O propósito de firmar-se com uma grande tiragem

A REVISTA DO CEM

01/08/1988

O propósito de firmar-se com uma grande tiragem

P. João Artur Müller da Silva

As crianças adoram sonhar com a máquina do tempo. Sonham encontrar seus ídolos e junto com eles enfrentar aventuras, lutar com monstros, morar em castelos e cavalgar por florestas cheias de perigo. E, depois, ficam relembrando com saudades os momentos inesquecíveis.

O mesmo vamos tentar fazer neste artigo. Nossa intenção é percorrer o túnel dos cem anos de jornalismo evangélico que nos lembra o ano de 1988. Vamos lá!
A década de 70 assistiu ao falecimento de duas revistas na Igreja: em 1971 desaparecia a Igreja em Nossos Dias; em 1974 morria a Presença. Ficou a saudade e o vazio. A IECLB prosseguiu no tempo, contentando-se com um jornal de âmbito nacional e os inúmeros boletins paroquiais e regionais.

Em 1977, foi criado pelo Conselho Diretor da IECLB o Centro de Elaboração de Material, tendo como pano de fundo o Catecumenato Permanente. Não demorou um ano, e o Centro de Elaboração de Material — CEM —, com timidez e acanhamento, lançou a REVISTA DO CEM. Era o ano de 1978.

Os leitores viúvos das duas revistas falecidas podiam começar a se alegrar. Estava se apresentando uma nova candidata para ocupar o lugar de uma revista na Igreja.

LEITORES VIÚVOS

Prosseguindo em nossa caminhada pelo túnel dos cem anos de jornalismo evangélico, vamos registrando fatos interessantes. Como este: a Igreja sempre embarcou em novas iniciativas, abarrotada de boas intenções, mas desprovida de know-how. A Revista do CEM foi bem pensada, com objetivos definidos, com ótimo conteúdo Mas, sem garra, sem marketing, como se fala hoje. O amadorismo marca profundamente o surgimento desta revista. Algumas tentativas falharam. Por exemplo, em 1980. A Revista do CEM Ano 3 — n° 1, A Grande Comunhão, abriu a secção Cartas, desafiando os leitores a se manifestarem. Já o próximo número saiu sem esta secção. O que aconteceu? Não sabemos!

Outra marca do trabalho da Igreja tem sido a humildade. No entanto, quando a humildade é exagerada e se confunde com acanhamento, então as iniciativas levam tempo para se desenvolver ou não vingam. Tanto é verdade que, só em 1982, na Revista do CEM Matrimônio em Debate, se procurou avançar na proposta original. Num comercial de contra-capa daquela edição podia-se ler: ... mais um passo em direção a uma revista de confiança para o trabalho nas bases. Este passo foi a mudança do formato, o aparecimento das colunas, a ilustração com desenhos e fotos. E também se buscou a assessoria de um jornalista.

No mesmo ano, 1982, a Revista do CEM recebeu um slogan: A Revista para os lideres nas comunidades. Nas edições seguintes, abandonou-se o slogan!
Vem, então, a crise dos anos 83 a 85, que obriga o CEM a editar um número da revista por ano. No projeto original, em 1978, estavam previstas quatro edições anuais! Sem estrutura, sem condições, o CEM prosseguiu oferecendo sua revista aos leitores viúvos.

CARA E CORPO

Em 1986 dá-se mais um passo em direção a uma revista mais moderna, mais agradável de ler. Com a edição n° 2 de 86 — A Natureza está gemendo — ela ganhou mais cara e corpo de revista. E isto graças à determinação de se buscar assessoramento profissional e revisão nos objetivos da revista.

Hoje, a Revista do CEM não traz somente subsídios sobre os temas da IECLB, sobre experiências comunitárias, sobre temas de cunho bíblico-teológico. Ela abriu espaço para assuntos do cotidiano, para assuntos da realidade, da vida, procurando sempre enfocá-los à luz da fé cristã. Os artigos procuram interpretar e reinterpretar fatos, valores e experiências, buscando assim contribuir para a formação de uma consciência mais evangélica.

A revista continua ainda restrita a um público muito pequeno. Nossa propaganda é tímida, nossa divulgação e precária. Quando lembramos os dez anos da Revista do CEM neste ano, reconhecemos que temos muitos desafios pela frente. Associando-nos aos cem anos de jornalismo evangélico, manifestamos nossa gratidão ao pessoal que lançou a revista.

Hoje, a Revista do CEM sonha em aumentar sua tiragem de dois mil exemplares por edição. Sonha em firmar-se cada vez mais como uma revista na Igreja, com mais periodicidade.

A Revista do CEM depende também de seus leitores. Por isso, apelamos para que os leitores divulguem e recomendem a revista aos seus amigos. Nosso compromisso continuará sendo a permanente avaliação e auto-crítica. Quem sabe, assim a Revista do CEM não terá o mesmo destino que as demais revistas na IECLB tiveram!

O pastor João A. M. da Silva é coordenador interno do CEM


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Autor(a): João Artur Müller da Silva
Âmbito: IECLB
ID: 32198
HISTÓRIA
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A Palavra bem pode existir sem a Igreja, mas a Igreja não existe sem a Palavra.
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