Um olhar sobre o Fórum Nacional de Missão

26/07/2006

Cerca de 80 pessoas se reuniram no Fórum de Missão organizado pela Presidência e Secretaria Geral da IECLB em Florianópolis, entre os dias 13 e 16 de julho de 2006. Clima agradável, um lugar muito aprazível, bem próximo ao mar, o acolhimento e a boa organização do Fórum, tudo isto contribuiu para que mesmo os nordestinos presentes se sentissem à vontade. Foi uma rara oportunidade de se vivenciar a diversidade hoje presente na IECLB. 

Estiveram representados os 18 sínodos da igreja, setores de trabalho, movimentos de evangelização e missão, lideranças regionais e nacionais, inclusive o Pastor Presidente Dr. Walter Altmann e o 1º Vice-Presidente P. Homero Severo Pinto. 

A moldura do Fórum foi dada pelas celebrações litúrgicas a cargo da Dra. Sissi Georg e estudantes de teologia que se empenharam em preparar com muito carinho cada um dos momentos de oração da manhã e da noite, além da celebração final com santa ceia, no domingo antes do almoço. Houve oportunidade para oração, canto, testemunhos e inclusive o lava-pés.

O Fórum seguiu uma dinâmica que se poderia descrever como de círculos concêntricos. Os Blocos 1 e 2 apresentaram aspectos da história recente da IECLB e a dimensão missionária aí presente, com apresentações do P. Günter Wehrmann e da Diácona Ingrit Vogt, seguido de uma análise do contexto sócio-religioso em que se dá a missão, com duas palestras assumidas pelo P. Ms. Arzemiro Hoffmann e Dr. Oneide Bobsin. Nessas ficou claro que para dar conta do desafio missionário a IECLB, suas comunidades e lideranças precisam abrir os olhos para a diversidade religiosa e cultural do povo brasileiro. É necessário elaborar instrumentos de análise e metodologias de ação que respondam às angústias desse povo, que vive em meio a grandes incertezas, frustrações, ilusões e desenganos, sem deixar de lutar bravamente por sobrevivência digna e melhores dias. Nesse bloco foi importante perceber que a encarnação de Jesus significou que ele assumiu a cultura de seu tempo, sem, contudo, submeter-se a ela. Carne é cultura, foi uma das conclusões.

O Bloco 3 abriu a oportunidade de se compartilhar experiências de prática missionária em curso na IECLB. Nesse bloco ficou evidente que não há um único modo ou jeito de fazer missão, de ser missionário, mas o que vigora é a diversidade de propostas e diferentes respostas ao contexto sócio-religioso brasileiro (Apresentações feitas: CEDEL – Centro Diaconal Evangélico Luterano, de Porto Alegre; CERERE – Centro de Recuperação Nova Esperança, de São Bento do Sul; COMIN – Conselho de Missão entre Indígenas, com sede em São Leopoldo; Pastoral da Consolação, de Curitiba; Curso Alpha, com a coordenação em Porto Alegre; Missão em Comunidade de Metrópole, de São Paulo; Formação de Comunidade nova no Nordeste, em São Luís; Pastoral Universitária e Profissionais a serviço da missão – Munil e Paróquia Trindade, em Florianópolis; Conselho de Amigos da Missão – ME, com sede em Curitiba; Projeto Missão Zero no Nordeste). Comunidades e lideranças necessitam com urgência abrir os olhos e o coração para as necessidades espirituais e sociais das pessoas, ouvindo os clamores que elas levantam a partir de suas circunstâncias concretas de vida, para descobrir como anunciar o evangelho de tal modo que ele seja realmente uma boa notícia e não mais outra proposta religiosa que venha competir num mercado religioso altamente disputado como no Brasil de hoje. Entre estes depoimentos, todos marcantes e comoventes, sobressaiu o testemunho de Nataniel, presidente da recém criada Comunidade Evangélica Luterana de São Luís do Maranhão, pela teimosia com que aquele grupo de famílias lutou para integrar a comunhão da IECLB e fazer dessa igreja uma alternativa comunitária evangélica ao povo maranhense.

O Bloco 4 abriu espaço para duas exposições sobre a fundamentação bíblico-teológica da missão, com a participação do P. Martim Weingaertner, da FATEV de Curitiba e do P. Roberto Zwetsch, da EST de São Leopoldo. O estudo bíblico proporcionou a percepção da diversidade de enfoques missionários na própria Palavra de Deus. Martim fez uma apresentação da base bíblica da missão a partir das parábolas de Jesus, mostrando como Deus por amor anula uma dívida impagável que pesava sobre cada pessoa humana e a chama para uma nova caminhada de arrependimento e fé. Roberto fez uma leitura meditativa de Atos 10, no qual Lucas narra o encontro entre Cornélio e Pedro, mostrando como Deus não faz acepção de pessoas, escuta a oração mesmo de quem não participa da comunhão cristã e faz derramar o seu espírito sobre aqueles que o temem e fazem o que é justo. Há momentos em que, para mobilizar a sua igreja, Deus envia às comunidades cristãs justamente aquelas pessoas que consideramos pagãs ou impuras (missão ao revés). Nesse momento vale a palavra da visão que desconcertou Pedro: Não consideres comum ao que Deus purificou (Atos 10.15). Abrir-se aos outros é um dos desafios missionários mais urgentes na IECLB.

O Bloco 5 deu oportunidade para apresentações de 9 eixos temáticos a partir dos quais se poderia formular um novo passo no Plano de Ação Missionária da IECLB, assumido pela igreja no Concílio de Chapada dos Guimarães em 2000 e que já está a merecer uma avaliação. O Fórum foi um espaço para isto, mas também para olhar para frente. Foram convidadas pessoas que estão envolvidas em cada um dos eixos selecionados para servir de impulso à reflexão e para a busca de linhas de ação prática. Foram apresentados os seguintes eixos: Missão e Formação; Missão e Comunicação; Missão e Edificação de Comunidades; Missão e Diaconia; Missão e Culturas; Missão e Sustentabilidade; Missão, Crianças e Jovens; Missão e Ecumenismo; Missão e Evangelismo.

A diversidade de desafios demonstra que a missão pulsa em muitos lugares na IECLB e mobiliza muita gente. Ainda assim, o Fórum percebeu que ainda há muito por fazer, há muita gente que precisa se desinstalar e assumir seu lugar no chamado para seguir o Missionário Jesus , ele que nos antecede em qualquer lugar onde pretendemos servi-lo em meio ao nosso povo. É preciso assumir as conseqüências do batismo como envio para o testemunho do reino de Deus que já começou a agir entre nós.

No último dia, o Fórum examinou o Documento de Campeche que servirá como um testemunho da caminhada realizada até aqui e como um impulso para a renovação da vida comunitária e dos compromissos para os quais a fé nos remete. A missão de Deus segue em frente. Por meio dela, Deus chama continuamente sua igreja, as comunidades de fé, suas lideranças e não por último o próprio povo de Deus para testemunhar em ação e oração o evangelho da vida, da paz e da justiça que transforma o mundo, como vimos na IX Assembléia do CMI em Porto Alegre, em fevereiro passado. Sintomaticamente, o subtítulo do Documento ficou assim: O rosto da IECLB está mudando, como a dizer que, de uma igreja com raízes étnicas e históricas marcantes, esta igreja começa a assumir em sua composição social e de fé o rosto diversificado da população brasileira, como um indicativo de sua encarnação em diferentes âmbitos sociais e culturais. O desafio parece ser como preservar dinamicamente a identidade evangélico-luterana na diversidade de culturas e jeitos de ser igreja cristã na terra brasileira. Este desafio vale tanto para as comunidades e a direção da igreja, quanto para os centros de formação, tanto de obreiros e obreiras quanto de lideranças comunitárias (os assim chamados leigos e leigas).

Fonte: Roberto Zwetsch, professor da EST

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