ReconciliAÇÃO

Caderno de Subsídios - Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - 2008

01/08/2008

ReconciliAÇÃO

SouTânia Manske, moro em Santa Cruz do Sul, sou luterana, coordeno a Comissão Municipal de Acessibilidade e Inclusão, participo do conselho fiscal da Associação Santa-Cruzense de Pessoas com Deficiência Física, sou dona de casa e também estudante.

Nosso compromisso na Comissão Municipal de Acessibilidade e Inclusão é conscientizar e sensibilizar a sociedade desmistificando os tabus sobre pessoas com deficiência, portanto com direitos e deveres, mostrando que somos capazes. Muitas pessoas não aceitam trabalhar ou se envolver com pessoas com deficiência porque não conhecem, mas quando se relacionam com alguém cego, surdo ou assim por diante, e acontece a convivência, vão sendo encontrados meios e caindo as barreiras, os preconceitos, os estereótipos. Então tudo isso deixa de ser um bicho de sete cabeças e tudo torna-se mais simples do que muitas vezes se imagina. Por isso podemos, e devemos, estar incluídos em todas as área s da sociedade. Hoje sinto-me bem inserida porque abri caminhos, não fiquei de braços cruzados. Mas logo no início da deficiência foi bem complicado para sair de casa, passar todos os processos, assumir a nova identidade, porque tive que vencer a minha barreira, o meu preconceito.

Quando eu comecei a participar e me envolver na comunidade em função da acessibilidade, no início, pela falta da convivência, as pessoas tinham certas ressalvas, viam apenas a minha cadeira de rodas. Mas no momento em que passaram a conviver comigo, deixou de haver uma barreira e os relacionamentos tornaram-se comuns. Às vezes até esquecem que tenho uma deficiência.

Se a pessoa está apta a desempenhar determinada função, não é a deficiência que vai fazê-la melhorou pior que as demais; por isso os direitos e deveres também devem ser os mesmos. No entanto, é necessário conscientizar as pessoas com deficiência e seus fa miliares, que às vezes não acreditam que podem ser incluídas. A inclusão só vai acontecer quando todos buscarem, persistirem, lutarem e se fizerem ver. Como luterana, tenho o compromisso de atuar dentro e fora da comunidade em todas as áreas da inclusão, levando comigo a palavra e o amor de Deus, mesmo que nesse momento tenha muito ainda a ser feito. Se compararmos com o passado, já evoluiu muito, temos várias conquistas boas e importantes. Tanto que, graças a essas conquistas, estou fazendo um curso superior. Um exemplo é o transporte coletivo que agora tem elevador. Se não tivesse elevador, provavelmente não estaria estudando e participando ativamente na sociedade.

Já existem muitas coisas boas acontecendo, mas devemos persistir sempre para melhorar.

Em primeiro lugar, o mais importante é ter amor pela vida. A pessoa que tem amor no coração é mais feliz e gosta de si do jeito que for. Às vezes temos outros sonhos, não era bem isso que queríamos para a vida, mas são coisas da natureza, de Deus. Eu, particularmente, não aceito a minha deficiência. Mas tenho inteligência suficiente para me adaptar. Não é bom ser cadeirante, ter uma deficiência, mas Deus nos dota de inteligência, de amor, harmonia para nos adequar a essas situações. Assim construímos uma vida maravilhosa, digna, com o que temos.

Tânia Manske

Índice do Caderno de Subsídios da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - 2008
 


Autor(a): Tânia Manske
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Artigo
ID: 23932
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