Mateus 18.21-35

Auxílio Homilético

11/09/2005

Prédica: Mateus 18.21-35
Leituras: Gênesis 50.15-21 e Romanos 14.5-9
Autor: Almir dos Santos
Data Litúrgica: 17º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 11/09/2005
Proclamar Libertação - Volume: XXX

 

DEUS É COMUNIDADE DE AMOR. E O DEUS DO PERDÃO


1. Introdução

Quando o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza infinita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra de “Deus”. Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso “eu” para um “tu” e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impresso em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão: a trindade. Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo.

Buscar a Deus – em nossa vida cotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito complicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Amor este que envolve o perdoar. Devemos voltar-nos para essa luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. gostaríamos de poder dizer: “aqui está Deus; Deus é assim...”. Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e oculta-se naqueles que precisam de nós e diz: “buscai-me aqui”. Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada novo dia.

Diante disso, podemos entoar esta antífona:

Bendito seja Deus Pai,
bendito o Filho unigênito
e bendito o Espírito Santo.
Deus foi misericordioso para conosco ... e fazer esta oração:
Oh Deus, nosso Pai, enviado ao mundo,
a palavra da verdade e o espírito santificador,
revelaste aos homens teu inefável mistério.
faze que, professando a verdadeira fé,
reconheçamos a glória da trindade
e adoremos a unidade onipotente.
por nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.

2. O perdão: setenta vezes sete

O judaísmo já conhecia o dever do “perdão das dívidas” ou das ofensas, mas se tratava de uma conquista recente, que só se conseguia impor mediante a lista de “tarifas precisas”. A mesquinhez humana procura sempre uma medida, uma norma que lhe dê satisfação. Perdoar sim, mas quantas vezes? Os rabinos, para acentuar a liberalidade de Deus, diziam que ele perdoa três vezes; as escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes a mulher, os filhos, os irmãos etc., e esta lista variava de escola para escola. Pedro pergunta a Jesus qual a sua taxa.

Setenta vezes sete – Jesus havia ensinado a amar os próprios inimigos e orar pelos que nos perseguem, a fim de sermos filhos do pai que está nos céus, que faz surgir o sol sobre os maus e os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5.44-45). No pai-nosso, havia ensinado a pedir: “perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos os nossos devedores”. Pedro compreendeu no contato com Jesus que as medidas até agora tidas como válidas não servem mais; ele tenta uma resposta: “até sete vezes”. É mais do que o dobro de três e, além disso, é o número simbólico que significa plenitude. Jesus formula sua resposta retomando o número simbólico, mas multiplicando-o de tal maneira que signifique uma plenitude ilimitada. É preciso perdoar sempre. A parábola que segue explica esse dever de perdoar sem limites. O sentido da parábola é que Deus perdoa gratuitamente o pecado de quem lhe pede perdão, demonstrando uma benevolência absolutamente desinteressada para com os pecadores. Em consequência dessa experiência do perdão de Deus, o homem deve aprender a perdoar seus irmãos, tanto porque suas ofensas nada são diante da gravidade do pecado como porque ele já foi alvo do perdão de Deus.

3. O perdão cristão pode transformar a fisionomia da história

O perdão das ofensas e o amor aos inimigos constituem uma das características mais evidentes e a maior novidade da moral evangélica. Mas, como acontece freqüentemente, quanto maior a exigência, mais elevada a meta indicada, tanto mais mesquinha e pobre se manifesta sua realização na vida prática.
Qual a influência da doutrina evangélica sobre o perdão das dívidas na vida e no comportamento prático dos cristãos? Deve-se dizer que muitos cristãos, no decorrer da história da igreja, têm levado a sério a palavra de Jesus, e a hagiografia cristã está cheia de exemplos sublimes de amor e de gestos heróicos de perdão e reconciliação. Se hoje se fala cada vez com mais frequência de paz, desarmamento, solução pacífica das controvérsias internacionais e de cooperação mútua e auxílio aos povos em via de desenvolvimento, temos de reconhecer que muitos cristãos têm contribuído para a difusão e a maturação desses ideais do cristianismo.

O evangelho teve importância capital na educação dos povos do ocidente, e muitas idéias, instâncias e estímulos positivos, alimentados por sistemas que combatem o cristianismo, nasceram de uma cultura originalmente cristã e fortemente marcada pelo espírito evangélico. Mas a história dos povos, mesmo a dos cristãos, está cheia de testemunhos negativos: guerras, discórdias, morticínios, vinganças, injustiças, guerras de religião, conquistas coloniais; e hoje: o imperialismo econômico, a exploração do terceiro mundo, a indústria da guerra e da morte. A responsabilidade dos cristãos perante o evangelho e perante os irmãos ainda não iluminados pela luz da fé é enorme. Os contratestemunhos desmentem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e comprometem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e a credibilidade do próprio evangelho.

Romper a cadeia do ódio – a iniciativa da reconcilicação vem de Deus, e a igreja e os cristãos devem ser os construtores da paz no mundo; devem criar um clima de reconciliação, de perdão, encontro, fraternidade em todos os setores e todos os níveis, desde o internacional até as pequenas relações de vizinhança e trabalho, entre esposos, entre os filhos, nas relações entre operários e patrões, entre pobres e ricos. Não há relação humana, por maior que seja, que não possa melhorar pela reconciliação e pelo perdão. A curva ascendente da violência é um apelo ao amor cristão, do qual o perdão é um momento importante. Só com o amor é possível formar uma comunidade, também a nacional.

4. Subsídios para a liturgia

Salmo para meditação (para ser lido em conjunto entre as leituras do antigo testamento e da epístola. É o chamado gradual).

Refrão: O Senhor é misericordioso e clemente! (após cada versículo)

1. Bendize ao Senhor, ó minha alma,
e tudo o que há em mim ao seu nome santo.
Bendize ao Senhor, ó minha alma,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

2. É ele quem perdoa tua culpa toda
e cura todos os teus males.
é ele que redime a tua vida da cova
e te coroa de amor e compaixão.

3. Ele não vai disputar perpetuamente,
e seu rancor não dura para sempre.
nunca nos trata conforme os nossos erros,
nem nos devolve segundo as nossas culpas.

4. Como o céu que se alteia sobre a terra,
é forte o seu amor por aqueles que o temem.
como o oriente está longe do ocidente,
ele afasta de nós as nossas transgressões.


Juntos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo;
como era no princípio, é agora e será sempre,
por todos os séculos. Amém.


A palavra se faz oração (sugestões para as orações intercessórias).

• Ao Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia e que realiza os desejos de seus filhos e filhas, dirijamos confiadamente nossa oração.
Todos: Senhor, escuta a nossa prece.

• Pelos sacerdotes que receberam de Cristo o poder de perdoar os pecados, para que sejam, como ele, cheios de misericórdia e compaixão, semeadores de esperança e conversão, oremos: Senhor, escuta ...

• Pelos pobres e oprimidos, para que diante das injustiças que sofrem não reajam com violência e vingança, mas com as armas da justiça e da razão, oremos: Senhor, escuta...

• Pelos que alimentam pensamentos de ódio e vingança, para que meditem na palavra de Jesus: “perdoai e sereis perdoados”, oremos: ...

• Aqui podem ser acrescentadas outras intenções (da comunidade) ou orações de ações de graças. E após será concluída com uma oração de acolhimento pelo sacerdote:

Senhor, nosso Deus, acolhe as orações dos teus filhos e filhas, que se dirigem a ti com confiança e humildade; e, a fim de que nossos desejos sejam sempre atendidos, concede-nos pedir o que é agradável à tua vontade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


BIBLIOGRAFIA

Liturgia da Assembléia Cristã, Edições Paulinas, 1980, vol. i.
Escrituras Sagradas.
LOC – Livro de Oração Comum da IEAB.


 


Autor(a): Almir dos Santos
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 17º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 18 / Versículo Inicial: 21 / Versículo Final: 35
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2004 / Volume: 30
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 23597
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