 e 2 Coríntios 4.13-5.1
Autor: Paulo Roberto Garcia
Data Litúrgica: 2º. Domingo após Pentecostes 
Data da Pregação: 10/06/2012
Proclamar Libertação - Volume: XXXVI


1. Introdução

A passagem de Marcos 3.20-30 apresenta-nos duas pequenas histórias, amalgamadas em um mesmo texto: a primeira sobre o conflito de Jesus com seus familiares, que pensam que ele está louco; a outra sobre os escribas de Jerusalém, que afirmam que ele expulsa demônios por Belzebu. Somos colocados diante de desafios, tais como repensar a religião, a família e também, de modo mais amplo, as estruturas de nosso tempo a partir da promoção da vida.

No enfrentamento dos conflitos, somos desafiados por esse texto a recriar espaços, a transformar a realidade e a anunciar a vida. Essa mesma expectativa é expressa na profissão de fé de 2 Coríntios 4.13-5.1, que diante das aflições do presente anuncia uma nova casa, a casa “não feita por mãos, eterna, nos céus”. A contrapartida do conflito é apresentada em Gênesis 3.8-15, onde temos o relato da queda: uma família dividida, em que as acusações de uns contra os outros não só apontam as suas dificuldades como prenunciam o sofrimento advindo dele. O fio condutor desses textos e que atravessa nossa perícope são o discernimento e a opção pela vida em meio a estruturas conflitivas que geram a desagregação e a morte.

2. Exegese

2.1 – Contexto do Evangelho de Marcos

Um desafio da pesquisa bíblica moderna é localizar temporal e geograficamente os evangelhos. É importante destacar que essa tarefa não pode ser vista como um detalhe do escrito. Ela é determinante. O texto é resultado de um momento histórico de uma comunidade e interage com essa realidade.

Para esta reflexão, vamos assumir que o Evangelho de Marcos seja fruto da Galileia e que tenha sido escrito durante a guerra judaica, por volta do ano 68 (Myers). Diante do evangelho de César (gênero literário greco-romano, criado para narrar as vitórias imperiais), que noticiava a vitória romana marcada pela violência e pela destruição imposta pelas legiões, que provocava recuo e medo nas pequenas comunidades cristãs, encontramos o evangelho de Jesus Cristo. Esse é caracterizado pelo convite ao seguimento, pela construção de novos espaços de vida e anunciador da entrega de Jesus em favor de todos como a verdadeira mensagem de vitória. O evangelho, portanto, busca orientar e fortalecer a comunidade em meio a essa situação de medo e sofrimento.

2.2 – Contexto da perícope

Determinar o contexto maior e o contexto menor ajuda-nos a entender a perícope no conjunto de perícopes que a cerca. Isso pode ser realizado a partir das propostas encontradas nas introduções ao Novo Testamento e nos comentários de cada livro. Ou, para fugir desse caminho, outra possibilidade é buscar no próprio texto indícios que nos ajudem a delimitar os contextos. Temos de nos lembrar de que, embora os evangelhos apresentem o contorno de literatura, ou seja, um texto escrito, eles têm em sua origem a tradição oral. Por isso palavras-chave ou temas que aglutinem perícopes são comuns de encontrar. Assim, propomos que a nossa perícope seja entendida como parte de um bloco temático que é determinado pela palavra “mar”.

Mar (thalassa) aparece no Evangelho de Marcos em: Mc 1.16; 2.13; 3.7; 4.1 (três vezes); 4.39,41; 5.1,13,21; 6.47,48,49; 7.31; 9.42; 11.23. De todas as ocorrências, destacamos que, nas duas últimas (9.42 e 11.23), ela aparece em frases de julgamento (jogar algo ou alguém ao mar, como castigo pelos pecados). Todas as demais aparecem no sentido físico de seu significado, ou seja, o mar da Galileia. Não podemos ignorar que a geografia em Marcos é teológica, além de ideológica. Por isso chama a atenção o fato de que todas as ocorrências do vocábulo “mar” estão ligadas ao mar da Galileia. São não apenas a quase totalidade das ocorrências, como estão todas no primeiro bloco do evangelho (capítulos 1 a 8). Desse modo, podemos destacar que o mar determina o que poderíamos chamar de contexto maior, iniciando com as vocações (à beira-mar – Mc 1.16ss) e terminando com a cura do surdo e gago e com as multidões maravilhadas, pois Jesus fazia o bem (Mc 7.31ss). Dentro desse bloco, percebemos uma grande concentração de citações entre os capítulos 3 e 6. Esse é o cerne do bloco sobre o mar. Podemos apontar como uma delimitação desse cerne a abertura para a ida de Jesus com seus discípulos “para o mar” (pros ten thalassan – 3.7) e a finalização ou fechamento; quando Jesus sai dessa região, volta para sua terra (eis ten patrida autou – 6.1) e os discípulos o seguem.

O mar simbolizava o caos, designava confusão, o lugar do medo, a habitação dos demônios. A primeira parte do Evangelho de Marcos tem como contexto Jesus e seu enfrentamento do mar. Não é à toa que a última perícope (antes do encerramento em 7.31) descreve Jesus caminhando sobre ele.

Em nosso bloco, a tônica é o enfrentamento do mar. Nas cercanias do mar, há conflitos com a família, com as lideranças religiosas e com os demônios. Além disso, em meio à guerra judaica, também a milícia romana afligia essa comunidade. Por isso, quando o evangelho apresenta Jesus enfrentando o endemoninhado geraseno, ao ser perguntado por seu nome, o demônio responde em latim: legion (legião), que é uma palavra latina. O demônio, para a comunidade de Marcos, é apresentado, ironicamente, falando latim e com o nome de força militar romana.

Ao mesmo tempo, devemos destacar que, em torno do mar, acontecem as vocações, os chamados, as curas, de modo especial daqueles e daquelas que a sociedade desprezava. Acontece também a vitória de Jesus sobre o mar. Ele acalma (exorciza) a tempestade no mar. No centro desse bloco, o ensino na forma de parábolas é que é proferido em uma situação estranha. Jesus ensina sentado sobre o mar (a tradução literal de 4.1 é: “ao ponto dele, entrando em um barco, assentar-se no mar”).

A ênfase desse bloco onde se localiza nossa perícope é o enfrentamento do mar. Em torno do mar há conflitos, mas também vocações e curas. O mar é lugar de confronto e de discipulado, de medo e de ensino. É nesse pano de fundo que nossa perícope se localiza.

2.3 – A perícope

Nossa perícope apresenta a estrutura típica do estilo literário de Marcos, que é embutir uma história no meio de outra. Ele fez isso, por exemplo, na ressurreição da filha de Jairo, colocando no meio da narrativa a cura da mulher que sofria de hemorragia. A perícope da purificação do templo interrompe a história da figueira sem figos. Em nosso texto, encontramos duas histórias: a do conflito com a família de Jesus e a do conflito com os escribas de Jerusalém. Não é de estranhar que Bultmann e, posteriormente, outros pesquisadores tenham apontado que o v. 21 se ligaria a 31-35 e que juntos formariam uma história autônoma (Taylor). De fato, temos duas histórias e dois conflitos distintos. Porém, percebendo que Marcos tende a inserir perícopes dentro de perícopes e que elas devem ser vistas em seu conjunto, a pergunta que se faz é: qual é a ligação entre o conflito com a família e o conflito com os escribas de Jerusalém?

Um primeiro ponto que chama a atenção e que une essas duas histórias são as acusações dirigidas a Jesus. Para a família de Jesus, ele estava “fora de si”. Para os escribas de Jerusalém, ele “tinha Belzebu”. Tanto a acusação de ter demônio como a acusação de ser louco são entendidas como processo ideológico para desacreditar o outro (Myers). Assim, uma primeira ligação que percebemos é que tanto a família como a liderança de Jerusalém aparecem na perícope como um discurso de desautorização da liderança de Jesus.

Um segundo ponto que chama a atenção é que a família e os escribas apontam para duas importantes estruturas de poder do mundo de Jesus. A família e as estruturas da religião formal (templo, sinédrio, sinagoga) desempenhavam um papel de organização da vida e constituíam um espaço de controle e de manutenção da situação de discriminação e de violência.

A perícope enquadra-se no enfrentamento de Jesus às estruturas de morte de sua época. E essas estruturas são tão caras a seu mundo: a organização da família e a organização da fé. O conflito com os escribas – que são acusados de blasfemar contra o Espírito – e com a família – que entende que Jesus está louco – colocam-no diante de uma forte controvérsia.

No conflito com a família, Jesus não atende à solicitação da mãe, irmãos e irmãs. O texto relata que a família espera a presença dele fora da casa: “e tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo” (v. 31). Jesus é alertado pelos discípulos: “Vê tua mãe e teus irmãos e irmãs, que lá fora procuram a ti” (v. 32b). Ao invés de ir a seu encontro, ele responde aos discípulos: “Quem são minha mãe e meus irmãos?”(v. 33). A seguir, o texto acrescenta duas informações importantes. A primeira obriga-nos a uma tradução curiosa para mostrar a ênfase do texto: “e circulando o olhar para os que ao redor dele estavam em círculo assentados”. Não podemos esquecer que já havia no v. 32 a informação de que “estava assentada ao redor dele uma multidão”. A repetição de uma informação na língua grega, a qual foi usada nos escritos do Novo Testamento, tem o objetivo de enfatizar. Nesse caso, a informação “ao redor” ou “em círculo” é fundamental. Sentar-se ao redor de ou aos pés de indicava uma clássica descrição da relação rabi e discípulo. Temos descrito de forma enfática e redundante que Jesus tem uma comunidade de seguidores ao seu redor. Frente ao conflito com os representantes da religião oficial, Jesus inaugura na relação com seus discípulos um novo espaço de vivência religiosa. A segunda é a resposta dada a esse círculo de pessoas: “Vejam, minha mãe e meus irmãos. O que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e mãe” (3.34s).

A perícope estabelece não só a descrição do conflito como também a superação dele. Num belíssimo trabalho redacional, o texto de Marcos apresenta o enfrentamento das duas instituições fundamentais para a vida das comunidades do primeiro século: a família e a religião. As mesmas buscam desacreditar e desautorizar Jesus – é louco e possuído por Belzebu – e, no mesmo conjunto de textos, apresentam a superação desse conflito. O discipulado, sentar ao redor do mestre e segui-lo, estabelece um novo espaço de vivência da fé e uma nova família. Temos aí novas estruturas baseadas na vontade de Deus.

3. Meditação

O nosso mundo está repleto de estruturas que geram exclusão e morte. Estruturas políticas e sociais e até estruturas religiosas. Esses espaços, que deveriam ser promotores da vida, da oportunidade de convivência fraterna e solidária, acabam, muitas vezes, por tornar-se lugares de exploração, de exclusão e geradores das forças da morte. Diante disso, somos convidados a refletir sobre a mensagem de Marcos 3, onde encontramos o desafio de enxergar os espaços de poder e de discipulado, de vida e de morte.

A família, que na tradição veterotestamentária se constituía em espaço de bênção para todos os povos e lugar de defesa da vida e dos direitos, tornou-se um espaço de poder. O poder do pai sobre todos da casa, da mãe sobre as filhas e do irmão mais velho sobre os demais irmãos gerou uma estrutura de opressão e violência.

A religião com seus espaços de vivência da fé – o templo e a sinagoga –, que deveriam ser “a casa do Pai” e “lugar de oração”, tornou-se um espaço que não atendia às necessidades do povo. Em uma crítica ao templo (que, na época do Evangelho de Marcos, estava sitiado pelos romanos e na iminência de ser destruído), ele é apresentado como covil de salteadores e ladrões (e não como lugar de oração). Já no início do Evangelho de Marcos, encontramos dois textos paradigmáticos. Em uma ida à sinagoga de Cafarnaum, Jesus é confrontado por um “homem com espírito imundo”, o qual Jesus exorciza. O resultado do exorcismo é que Jesus é expulso da sinagoga (cf. Mc 1.21-28). Imediatamente, ele entra na casa de Pedro e exorciza a febre de sua sogra, e ela passa a servi-los. O uso do verbo diakoneo, que é traduzido como servir, é controverso, mas optamos por ler esse servir como discipulado e não como exercício de serviços domésticos (cf. Mc 1.29-34). Por isso a sogra de Pedro, curada, torna-se discípula. Nessa perspectiva, podemos perceber nesse texto programático da abertura do evangelho uma crítica à sinagoga. Na sinagoga, a ação de Jesus gera a exclusão. Na casa, a ação de Jesus gera o discipulado. Por isso a sinagoga passa a ser designada como sinagoga deles (Mc 1.39).

À nossa perícope soma-se a perspectiva das perícopes apontadas acima. A superação da exclusão da religião e das famílias tradicionais acontecerá na casa. Porém, não na casa tradicional, mas em uma casa que é lugar agregador dos que praticam a vontade de Deus. O espaço da religião e o espaço da família são ressignificados a partir do “fazer a vontade de Deus”. Surgem uma nova família e um novo espaço de fé, onde seguir a Jesus – o discipulado – torna-se um caminho regenerador das vidas e das relações.

Nesse novo espaço de fé e de convivência, não faltam conflitos. Nossa perícope localiza-se em um grande bloco, marcado pela repetição enfática da localização geográfica em torno do mar. Lembremo-nos de que, na concepção da época, o mar era o lugar do caos, lugar do medo. Mas, para esse novo movimento – o movimento de Jesus –, o mar é também lugar de oportunidade. Em meio a tudo isso, encontramos o desafio de assumir uma posição: quem é minha família (3.33)? Ou então: como pode “Satanás expulsar Satanás” (3.23)? As duas perguntas colocam o discernimento entre as estruturas religiosa e familiar, marcadas pela violência e pela exclusão, ou a nova família, lugar dos que fazem a vontade de Deus, onde acontecem o chamado, o discipulado, a cura, enfim, a renovação da vida.

Em meio a um mundo marcado por estruturas que produzem morte, a perícope convida-nos ao discernimento e ao compromisso de construir espaços de discipulado e de promoção e resgate da vida.

4. Imagens para a prédica

As imagens a seguir, retiradas de notícias de jornais, podem ajudar-nos a refletir sobre a perda do papel protetor e promotor da vida que a família deveria ter. Elas podem estimular, no início do sermão, uma reflexão sobre a violência presente hoje em nossa sociedade e na estrutura mais próxima a nós: a família.

Notícias de nossos periódicos:

23 de abril: Mãe abandona criança recém-nascida na caçamba de lixo na cidade de Praia Grande, São Paulo. A mulher, presa, afirmou que ganha pouco e não tinha como sustentar o filho.

18 de maio: Na cidade de Registro, em São Paulo, pai agride filhos de sete e de oito anos e é filmado por filho de 14. No vídeo, o pai é visto gritando e agredindo com chutes o filho menor, que, encolhido no chão, gritava de dor e de medo. O filho de oito anos, ao tentar conter o pai, sofre a mesma agressão. O filho mais velho afirmou que decidiu registrar as imagens porque estava cansado de sofrer tantas agressões: “Resolvi gravar o vídeo porque já tinha muito tempo que ele batia nos meus irmãos, batia em mim. Aí chegou uma hora que eu cansei. Aí peguei e tive que gravar esse vídeo”, disse o adolescente. O pai, após ficar foragido por quase um mês, foi preso.

Essas imagens nos colocam a pergunta que a perícope apresenta: “Quem são minha mãe e meus irmãos?” (3.33). A resposta deve ser encontrada na reflexão em torno dessa perícope.

5. Subsídios litúrgicos

Apresentamos abaixo dois subsídios litúrgicos preparados pelo Rev. Prof. Dr. Luiz Carlos Ramos: o primeiro é um credo que professa a fé no espaço construtor de vida; o segundo é a releitura orante do Salmo 131. Nele, o desejo do repouso como uma criança no colo de Deus anuncia o desejo de espaços da fé onde a segurança e o aconchego sejam marcantes.

Credo:
Creio em Deus, criador de tudo o que é bom,
Que me ama com amor maior que o de pai
E cuida de mim com ternura maior que a de mãe.

Creio em Jesus Cristo, amigo mais chegado que irmão,
Que pagou por mim a grande dívida
E convidou-me para ser-lhe
Companheiro no cálice e no pão,
Na cruz e na ressurreição.

Creio no Espírito Santo, terno consolador,
Que me enxuga as lágrimas dos olhos
E me inspira nos lábios o sorriso.

Creio na comunidade de fé, mutirão de fiéis,
Operários de um novo tempo,
Gestantes do novo céu e da nova terra.

Creio no Reino pleno da vida abundante,
Na ressurreição dos corpos oprimidos,
Na eternidade do amor
E na solidariedade divino-humana.
Amém!

Luiz Carlos Ramos

Fonte: http://www.luizcarlosramos.net/?p=3565#respond

Salmo 131, com minhas palavras:

Como eu gostaria, Senhor,
de ser como aquela criança amamentada [desmamada]
que se aninha no colo da mãe;
sem ter necessidade de mais nada
a não ser do calor terno do teu abraço;
sentir teu afago carinhoso me confortando;
e, ao embalo da tua voz paciente,
adormecer sereno
e descansar pertinho do teu coração;
e, ao ritmo da tua respiração suave,
sonhar com coisas boas
que façam meus lábios sorrirem,
e, mesmo de olhos fechados,
façam-me contemplar as estrelas do teu céu
e os frutos do meu chão.

Luiz Carlos Ramos

Fonte: http://www.luizcarlosramos.net/?p=1658#comments

Bibliografia

MYERS, Ched. O Evangelho de São Marcos. São Paulo: Edições Paulinas, 1992.
TAYLOR, Vincent. Evangelio Segun San Marcos. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1979.
 


Autor(a): Paulo Roberto Garcia
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 3 / Versículo Inicial: 20 / Versículo Final: 30
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2011 / Volume: 36
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 25585
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