Mateus 6.24-34

Auxílio Homilético

25/05/2008

Prédica: Mateus 6.24-34
Leituras: Isaías 49.8-16a; 1 Coríntios 4.1-5
Autor: José Kowalska
Data Litúrgica: 2º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 25/05/2008
Proclamar Libertação - Volume: XXXII


1 Introdução
Com este domingo reiniciamos o tempo comum. Apesar disso, os textos trazem a nós a importância de relembrar as prioridades na vida. As pessoas preocupam-se com todas as coisas e preocupam-se muito mais com o amanhã. Colocar as coisas no lugar correto e com a importância adequada é viver de forma saudável. Muitas vezes, as pessoas esquecem a ordem correta das prioridades, e isso causa os problemas que vivemos hoje em dia. Colocar Deus como a maior prioridade ajudará a viver melhor.
Os textos relacionam a ação de Deus na vida das pessoas: O profeta Isaías traz a ação do Senhor no tempo aceitável como consolo e compadecimento ante o povo exilado. O salmo coloca-nos como uma criança de colo que depende de Deus. E, finalmente, Coríntios coloca o julgamento do Senhor sobre os nossos pensamentos escondidos e o alerta de não julgar antes do tempo.

2 Exegese
O texto de Isaías, que se encontra dentro do considerado Dêutero-Isaías, traz o profeta divulgando o consolo de Deus ao povo aflito por causa do exílio. A possibilidade de voltar apresenta-se, e o castigo de Deus fica no passado. Agora é o tempo aceitável em que Deus se compadece de seu povo e consola-o com a mensagem da volta do exílio.
O Salmo 131 faz parte dos cânticos de peregrinação, que eram cantados na subida até o templo de Jerusalém. Esse salmo tem como base os sentimentos de humildade e confiança em Deus. Usando a imagem de uma criança de colo, o salmista quer mostrar a grandeza de Deus e a pequenez do ser humano.
Em relação ao texto de 1 Coríntios, esse segue a leitura semicontínua dos domingos após Epifania. Essa leitura é a última dessa série; não existe uma relação temática direta entre a epístola e o evangelho.
O texto da prédica localiza-se em Mateus. O evangelho foi redigido pensando em comunidades cristãs com fortes raízes judaicas. Mateus procura um Jesus que interpreta a lei e a atualiza para o contexto de seus leitores. Mateus preocupa-se em colocar Deus no lugar que lhe corresponde e para isso utiliza a lei como auxiliadora dos seres humanos para conhecer os desígnios de Deus.
O texto deste domingo está inserido no Sermão do Monte. Em algumas versões, os versículos de hoje encontram-se divididos em duas perícopes, mas aqui são usadas em conjunto pela continuidade temática que apresentam. O início do v. 25 apresenta a ligação com “por isso vos digo”, que relaciona as duas perícopes.
O v. 24 serve como síntese do texto. Nele encontramos duas alternativas de senhorio que dirigem a vida. Porque se excluem mutuamente só é possível amar e devotar-se a um, enquanto o outro será aborrecido e desprezado. A tradução de Almeida “riquezas” refere-se ao aramaico mammona, que expressa a personificação das riquezas, podendo ser um poder personificado que domina o mundo ou os bens terrestres.
O conteúdo do v. 24 é duas vezes explicado nos v. 25-31, com os exemplos das aves e da comida e o das flores e do vestido. A comida, a bebida (indicada em v. 25 e 31) e o vestido são ítens indispensáveis para a vida. Sem eles, as pessoas não conseguem viver. Cabe ressaltar, no exemplo dos lírios, a contraposição de Salomão. Pois Salomão, ainda que tivesse sido o rei mais rico e mais poderoso de Israel, não poderia igualar a glória das simples flores.
A conclusão do pensamento lógico e o imperativo do texto encontram-se nos v. 32 a 34. Amar e devotar-se a Deus é indicado como a procura de seu reino e sua justiça (v. 33). Isso trará como resultado que comida, bebida e vestido (temas dos v. 25 a 32) serão providenciados. A justiça é entendida por Mateus como cumprimento da vontade de Deus.

3 Meditação
Se alguém fizer a pergunta: O que é importante hoje em dia? Com certeza teremos como respostas: muito dinheiro, status, poder etc. A lógica da sociedade atual é contrária ao texto do evangelho. Procura-se cada vez mais ter tudo para hoje e ainda uma boa previsão para amanhã. Não se deixa nada nas mãos de Deus.
“Ajude-se que Deus lhe ajudará” é um ditado muito comum. Como deixar nas mãos de Deus o meu futuro? Essa é a forma normal de fazer os planos para nossa vida: ter seguro médico, uma boa previdência, uma poupança gorda e cuidar dos filhos hoje, pois amanhã eles deverão cuidar dos pais. Não podemos ficar sem a certeza de um futuro garantido. A nossa sociedade faz com que pensemos que o “destino” está em nossas mãos. Trocar é simples; é só querer. Deixar de ser pobre é um simples desejo. Também é comum o pensamento de que as pessoas são pobres porque Deus quer. Colocamos a culpa em Deus quando as coisas não dão certo e esquecemos que as boas vêm dele.
Não podemos simplesmente deixar tudo à toa. Mas também não podemos achar que sozinhos arrumaremos o mundo. Muitas vezes, a ansiedade toma conta de nós porque sabemos que não temos as “rédeas” de nossa vida e do futuro. Por que preocupar-nos tanto? Se Deus se preocupa com os passarinhos, que não trabalham, e com as simples flores do campo, que logo murcham, muito mais se preocupa com a gente. Pois o ser humano é visto como o cume e responsável da criação, aquele ser que pode adorá-lo e louvá-lo de forma plena.
Arrumar o rumo de nossa vida passa pelo primeiro mandamento. Ter a Deus acima de tudo é indispensável para viver melhor. Lembramos Lutero no Catecismo Maior: “Aquilo, pois, a que prenderes o coração e te confias, isso, digo, é propriamente teu Deus”. Cumprir o primeiro mandamento leva a cumprir os demais mandamentos e também a lembrar o artigo do Deus Criador do Credo.
É fundamental para qualquer pessoa cristã procurar os sinais do reino e a justiça de Deus, sendo ela também esse sinal para as outras pessoas, revertendo a realidade do egoísmo e hedonismo. Ser sinal do amor de Deus fará com que cada pessoa possa ter o que precisa para viver. A pessoa cristã olhará à sua volta e partilhará com quem precisa. Isso soa utópico, e com certeza é, mas na cidade de Deus ninguém ficará com fome, sede ou dor. Cada pessoa terá o que precisa para viver em plenitude.
Quantas vezes esquecemos que Deus nos deu tudo para fazer uso da melhor forma. Somos mordomos de Deus neste planeta. Deus dá-nos tudo para viver bem, mas fazemos mau uso desses recursos. Distribuímos sem equilíbrio, colocamos nossos requisitos e esquecemos o discernimento de Deus e seu desejo de que todos vivam em plenitude.

4 Imagens para a prédica
Como imagens pode-se indicar primeiramente as do próprio texto: aves do céu e lírios do campo. Que elementos do contexto seriam sinônimos deles? Procurar-se-á por aquelas coisas que as pessoas percebem como sem valor e a relação do cuidado por parte de Deus.
Pode-se lembrar da experiência daquelas pessoas que passaram por uma doença muito forte, como câncer, ou aquelas que vivem com HIV ou alcoolismo. Muitas delas trocam completamente sua forma de ver o mundo, querem aproveitar cada minuto como se fosse o último. A cada dia, essa gente nasce de novo e louva a Deus pela oportunidade de ver sair o sol mais numa vez.
Pode falar-se do valor sentimental que se têm das coisas. Muitas delas catalogadas como lixo são muito importantes para seu dono, assim como as pessoas são importantes para Deus. Pode-se imitar a propaganda da Mastercard e seu “não tem preço”.
Uma estória: Uma mulher que tinha uma criança no colo encontrou uma caverna. A porta da caverna abre e ela escuta: “Você tem 15 minutos para tirar tudo o que quiser, mas lembre-se: não esqueça o principal”. A mulher apressada entra, fica maravilhada com a grande quantia de tesouros que encontra e deixa a criança no chão para poder carregar as coisas. Ela entra e sai várias vezes da caverna e sempre escuta a mensagem. Quase terminando o tempo, sai correndo. Fora da caverna, escuta de novo a mensagem e a porta fecha. Contente por ter pegado tantas coisas, ela se arruma para ir embora quando lembra que esqueceu a criança dentro da caverna. Ela bate na porta e chora muito pela perda do filho, mas a porta nunca mais abriu.
Outra estória: Um discípulo questionou o valor da vida e das coisas. O mestre deu-lhe uma tarefa: “Vai até o mercado e tenta vender este anel, mas não aceita menos de duas moedas de ouro”. O discípulo foi ao mercado e, mostrando o anel aos possíveis compradores, não achava ninguém que pagasse sequer uma moeda. Depois de estar o dia todo no mercado, voltou. O discípulo reclamou do problema da venda e que ele achava que aquele anel não valia o que era pedido. Então o mestre o mandou até o joalheiro da cidade grande. O discípulo foi e, quando o joalheiro olhou o anel, disse: Somente tenho 30 moedas agora, mas se o mestre aceita, posso lhe dar mais 20 amanhã. O discípulo ficou impressionado e voltou até o mestre, contou a ele o que tinha acontecido. Assim ele soube que as coisas têm realmente valor para quem as conhece de verdade.

5 Subsídios litúrgicos
Motivos de oração de intercessão:
Pela igreja, para que seja um sinal brilhante do reino de Deus e sua justiça. Pelos governantes, para que possam atuar com justiça e amor. Pelas pessoas que são esquecidas, as colocadas à margem da sociedade como descartáveis. Pelas pessoas que esquecem que Deus é o dono da historia e o Senhor de tudo e de todos.

Oração eucarística:
(Usa-se o diálogo da forma acostumada)
Em verdade é bom, justo e preciso dar-te glória e louvor Deus eterno, pois no tempo certo ouviste e socorreste o teu povo, Israel, que estava no exílio. Guiaste-o até a terra que tinhas dado a ele e o preservaste ante seus inimigos. Enviaste profetas para anunciar tua justiça, que não tem fim. Por tudo isso, junto com toda a criação, nós cantamos a uma voz:
HPD 362 (Canto popular salvadorenho).
Sempre te louvamos, nosso Criador, pois, como prometeste, enviaste teu Filho, que foi deitado numa manjedoura, pois não tinha lugar na hospedaria. Jesus cresceu e proclamou a teu povo o teu reino de justiça e amor, ensinando assim a verdadeira lei. O nosso Senhor celebra a Páscoa com seus discípulos. (Narrativa da instituição) Mas por tudo isso ele foi castigado com a cruz, tendo sido morto, tu o ressuscitaste, como prometeste, no terceiro dia e agora está sentado à tua direita. Pedimos que, pelo teu Espírito Santo, transformes a comunidade aqui reunida, para que sejamos realmente um corpo em Cristo, em que não existam divisões nem diferenças. Pois em nosso Senhor somos um só. Lembramos também de tantas pessoas que foram importantes para nós e que sabemos que são importantes para ti. Junto com elas queremos celebrar a festa em que não existirão fome, sede ou dor. Celebraremos juntos na cidade celestial que nos prometeste.
(Segue doxologia como acostumada)

Oração pós-comunhão:
Nós te louvamos, Deus, pois permites que Jesus se aproxime. Recebendo seu corpo e seu sangue, nós podemos compartilhar a tua justiça e salvação. Ajuda-nos para que, ao sair daqui, levemos essa mensagem a todas as pessoas que encontrarmos e que nós mesmos sejamos sinal de teu reino e de tua justiça. Por Cristo, teu Filho amado, nosso Senhor. Amém.

Bibliografia
SOCIEDADES BÍBLICAS UNIDAS. Compubiblia. Versão 2.1. 2000.
BIBLEWORKS. Versão 5.0.020w. 2001.
 


Autor(a): José Kowalska
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Pentecostes
Perfil do Domingo: 2º Domingo após Pentecostes
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 6 / Versículo Inicial: 24 / Versículo Final: 34
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2007 / Volume: 32
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 24306
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