Marcos 4.30-32

Auxílio Homilético

25/11/1987

Prédica: Marcos 4.30-32
Autor: Norman Bakken
Data Litúrgica: Inauguração de Igreja
Data da Pregação: 25/11/1987
Proclamar Libertação - Volume: XII

l - A ocasião

A inauguração de uma igreja pode representar uma culminação, uma re-iniciação ou uma nova criação ou tudo isso ao mesmo tempo. Uma comunidade bem estabelecida, indo em frente com o seu trabalho, precisando de mais espaço ou chegando a um ponto de realização comunitária, uma época marcante que reflete dedicação, um povo unido, uma força de vontade e sacrifício, chegam nesta ocasião à culminação de um sonho realizado. Uma comunidade em transição, enfrentando novos desafios, recebendo novas oportunidades para servir ou melhorar opções em termos da vida coletiva, estará lançando neste dia a decisão de responder numa maneira efetiva. Continuidade e novidade, ambos os lados refletem-se em gratidão e renovação. A terceira possibilidade, a criação de uma nova comunidade, também participa desta continuidade e novidade: a igreja universal está agindo de novo, entrando numa nova região, criando mais um instrumento por meio do qual a misericórdia de Deus, a proclamação da sua obra salvífica e a fé cristã podem encontrar um lugar para expressar-se.

II - Que queremos fazer?

O reino de Deus está junto a nós, e é um reino não somente de palavras mas de poder. A nova criação será a obra de Deus e a nossa obra também. Nós vamos ser co-criadores neste processo de transformação (Fox, p. 256).

É óbvio que queremos participar do reino de Deus. É igualmente óbvio que um prédio novo não é, em si, o reino de Deus. Mas o novo prédio definitivamente pode e deve ser símbolo do desejo para estabelecer a igreja - os chamados em comunidade - no coração de pessoas e no seio de um povo coletivo. O prédio representa, neste sentido, a vontade de implantar a semente do Reino no solo ainda improdutivo, mas pronto para recebê-la. A palavra igreja, neste contexto, é palavra parabólica. A igreja como prédio ou a igreja como povo tem sentido indicador, quer dizer, aponta para as realidades que criam o reino de Deus no mundo e para as pessoas que estão chamadas para participar desta criação. Podemos dizer que 1) nós queremos chamar a atenção para a necessidade desta implantação das sementes pequenas, temos carência desta força e germinação; 2) queremos expressar a nossa fé de que o Reino pode frutificar no solo do povo nesta região; 3) queremos mostrar, também, que o Reino (o Evangelho, a Palavra) tem a ver com coisas materiais (prédios, pessoas físicas, locações específicas, espaços e tempos reservados) e que, apesar de todas as nossas falhas; 4) queremos compartilhar a tarefa juntamente com aqueles que se sentem indigentes com respeito ao Reino. Queremos estabelecer mais uma parábola para comunicar a palavra que dá vida.

Ill - O texto como diretivo analógico, como guia

Não é possível definir o Reino diretamente ou descrevê-lo ou fazer comparações exatas. Temos que sugerir simplesmente que O reino de Deus é semelhante... A analogia desta semelhança pode estimular o povo numa direção boa. Na tradição bíblica o reino de Deus implica domínio de justiça. Implica o estabelecimento e sustentação de justiça, equilíbrio universal. Implica bondade, retidão, integridade, benignidade, misericórdia, enfim, salvação. A coisa mais surpreendente e inesperada na Bíblia tem a ver com criatividade e rejuvenescimento - não com julgamento e punição; tem a ver com dons de graça, bênção sem limites - não com privação e culpa profunda. Um mundo perturbado, espoliado e culpado gostaria de fugir ou negar a sua condição real, mas ninguém pode ser surpreendido pela declaração desta verdade. O que espanta é que existem lugares sagrados onde quem caiu em falta pode sentir-se bem-vindo, onde o ser humano pode descobrir renovação da sua dignidade, da sua nobreza, onde humildade serve como humo na terra, que gera crescimento e transformação. Igreja como parábola do Reino pode ser entendida como lugar ou assembleia, onde o corpo pode renovar o seu espírito, onde o espírito pode conhecer o seu próprio corpo e onde a gente pode sentir-se na presença do sopro da vida, do espírito de Deus. A igreja deve ser lugar e comunhão onde os infiéis podem sentir mais uma vez a confiança da fé, fé direcionada a reclamar auto-estima e auto-valor. A gente que se sentiu no inferno pode descobrir-se nos porões do reino celestial na presença desta comunidade terrestre.

Quantas falências pessoais podem ser atribuídas a uma falta de confiança na harmonia entre os seres humanos, confiança que deve ser, ao mesmo tempo, severa e bondosa... O dom das chaves ao reino de Deus é também a chave aos portões do inferno (Dag Hammarskjõld, p. 90 e 93).

As aldeias e cidades menores e maiores precisam de mais do que centros comerciais. Precisam de centros de corporalidade espiritual e de espiritualidade corpórea. Noutras palavras, precisam de espaços sagrados, centros da vida humana, centros onde o reino benigno fará a metamorfose divina. Se o centro não fica firme as coisas se despedeçam (Yeats).

IV - Reflexão meditativa

O mundo de hoje é como uma aldeia global, um planeta onde o povo e os povos têm que unir-se na busca de verdade, de fé e de esperança. Nesta aldeia global a igreja está chamada para servir como um centro pequeno que aponta ao centro maior em que cada um pode descobrir o seu ser e o seu papel no reino de Deus dentro da criação. Nesta igreja temos todas as coisas que refletem a arquitetura do mundo real, com todas as forças e com todas as fraquezas. Mas dentro destas paredes humanas o planeta pode descobrir também recursos para constituir paz, justiça, equilíbrio, alegria, aceitação, afirmação e celebração, expressões profundamente ligadas ao reino.

V - Oração de coleta

Ó Senhor, pedimos nesta igreja que a semente que é menor do que todas as outras, possa crescer e tornar-se maior, para que todos os que chegam aqui possam aninhar-se na sua sombra, a sombra na qual todos podemos conhecer profundamente o poder rejuvenescedor da tua presença e da tua bondade. Aqui podemos atentar para palavras verdadeiras, ouvir notas celestiais, fazer obras novas que refutam a tua glória nesta terra. Guarda-nos no espírito do teu Filho e nosso irmão, Jesus Cristo.

VI - Bibliografia

- ECKHART, M. A mística de ser e de não ter. Rio de Janeiro, 1983.
- FOX, M. Original Blessing. Santa Fé, 1983.
- HAMMARSKJÕLD, Markings. London, 1964.
- WEINGAERTNER, L. Lançarei as redes. São Leopoldo, 1979.


Autor(a): Norman Bakken
Âmbito: IECLB
Testamento: Novo / Livro: Marcos / Capitulo: 4 / Versículo Inicial: 30 / Versículo Final: 32
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1986 / Volume: 12
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 17876
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