Mateus 28.16-20

Auxílio Homilético

14/07/1985

Prédica: Mateus 28.16-20
Autor: Günter Wolff
Data Litúrgica: 6º Domingo após Trindade
Data da Pregação: 14/07/1985
Proclamar Libertação - Volume: X

 

l — Introdução

O texto é muito badalado, conhecido e abrange muitos assuntos, como: ressurreição, autoridade de Jesus, envio, discipulado, batismo, trindade, ensino, missão, presença de Jesus entre os seus.

Nos textos sinóticos paralelos aparecem algumas diferenças como: o local que aqui é a Galiléia, em Marcos após a ressurreição o anjo diz para irem à Galiléia, mas depois o local fica indefinido, em Lucas estes acontecimentos se dão em Jerusalém. Somente Marcos e Lucas falam da Ascensão.

Um assunto que aparece nos quatro evangelhos é a incredulidade e a dúvida por parte dos discípulos. Por isso Mt 28.17b deve-se traduzir conforme o texto grego de Nestle-Aland, mas duvidaram. O termo alguns é acrescido em alguns manuscritos; Almeida o inclui. Os evangelhos fazem questão de ressaltar a dúvida, pois a compreensão humana frente à ressurreição sucumbe. Além do que a fé existe ao lado da dúvida, pois os discípulos o adoraram e duvidaram. Não se quer aqui excluir a dúvida ao lado da fé.

Há uma contradição entre Lucas e Atos. Em Lucas diz que a Ascensão foi em Betânia e em Atos diz que foi no monte das Oliveiras, a não ser que o local seja conhecido com os dois nomes.

O texto pertence à matéria exclusiva de Mateus.

Do monte designado não se fala antes em Mateus. Mas monte tem a ver com revelação de Deus conforme o AT. Antes se fala apenas do envio à Galiléia.

II –Texto

O texto se divide em duas partes:

Vv. 16-17: Introdução

Vv. 18b-20: Palavras finais de Jesus a seus discípulos.

V. 16: Os onze discípulos vão para a Galiléia para o monte onde Jesus aparecerá. Monte é local de teofania já no AT. Em Êxodo no Sinai o povo recebe os dez mandamentos, aqui os onze recebem a missão de expandir o Reino. Não aparecem nos textos anteriores a indicação deste monte, mas apenas a Galiléia, o local de onde Jesus partiu com sua pregação/vivência. Galiléia é o local dos pagãos, dos desprezados pelos judeus de Jerusalém, por isso Mateus não coloca Jesus em Jerusalém como os demais evangelistas, mas o coloca na Galiléia o local dos desprezados e marginalizados. A partir daí recebem a grande comissão, a partir e entre os desprezados e marginalizados inicia o Reino.

Mt 4.15 diz que a Galiléia era terra dos gentios, a partir dali vem Jesus com sua boa nova e não de Jerusalém. A partir dos desprezados e sem valor, Jesus parte com sua pregação e vai em direção a Jerusalém. A partir dos desprezados inicia o Evangelho. Os desprezados irão iniciar o Reino com seu seguir a Jesus e irão marchar sobre Jerusalém para integrá-la ao Reino, mas ela consegue resistir. Quando na verdade deveria ser o contrário, que Jerusalém com todo poder e sacerdotes deveria ir o caminho inverso em direção, aos gentios para dar-lhes chance de vida, mas Jerusalém os exclui. E dos excluídos sai Jesus. Está aí a loucura da pregação. Loucura para o mundo, mas na prática de Jesus é a lógica. Os fracos têm a missão de se organizar e derrubar o poder dos fortes que não aceitam o Evangelho. A constituição da comunidade é a partir dos não-convidados, por isso ide a todas as nações a partir da Galiléia, desprezada e excluída (Jo 7.52). Jo 1.46 diz: De Nazaré pode sair alguma coisa boa?

V. 17: Aqui os discípulos estão diante de Jesus em adoração e dúvida. Representa a situação deles e da comunidade. Dúvida frente ao milagre da ressurreição. Fé e dúvida andam juntos. A fé se concretiza entre adoração e dúvida.

V. 18: Com a aproximação de Jesus se rompe a distância criada entre eles, pois todos o abandonaram na hora da prisão e morte. Representa o ir ao encontro de Deus aos homens, é o perdão. Em sua fala aos discípulos Jesus diz que ele tem toda a autoridade no céu e na terra. Quer dizer Jesus Cristo manda e ninguém mais poderá destruí-lo. Se Jesus é a autoridade no céu e na terra então não há autoridade que possa se impor acima dele. Quer dizer que o que Jesus diz vale e não o que a autoridade terrena diz, pois esta deve também estar sujeita a Jesus e fazer o que ele diz. A autoridade terrena deve estar a serviço do Reino, se não está, então, perde sua autoridade e legitimidade. Os discípulos recebem no v. 19 a autorização de fazer discípulos e espalhar o Evangelho e construir o Reino debaixo do nariz das autoridades terrenas. Quem quer ser discípulo de Jesus deve fazer isto, quem impede é contra Jesus e não aceita sua autoridade. Por isso se alguma autoridade terrena quer se sobrepor à vontade do Reino deve ser afastada. Se alguma autoridade é contra o Reino também deve ser afastada, pois não se subjuga a Jesus Cristo. Em toda terra deve ser feito o que Jesus quer, quem se omite ou é contra, não respeita a autoridade de Jesus.

A ressurreição é o início da autoridade de Jesus sobre céu e terra. Esta autoridade vai até o fim dos séculos, que é o início da plenitude do Reino de Deus.

Se Jesus precisa dizer que ele tem a autoridade para enviar, fazer discípulos e batizar e que ele estará sempre com os enviados, então é porque os cristãos não queriam ir, tinham medo de ir. Se Mateus foi escrito por volta do ano 80 d. C. então para os cristãos estava muito viva a perseguição de Nero e demais imperadores e se achava que Jesus veio só para os judeus, já que a comunidade de Mateus era de judeu-cristãos. O texto toca, pois, em duas questões: Jesus Cristo é o Senhor da história e não o Império Romano ou Imperador com suas perseguições. Jesus tem a autoridade e não o Imperador. A vinda de Jesus foi para todo mundo, é a revolução universal, por isso deve-se ir a todas as nações para ensinar e guardar o que Jesus ordenou. O que Jesus ordenou é a construção do Reino de Deus que se choca abertamente com o Império por isso é perigoso ser um discípulo que vai pelo mundo afora, pois serão perseguidos, como também foram; por isso Jesus diz que ele estará com os seus todos os dias até o juízo final.

O início e o fim da fala mostram que Jesus tem a terra e o céu em suas mãos, por isso pode-se ir a todas as nações com tranquilidade, apesar das perseguições e morte que estão esperando, pois Jesus estará com os seus até o fim. Para construir este Reino precisam-se de todas as pessoas possíveis, por isso o ide fazei discípulos Já que Jesus tem a autoridade então ele também pode mandar para fazer discípulos para subverter a autoridade dos reis e dos reinos desta terra. E aqui se chocam a autoridade de Jesus e a autoridade dos reis que são, pela sua prática, contra o Reino.

V. 19: A ordem que Jesus dá aqui provém de sua autoridade sobre todas as nações. Estas nações devem tornar-se seus discípulos. Isso já está incluído pela formulação: fazei discípulos de todas as nações: quer dizer nem todos serão discípulos de Jesus. Fazer discípulos, aumentar os seguidores do Reino, significa fortalecer o Reino.

Para a comunidade primitiva também foi difícil iniciar com a missão universal. Que os pagãos também estavam incluídos na salvação vem da práxis de Jesus (Mt 8.11; 15.22-28), até os fariseus concordavam com isto (Mt 23.15). Isto já estava nas previsões proféticas e esperanças messiânicas, que os gentios viriam para Jerusalém adorar a Deus. Mesmo assim aconteceu que antes e ao lado de Paulo os seguidores de Jesus se espalharam pelo continente com a mensagem de Jesus. Pois as comunidades da Antioquia e Roma foram fundadas por pessoas desconhecidas, Paulo já as encontra fundadas. A ideia de que Israel é o centro que encontramos nos ditos messiânicos, aqui nem aparece, pois Israel nem é citado em especial. Israel é nivelado às outras nações.

O batismo provavelmente provém dos discípulos de João Batista que se integraram ao grupo de Jesus. Normalmente a Bíblia fala de batismo em nome de Jesus (At 2.38; 8.16; 10.48; Rm 6.3; 1 Co 1.13-15; 6.11) a trindade é incluída posteriormente, talvez era prática somente na comunidade de Mateus. Apesar que já em 2 Co 13.13 os três são citados em conjunto, idem 1 Jo 5.5-8.

Ide quer dizer para fora, a partir da Galiléia para o mundo todo. Não se pode ser discípulo de Jesus quando se fica restrito a seu lugar, a seu canto. A sua missão é universal como a autoridade de Jesus o é. Já que Jesus tem autoridade sobre toda a terra então ninguém precisa pedir licença para fazer discípulos a nenhuma autoridade da terra. Ide fazei discípulos não significa pela violência, mas deixa a opção em favor ou contra o Reino. O ide é por outro lado uma ordem de Jesus a todos os seus discípulos para aumentar os participantes do Reino. Uma ordem que não tem como contradizer. Jesus ordenou e o que ele disse tem que ser feito, quem não quer ir não é sou discípulo, não há jeito de ficar em casa.

O Reino não é restrito, mas universal, por isso de todas as nações devem surgir discípulos para colocar todas as nações sob a autoridade de Jesus. E colocar sob a autoridade de Jesus significa subverter a ordem das autoridades despóticas das nações. Pois os discípulos de Jesus farão o que ele quer e não o que as autoridades das nações querem.

O sinal do discípulo é o batismo em nome do triuno Deus. Significa que esta pessoa reconhece a autoridade incontestável de Deus. Portanto Deus manda nesta pessoa, e ela fará o que ele quer, a saber, a construção do Reino de Deus e não a construção do reino de alguns homens. O batismo é o sinal da propriedade de Deus; é a marca da propriedade. E nesta propriedade ninguém pode mexer.

Portanto o discípulo é propriedade de Deus e não da autoridade de alguma nação. Mexer com o discípulo é mexer com Deus. O discípulo é a semente subversiva no meio das nações, pois só reconhece a Jesus como suprema autoridade.

Aqui está em jogo a autoridade, pois o dito de Jesus inicia com este tema. Aqui se discute e se põe em prática a autoridade de Jesus. O título da tradução do Almeida é: A Grande Comissão; quando na verdade o texto não inicia com o ide, mas com: Toda a autoridade me foi dada. Por causa da autoridade vem o ide. O ide é consequência da autoridade de Jesus. V. 19 diz: portanto. Quer dizer Jesus tem a autoridade, portanto agora ele manda, e a primeira coisa que ele manda é ide. O título deveria ser: Toda autoridade é de Jesus.

São consequência da autoridade o ir, o fazer discípulos, o batizar, o ensinar, o guardar e a presença de Jesus até o fim. Com esta constatação o texto muda de figura. Aqui, portanto, se apresenta a discussão e a luta pela autoridade neste mundo. E Jesus não é só autoridade na terra mas também no céu. Se olharmos para 1 Co15,19-28 onde diz que Jesus Cristo vai entregar o Reino ao Pai depois que destruiu todo principado, toda potestade e poder. No v. 25 diz que todos os inimigos de Jesus irão estar debaixo de seus pés, até lá Jesus vai reinar. Até lá vai sua autoridade. Todos os inimigos, também a morte serão destruídos. Portanto Jesus recebeu a autoridade para combater as autoridades desta terra, colocar debaixo de seus pés, destruir sua autoridade e conseqüentemente seu poder. É a luta de Jesus com os poderosos das nações. O início desta luta é fazer discípulos, arregimentar gente destas nações para com eles destruí-las. O discípulo é o agente subversivo usado por Jesus na luta contra as autoridades das nações. Por isso ficou aberto na frase: fazei discípulos de todas as nações quer dizer que Jesus sabe que todas as nações não serão seus discípulos, pois as autoridades e seus seguidores dificilmente serão discípulos de Jesus. Por isso já diz de todas as nações e não todas as nações. O conflito central aqui não é o batismo ou o fazer discípulos mas é a questão da autoridade de Jesus Cristo; o resto é consequência. Pois, toda a autoridade me foi dada no céu e na terra por isso ide; por isso fazei discípulos; por isso balizai em nome do triuno Deus; por isso ensinai a guardar; por isso estou convosco até o fim. A partir disto o texto toma outra coloração.

Os comentaristas falam em envio e missão como título e tema central. Apenas Gorgulho/Anderson falam em autoridade como centro. Importante aqui é que o batismo não é feito só em nome de Jesus mas no triuno Deus. E como batismo conforme At 2.38 se recebe o Espírito Santo. No início o batismo cf. At 2.38 era feito somente em nome de Jesus. Em Mateus é fejto em nome do Triuno Deus. Para se informar mais a respeito do batismo ler de Leonhard Goppelt:

Teologia do Novo Testamento v. 1, p. 261-264. Ao batismo está ligado o arrependimento, remissão de pecados e Espírito Santo. O discipulado não é feito na base da força, mas na base do convite. Jesus deixa a liberdade em ser ou não ser seu discípulo. O início do discipulado se dá com o batismo.

V. 20: Junto com o batismo está o ensino daquilo que Jesus ordenou. É importante acentuar ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Nisto está resumido todo o Evangelho. Aqui não se fala do simples envio, mas ensinar a guardar o que Jesus ordenou e não o que o Imperador ordenou. A gente guarda o que Jesus ensinou não colocando no cofre forte, mas colocando este ensino em prática, pois fé e ação são inseparáveis. Jesus ordenou que o Reino é o fim em si e ele só acontece coletivamente, por isso o fazer discípulos. A salvação não acontece individualmente, e sim, coletivamente.

A presença de Jesus entre os seus até o fim fica clara na referência a Mt 1.23 onde diz que Jesus é o Emanuel = Deus conosco. Mateus inicia a genealogia com Abraão ao qual Javé disse que seria uma bênção para todas as nações e aqui se completa esta palavra onde, a todas as nações, é aberto o discipulado e todas as nações estão sujeitas à autoridade de Jesus.

Comunidade é aquela que ensina a guardar o que Jesus ordenou: Guardar na vida prática, a sujeição de todos sob a autoridade de Jesus. O que Jesus ordenou? Ser luz, ser sal, ser fermento! Ser semente subversiva neste mundo para acabar com todo poder deste mundo e colocá-lo sob a autoridade de Jesus. Mateus 1.23 — Emanuel até 28. 20 = Deus desde o início conosco. Por que é importante saber que Jesus está com sua comunidade? Porque esta comunidade é perseguida pelo poder das nações que se sentem ameaçadas pelo Evangelho. Por isso é importante saber que Jesus está com os seus na luta para sempre.

III — Prédica

Pela gama de assuntos que aparecem no texto pode-se fazer uma prédica para cada assunto. Mas se queremos falar estritamente deste texto sugiro desenvolvê-lo a partir da questão da autoridade de Jesus. A partir da autoridade de Jesus sobre céu e terra vem o envio, o discipulado, o batismo e o ensino, tudo como consequência.

O reconhecimento de que Jesus Cristo é o Senhor da história traz coragem para arregimentar mais pessoas para consagrar este fato em todas as nações. Lembrando a situação da comunidade primitiva, que era perseguida pelas autoridades romanas, este texto quer acentuar que estas autoridades estão abaixo de Jesus e também contra ele. Se Jesus tem toda a autoridade então tem que se fazer as outras autoridades terrenas se sujeitarem à autoridade de Jesus. AT o conflito fica maior. Dentro deste contexto o batismo é o sinal de Senhorio de Jesus sobre a pessoa batizada. Quer dizer que aquele que á batizado obedece em primeiro lugar a Jesus e luta em favor de seu Reino. E lutar em favor do Reino de Deus é não lutar a favor do reino dos homens, dos governos. Guardar o que Jesus ordenou significa automaticamente não guardar o que diz a Lei de Segurança Nacional. Se Jesus tem a autoridade sobre céu e terra então os seus discípulos têm a certeza de que nada pode impedir a realização do Reino. Se em todas as nações há discípulos que fazem o que Jesus ordenou então acontece a revolução universal em favor do Reino.

A partir disto vemos a grande dificuldade em nossas comunidades, pois os discípulos de Jesus reconhecem mais a autoridade da ordem constituída e do sistema capitalista do que a autoridade e ordenação de Jesus. Neste contexto entra At 5.29: Antes imporia obedecer a Deus do que aos homens.

O pior de ludo é que o cristianismo se adaptou tanto ao capitalismo que as duas coisas são uma só, e não se consegue mais ver o que é uma e o que é outra coisa. Pois, alguns cristãos dizem que: administração da comunidade é uma coisa, outra é o Evangelho; a gente é cristão até certo ponto. Expressões assim são frequentes. Aí se vê que a autoridade de Jesus sobre estes balizados nem mais existe. O pior é que! eles são integrantes da sua igreja. Assim nem a igreja assume que Jesus é a suprema autoridade, pois isto poderia trazer perseguições e prejuízos financeiros. Dentro deste esquema cristãos e comunidades não contestam as autoridades terrenas, pior ainda, fazem exatamente o que elas querem. Um cristão do PDS não consegue assumir que Jesus tem toda a autoridade porque isto requer quebrar com o regime ditatorial e capitalista.

Outra questão quente é o envio. A comunidade de hoje existe apenas para si e não admite ir para fora ou aceitar quem está fora se ele não tem dinheiro. O ensino é algo que vem em último lugar; as construções mostram isto. Primeiro se constrói churrasqueira e pavilhão com copa e cozinha e na planta não está prevista uma sala para as crianças ou para a JE ou confirmandos ou outras reuniões. Constrói-se não para o ensino mas para arrecadar dinheiro. Dali se vê quem tem a autoridade sobre a comunidade.

A confusão aumenta mais ainda quando as autoridades das nações se dizem discípulas de Jesus Cristo. Com isto se cria o caos total. Por isso as autoridades fazem questão de ir à igreja, se postarão ao lado do pastor, convidar o pastor para festinhas e inaugurações de bancos, etc. Fazem questão de estar de bem com a igreja. Assim a igreja não tem mais coragem de dizer que elas em sua prática não reconhecem Jesus Cristo como suprema autoridade, pois defendem acima de tudo um sistema econômico e político que pelos fatos é totalmente contra o que Jesus ordenou.

Dentro desta confusão deve-se ressaltar a importância do batismo. Ser batizado em nome do Triuno Deus significa pertencer e obedecer a ele em primeiro e último lugar. Eu sou batizado, dizia Martin Luther sempre para si. Quer dizer devo obediência irrestrita a Deus, sou agente de transformação neste mundo, sou sal, luz, fermento. Nenhum sistema ou autoridade desta terra pode me impedir da viver o meu batismo nesta compreensão. Isto se choca frontalmente com a compreensão do batismo na prática da comunidade.

Dentro desta realidade caótica eu sei que Jesus está comigo até o fim. Dentro deste contexto é importante ler 1 Co 15.19-28. É bom não esquecer que nosso texto de Mateus aparece após a ressurreição de Jesus. Ele ressuscitou após ter sido morto pelas autoridades de Israel e de Roma. Daí se vê que autoridade terrena e de Jesus sempre se chocarão porque Jesus Cristo quer construir o Reino de Deus e vai consegui-lo completamente após ler destruído todo principado, potestade e poder.

IV — Subsídios litúrgicos

1. Confissão de culpa: Senhor Jesus Cristo, confessamos-te que pecamos sempre quando ouvimos mais às autoridades desta terra do que a ti. Triuno Deus, tomos a te dizer que gostamos que o sistema nos iluda com suas propostas alienantes e consumistas para satisfazer o nosso ego. Temos a te dizer que no fundo não estamos dispostos a mudar este sistema capitalista pois isto requer de nós um compromisso de deixar de ser capitalista. Temos a dizer que sonhamos com motos, carrões, aparelhos de som que sustentam o sistema. Triuno Deus, nós brancos te negamos quando somos racistas, através de gestos, palavras e ações que menosprezam os negros e índios. Nós te negamos quando a todo custo queremos manter uma estrutura de igreja que está voltada apenas para si mesma. Não te negamos quando incentivamos com nossa indiferença o massacre da polícia sobre os presos e a população pobre e trabalhadora. Nosso pecado consista em termos medo dos pais, professores, patrões, igreja e militares. Nosso pecado consiste em não nos organizarmos com todos os colonos sem terra para lutarmos com eles por uma reforma agrária radical. Nosso pecado consiste em não nos organizarmos com os operários para lutar pela derrubada da ditadura militar e do sistema capitalista. Pecamos quando nos sentimos ameaçados pelo Evangelho quando este nos questiona e nos põe contra a parede. Pecamos quando negamos que Deus se tornou carne ao dizermos que o importante na igreja é falar apenas do espiritual e esquecemos que Jesus sofreu fome, sede, cansaço, perseguição, ameaça, morte e ressurreição. Pecamos quando fazemos questão de esquecer que somos por excelência agentes de transformação neste mundo para através da fé na ação mudá-lo no Reino.

2. Oração de Coleta: Triúno Deus, abre corações e mentes para a compreensão do teu Evangelho. Faze, através do Espírito Santo, compreendermos que ser discípulo é ser agente de transformação neste mundo, é ser sal e luz. Faze-nos compreender que ser batizado significa pertencer e prestar obediência irrestrita a Deus. Envia a cada um de nós para pregar pela nossa vivência o teu Reino. Amém.

3. Assuntos para oração final: Orar para a cristandade assumir que Jesus Cristo é o Senhor da história. Que Jesus quer transformar este mundo em seu Reino. Interceder para que as autoridades terrenas se curvem perante a autoridade de Jesus e façam o que ele quer. Pedir para que haja clareza para a comunidade entre o que é ser cristão e ser capitalista, que não dá para ser os dois. Orar para que a comunidade saia de si e vá para fora de seus muros para transformar pessoas e situações. Orar para que os padrinhos eduquem seus afilhados na verdadeira compreensão do batismo. Orar pelo ensino que é ministrado na comunidade e na escola para que seja a favor da transformação deste mundo. Orar para termos clareza sobre o que Jesus nos ordenou. Pedir a presença de Jesus para com os que são perseguidos e torturados. Orar pela eliminação da Lei de Segurança Nacional e da ditadura militar em nosso país e América Latina. Orar pelas viúvas e órfãos, enlutados e doentes para que Jesus nos mostre nossa missão frente a sua situação.

V — Bibliografia

- GOPPELT, L. Teologia do Novo Testamento. Petrópolis/São Leopoldo, 1976.
- GORGULHO, G. ANDERSON, A. F. A justiça dos pobres. São Paulo, 1981.
- GRUNDMANN, W. Das Evangelium nach Matthäus. 4. ed. Berlin, 1968.
- SCHWEIZER, E. Das Evangelium nach Matthäus. In: Das Neue Testament Deutsch. v. 1. Göttingen,1976.


Autor(a): Günter A. Wolff
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 7º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 28 / Versículo Inicial: 16 / Versículo Final: 20
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1984 / Volume: 10
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 14680
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