Posse

Alocução

25/11/2003

De novo Presbitério de comunidade ou paróquia,
de Conselho Sinodal ou
do Conselho Diretor

Vera Maria Immich

Texto de pregação: l Coríntios 12.12-31

1. Explicação da dinâmica

Quebra-cabeça: preparar anteriormente o desenho/contorno de um corpo adulto, em papel pardo ou similar, cortado no número de partes conforme o presbitério ou conselho a ser empossado. Durante o hino que antecede a pregação, alguém (que não compõe o novo presbitério) deve levar uma mesa à frente com as partes do corpo e um mural com alfinetes, percevejos. Esta solenidade de posse pretende ser informal, sem perder a seriedade que o momento exige.

Igualmente, não temos uma pregação elaborada, mas indicamos tópicos que poderão ser desenvolvidos pelo pregador por escrito ou com a comunidade.

2. Saudação

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo esteja com todos. Amém!

3. Assembléia na carpintaria

Quero contar a vocês uma bela história sobre a assembléia das ferramentas de uma carpintaria. Esta história fala de dons e vocação. Ela também quer preparar-nos para ouvir o texto bíblico escolhido para este culto.

Conta-se que, na carpintaria, houve certa vez uma estranha assembléia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar as suas diferenças.

O martelo exercia a presidência, mas os participantes notificaram-no de que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atrito. A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito.

Naquele momento, entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a madeira rústica converteu-se num móvel fino. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:

Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e nos concentremos em nossos pontos fortes.

A assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.

Sentiram-se, então, como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.

Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação toma se tensa e negativa. Ao contrário, quando se buscam com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas

É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades é coisa para os sábios.

4. Comentários introdutórios e gerais

- a virtude de cada ferramenta somada vai resultar num fino móvel;
- a CELC-UP, perante a qual empossamos neste dia o novo Conselho Diretor, é um fino e frágil móvel;
- Deus dispõe das virtudes de cada um destes que aqui sem empossado;
- Nas Sagradas Escrituras, que são a luz da nossa vida, há uma passagem que nos ajuda nesta reflexão. Ouçamos em pé o texto escolhido

5. Ler o texto bíblico de l Co 12.12-31

6. Aplicação da dinâmica

(O pastor ou a pastora convida os eleitos para virem à frente e lhes entrega, aleatoriamente, uma parte do corpo ou os motiva a pegarem livremente uma parte; convida-os a montarem o quebra-cabeça no mural, afixando as partes.)

7. Destaques do texto

Vocês acabaram de cumprir a sua primeira tarefa como conselho. Tiveram que ter paciência, ouvir e dialogar para encontrar a posição certa das partes. Isto, na verdade, é um prenúncio de como será a sua atividade neste conselho. Terão que ter paciência e saber dialogar.

Aproximemo-nos do texto:

- Muitos membros constituem um só corpo, que é o corpo de Cristo;
- O corpo não é um só membro, mas muitos que, na soma, constituem um só corpo;
- V. 18: Deus dispôs os membros, colocando cada um no corpo, como lhe aprouve;
-V. 22 e 23: Os membros que parecem ser mais fracos são necessários; e os que parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra.
-V 25: para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.

Divisão é uma palavra muito forte, e as consequências em uma comunidade cristã são devastadoras. Deus não quer isto em suas comunidades. Deus quer a soma e a união; ele quer que cooperemos uns com os outros e que tenhamos igual cuidado, ou seja que atuemos sem dar preferências e regalias a ninguém, mas em favor uns dos outros. Portanto, como comunidade cristã, devemos preocupar-nos uns com os outros: olhar para os outros, vencer as diferenças, sejam elas físicas, culturais ou religiosas. Isto, às vezes, é semelhante a montar um quebra-cabeça. Cada parte tem o seu lugar certo e é com muita calma que se define isso. É com conversa, com diálogo. Cada um que veio à frente para colocar sua parte do corpo teve que fazer isto de forma sincronizada com os demais. Caso contrário, este corpo certamente não teria sido montado com tal perfeição. Que cada qual possa agir exatamente assim em sua nova função no CD da CELC-UP;

Cooperar uns com os outros e agir em favor uns dos outros é a vocação deste novo Conselho Diretor da nossa União Paroquial. Como Igreja Luterana, passamos por muitas mudanças nos últimos anos. Refiro-me especialmente à criação dos Sínodos. Esta nova estrutura redimensiona a função da União Paroquial, mas em nenhum momento torna-a obsoleta ou desnecessária. Acredito que este Conselho deverá redescobrir sua vocação tanto neste contexto Sinodal, quanto em Curitiba e na região metropolitana.

Aponto, ainda, para a vocação diacônica, para a vocação de ajuda que esta União Paroquial deve ter para com suas comunidades, sejam as mais pobres e da periferia, sejam as mais estruturadas e em áreas mais nobres; cabe a este conselho encurtar distâncias e aproximar pessoas; cabe a vocês juntar as peças, mas deixar Deus guiar suas mãos para que a disposição seja perfeita como é a disposição dos órgãos de nosso corpo; cabe a este Conselho manter-se na orientação do Senhor para ser sempre reto, humilde, justo e compreensivo. Cabe também a este Conselho lembrar sempre que foi o próprio Deus que estabeleceu os diferentes dons na Igreja para o seu serviço. Podemos, nos dias de hoje, dizer que é Deus que estabelece e capacita os nossos presbíteros, a coordenação da OASE - Grupo de Senhoras, coordenação de diversos setores de trabalho e também, muito especialmente, este Conselho que hoje empossamos.

Cada membro deste novo Conselho Diretor da CELC-UP vem de uma comunidade distinta, com ênfases variadas, mas todas tendo um único objetivo: chegar a um porto seguro, ao reino de Deus. Ao iniciar a nossa celebração, cantamos: Estamos aqui Senhor, viemos de todo lugar... Na leitura bíblica de Josué, ouvimos: Eu e a minha casa serviremos ao Senhor. O que nos une nesta caminhada é o desejo e a disposição para servir ao Senhor, nosso Deus.

Estimados amigos e comunidade aqui reunida, a vocês cabe um papel de grande relevância: a vocês cabe hoje e em todos os dias colocar em oração a vida destes que compõem este novo Conselho Diretor da CELC-UP. A vocês cabe participar, dando sua opinião sincera para que tudo possa sempre ser melhor.

Lembrem-se do que nos relatava a história da assembléia da carpintaria: É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades é para os sábios. Sejam sábios e ajudem este Conselho em suas funções. Façamos o que Paulo já nos dizia no texto em questão: cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.

Que a graça e a paz de Deus nos guarde e abençoe. Amém!

8. Subsídios para o culto

Acolhida:
Uma coisa é casar e ser obrigado a querer bem a alguém, outra coisa é casar e amar por vontade própria, livremente, por paixão. Do mesmo modo, uma coisa é obedecer a Deus porque é lei, porque alguém dá a ordem, outra é viver por vontade própria, com alegria, com liberdade de acordo com as orientações de vida deixadas por Deus. Uma coisa é assumir um cargo porque ninguém mais quer assumi-lo e por obrigação, outra é assumi-lo em liberdade e para servir a Deus com alegria e retidão. É desse jeito que se entende o que o apóstolo Paulo escreveu: Para a liberdade foi que Cristo nos libertou (Gl 5.1)

Saudação trinitária

Leitura intercalada do Salmo 100

Leitura bíblica: Josué 24.14-22

Cânticos (escolher cânticos que falem de vocação e chamado)

Homenagem:

É bonito e significativo homenagear os empossados, bem como os que estão saindo, com flores e mensagens. Para este momento, sugiro uma poesia de Gabriela Mistral (1889-1957):

Servir
Toda a natureza é uma aspiração de servir.
Nessa vontade:
serve a nuvem,
serve o vento,
servem os sulcos do arado.
Onde houver uma árvore a plantar,
deves plantá-la tu; onde houver um erro a emendar,
deves emendá-lo tu;
onde houver um esforço a que todos se neguem, deves aceitá-lo tu.
Sê aquele que retirou a pedra do caminho,
o ódio entre os corações
e as dificuldades do problema.
Há a alegria de ser sadio
e a de ser justo; mas há, sobretudo,
a formosa,
a imensa alegria de servir.
Que triste seria o mundo
se tudo nele estivesse feito,
se não se pudesse nele plantar uma flor,
ou iniciar uma conquista!
Não.
Não gostes apenas dos trabalhos fáceis. É belo fazer-se os que os outros evitam
porque é difícil! Não caias no erro de acreditar:
só há grandeza
nos grandes trabalhos:
há pequenos serviços,
que são imensos trabalhos:
adornar a mesa,
pentear uma criança,
plantar uma flor...
Há uns que criticam,
há outros que destroem.
Sê tu o que serve.
Servir
não é tarefa dos inferiores.
Deus, que dá o fruto e a luz,
serve.
Poderemos chamá-lo:
o que serve!
Quando o crepúsculo chegar,
fixa teus olhos em tuas mãos,
e pergunta cada dia:
serviste hoje?
A quem?
À árvore, a teu amigo, a tua mãe?


Autor(a): Vera Maria Immich
Âmbito: IECLB
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2003 / Volume: 28
Natureza do Texto: Liturgia
Perfil do Texto: Alocução
ID: 6733
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Cada qual deve se tornar para o outro como que um Cristo, para que sejamos Cristos um para o outro e o próprio Cristo esteja em todos, isto é, para que sejamos verdadeiros cristãos.
Martim Lutero
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