Mateus 23.1-12

Auxílio Homilético

21/08/1977

Prédica: Mateus 23.1-12
Autor: Richard Wangen
Data Litúrgica: 11º Domingo após Trindade
Data da Pregação: 21/08/1977
Proclamar Libertação - Volume: II

 

I - Observações Litúrgicas

Este domingo conclui o segundo ciclo da época de Trindade, cujo ensino se preocupa com os aspectos da nova vida de justiça. Deve-se utilizar como intróito pelo menos os primeiros seis versículos do Salmo 68. As leituras bíblicas, tanto Lucas 18.9-14, como l Coríntios 15.1-10, correspondem bem ao escopo da prédica. O contraste refletido nos dois textos prepara os participantes para ver mais claramente a lição entesourada obscuramente no texto da predica. De relevo especial seria o texto de l Coríntios, no qual o Apostolo Paulo afirma no v.10: por certo não eu, porém a graça de Deus comigo.
Como alternativa à oração-coleta indicada no manual antigo sugerimos a seguinte:

Onipotente e eterno Deus, que sempre estás mais pronto a ouvir do que nós a suplicar, e nos das mais do que desejamos ou merecemos: Derrama sobre nós a tua misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência. Renova a nossa comunhão em Jesus Cristo e com o próximo, doando-nos as bênçãos que não somos dignos de pedir, senão pelo merecimento de Jesus Cristo, Teu Filho, Nosso Senhor. Amém.

II - Considerações exegéticas

Feita a introdução ao Evangelho de Mateus, passaremos diretamente ao específico do texto que temos em mãos, a saber, Mateus 23,1-12. O capítulo 23 faz parte do terceiro bloco (cf. obs. introdutórias), que relata sobre o agir de Jesus em Jerusalém e os conflitos com os grupos-líderes do povo judaico. Mateus se baseia em Mc 12.37b-40. Alguns comentários apresentam o capítulo como parte de um bloco de ensinamentos ligado aos caps. 24 e 25 e estruturalmente colocado nesta ordem para corresponder literariamente ao Sermão da Montanha. De modo semelhante, o sermão do cap. 23 inclui o povo e os discípulos. O intuito primordial de Mateus é dar testemunho ao seu ambiente judaico de que Jesus é o Messias. Em termos gerais, o autor vai ao encontro do leitor do evangelho respondendo ã seguinte pergunta: O que significa este evangelho para a comunhão cristã no que se refere à expressão da nossa fé e da nossa obediência?

O tema obediência desempenha um importante papel no evangelho de Mateus. Esse papel em sua íntima ligação com a lei, caracteriza este sinótico de uma maneira singular. Este fato, por sua vez, dá margem a sérios equívocos de interpretação. A briga entre Jesus e os fariseus apresenta--se, no primeiro evangelho, quase como o motivo condutor. E evidente que o autor do evangelho tinha uma experiência vivencial com os fariseus.

Alguns comentaristas alegam que o apoio que Jesus da ao ensino dos escribas e fariseus (23.3) não pode conferir com uma expressão dele, e que a crítica aos fariseus tampouco corresponde à realidade.1 Porém, a atitude de Mateus reflete a sua situação peculiar. Bornkamm comenta: nos seus primeiros versículos, o discurso (sobre os fari-seus) demonstra claramente que a congregação não se considera desligada da união com o judaísmo (23.1-3). Mas, ao mesmo tempo, em contraste com a hipocrisia dos fariseus e escribas, demonstra a natureza de comunidade cristã.2 Parece que o evangelho em si e especialmente o capítulo 23 são endereçados às comunidades cristãs cujas estruturas e diretrizes sofreram doutrinariamente forte impacto dos fariseus. Estes, depois da destruição do templo em 70 d. C., assumiram a liderança no judaísmo em dispersão3 . Mateus escreve então seu evangelho vendo a situação através deste prisma.

Consideremos o texto em pauta tendo em mente que o capítulo inteiro pesa na interpretação. Deve-se lembrar também que, conforme o intuito de Mateus, a estrutura do seu evangelho possui uma forte consistência interior.

Partindo de 23,1, notamos uma diferença entre os endereçados neste trecho, que são as multidões e os discípulos, e os do Sermão da Montanha (5,1), onde apenas os discípulos são endereçados à vista (ou na presença) das multidões. Ê evidente que o nosso texto abrange também o povo e não somente os discípulos. V.2: na cadeira de Moisés. Esta não é uma expressão puramente figurada. Este móvel realmente existia na sinagoga. Ele representa a autoridade magisterial de Moisés e a inferência aqui refere-se a uma instituição que reivindica para si a última instância em termos de estipular o padrão da verdade e do comportamento.

V. 3: fazei e observai. É duvidoso que Jesus de fato tenha mandado obedecer os escribas e fariseus.4 No entanto, uma tal interpretação seria possível se Jesus queria dizer que se levasse o ensino até suas últimas consequências no sentido do mandamento duplo (cf. 22.38). Mas não imiteis as suas obras - As suas obras levam a uma falsa segurança, e não a uma confiança total em Cristo.

V. 4: fardos opressivos - um retrato representando a acumulação de leis que os escribas e fariseus exigem do povo, e pintado como um feixe de lenha que vai se acumulando nas costas do portador5. Sem nenhuma vontade de modificar - uma forte indicação da arrogância dos fariseus e escribas em manter sua posição de amarrar e controlar a consciência do povo sem a mínima vontade de aliviá-la. Enfatizada aqui é a falta de misericórdia deles em contraste com o perdão libertador de Cristo.

Vv. 5-6-7: para serem vistos pelos homens - Estes três versículos demonstram as maneiras ostentativas que os fariseus utilizam para atrair atenção sobre si. Retraía incisivamente seu egoísmo. Em contraste, vemos os três próximos versículos, 8-9-10 - Vós, porém! Os últimos 5 versículos do texto estão endereçados diretamente à comunidade cristã. Esse procedimento cristão e comunitário é contrastado com o procedimento farisaico e tem caráter de regra para a comunidade6. Os vv. 8 e 10 talvez façam parte da redação de Mateus, pois são dirigidos aos irmãos (adelfoi) - as multidões (hoi ochloi) não entenderiam essas palavras.7 O v. 9 fortalece a linha do texto na sua Teo-Cristo-Centricidade. A expressão os irmãos refere-se aos membros da Igreja e, neste versículo, ressalta que a única autoridade reside em Deus. Mateus cuida para manter a antítese aqui na terra e o que está nos céus. Uma posição notável na crítica de Jesus aos fariseus é que o critério do Evangelho é exterior a nós, o que significa que não possuímos a última medida com a qual seremos julgados, ao contrário dos fariseus e escribas, que reivindicavam essa regalia para si mesmos. (Algo semelhante acontece hoje em dia com alguns que têm Jesus no coração e arrogam para si o direito de serem o único depósito da verdade!)

Os vv. 11 e 12 indicam de que maneira deve ser praticada a sua fé. Não em ostentação, mas em serviço.

V. 11: o maior dentre vós será aquele - Esta frase tem um sentido duplo, representando um ponto-chave para a interpretação deste texto. Por um lado, ela indica o único caminho para a comunidade cristã. Este caminho é o caminho do serviço. Isto se torna um imperativo para nós. Por outro lado, o único que conseguiu cumprir este serviço de maneira plena é Jesus, o Messias. Isto é o indicativo para nós, é anterior a qualquer serviço nosso em prol da nossa fé. Somente assim a comunidade cristã poderá desempenhar sua função instrumental. Os verbos estai, hypsoosei, tapeinoothesetai futuros indicativos, demonstram o sentido escatológico destas passagens. A direção deste versículo aponta para o futuro, em contraposição a dos escribas e fariseus. Este sentido leva a um rompimento com o passado e põe a lei e a obediência em função do futuro em Cristo.

Em resumo, qual é o nosso confronto com o evangelista Mateus que poderia construir uma ponte para o apelo deste texto para hoje? O que é que Mateus queria testemunhar para a sua situação vivencial? Se captamos o espírito que perpassa todo o evangelho de Mateus, então podemos depreender o seguinte: Mateus se defronta com dois problemas que ameaçam a fé de sua comunidade. Um é a forte presença da comunidade judaica que quer se impor doutrinariamente sobre os cristãos: também poder-se-ia denominá-los judaizadores. A outra ameaça é tão perniciosa quanto a primeira: a de anemia, ou ausência de lei, uma queda completa para o libertinismo. Parece que está entre estes dois perigos o ponto ao qual o evangelista quer nos conduzir.

O alerta torna-se mais aguçado se percebemos que o estilo parabólico de Mateus não visa simplesmente uma diatribe menos sutil contra os escribas e fariseus, isto é, dedar os de fora. É mais provável que a caricatura dos fariseus seja uma pasquinada contra a própria comunidade cristã. Se for este o caso, o alvo deste capítulo centra na Igreja e os escribas e fariseus são as figuras leigas que representam o ateísmo prático mascarado de piedade. Compara-se o capítulo com o profeta Nata, do Antigo Testamento, que aponta o dedo para Davi e diz: Tu és o homem! (cf. II Sm 12,7)8.

Escopo: Somente em Cristo a graça ativa a comunidade cristã para um empenho aberto e salvador em prol do mundo!

III - Meditação

O texto levanta para nós uma porção de reflexões atinentes à situação da Igreja no seu contexto brasileiro. O primeiro fenômeno deste contexto se refere à espiritualidade do povo. Esta atitude tão arraigada conduz a duas expressões anômalas frente ao apelo do Evangelho. Uma delas é o sincretismo que se evidencia visualmente através de despachos, terreiros, procissões. A propaganda de TV, jonais, rádio e outros meios, leva o povo a confundir a fé com o bem-estar. O problema do alto custo do atendimento médico, a baixa renda e a ineficiência do INPS ou a falta de sentido de vida conduzida por uma tecnologia desumanizada, impelem o povo para a magia e soluções imediatas que encobrem sua vassalagem a uma sociedade de consumo.

A outra saída é fugir deste mundo para o além-túmulo em termos de legalismo e sentimentalismo que narcotizam e divorciam o crente de sua realidade diária, precisamente onde Cristo requer sua atuação como praticante da lei dupla (Mateus 22,37-39). A escatologia implícita no texto de fato subentende galardão, porém não pressupõe uma fuga do mundo, nem oferece margem para abstrair-se da realidade.

A estranha tensão que Mateus mantém entre a escatologia cristã e a lei se torna importante para nós em vista dos interesses apocalípticos promovidos no meio do nosso povo. Exemplificados pela literatura tal como a de Hal Lindsay, A Agonia do Grande Planeta Terra, e Arthur E. Bloomfield, O Futuro Glorioso do Planeta Terra. Mateus não visa a escatologia como uma saída fácil para o além-túmulo, que nos libertasse do engajamento neste mundo. Tampouco não considera a lei como uma possível segurança para a salvação pessoal. Ao contrário, a lei tem uma função instrumental do amor de Deus para com seu mundo. (A lei desempenha uma função bem diferente no evangelho de Mateus do que nas epístolas de Paulo). Bornkamm comenta sobre esta tensão no primeiro evangelho: Bem-aventurança e exigência são sem dúvida uma unidade oculta9.

O outro fenômeno parte da índole da nossa própria igreja. Ela se sente inserida como corpo estranho na cultura brasileira. Se esta alienação proviesse da sua fidelidade ao Evangelho, ela seria defensável. Infelizmente, na maioria das vezes, este não é o caso. Ela se encaramuja na sua tradição e etnicidade. Ela foge do engajamento requerido pelo Cristo para um mero cumprimento do dever. Muitas vezes ouvi da boca dos nossos membros depois de um culto de Santa Ceia na Sexta-feira santa: Bem, cumpri o meu dever e me sinto melhor. Precisamente neste sentido acusa Jesus os fariseus: Dizem e não praticam. Esta atitude conduz para uma comunidade exclusivista e divorciada dos afazeres do dia a dia. Além disso, o cunho individualista ainda predomina entre nós; a responsabilidade comunitária é muitas vezes afogada pela mesquinhez e competi vidade oriunda de padrões egoístas de racismo, status, sexismo e galguismo econômico. Enfim, a comunidade não é um fim em si, ela antes possui função instrumental declara o documento do Catecumenato Permanente 10. Isto confere com o texto em pauta. A este ponto voltamos agora.

Estas reflexões levam-nos a perguntar qual é o princípio que caracteriza a nossa comunidade. Um princípio de exclusão ou um princípio de inclusão? Pois a perícope perante nós tem especificamente esta preocupação em mente. Ela questiona o nosso exclusivismo. O grande debate com os fariseus em Mateus 23 se determina pela preocupação insistente que a vontade de Deus seja feita .11

Esta vontade não permite exclusivismo, e sim, nos leva a aplicar a nossa obediência ã lei em termos de um princípio de comportamento ético ou, nas palavras de Goppelt, ética de relação 12. Esta ética de relação determina o meu exclusivismo ou inclusivismo ou o da minha comunidade.

Tentemos compreender estes dois princípios para a nossa situação atual. Apesar de ênfase colocada na obediência e na lei, Mateus não propõe uma comunidade fechada ou exclusivista como modelo. Em termos concretos, o que significaria o princípio de exclusão?

O princípio de exclusão em pessoas ou em comunidades caracteriza-se por uma porção de manifestações facilmente identificáveis. O exclusivista estaria, em tese, contra qualquer inovação, evidenciada em pessoas, estilos de vida, valores, ideias, programas ou organizações. Ele é essencialmente antivida e antidiálogo porque tem medo. Todas as suas relações se expressam de maneira defensiva. Ele sempre precisa ter razão. Não tolera imperfeição nos outros, naqueles que lhe são íntimos, e sobretudo em si mesmo. A tendência dele é de diminuir a compaixão pelos outros e os seus preconceitos aumentam. O passado e as suas normas se tornam uma obsessão. Perguntamos: o que ê que o exclusivista exclui? Ele rejeita pessoas, especialmente pessoas de outras raças e religiões. Ele rejeita novas ideias, valores e experiências. Um culto em nova forma, por exemplo, não seria aceito. Classes de pessoas marginalizadas seriam julgadas como malditas e irrecuperáveis. Ele se sentiria bem com estruturas rígidas, seguras e controláveis, tanto de governos, quanto de igrejas. O pior para ele é que ele se coloca como juiz sobre outras pessoas e eventos e, deste modo, automaticamente exclui participação (comunhão) de outros na sua vida ou se exclui dos afazeres deles. Desta maneira, ele tolhe toda possibilidade de crescimento, mas, pior ainda, ele usurpa o lugar de Deus e desobedece o primeiro mandamento. Este quadro serve tanto para caracterizar uma pessoa, como uma comunidade.

Em contraste, como e que podemos encarar o princípio de inclusão? Em primeiro lugar, o inclusionista esta voltado para o futuro ao invés do passado. Podemos dizer que é escatologicamente orientado. Está aberto para novas ideias, novas possibilidades. O seu ponto de vista não é fechado ou dogmático. Ele se conhece a si mesmo porque esta sempre aberto para auto-crítica. Sua vida esta em processo e em crescimento. Ele está consciente da necessidade da comunhão, participação, apoio e crítica dos outros para a sua própria integridade. Mas, pergunta-se, um inclusionista não seria um oportunista, fraco e sem opinião própria, um obsequiado perante os poderes deste mundo, vacilante e inapto para liderança ou para o Reino de Deus? Certamente Cristo não estava preconizando este tipo para o discipulado na sua desavença com os fariseus?13

Não existem traços importantes na tradição que devemos guardar? Será que devemos jogar tudo fora? Reuel Howe responde que o inclusionista sabe que ele necessita das raízes e perspectivas da tradição para tratar questões contemporâneas de uma maneira informada. Ele percebe que as formas pelas quais a tradição chegou a nós talvez tenham que mudar, mas o inclusionista também está pronto a admitir que a superação (death) destas formas já está inerente as suas próprias estruturas e que sua lealdade primordial se deve àquilo que é vital no seu conteúdo e perspectiva da tradição. 14

Intimamente ligadas ã tradição estão as instituições, em nosso caso, as instituições religiosas. Como a tradição, a instituição também tende a colocar categorias que excluem outros a fim de perpetuar sua própria existência. Toda a vida de Jesus representou um ato de inclusão. Ele rompe categorias de exclusão que até hoje temos sérias dificuldades em abandonar. O texto contesta as tentativas dos escribas e fariseus de formarem critérios para controlar pela lei quem deve ser ajudado e quem não. A distância e de maneira calculista, eles querem decidir quem era o próximo. Para Jesus, a obediência a lei significa que os homens se tornam próximos um do outro através da situação histórica específica, não através de uma casuística, mas quando Deus lhes põe no caminho um homem que necessita de auxílio abnegado (Lc 10.30 e Mt 25.35ss) 15.

Tocamos de leve nos dois princípios, o de exclusão e o de inclusão. Vale a pena meditar mais profundamente sobre estes dois princípios em relação a nossa própria comunidade. Temos nós colocado categorias (abertas ou ocultas) de exclusão que não coadunam com a vontade de Deus?

Se parássemos neste ponto, teríamos que dizer que a distorção do texto seria total. Infelizmente muitos o fazem. A tensão que Mateus mantém em todo o seu evangelho entre lei e Evangelho, é irritante. No entanto, é assim que o evangelista consegue o seu alvo, o de demonstrar com precisão, baseado no pensamento legalista dos judeus, que Jesus é, de fato, o Messias.

Este problema não e menos grave hoje. Especialmente numa igreja onde tradição e etnicidade desempenham um papel ainda tão marcante. Em primeiro lugar, não levamos a lei tão a sério; pior ainda, nosso individualismo e origem tendem a envergonhar-nos de receber algo de graça (literalmente falando).

Perante uma economia que exige produção e consumo, aprendemos bem o dom de dar, pois muitas vezes isto se torna sinal do nosso poder - dou com orgulho porque eu tenho o controle deste dar; ganho eu prestígio perante os outros -pois nos conformamos com este século e indicamos o nosso status mostrando o nosso poder de produção. No entanto, desprezamos aquele que não pode produzir. O nosso dar é anulado pelo fato de não sabermos receber. Nisto reside a nossa pouca fé - a falta de vontade de receber a graça de Cristo. Por isto os fariseus foram retratados como leigos ateus com máscara de piedade. Eles não partiram da graça imerecida de Cristo para a prática das suas obras, mas suas obras partiram da falta de fé. Partiram de um egoismo centralizado no seu próprio poder de salvar-se. Bornkamm comenta sobre este fato: A obediência se torna algo que se pode medir, que se pode demonstrar, a ação transforma-se em obra, as obras se reúnem em um capital16.

Não é de admirar que os teólogos da libertação acentuam a solidariedade de Jesus com os pobres! Quem mais hoje em dia sabe receber esta obra de Cristo (Mateus 5,17b - não vim revogar mas cumprir)? Esta afirmação de Jesus precede tudo o que dissemos acima o evento do cumprimento já está presente!17. A parte mais difícil é comunicar a comunidade com clareza esta anterioridade de Jesus (João 1,12 - mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus). Só podemos partir desta graça, mas também a obediência desempenha um importante papel para o cristão. Como é importante insistir com o nosso povo que não existe nenhum til da lei que sejamos capazes de cumprir! Ao mesmo tempo, é-nos exigido o cumprimento total dela. Unicamente assim somos confrontados com a necessidade do arrependimento total, e podemos compreender que a entrada no serviço do reino de Deus, liberta também para o próximo18. Somente assim pode a inclusividade do cristão ser compreendida em toda a sua radicalidade!

IV - Um possível roteiro para a prédica

 

Tema: Vamos vivenciar a graça de Cristo!

 

l. Quais as garantias abertamente declaradas e sub-entendidas que o mundo oferece para dar segurança a nossa vida?

A. As Promessas do mundo secular.

B. As seguranças que a religiosidade oferece.

1. A religiosidade que nos cerca (espiritismo, pentecostalismo, etc.)

2. A segurança que as tradições evangélicas oferecem (Batismo, contribuição, enterro - a raça?).

 

II. Essas garantias valem para todos?

 

A. Privilégios para poucos.

B. Privilégio para os evangélicos.

 

III. A reivindicação radical do evangelista Mateus - 5, 48: Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito.

 

A. O cumprimento desta lei é exigido (cf. a falsa segurança dos escribas e fariseus) de todos?

B. Cristo cumpriu o que não podemos cumprir - a Graça.

 

IV. A prática da lei em Cristo.

 

A. A graça nos liberta para servir o nosso próximo.

1. Não precisamos servir a nós mesmos, pois Cristo é o nosso servo!

2. Visão - os olhos se abrem para os excluídos da Comunidade.

 

B. Na ética de relação (uma nova comunhão) erguemos no meio da sociedade um sinal do reino dos céus.

1. A formação de Cristo se efetua entre os irmãos (cf. Bonhoeffer).

2. A solidariedade de Cristo para conosco recebemos forças para aceitar a cruz.

 

V - Notas bibliográficas

1. J.C.Fenton, Saint Matthew, p. 85
2. Bornkamm, Tradition and lnterpretation p. 21.
3. Reinhart Hummel, Die Auseinandersetzung ...p. 31
4. J.C.Fenton, Saint Matthew, p. 366
5. Schniewind, p. 225
6. Schniewind, p. 226
7- M'Neile, The Gospel according to St. Matthew, p. 33
8. J.C.Fenton, Saint Mathew, p. 364-65
9. Guenther Bornkamm,Jesus de Nazaré, p. 10
10. Documento Catecumenato Permanente, p.5
11 - Gerhard Barth, Tradition and Interpretation in Matthew, p. 6
12. Leonhard Goppelt, Teologia do Novo Testamento,p.136
13- Reuel L. Howe, Survival Plus, pp. 25-41
14. Ibidem, p. 38
15. Leonhard Goppelt, Teologia do Novo Testamento, p. 137
16. Guenther Bornkamm, Jesus de Nazaré, p. 98
17. Leonhard Goppelt, Teologia dó Novo Testamento, p. 132
18. Ibidem, p. 136

VI - Bibliografia

- BARTH. Gerhard. Matthew's understanding of the Law, In: Tradition and Interpretation in Matthew. The Westminster Press, Philadelphia,1963.
- BORNKAMM, Günther. Jesus de Nazaré. Petrópolis, Vozes, 1976.
- COMISSÃO Catecumenato Permanente. Polígrafo. Discipulado Permanente - Catecumenato Permanente. 1975.
- FENTON, J. C. Saint Matthew. The Pelican New Testament Commentaries. London. Penguin Books Inc. 1963.
- GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento, Jesus e a Comunidade Primitiva. São Leopoldo, Editora Sinodal,1976.
- HOWE, Reuel L. Survival Plus. New York,Seabury Press,1971.
- HUMMEL, Reinhardt. Die Auseinandersetzung zwischen Kirche und Judentum im Matthaeus – Evangelium . München, Chr. Kaiser Verlag, 1963.
- M'NEILE, Alan Hugh. The Gospel According to St. Matthew. New York, Macmillan, 1965.
- REED, Luther D. The Lutheran Liturgy. Philadelphia, Muehlenberg Press, 1947
- SCHNIEWIND.Julius. Das Evangelium nach Matthaeus. In: Das Neue Testament Deutsch. 12a ed. Goettingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1968.


Autor(a): Richard Wangen
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 12º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 23 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 12
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1977 / Volume: 2
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 13401
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