Tiago 5.1-6

Auxílio Homilético

01/05/1988

Prédica: Tiago 5.1-6
Autor: Carlos Luiz Ulrich e Claudete Beise Ulrích
Intercessão pelo Trabalho
Proclamar Libertação - Volume: XIII

l - O texto

1. Tentativa de tradução

v. 1 - Pois bem, agora, os ricos, chorai lamentando por causa das vossas desgraças que estão sobrevindo.

v. 2 - A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes foram roídas pelas traças.

v. 3 - O vosso ouro e a prata enferrujaram, e a ferrugem deles será por testemunho contra vós e, como fogo, devorará as vossas carnes. Entesourastes nos últimos dias.

v. 4 - Eis o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que foi retido (roubado) por vós clama alto, e os clamores dos ceifeiros entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.

v. 5 - Vivestes luxuosamente sobre a terra e vivestes em luxo extravagante, engordastes os vossos corações em dia de matança.

v. 6 - Condenastes, matastes o justo, não vos resiste.

2 – Estrutura

v. 1 - Juízo contra os ricos. Aos ricos só resta chorar, pois as desgraças já estão sobrevindo. O juízo é iminente.

V. 2-3a - Nestes versículos desdobram-se os motivos das desgraças, através de três afirmações específicas sobre a riqueza: riqueza apodreceu, vestes foram roídas pelas traças, o ouro e a prata enferrujaram.

v. 3b - A ferrugem (... a ferrugem deles será por testemunho contra vós) aponta para a culpa dos ricos e além disto ela representa ameaça, pois devorará as suas carnes como fogo.

v. 3c-4a - A razão disto parece ser muito clara: Entesourastes nos últimos dias. O v. 4a denuncia a forma como ocorreu o entesouramento/o acúmulo - o salário dos trabalhadores/ceifeiros foi retido/roubado.

v. 4b - Os clamores dos trabalhadores, que ceifaram os campos, entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Aqui explicita-se a esperança dos trabalhadores: Deus ouve o clamor.

v. 5-6a - Apontam para a finalidade/efeitos e auge da riqueza acumulada. Ela produz luxo, alimentação farta e chega ao extremo da corrupção, que é a morte do justo.

v.6b - Fala-se da situação do justo, ela não resiste à condenação e à morte.

3 - Os personagens de Tiago 5.1-6

Saltam aos olhos dois grupos de pessoas: ploúsioi /ricos e os ergaton/”trabalhadores, terisanton/ceifeiros. Também é mencionado um terceiro personagem, o Senhor dos Exércitos. A leitura do texto nos permite formular a seguinte pergunta: Que diz o texto de um e de outro grupo? Podemos visualizá-lo da seguinte forma:

vv. 1-3 e vv. 5-6a                                                       vv. 4 e 6b
plousioi ricos                                                      ergaton - trabalhadores
                                                                            terisanton - ceifeiros
                                                                            dikaios - justo

- chorai lamentando                                             - ceifaram os campos dos ricos
- riqueza apodreceu                                             - salário retido dos trabalhadores/ceifeiros clama alto
- vestes foram roídas pelas traças
- ouro e a prata enferrujaram                                 - clamores dos ceifeiros
- e a ferrugem testemunhará contra eles;                  entraram nos ouvidos
- devorará as suas carnes com fogo.                       do Senhor dos Exércitos
- entesourastes nos últimos dias                             o justo, não vos resiste
- possuem campos
- retêm o salário dos trabalhadores
que ceifaram os campos                                            v. 4 Kyriou Sabaot
- vivestes luxuosamente sobre a terra                         Senhor dos Exércitos
- vivestes em luxo extravagante
- engordastes os corações
em dia de matança                                               - Ouvi o clamor dos ceifeiros
- condenastes                                                   (Clamores dos ceifeiros entraram
- matastes o justo                                              nos ouvido Senhor dos Exércitos).


Percebe-se que os dois grupos: ricos/plousioi e os ergaton/”trabalhadores terisanton/”ceifeiros são antagônicos entre si. O texto também evidencia que o Senhor dos Exércitos ouviu o clamor dos ceifeiros.

Continuando a leitura, pode-se formular a pergunta pelo tipo de vida/jeito de viver e modo de trabalhar subjacente ao texto.

4 - Relações de trabalho e ambiente do texto

A perícope identifica os plousioi/”ricos como aquelas pessoas possuidoras de ploutos/riqueza. Existe uma relação bem evidente entre ricos e riqueza. A riqueza consistia em posses como imatia (vestes v.2), xrysos/(ouro) o argyros (prata - v. 3), xoras (campos - v. 4). Portanto, a riqueza não surge por acaso. Ela tem sua origem no acúmulo. O acúmulo se expressa na retenção do salário (v. 4). A riqueza dos ricos é à custa do salário retido dos trabalhadores/ceifeiros. Evidencia-se, assim, que a riqueza dos ricos tem a sua origem na exploração do trabalho no campo (v. 4).

Os explorados em nosso texto são os ergáton/trabalhadores. Trata-se de trabalhadores, que ceifaram os campos dos ricos (v. 4). Ergátes seriam aquelas pessoas que exercem qualquer tipo de trabalho (Mt 10.10). Em nosso texto, porém, este termo é utilizado para designar um trabalho específico; o trabalho no campo, desenvolvido por assalariados. Em sentido semelhante, este termo aparece em Mt 20.1-15. Em ambos os textos, os trabalhadores são os camponeses/ceifeiros que vendem sua força de trabalho por um mistós/salário. A função dos ceifeiros era a de ceifar uma safra cultivada e no caso de grãos, de trilhar, joeirar e armazenar o produto.

O texto nos permite afirmar que existe um conflito entre os ricos e os trabalhadores/ceifeiros. A questão básica deste conflito é a retenção do salário. O salário era a única fonte de sobrevivência para os trabalhadores/ceifeiros. Conforme J. Jeremias, Jerusalém no Tempo de Jesus p. 159, era catastrófica a situação de um diarista, quando não encontrava trabalho, por que não tinha outro meio para adquirir o seu sustento. É isto que se nota em Tg 5.4, a exploração era tão grande que o próprio salário é personificado; ele grita. A retenção do salário deixa os ceifeiros numa situação de desempregados. A questão do salário era uma questão de sobrevivência, de vida ou de morte. Portanto, o centro da denúncia de Tiago é a retenção/roubo do salário dos trabalhadores.

Tiago, no entanto, não faz uma análise cientifica e profunda das relações de trabalho/tipo de sociedade da época. Porém, ele é extremamente corajoso. Ataca, profeticamente, o âmago da questão: Os ricos se apropriam do resultado do trabalho (mistos - salário) dos ceifeiros. Nota-se, portanto, no texto uma estratificação social e económica: os ricos e trabalhadores/ceifeiros. Existe no texto uma opressão social e económica: os ricos se apropriam do resultado da força de trabalhado dos camponeses. A apropriação do resultado do trabalho faz com quo os ricos vivam em luxo extravagante, prazeres, esbanjamento em detrimento da miséria e mesmo morte dos trabalhadores/ceifeiros. A partir da análise do texto, fica claro que a sociedade é agrícola. A existência de campos e a retenção do pagamento do salário caracterizam o modo de produção feudal. Não se trata mais do modo de produção escravagista, porque neste sistema o senhor tem a propriedade total sobre a pessoa. O trabalho não é vendido e tampouco é rnercadoria.

Do ponto de vista sociológico, o texto não permite detectar todo o conjunto social das relações de produção, estabelecidas entre os camponeses e senhores da terra. Apresenta, porém, a posse da terra (v. 4) pelos ricos(senhores feudais) e a exploração da mão-de-obra camponesa (v. 4).
Provavelmente os cristãos, as doze tribos na diáspora (Tg 1.1), às quais Tiago se dirige, viviam numa situação intermediária entre escravidão e cida¬dania plena. Em Tg 5.1-6 os camponeses não são escravos e sim pessoas livres. Em toda a carta nenhuma vez é falado em escravos. Além disto, a cena que ele descreve tinha como palco o Império Romano, que estava passando por um regi¬me de transição do modo de produção escravagista para o modo de produção feudal (Houtart, p. 73ss).

O contexto da carta permite depreender também que Tiago escreve a cristãos ou comunidades pluriclassistas. Estas não eram só formadas de pobres (2.4), mas também havia cidadãos em ascendência (4.13-17), como havia os próprios ricos (5.1-6). Em 5.7ss. pede-se paciência aos irmãos (adelfoi). A linguagem utilizada é novamente do mundo agrícola (Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas.) Tiago procura animar as comunidades cristãs (adelfoi) através de Jesus Cristo, morto, mas proclamado como ressuscitado e também constituído juiz, para instaurar em breve o mundo novo, o reino de Deus.

5. Às doze tribos que se encontram na diáspora

É notório que Tiago inicia a sua carta remetendo ... às doze tribos que se encontram na diáspora... (1.1). Conforme John H. Elliott, em um estudo sociológico sobre 1 Pe, p. 42, o termo diáspora empregado em Jo 7.35, Tg 1.1,1 Pe 1.1 em termos geográficos e sociais, designa um grupo de pessoas que vivia fora da Palestina. Uma estatística aproximativa diz que no Império Romano havia cerca de 4,5 milhões de judeus, o que corresponde a mais ou menos 7% da população (Brakemeier, Mundo Contemporâneo do NT, p. 160). Estes cristãos, com pequenas exceções, viviam numa situação de marginalização e opressão: não tinham pátria; eram submetidos às leis civis de outros povos; não tinham os mesmos direitos políticos como um cidadão romano.

A figura das doze tribos na diáspora é utilizada por Tiago para dizer que os cristãos, agora, experimentam uma situação de sofrimento e opressão análoga ao antigo Israel (Os 2.2; Jr 3.18; Ez 37.19). Neste sentido, Martin Dibelius aponta para o fato de Tiago permanecer na tradição sálmica, sapiêncial e profética do AT. Tiago é claro na sua afirmação: Deus escolheu os pobres, ricos na fé, para serem herdeiros do reino. (2.5.)

6. O jeito como o texto se comunica.

O texto é escrito em tom profético, juízo e denúncia, mas é também emoldurado peto juízo apocalíptico ... e, como fogo, devorará as vossas carnes (v.3). Tiago 5.1-6 é um grito profético contra a riqueza e a exploração do trabalho (no campo). O autor da carta quer assegurar o fim da opressão e do sofrimento. Ele faz isto através do anúncio do juízo contra os ricos (5.1-6) e da iminente vinda do Senhor (5.7).

A nossa perícope sintoniza com a cultura judaica e com a tradição profética, apresentando uma mescla da linguagem social e simbólica. Na estruturação do texto podemos perceber também um mosaico de paralelismo dos membros, paralelismos sinônimos (v. 5a) e sintéticos (v. 3). Assim, as palavras de Tiago estão imbuídas duma crítica contundente contra os ricos, deixando entrever a busca por uma nova ordem económica e social. Nesta perspectiva, elas também evidenciam uma clara defesa do trabalhador, recebendo ênfase o fato de que o trabalho não pode ser explorado e que a riqueza não pode provir da privação do salário do trabalhador. Em suma, acreditamos que o jeito como o texto se comunica e seu conteúdo querem ajudar os cristãos a chegar ao discernimento correto da riqueza acumulada pela exploração do trabalho. Outrossim, também sugerimos que o nos-so texto não seja lido isoladamente do seu contexto literário e nem desarraigado do seu substrato histórico. Também não deveria ser lido desconectado da nossa história e de nossas pequenas e grandes tarefas pastorais e nem desvinculado das lutas populares.

II - A palavra do texto

1. Análise breve e meditação das principais palavras e expressões

Tiago critica ferozmente os ricos e a riqueza. Suas palavras expressam extrema severidade contra estas pessoas insensíveis e exploradoras dos trabalhadores do campo. A linguagem empregada é muito parecida com a dos profetas e salmistas.

Ao lermos toda a carta de Tiago, percebemos uma tensão entre dois grupos: os irmãos (adelfoi), os pobres/trabalhadores/camponeses e os ricos plúsioi, respectivamente, os oprimidos e opressores. Aos pobres, aos órfãos e às viúvas (2.5; 1.27), somam-se os trabalhadores camponeses (5.4). Na leitura podemos perceber um crescendo, que formula uma denúncia aguda da atuação dos ricos, da origem e do significado da riqueza (ploutos) (1.10; 1.11; 2.2; 2.6; 2.7; 4.13; 5.1-6). Portanto, a nossa perícope, Tg 5.1-6, parece ser o auge desta denúncia.

Tg 5.1-6 é bastante plástico, referindo-se explicitamente aos ricos e aos trabalhadores ceifeiros. Tal como em Tg 4.13, o autor inicia com a expressão age nyn: pois bem, agora. Ele certamente o faz para chamar a atenção dos leitores sobre o que está acontecendo e logo expõe sua acusação/exortação sobre os ricos. A estes resta chorar lamentando (gritando, uivando). O termo ololyzontes, chorar em voz alta, com uivos de lamentação, é utilizado para reforçar o verbo chorar. Em Is 13.6 e Zc 11.2 lemos que o choro era em altos uivos/gritos de lamentação. Em Tg 4.9 choro e lamentação implicam em arrependimento. Em Tg 5.1 se exorta ao choro, mas sem qualquer referência ao arrependimento. Parece que não há mais tempo e nem pré-requisitos, pois o juízo é iminente. ... chorai lamentando por causa de vossas desgraças, que estão sobrevindo.

Em Tg 5.1 ss. o juízo anunciado sobre os ricos é causado pelas riquezas acumuladas às custas da exploração dos trabalhadores ceifeiros - camponeses. Refere-se inicialmente às riquezas em termos gerais: a vossa riqueza apodreceu. Em seguida, amplia-se o conteúdo da mesma: vossas vestes foram roídas pelas traças; o vosso ouro e a prata enferrujaram. É interessante notar como o autor aprofunda sua severa exortação. Ele o faz através do termo ferrugem e numa dupla perspectiva contraposta ao ocorrido. Ou seja: A palavra ferrugem recebe uma dupla função a partir dos verbos ser e devorar, conjugados no futuro presente. A ferrugem (do ouro e da prata) será por testemunha contra vós. Quer dizer, ela testificará a sua culpa - a sua própria-corrupção e podridão. Além disso, a ferrugem representa uma ameaça aos próprios ricos: devorará vossas carnes, como fogo. Isto ê, os ricos desaparecerão. São palavras duríssimas. Tiago constata que as riquezas não são duradouras e são fonte de desgraças. Ele muda a perspectiva, confrontando os detentores da riqueza - os ricos. Portanto, as desgraças se voltarão contra eles, e eles vivem numa situação pouco duradou-ra (1.10).

As palavras e as cenas de Tiago remontam ao passado do povo de Deus, especialmente, ao tempo da monarquia e ao êxodo. Naqueles idos tempos, diante das cruéis injustiças, da exploração dos trabalhadores e do abuso de poder, entraram em cena os profetas chamados e enviados por Deus. Eles denunciam o duro trabalho das pessoas humildes (Am 5.7-12; Jr 22.13), o trabalho escravo (Êx 20.1ss; Jr 34.8-11), a marginalização das viúvas e dos órfãos (Am 4.1; Mq 3.2). Também no tempo de Jesus de Nazaré estas situações não passam em branco. O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo denunciou e condenou o acúmulo de riquezas através da exploração dos trabalhadores (Mt 19.23-30; 25.31-45; Lc 12.15). Acreditamos, portanto, que Tg 5.1-6 se coloca na mesma linha dos profetas e do próprio Jesus Cristo. Assim, a questão central que Tiago aponta é o acúmulo de riquezas pela retenção do salário dos trabalhadores/ceifeiros - camponeses. Esta questão, como já frisamos, é ressaltada no AT e NT. Reter salário é proibido. Salário é pagamento de trabalhador (Êx 2.9; Dt 15.18). Ele deve ser efetivado. Isto corresponde à vontade de Deus (Dt 24.14s; Mc 10.19; Mt 20.1 ss). Salário implica num direito fundamental do trabalhador. Cada trabalhador ê digno de seu salário. (Cf. Lc 10.7; 1 Tm 5.13.) Ele é vital aos trabalhadores. Porque dele depende a vida dos mesmos. Caso não o receberem: como se alimentarão e vestirão? como restaurarão suas forças de trabalho? como sobreviverão? Por trás das palavras de Tiago certamente estão estas indagações vitais. Ou é mero acaso que ele afirma: Eis o salário dos trabalhadores... foi retido (roubado)..., condenastes, matastes o justo, não vos resiste?

De fato a questão evidente em Tg 5.1-6 é a do salário. Tamanha é a sua importância que ele é personificado: clama alto (v. 4). O verbo krazo significa clamar, gritar alto. Isto lembra outras situações, por exemplo, Lc 19.40; afãs pedras clamarão. Assim, o verbo krazo está a apontar para uma situação extrema de exploração e sofrimento insuportáveis. Parece que o trabalhador não vive e reage, resta apenas o salário retido. No entanto, quando Tiago se refere ao clamor dos ceifeiros emprega o verbo boe de boao, que significa clamores, vozes, brados. Em que consistem esses clamores: expressão de dor? Lamento passivo ou reclamação? Mobilização, denúncia da exploração? O texto não aponta para uma resposta do modo explícito. Não obstante, o autor informa que os clamores dos ceifeiros/camponeses entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Chama a atenção que o verbo eiselelythan está no perfeito entraram, dando a entender que se trata duma ação concluída. Disso podemos deduzir que Tiago se refere e atualiza o êxodo: ao Deus dos hebreus, libertos do Egito. O Deus que viu e ouviu os que clamaram e o seu clamor (ÊX 3.7,9: Dt 26.7, Jz 3.9; SI 18.6ss). Daí pode-se depreender o seguinte: a) Os clamores dos ceifeiros não eram mero lamento ou gritaria vazias, mas implicam alguma forma de luta, de consciência, de resistência contra a exploração imposta pelos ricos; b) Os clamores ouvidos pelo Senhor dos Exércitos articulam, reencetam, sintonizam o núcleo e a veia principal da fé veterotestamentária - Deus viu, ouviu e libertou! Aí palpita a grande esperança: clamores provocarão uma nova intervenção de Deus na história de seu povo -através destes ceifeiros, trabalhadores camponeses.

O título Senhor dos Exércitos é muito significativo (v. 4). A discussão em torno do mesmo é grande e longa. Acredita-se que ele teria ocorrido pela primeira vez em 1 Sm 1.3, estando vinculado ao santuário de Silo. Entretanto, persistem perguntas. Estaria sua origem em Silo? Ou teria surgido em meio às crenças cananeias? As respostas não são definitivas. Todavia, a expressão Senhor dos Exércitos significava, primariamente, Senhor dos Exércitos de Israel. Posteriormente, esta expressão passou a significar Senhor dos Exércitos celestiais, relacionado com as estrelas e, inclusive, anjos. Nos profetas Isaias, Zacarias, Jeremias, Malaquias e nos Salmos o título Senhor dos Exércitos é frequente. Já a expressão zebaote, como tal, teria surgido nas guerras de defesa dos camponeses israelitas. Nelas YHWH Sebaot era conhecido como Deus lutador, que acompanha e protege as milícias populares. Ademais, no NT o título aparece apenas em Rm 9.29 e na perícope em estudo.

Nos vv. 5 e 6 Tiago torna a acusar os ricos. Vivestes luxuosamente sobre a terra..., engordastes vossos corações. Condenastes, matastes o justo, não vos resiste. Aqui, de relance somos lembrados do relato acerca da morte de João Batista (cf. Mc 6.14ss.). O autor amplia aqui a sua crítica, aludindo ao estilo de vida e ao consumo da riqueza. Quer dizer, a riqueza acumulada com base na retenção do salário dos trabalhadores proporciona luxo, abundância, esbanjamento, implicando, inclusive, numa exploração, que produz a morte do justo - do trabalhador. As expressões condenastes, matastes o justo permitem apontar para .um duplo processo de opressão e espoliação. a)Condenastes: evoca a legislação corrupta e discriminadora (Tg 2.6); b) Matastes: pela ilícita retenção do salário, implicando em fome, a falta do pão de cada dia. Aponta para um processo lento e irreversível que mata. Nesta perspectiva, somos constrangidos a não entender a expressão não vos resiste, significando passividade ou indiferença (ou preguiça:), mas como consequência inerente ao sistema social injusto e mortífero, baseado numa economia de exploração da força de trabalho dos trabalhadores no campo.

Aqui ainda tomamos a refletir sobre a palavra ploutos - riqueza, procurando destacar outro aspecto importante. Já salientamos que Tiago denuncia a riqueza baseada na exploração do trabalho no campo (5.4) e, inclusive, no comércio citadino (4.13). Importa, porém, darmo-nos conta de que a riqueza não tinha exatamente a mesma função que ela tem hoje, em meio à nossa trágica experiência no sistema capitalista. Atualmente, o que importa é o lucro. A riqueza conseguida é aplicada para gerar lucros e sempre mais e mais novos lucros. Na antiguidade, no tempo de Tiago, a riqueza tinha com certeza um sentido mais em si mesma. Ela permitia aos ricos viverem na fartura, exibirem grande luxo (5.6), gozarem de tranquilidade e de segurança. Pois é neste sentido que se pode ler na parábola de Lc 12.13ss; Um homem reflete consigo mesmo ... direi à minha alma: Tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come e bebe, e regala-te. (Lc 12.19) Isto mostra que a riqueza não era vista como meio para se obter novos e maiores lucros, mas para proporcionar uma vida de abundâncias. Numa palavra, ser rico era considerado como grande felicidade e glória.

A riqueza, então, era deificada. Ela é o deus que dava vida ao Império Romano. A riqueza possibilitada a certo grupo parecia provar que o Império era bom. Diante disto podemos captar ainda melhor a severidade das palavras de Tiago sobre os ricos. Elas atingem o feitiço daquela sociedade, desmistificando o deus que sustenta a perversão. Eis aí a questão: se a riqueza era vista como boa e fonte de felicidade, em Tiago ela aparece como suicida. Parece-nos, porém, que o sentido desta crítica feroz e radical não consiste tanto num chamado à conversão (na linha da exortação de Jesus quanto ao perigo das riquezas ou de Zaqueu, o publicano, em Mc 10.23-31 e Lc 19.1-10, respectivamente), mas ela visa ajudar os cristãos a chegarem ao discernimento correto da riqueza que repousa sobre a exploração do trabalho. Este discernimento é encetado pelas palavras os clamores dos ceifeiros entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos (5.4). Assim, o deus riqueza é aniquilado, sendo lembrado todo o processo de libertação e das novas relações de trabalho e princípios de convivência que surgiram entre os trabalhadores libertos do Egito (Êx 20.1-17). As comunidades de irmãos, as doze tribos, certamente experimentaram estas leis e fé no Deus que ouve, bem como procuram estabelecer condições objetivas para alteração das relações de trabalho. Não será por isso que os ricos oprimem e perseguem os cristãos (2.6), e os matam (5.6)? Não será também por isso que os cristãos têm que passar por muitas provações (1.2), suscitando confusões e falta de sabedoria (1.5) entre si mesmos? Em nossa sociedade e entre nós também não acontece algo semelhante?

2. Questões abertas ao ministério pastoral a partir duma realidade social específica, face à conjuntura nacional, à luz do texto

Exercemos o nosso ministério pastoral na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Ajuricaba. Ajuricaba é um município da região noroeste do Rio Grande do Sul, sendo agricultura e atividade predominante. Os seus habitantes são na maioria descendentes de imigrantes alemães e italianos. Na base da atividade agrícola está o binômio trigo e soja. Conforme o censo de 1980, 80% dos agricultores ajuricabenses têm menos de 20 ha de terra. Neste contexto se encontram os membros/paroquianos (mais de 95% de agricultores), com os quais somos chamados para sermos testemunhas fiéis de Jesus Cristo. É claro que a situação destes membros agricultores/trabalhadores não é a mesma daquela dos trabalhadores ceifeiros da nossa perícope. Dentre eles nem mesmo há trabalhadores assalariados camponeses; são pequenos e médios proprietários de terra e outras categorias profissionais. Eles vivem e trabalham num outro momento histórico.

Mas será que as palavras da nossa perícope não falam para estes membros e trabalhadores hoje? A fé que Deus nos presenteia, pelo Espírito Santo, nos dá a certeza do sim. Porém, faz-se necessário chamar a atenção para o fato de que as palavras severas de Tiago não nos permitem concluir que os trabalhadores ceifeiros se teriam situado de maneira ingénua diante das relações de trabalho e da riqueza em seu tempo. No entanto, é muito provável que eles não tinham a consciência histórica que temos hoje. Também não estamos autorizados a projetar para o mundo de Tiago a consciência de classe que os trabalhadores possuem hoje, a partir da trágica experiência com o sistema capitalista, sistema desumano e materialista em que vivem. Não obstante, é necessário perceber a profundidade e a atualidade dessas palavras de Tiago. Portanto, como salientamos acima, a questão primária em Tg 5.1-6 e nas relações de trabalho em nossos dias ê o salário retido. Ê preciso detectar o porquê desta retenção, na atual conjuntura sócio-histórica. Sabemos que esta tarefa não ê fácil, mas também não é impossível.

No agravamento da atual crise econômico-política, no período pós plano cruzado, que em poucos meses passou de um sonho a pesadelo, despontam uma hiperinflação (oficialmente na faixa dos 20% ao mês) e uma clamorosa desvalorização do salário. Esta situação afeta cruelmente a vida dos trabalhadores. Categorias inteiras estão clamando, através de greves e protestos, por causa da retenção de seus salários. Basta citarmos os servidores públicos, os professores estaduais e os aposentados pensionistas do sistema previdenciário. A situação desses trabalhadores é gritante e de outros ainda é muito pior. Esta realidade, quer queira quer não, também afeta profundamente os pequenos proprietários rurais. Esse pequenos agricultores sofrem em virtude do seu salário (a renda familiar anual) cada vez mais diminuído (retido). Vejamos o exemplo do custeio do trigo e a produção de leite. Para o pequeno agricultor o custeio do trigo 87 (= conjunto de despesas com a lavoura, óleo diesel, semente, manutenção do maquinário) a ser pago na colheita corresponde a 14,22 sacas de trigo. Para o médio e grande produtor, o custeio do trigo/87, a ser pago na colheita, varia de 22 a 30 sacas. A questão é: Quem pode recorrer ao custeio, sendo que a média colhida por ha varia de 6 a 30 sacas? Estando sujeito inclusive a não colher nada?! Já na produção de leite não é muito diferente. Até maio o produtor ganhava Cz$ 5,50 por litro, quando o consumidor pagava Cz$ 8,50 por litro. A partir de junho, o produtor ganha Cz$ 8,00 pôr litro, sendo que o consumidor paga Cz$ 12,00. Onde se expressa a retenção? No custo de produção. Para o mês de junho, o preço de custo por litro de leite está na razão de Cz$ 8,20 a 9,50. No entanto, o preço que o produtor ganhará é de apenas Cz$ 8,00 por litro. Quer dizer, trabalha com prejuízo. Ainda outro exemplo; Um agricultor adquiriu um trator tipo Massey 60/65 ou Valmet 85, em janeiro, ao preço de Cz$ 160.000,00. Atualmente, o mesmo trator custa Cz$ 400.000,00 e mais 25% de juros ao ano. Diante disto, podemos perceber que os grupos industriais vendem máquinas, peças de reposição, insumos, tal como os banqueiros emprestam dinheiro, com significativos lucros. Os agricultores, sobretudo, os pequenos, vão de mal a pior. Muitos se vêem forçados a vender terras, máquinas e outros bens imóveis. Numerosos títulos são protestados, sendo que as rádios da região constantemente anunciam propostas de negócios. Um caso típico é a Rádio Sobradinho de Sobradinho/RS. Informa-se que só durante a primeira quinzena de abril esta rádio teria anunciado a venda de 37 propriedades (cf. Rev. VEJA, n9 973/87, p. 100ss.).

O trabalhador assalariado urbano, por sua vez, não está em situação muito diferente. Apenas para se nutrir, para adquirir sua ração básica, em janeiro, ele precisava Cz$ 497,00, correspondendo a 137 horas de trabalho. Agora, em junho, ele precisa para se nutrir, Cz$ 1.145,00, correspondendo a 177 horas de trabalho. No momento o salário mínimo está em Cz$ 1.641,60, sobrando Cz$ 500,00 para vestuário, transporte, educação, lazer, saúde. Diante de tanta privação dos trabalhadores, não é difícil de compreender a questão do salário que foi retido e que ainda é retido. O sistema capitalista se move pelo lucro, que resulta da privação do salário pelos trabalhadores, empobrecendo-os, e, matando-os, brutalmente. Este sistema se está mostrando irreversível e cada vez mais mortífero. Aqui também não fica difícil dizer quem são os que retêm os salários, quem são os ricos: os banqueiros, industrialistas, latifundiários, donos das mídia e os que os defendem, os militares.

Tg 5.1-6 é uma perícope clara. Nela se condena o acúmulo de riquezas pela exploração do trabalhador camponês. Trata-se de um texto que não dá para espiritualizar. Omitir-se de pregá-lo também não é permitido. Colocar-se acima dele também não dá. Ele fala a nossos membros e para nós mesmos - pastores(as) e obreiros(as) remunerados. Ou não é verdade que recebemos no mínimo 4 a 5 salários mínimos?? Quanto os nossos salários não pesam nos orçamentos de nossas comunidades e paróquias?! Portanto, no mínimo somos constrangidos à solidariedade com as tantas outras categorias de trabalhadores - camponeses e operários. Solidariedade implica também participar de novas e concretas relações de trabalho, bem como ajuda imediata aos famintos, nus, perseguidos, presos e enfermos (cf. Mt 25.31 ss.). Ao mesmo tempo, somos desafiados a proclamar a boa notícia de que os clamores dos trabalhadores entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Este Deus gracioso e misericordioso que ouviu outrora, ele com certeza também ouvirá a nós, trabalhadores em sua seara (Mt 9.37). É claro, nesta tarefa o confronto é inevitável, pois muitas são as forças contrárias aos trabalhadores e à vontade de Deus. Em nossas comunidades também existem muitas e muitas pessoas, mesmo pequenos agricultores e assalariados, que têm cabeça de grande - de rico. Quantos ricos, principalmente, os que estão fora das comunidades/igreja, não nos detestarão. O convite é pregar a nossa perícope. Fazemo-lo em nome de Jesus. Aliás, tudo o que fazemos e dizemos, fazemo-lo em nome de Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. As palavras de Tg 5.1-6 são deveras duras. À medida que revelam o pecado - a exploração do trabalho - elas são Palavra de Deus viva e eficaz. Como proclamar nestas palavras severas de Tiago, imbuídas de juízo, esperança? Deixemos que Deus julgue pela sua palavra. Não percamos de vista a cruz de Jesus Cristo. Que Deus nos ajude!

3 - Ouvinte do texto pela boca de membros nossos

Lemos a perícope em estudo com alguns grupos do membros existentes na paróquia em que trabalhamos. Acompanharam a leitura as seguintes perguntas: Que está escrito no texto e que diz isto para nós hoje? Dentre as respostas ouvidas, destacamos estas:

- Parece que a realidade do tempo de Tiago era a mesma de hoje. Tem muita ganância. Enquanto uns ganham demais, outros passam fome e morrem. Há uma má distribuição.

-Os ricos tinham tesouros e riquezas acumulados. E os trabalhadores clamam, reclamando o salário, que é retido com fraude.

- O texto é forte. Ele choca. Tem que cuidar para não ofender os membros. Tem que pensar bem pra chegar lá nas pessoas. Tem que pensar muito bem como atingir o pessoal, senão vai dar estouro.

- É quase como hoje em dia. Quem pode rouba. Os logrados sofrem.

- Engordastes vossos corações em dia de matança. Isto tem a ver com problema cardíaco? Este dia de matança se refere à guerra?

- Senhor dos Exércitos é Deus? Então Deus é alguém que ouve. Deus também condena os ricos e a sua riqueza.

- Riqueza é como corrupção. Uma minoria poderosa oprime a maioria. A maioria vive na miséria. Muitos estão morrendo.

- Aqueles clamores lá me lembram os agricultores de hoje em dia. Eles bloqueiam as estradas e protestam nos bancos. Mas parece que não estão sendo escutados. Falta ainda muita união e organização!

- O texto fala do que passa hoje. Tem muita riqueza guardada e quase todo povo reclamando pelos salários. Um exemplo são os professores estaduais.

- O salário já é pequeno e ainda foi retido. Deus me livre.! Judia demais do trabalhador. E atrapalha na vida da comunidade, da Igreja.

- Mataram aquele justo sem ter chance para se defender. Isto é pavoroso!

III - Sugestão para prédica

1. Ler e ouvir a perícope com membros ou grupos de comunidade é muito significativo. Aliás, isto é um momento importante na preparação de toda e qualquer prédica.

2. Iniciar a prédica com apresentação de notícias que falam de fatos, situações de exploração de trabalhadores(as) na atualidade: baixo salário; não-paga de salário; desemprego; fome e morte. Lembre-se dos inúmeros anúncios nas rádios e jornais sobre venda de propriedades, máquinas e outros bens imóveis pelos agricultores. A intensidade e o tom deste momento depende naturalmente da realidade local da comunidade ou paróquia. Pode-se inclusive envolver os próprios membros para ajudar a preparar e mesmo relatar situações. Este momento deveria ser breve, mas deveria apontar para a situação gera! e específica por que passam os trabalhadores na atualidade. O objetivo é sensibilizar o ouvinte e a fazer pergunta: Como? Por quê? E ajudá-lo para ouvir a perícope.

3. Realizar a leitura de Tg 5.1-6. Fazer uma breve explicação, aludindo ao contexto da carta toda de Tiago e à situação dos endereçados. Em seguida destacar os personagens do texto, perguntando pelo que fazem. Apontar para o problema do acúmulo, a riqueza dos ricos: ouro, prata, terra (campos), através da exploração do trabalho camponês. Esta exploração é extrema: condena e mata o trabalhador (5.6). A retenção do salário aparece como problema central.

4. Meditar nas palavras criticas/severas de Tiago sobre os ricos e a riqueza. Aqui se deveria fazer o necessário discernimento cristão quanto à função da riqueza na antiguidade e na atualidade. Reter salário de trabalhador é proibido por Deus! Cada trabalhador é digno de seu salário, pois dele depende a sua vida.

5. Resgatar esperança nas palavras de Tiago não é a tarefa última. Elas mesmas estão imbuídas de esperança: Os clamores dos trabalhadores ceifeiros entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos! Deveremos evidenciar isto! O Senhor dos Exércitos é Deus. Ele não é um Deus indiferente, mas é infinitamente misericordioso e gracioso. Ele julga pela sua palavra. Ele ouviu. Assim ele o fez com os trabalhadores escravos no Egito, o fez com Jesus de Nazaré, seu Filho amado/trabalhador, pendente numa cruz; assim também a fará hoje e sempre. Nas palavras de Tiago palpita a veia da esperança do povo de Deus na historia. Isto temos que testemunhar, buscando relações de trabalho justas e dignas no tempo presente.

IV - Subsídios litúrgicos

1. Intróito: Jo 5.17; 1 Pe 1.3; Jo 14.16-18,19b.

2. Confissão de pecados: Senhor Deus, nosso juiz e amigo. Diante de ti e de irmãos/ãs, confesso que em meio a meu trabalho atuo como se tu não existisses. Olho para o mundo, confiando no poder e nas riquezas. Faço-me surdo aos clamores e dores de tantos trabalhadores. Calo-me diante de tanta injustiça. Ó senhor, restrinjo a tua ação apenas à igreja, esquecendo-me da tua palavra. Ignoro que tu julgas os povos e a história. Desconheço que tu és misericordioso, que tu estás presente, que tu ouves e esperas que eu faça o mesmo. Tem piedade de mim e de nós, tua comunidade, Senhor.

3. Oração de coleta: Senhor nosso Deus, damos-te graças por este nosso encontro neste culto. Tua palavra se fez carne em Jesus Cristo e foste capaz de morrer por nós. Junta a nossa comunidade. Vê e ouve as nossas dificuldades no trabalho e na vida. Não permitas que cada um se isole e sucumba diante da exploração do trabalho. Ajuda para que um carregue o fardo do outro. Acompanha-nos e ouve nossa oração. Em nome de teu Filho Jesus, que contigo e com o Espírito Santo, vive e reina eternamente. Amém.

4. Leituras bíblicas: Mc 10.23-31; Lc 12.13-21.

5. Assuntos para a intercessão na oração final: pelos doentes; pelos idosos; pelos aposentados e pensionistas; pelos trabalhadores e trabalhadoras assalariados que vendem sua força de trabalho; os desempregados; pelos professores; pelas crianças e jovens; pelos sindicalistas e sindicatos atuantes e defensores dos trabalhadores; pelos agricultores, especialmente, os pequenos e os sem terra; pelos presos, perseguidos por causa da luta em defesa do trabalhador; pelos ricos e suas riquezas que são contra a vontade de Deus; pela comunidade e igreja, para que seja fiel à tarefa que o Senhor lhe confia de ser testemunha do Evangelho de Jesus Cristo.

V – Bibliografia

- BAUER, J. B. Dicionário de Teologia Bíblica. 3. ed. São Paulo, 1983, v. 1 e 3.
- DICIONÁRIO enciclopédico da Bíblia. A. van den Born. ed. 2. ed. Petrópolis, 1987.
- DIBELIUS, M. Der Brief des Jakobus. In: Kritisch-exegetischer Kommentar über das Neue Testament. 11. ed. Göttingen, 1964.
- HOUTART, F. Religião e modos de produção pré-capitalistas. São Paulo, 1978.
- HUBERMAN, L História da riqueza do homem. 8. ed. Rio de Janeiro, 1972.
- JENNI, E. & WESTERMANN, C. Dicionário teológico manual del Antiguo Testamento. Madrid, 1985. v. 2
- KILPP, N. Dia do Trabalhador. Meditação sobre 2 Ts 3.6-13. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo, 1979. v. 5.
- SCHWANTES, M. Dia do Trabalhador. Meditação sobre Deuteronômio 5.12-15. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo, 1978. v. 3
- TAMEZ, E. A carta de Tiago numa leitura latino-americana. São Paulo, 1985.
-WALKER, D. J. & KONZEN, L. et. alii. Trabalhador. In: Estudos Bíblicos 11. Petrópolis, 1986.


Autor(a): Carlos Luiz Ulrich e Claudete Beise Ulrich
Âmbito: IECLB
Testamento: Novo / Livro: Tiago / Capitulo: 5 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 6
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1987 / Volume: 13
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 13989
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