O Evangelho de hoje é pregado para nós pastores(as) - ministros(as)!

Os talentos são características do Reino de Deus.

13/11/2020


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Irmãos e irmãs:

O Evangelho de Mateus foi escrito numa época crítica para as primeiras comunidades cristãs. Jesus havia prometido voltar depois de ter subido aos céus. Mas essa volta física de Jesus estava demorando muito. A fé de muitas pessoas estava esfriando. A comunidade de Tessalônica, por exemplo, pergunta ao apóstolo Paulo: o que vai acontecer com aquelas pessoas que tinham fé em Jesus, mas que foram morrendo nessa espera pela volta de Jesus? O que vai acontecer com os mortos quando Jesus voltar? O apóstolo Paulo tranquiliza os tessalonicenses dizendo que no dia da volta de Jesus, Jesus vai ressuscitar os mortos que confiaram nele (1 Ts 4.16). Para que nos encontremos outra vez com os nossos mortos – no dia do Senhor – precisamos ter atitudes no dia a dia que agradam a Deus. O respeito, viver em paz uns com os outros, o amor, a prática da justiça – tudo isso são coisas que nos mantem próximos de Deus. Mas as más atitudes, a intolerância, o ódio, a prepotência – tudo isso são atitudes que deterioram a relação com Deus. Fiquem preparados, diz o apóstolo Paulo. É certo que o Senhor voltará, mas não sabemos quando. Portanto, animem uns aos outros e ajudem uns aos outros como vocês tem feito até agora (1 Ts 5.11).

Quando jovens nós dizemos: Quem espera sempre alcança. Depois de velho a gente já fica sem paciência e aí a gente diz: quem espera sempre........ cansa. A angústia da espera tornou a espera difícil. Por isso era necessário reavivar a fé e a esperança da comunidade de Tessalônica e também de outras comunidades cristãs. Nesse sentido, ouvimos hoje a Parábola dos talentos.

Leitura do Evangelho: Mateus 25.14-30

A parábola dos talentos é bem conhecida entre as pessoas cristãs. Ela se dirige a todas as pessoas batizadas, mas de maneira especial, além de se dirigir a toda a Comunidade, Jesus se dirige especialmente aos pastores, pastoras, ministros e ministras da igreja. Ao contar essa parábola parece que Jesus está olhando para nós, pastores/as, ministros e ministras da sua igreja – que colocamos nossa vida ao serviço do pastorado na igreja.

Antes de sair de viagem, um senhor confia a gestão de seus bens a 3 empregados de sua absoluta confiança. A um deixa 5 talentos, a outro 2 talentos e ao terceiro 1 talento.

Enquanto o Senhor está ausente, os empregados ficaram com a incumbência de fazer render a missão que o Senhor lhes tinha atribuído.

Os talentos não apenas as habilidades ou dons de cada empregado, mas os talentos aqui são principalmente aquilo que o Senhor deixou para todos os seus discípulos: a fé, a autoridade de falar a partir da Bíblia, a humildade, a coragem para o testemunho, a misericórdia, entre outros. Esses talentos Jesus entregou a todos os seus discípulos e discípulas não são dinheiro ou bens materiais, mas são as características do Reino de Deus.

Quem foi transformado pela graça de Deus através da fé em Jesus Cristo tem o compromisso de tomar esses talentos que Deus lhe deixou e aplicá-los na Comunidade. A Comunidade cristã necessita desse investimento de talentos que Jesus deixou. A fé, a esperança, a misericórdia, o amor, a solidariedade – essas coisas precisam fazer parte da vivência cristã no cotidiano. A expansão do Reino de Deus, o crescimento da Comunidade cristã acontece somente por meio da aplicação desses talentos.

É claro que a comunidade cristã precisa também ter atividades comunitárias como festas, galetos, feijoadas, churrascos, etc... Mas o que fará a Comunidade crescer na fé e em número de membros não será a quantidade de galetos, churrascos ou feijoadas que ela consegue vender. O que faz uma igreja crescer é a aplicação dos talentos recebidos de Jesus; que são a fé, a esperança, a misericórdia, o amor, a bondade, a solidariedade, o testemunho profético.

Na parábola dos talentos de Jesus, não há como mensurar a quantidade de fé, nem a quantidade de misericórdia, ou a qualidade do amor e da solidariedade que cada um recebeu. Mesmo aquele que recebeu um talento/ou uma característica do Reino de Deus, ele estava suficientemente instrumentalizado, suficientemente preparado para realizar os negócios do seu senhor.
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Na aplicação dos talentos, podemos ver que os dois primeiros servos fazem algo bastante temerário. Eles aplicam de imediato tudo o que receberam, eles colocam em risco tudo o que ganharam. Nós sabemos que qualquer tipo de investimento é sempre um risco. Deve ser bem pensando. E mesmo assim, existe o risco de ganhar, mas também existe o risco de perder. Tem muita gente que investiu tudo o que tinha na certeza de que o investimento traria grandes retornos. Mas, de repente tudo deu errado. E, não foram nem um, nem dois, nem três – muitas pessoas perderam tudo o que tinham. E aí fiquei pensando, qual seria a reação do Senhor se o investimento tivesse dado errado? Se ao invés de multiplicar, eles tivessem perdido tudo? Essa possibilidade não aparece no Evangelho, porque quando ser faz as coisas em obediência aos ensinamentos de Jesus, essa possibilidade e deperder tudo não existe. Todos nós que somos ministros e ministras da IECLB aprendemos na prática que no pastorado, dar é receber, perder a vida é encontrá-la, desgastar-se servindo é aumentar a alegria e a inspiração para continuar servindo. E assim os talentos de Deus – as características do Reino de Deus - se multiplicam e a comunidade torna-se atrativa, acolhedora, inclusiva – um lugar onde nos encontramos com Deus.

Mas o Evangelho fala também do terceiro servo. Esse é mais cauteloso. Ele não quer correr nenhum risco de perder tudo. Por isso, ele só faz o que a lei judaica recomendava: guardar para o futuro, enterrar o bem que recebeu. Enterrar os bens era considerado o meio mais seguro de proteger a riqueza, É bem provável que essa atitude do terceiro servo/empregado consistia numa analogia aos fariseus e escribas - que cumpriam a lei judaica, mas não produziam frutos para Deus.

O terceiro servo enterra o talento que recebeu, por conta da imagem que ele faz do seu Senhor. Ele imagina o seu Senhor como uma pessoa dura, exigente, uma que não admite falhas ou tropeços nos seus empregados. O terceiro servo tem medo de perder tudo e ser castigado pelo seu senhor. Por isso, o melhor é ser precavido. Por isso ele enterra o talento que recebeu.

Essa ideia errada que esse terceiro empregado tem do seu Senhor o paraliza. Por isso, ele não se atreve a correr nenhum risco. O medo do seu Senhor o mantem bloqueado. Ele não consegue pensar em nada seguro para investir os talentos que ele recebeu. Por isso, o mais seguro é conservar o que ele tem.

Quando a pessoa vive com medo de Deus e não consegue confiar plenamente em Deus, tudo se desconfigura. A fé até se conserva, mas ela não se multiplica. A igreja/religião se converte num dever e num conjunto de rituais. A mensagem do Evangelho na Comunidade deixa de ser importante, fica em segundo plano. O mais importante é conservar os membros que ainda se tem e cuidar com o que se fala, para ninguém sair ofendido e o pastor(a) não serem criticados. Alguns pastores e pastoras já foram tão criticados nas suas comunidades, que resolveram não arriscar mais nada. Fazem apenas o que é necessário. Não corrigem mais nada. Ficaram com medo e, por isso, parece que enterraram seu ministério. No dia do juízo, vão devolver o ministério a Deus quase igual como o receberam.

Mas, o Evangelho nos lembra de algo importante: Trabalhar para o Senhor, para o engrandecimento do reino de Deus, quase sempre representa riscos. Não apenas os riscos em nações e culturas que discriminam o cristianismo, mas o servo fiel a Cristo pode sofrer discriminação em qualquer local, em qualquer comunidade - porque o servo fiel precisa proclamar o Evangelho de Jesus Cristo, estimular a vivência comunitária e promover os valores do Reino de Deus que são a paz, a justiça social, a solidariedade. Muitas vezes a mensagem do Evangelho entra em choque com os valores deste mundo. Por conta desse temor de ter que se confrontar, de ter que entrar em conflito com opiniões de pessoas importantes na comunidade/sociedade, muitos servos de Jesus preferiram enterrar o “talento” – e se satisfazem apenas com manter a comunidade do jeito que ela está, até devolver ao seu Senhor exatamente o que receberam.

Mas, a parábola fala então do dia do ajuste de contas. Os talentos - as características do Reino de Deus que recebemos - a fé, a esperança, a misericórdia, a autoridade para falar a partir do Evangelho, o amor, a solidariedade – não nos pertencem. Eles nos foram confiados pelo Senhor e assim como os servos da parábola, também nós precisaremos prestar contas do que recebemos a Jesus Cristo.

Portanto, com essa parábola dos talentos Jesus nos quer dizer que não devemos tomar a atitude o terceiro empregado e dizer: aqui está o teu Evangelho Senhor. Aqui está o ministério que me entregaste. Aqui está a mensagem do Reino de Deus que me entregaste. Se no pastorado alguns de nós já enterramos o nosso ministério e passamos a fazer apenas o necessário, essa parábola nos quer animar a “desenterrar” os talentos – e assumir nosso ministério com coragem e com alegria, e multiplicar as características do Reino de Deus em nossas Comunidades. Por que? Porque aprendemos de Jesus que dar é receber, perder a vida é encontrá-la, desgastar-se servindo é aumentar a alegria e a inspiração para continuar servindo.

Que assim a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus nosso Pai e a comunhão do Espírito Santo fortaleçam a nossa fé e nos encorajem a viver os ensinamentos de Jesus. Amém.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Paranapanema / Paróquia: Curitiba - Igreja de Cristo
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Novo / Livro: Mateus / Capitulo: 25 / Versículo Inicial: 14 / Versículo Final: 30
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 59927
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Ele, Deus, é a minha rocha e a minha fortaleza, o meu abrigo e o meu libertador. Ele me defende como um escudo, e eu confio na sua proteção.
Salmo 144.2
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